
Eu estava em Johannesburg e de manhã ao ligar para a bem conhecida estação sul-africana, emitida a partir do Rádio Clube de Lourenço Marques e conhecida como a LM RADIO, ouvi uma mensagem muito intrigante, algo como AQUI MOÇAMBIQUE LIVRE, VIVA MOÇAMBIQUE LIVRE, e depois vários discuros e ao mesmo tempo pediam ajuda ao governo sul-africano para o rápido fornecimento de armas. Estas mensagens eram dadas em Portugues e Inglês e eu de imediato telefonei ao Marques, um amigo da família, que tinha vindo de Lourenço Marques trabalhar para Rustembrug, numas minas de ouro perto de Johannesburg. Ele tinha dois filhos, a Eunice e o Orlando e ambos tinham casado com sul-africanos. O marido da Eunice tinha subido muito e trabalhava no governo central junto do Primeiro Ministro. O Marques, alarmado, contactou-o e deu-me o número dele, e quando falei com ele, eles em Pretória, já estavam informados do que se passava e ele garantiu-me que um cargueiro com toneladas de armamento estava para sair de Durban a qualquer momento e camiões da tropa sulafricansa, já estavam na fronteira com armamentos também. Ele era muito amigo dos portugueses e falava português.

Milhares e milhares de brancos com as bandeiras de Portugal, corriam por todo o lado acenando e com o sinal de Vitória cumprimentavam-se uns aos outros. Ouvia-se constantemente insultos a Mário Soares e outros, e com os transistores ligados, ouvia-se o Hino Nacional constantemente e a canção "Grândola Vila Morena"!
Em Lisboa, Cunhal e o embaixador da União soviética uivavam de raiva, pois tinha que se parar com esta contra-revolução.
Entretanto chegou uma delegação de sul-africanos a Lourenço Marques, e lembro-me deles terem perguntado quem era o dirigente daquele levantamento e vários apresentaram-se como representantes de vários partidos políticos. Era uma grande confusão. Não havia nenhuma coesão nem ninguém se entendia. Eram os democratas, os Fico os Federalistas e os sul-africanos estavam estupefactos, pois não havia ninguém a liderar.

Nunca na História de Portugal contemporâneo houve um genocídio desta envergadura perpretado por portugueses contra portugueses, nem por ninguém.
Milhares e milhares de brancos foram assassinados na maior das selvajarias. Só no Hospital Miguel Bombarda viam-se centenas e centenas de cadáveres, que com o calor, já deitavam um cheiro nauseabundo. Os negros por onde passavam matava tudo quanto era branco, até animais. A minha irmã que era analista naquele hospital, fugiu aterrorizada e ficou de tal maneira traumatizada que durante anos nem podia ouvir falar em Moçambique nem nada que se referisse à "independência" deste território.

O 7 de Setembro devia ser declarado como um Dia de Luto Nacional, só que os portugueses em Portugal, na sua maioria não sabem o que lá se passou. Nem nunca este sistema em que vivemos o deixará saber.

Rui Barandas
3 comentários:
Obrigado ;)
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Estas são só palavras, mas para quem sentiu,esses momentos aprecebeu-se que somos e sempre seremos peões num tabuleiro á disposição dos jogadores, num dia defendia-mos uma causa,no outro ordenavam-nos que lhes apertar a mão e dividir a ração de combate.Somos e seremos um povo estúpido, pelo simples facto temos como pelo facto de desenvolvemos as ex colónias, mas nunca as exploramos, mas aos olhos do mundo fomos exploradores,ainda que agora esse manancial seja actualmente explorado por quem nada fiz para o merecer...
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