7.9.08

O 7 de Setembro visto por Rui Barandas

O drama dos brancos em Moçambique, começou com o acordo de Lusaka, ao qual Mário Soares presidiu e no qual foi assinado a entrega de Moçambique aos terroristas (assim eram conhecidos e tratados), algo que deixou toda uma população de milhares de brancos em estado de choque, causando um clima de pânico e de alarmismo jamais vividos naquele terrítório. Como podia ser? Então o 25 de Abril, com tantas promessas de Liberdade culminou nisto? Entregar Moçambique desta maneira sem garantias para os brancos, sem um referendo, sem nada? Repentinamente e espontaneamente milhares e milhares de brancos, tomaram conta das cidades incluindo a capital, Lourenço Marques.
Eu estava em Johannesburg e de manhã ao ligar para a bem conhecida estação sul-africana, emitida a partir do Rádio Clube de Lourenço Marques e conhecida como a LM RADIO, ouvi uma mensagem muito intrigante, algo como AQUI MOÇAMBIQUE LIVRE, VIVA MOÇAMBIQUE LIVRE, e depois vários discuros e ao mesmo tempo pediam ajuda ao governo sul-africano para o rápido fornecimento de armas. Estas mensagens eram dadas em Portugues e Inglês e eu de imediato telefonei ao Marques, um amigo da família, que tinha vindo de Lourenço Marques trabalhar para Rustembrug, numas minas de ouro perto de Johannesburg. Ele tinha dois filhos, a Eunice e o Orlando e ambos tinham casado com sul-africanos. O marido da Eunice tinha subido muito e trabalhava no governo central junto do Primeiro Ministro. O Marques, alarmado, contactou-o e deu-me o número dele, e quando falei com ele, eles em Pretória, já estavam informados do que se passava e ele garantiu-me que um cargueiro com toneladas de armamento estava para sair de Durban a qualquer momento e camiões da tropa sulafricansa, já estavam na fronteira com armamentos também. Ele era muito amigo dos portugueses e falava português. Entretanto os apelos continuavam e pediam que todos os portugueses e sul-africanos se deslocassem para Lourenço Marques, para ajudar, o que eu fiz de imediato. Quando cheguei a Lourenço Marques, não queria acreditar, era uma festa autêntica!
Milhares e milhares de brancos com as bandeiras de Portugal, corriam por todo o lado acenando e com o sinal de Vitória cumprimentavam-se uns aos outros. Ouvia-se constantemente insultos a Mário Soares e outros, e com os transistores ligados, ouvia-se o Hino Nacional constantemente e a canção "Grândola Vila Morena"!
Em Lisboa, Cunhal e o embaixador da União soviética uivavam de raiva, pois tinha que se parar com esta contra-revolução.
Entretanto chegou uma delegação de sul-africanos a Lourenço Marques, e lembro-me deles terem perguntado quem era o dirigente daquele levantamento e vários apresentaram-se como representantes de vários partidos políticos. Era uma grande confusão. Não havia nenhuma coesão nem ninguém se entendia. Eram os democratas, os Fico os Federalistas e os sul-africanos estavam estupefactos, pois não havia ninguém a liderar. Entretanto o governo de Lisboa, informou o governo sul-africano que ficasse de fora deste assunto interno de Portugal, pois correria o risco de uma confrontação internacional, com a intervenção de tropas portuguesas e não só e então os sul africanos estavam perante uma situação muito grave. Por um lado a desorganização dos brancos, e por outro as ameaças dos governantes de Portugal, pelo que ficaram em stand by. Em poucos dias, foi desmobilizado o levantamento, a tropa portuguesa armou os negros dos bairros periféricos do Maputo e outras cidades, e milhares de negros entraram pelas cidades a dentro munidos de catans e armas, fornecidas pela tropa portuguesa e chacinaram milhares de brancos.
Nunca na História de Portugal contemporâneo houve um genocídio desta envergadura perpretado por portugueses contra portugueses, nem por ninguém.
Milhares e milhares de brancos foram assassinados na maior das selvajarias. Só no Hospital Miguel Bombarda viam-se centenas e centenas de cadáveres, que com o calor, já deitavam um cheiro nauseabundo. Os negros por onde passavam matava tudo quanto era branco, até animais. A minha irmã que era analista naquele hospital, fugiu aterrorizada e ficou de tal maneira traumatizada que durante anos nem podia ouvir falar em Moçambique nem nada que se referisse à "independência" deste território. Os comunistas conseguiram os seus intentos e Moçambique que desde 1498 era território Português, passou a ser um satélite soviético, onde durante anos só se viam russos, alemães de Leste e cubanos.
O 7 de Setembro devia ser declarado como um Dia de Luto Nacional, só que os portugueses em Portugal, na sua maioria não sabem o que lá se passou. Nem nunca este sistema em que vivemos o deixará saber.

Rui Barandas

3 comentários:

João José Horta Nobre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
algarvio remexido disse...

Obrigado ;)

www.correiodaeuropa.blogspot.com

João Cunha Ribeiro disse...

Estas são só palavras, mas para quem sentiu,esses momentos aprecebeu-se que somos e sempre seremos peões num tabuleiro á disposição dos jogadores, num dia defendia-mos uma causa,no outro ordenavam-nos que lhes apertar a mão e dividir a ração de combate.Somos e seremos um povo estúpido, pelo simples facto temos como pelo facto de desenvolvemos as ex colónias, mas nunca as exploramos, mas aos olhos do mundo fomos exploradores,ainda que agora esse manancial seja actualmente explorado por quem nada fiz para o merecer...