31.12.07

O meu aniversário sob o lema "O Nonas merece!"

Queria passar despercebido no meu anito blogosférico, ainda para mais a um domingo, vespéra de mais uma festarola de passagem de ano.
Não consegui e tive alguma culpa no cartório porque deparei-me com o DVD d` "As aventuras do Rabi Jacob" que comprei e decidi
anunciar na blogosfera a edição desta hilariante comédia de Louis de Funès.
Amigos e camaradas como o Bruno, o José Carlos, o FSantos, o Humberto (qual concurso 1, 2, 3), o Mário, o Vítor Ramalho, o Pedro, o Duarte, o ex-camarada Flávio Gonçalves não esquecendo o Réprobo e o Thoth, sob o lema "O Nonas merece!" foram de uma generosidade ilimitada.
Em todo o caso, a todos os que se lembraram do meu aninho aqui vai um forte abraço com Amizade e Camaradagem. Bem hajam por serem meus amigos e por me aturarem!

29.12.07

Goulart Nogueira e Agora/Fascismo

Não podia o Manlius esquecer o aniversário de Goulart Nogueira sem deixar referência ao jornal “Agora”, na sua última fase sob a “direcção única” de Goulart Nogueira e que neste número (n.º 329, 4 de Novembro de 1967, Ano VII) assumiram a responsabilidade financeira Goulart e António José de Brito. Foi um número que teve repercussão internacional mormente nos círculos universitários europeus e na revista “Découvertes” sob a direcção de Jean Haupt.
Conta entre os seus colaboradores: António José de Brito (António José de Brito, “
O Fascismo na História do Pensamento”; José de Aguiar, “Universalidade do Fascismo”; A. Vieira de Magalhães, "O último Mussolini"); Goulart Nogueira (Goulart Nogueira, “Permanência do Fascismo”), Rodrigo Lemos, “A luz debaixo do alqueire”, João de Albuquerque, “Fascismo e Tradição”); Luis de Azevedo, “O Fascismo e as artes”; Caetano de Melo Beirão, “Giovinezza! – lembrança do anos 30”; Luís Fernandes, “Estilo Fascista”; Benito Mussolini, “Doutrina Fascista”, “Diálogo quase socrático”; Robert Brasillach, “Fascismo, Juventude”; Alexandre de Vasconcelos “Fascismo – uma concepção aristocrática de Estado”; Paulo Correia, “Fascismo – Revolução”; César de Oliveira “O gremialismo integralista antecedeu o cesarismo socialista do fascismo”; Curzio Malaparte, "A morte enfrentada"; Marcelo Caetano, "Portugal e a Itália fascista"; Jaime Nogueira Pinto, “Fascismo 67”; José Valle de Figueiredo, “Fascismo e futuro” e Miguel de Seabra, “Ainda podemos vencer?”.
Como acertadamente escreve o José Carlos foi “um dos melhores números de sempre” do Agora. Entre os geniais, estão Goulart Nogueira, António José de Brito, Caetano de Melo Beirão, Mussolini e Brasillach. Dos outros, como Jaime Nogueira Pinto, José Valle de Figueiredo e Miguel de Seabra, três exemplos "exemplares" cujos percursos falam por si…

24.12.07

Prenda de natal na SIC Notícias

Vai ser retransmitido hoje na SIC Notícias, às 18.30 horas, e amanhã, às 00h30, o documentário "Micas e Salazar".
Uma boa prenda de Natal! E em duplicado!

22.12.07

No 81.º aniversário de Goulart Nogueira

I – DESAFIO...

Esta cópia manuscrita vai para o Rodrigo Emílio com muito afecto

Meu Deus! Só quando renunciar ao mundo
Abarcarei o mundo
Sei isto e muitas coisas mais
Que me dizem dos sítios onde vais.
Sei isto e os compêndios de escolar
Que ensinam os caminhos por Te achar.
Sei isto; e a inteligência mostra que é.
Só não sei o gosto ao amor. Só não sei a força à fé.

Meu Deus Senhor! Renunciar ao mundo,
Nada querer pra Te querer a Ti.
Nessa empresa me gasto e me confundo,
Mas moras muito alto ou muito fundo,
Que sinto o mundo e nunca Te senti.

Ó dono dos exércitos - vencido!,
Inerte, quando a terra me conquista!
Só me chamas nas coisas escondido.
E eu nas coisas me perco, ó som perdido,
Ó eco enganador, ó falsa pista!

Meu Senhor, que encontrei na inteligência
E explicando o insucesso dos meus passos;
Que conheci - de nome - nos regaços
De Mãe, Tias e Avó - com negligência­...
Senhor intemporal que não tens pressa,
Que envenenas os sítios onde beijo,
Que me afogas de dor no que desejo,
Meu Deus Senhor! Por onde se começa?


Goulart Nogueira.
Reescrito, de memória, no Porto,
em 29 de Maio de 1991.

II - Parada...

«Saudação»

Ao meu bemquerido Mestre Goulart Nogueira, que continua a ser o único Nogueira que eu conheço digno de fé - e, assim mesmo, «a segunda explosão cultural da Poesia Portuguesa neste século, depois de Fernando Pessoa»,1 agradecendo e retribuindo, desde esta minha - e sua - Casa de São José, a dedicatória e regalo da desgarradora poesia manuscrita que teve a lembrança e a amizade de ofertar-me no Porto, em antepenúltimos de Maio.
Cara al sol, de braço ao alto, e com o mais que filial afecto que lhe tem dedicado, sempre, o seu discípulo, mal amado, maltratado e mal avaliado,
Rodrigo Emílio.


Ó meu irmão siamês,
meu irmão gémeo -
como eu, português
e, como eu, boémio:

- a teus braços me arremesso,
como quem se atira às águas,
procurando dar início a um bom congresso
de mágoas.


Se és um dandy,
cinge o fraque,
manda vir brandy
e cognac,

- que eu, pecador, me confesso
de nadar nas mesmas águas
do amor e do excesso
de mágoas.

Já das noitadas de sexo
pouco a pouco me despeço...
Já começo a alar das águas...

...E contigo as atravesso,
desafiando‑te, em verso,
a um bom congresso
de mágoas.

Ó meu irmão siamês,
meu irmão gémeo -
- como eu, português
e, como eu, boémio:

faculta‑me acesso
a terras e águas
e a um bom congresso
de mágoas.

Rodrigo Emílio
(1979‑1982)

1 – Opinião que regularmente tenho vindo a reiterar, desde o dia e hora em que; a justo título, a firmei e expendi pela vez primeira. Onde? - Nas para sempre saudosas e bem-lembradas colunas do recinto cultural do Diário da Manhã. Quando? - Há-de haver uns bons - digo: uns maus - vinte e sete anos...



III - ... E RESPOSTA

«RECADO EM PRECE»

Inteiramente, e inédito, para
o Rodrigo Emílio



Pois, Rodrigo, te respondo
Num mesmo jeito de verso
Que, cada qual com seu estrondo,
Chegámos ao mesmo berço,

E um mais alto, outro mais baixo,
Um mais velho, outro mais novo,
Tomámos o mesmo enfaixo,
Como sendo o mesmo ovo.

Nem se nota a diferença,
Com tamanha luz acesa.
Espantosa é a parecença
E é semelhante a magreza.

Mingadinhos, desmedidos,
Cada qual seu rosicler...
Como são tão parecidos?
Como é que isto pode ser?

Marcas o lugar que eu marco,
Neste pinho que nos veste.
Nem sei se é berço, se é barco,
Se uma astronave celeste.
Órfãos, no campo enjeitado,
Velhinhos na escuridão,
Fazemos choro dobrado,
Presos na mesma aflição.

Se eu te pregar a partida
De partir antes que queres
- «Avé Maria bendita
Entre todas as mulheres!» -,

E se tu me prespegares
Duas chapadas «zás! trás!»
Prosseguirei nos teus ares
Pra qualquer sítio que vás.

Se desarvorares, triste,
Mais negro do que um tição,
Correrei, de pranto em riste
A chamar‑te: «lrmão! Irmão!».

Por enquanto, deixa, deixa!
Grão na terra... Sal no mar...
Não faças nenhuma queixa,
Tudo se há‑de arranjar.

Pelos sóis, pelos buracos,
Arrastámos nossa cruz.
Tanta travessia aos nacos!
Tantos planetas, Jesus!

E, chegando ao mesmo berço,
Ó Virgem Santa Maria!,
Já, cada qual com seu terço,
Andamos pela agonia.

Que Nosso Senhor louvado!
Se nos traçou rumos tais,
Nos ponha aos dois, lado a lado,
Com brancas asas iguais.

Goulart Nogueira
16 de Julho de 1991

Cultura democrática

20.12.07

Anda por aí o Pai Natal

Anda pela blogosfera o Pai Natal e trouxe-nos algumas prendas:
1 - poema inédito do Rodrigo Emílio no Manlius;
2 - site da Antília Editora com os créditos de simplicidade e de bom gosto que caracterizam o Pedro Guedes e a Oficina do Site;
3 - três cartões de Natal do BOS acabadinhos de chegar da Lapónia.

Como dizem que o Pai Natal é um mãos largas, é bem capaz de nos deixar mais alguma coisa no sapatinho blogosférico.

19.12.07

A Pintura de John Duncan

John Duncan
Pintor escocês
(1866-1945)

Tristão e Isolda (1912)

No cinema: Tintin e Hobbit

Vamos ter nas salas de cinema Tintin e Hobbit com a realização de Peter Jackson, o extraordinário realizador da trilogia "Senhores dos Anéis".

No Público: Mocidade Portuguesa Feminina

Por vezes, somos surpreendidos como é o caso deste trabalho no caderno 2 do Público. O texto com o título de "Mulher, nacionalista, católica e de classe média alta" é da autoria de Maria José Oliveira.
Um retrato da Mocidade Portuguesa Feminina a partir de uma investigação de Irene Flunser Pimentel.
Será que o Tribunal Constitucional sabe disto?

14.12.07

11.ª Alameda Digital


Já está em linha a décima primeira edição da Alameda Digital, tratando desta vez, para além de outros assuntos, do tema "Tradição e Modernidade".
Colaboram neste número Abel Matos Santos, Abel Coelho de Morais, Alberto de Araújo Lima, António Gentil Martins, Bernardo Calheiros, Carlos Bobone, Carlos Consiglieri, Eduardo Silvestre dos Santos, F. Santos, Isabel de Almeida e Brito, J. Luís Andrade, João José Brandão Ferreira, Jorge Azevedo Correia, Jorge Ferreira, José Maria André, Manuel Azinhal, Mário Casa-Nova Martins, Miguel Mattos Chaves, Miguel Vaz, Pedro Mesquita, Pedro Guedes da Silva, Rui Corrêa de Oliveira, Silvino Silvério Marques e Simão dos Reis Agostinho.
Entretanto, continua disponível o
arquivo dos números anteriores
Se não quiserem ir às compras de Natal, aproveitem para uma leitura da Alameda Digital.

13.12.07

Razão tem o Manlius

Quem sabe, sabe! Não é assim, caro Manlius?
Uma vez mais
acertaste na mouche e, anos depois, voltas a ter razão. Uma vez mais, o tempo vem dar-te razão.
Como bem dizes, ele têm a faca e o queijo na mão. Podiam seguir a via da "justiça", argumentando com o perigo nazi-fascista que querem pôr em causa os direitos do homem, da mulher, da criança, dos animais e sei que lá que mais para proibirem a existência de um movimento ou de um partido nacionalista.
Tentaram a extinção do M.A.N. no Tribunal Constitucional que, segundo o Ministério Público, era um "movimento nazi-fascista-salazarista-racista". Depois, perceberam que o Movimento de Acção Nacional se tinha auto-extinguido.
Agora, é a vez do PNR. Como nada conseguem através do Tribunal de Contas, nem que o PNR se declare nazi-fascista-salazarista-racista caindo sob a alçada da Lei Celerada (vulgo lei anti-fascista) vão pela via mais subreptícia e indolor: a (fora-da-)lei dos partidos.

Democracia a quanto obrigas

Tardou mas chegou. O Tribunal Constitucional vai declarar a extinção dos partidos com menos de 5.000 militantes.
A mim parece-me bem porque é uma primeira medida para a extinção da partidocracia e da democracia em Portugal.
O que me parece-me mal é que fique pelo número ridículo e inconstitucional de cinco mil militantes. Acho que devia extingui-los a todos e criar um partido único e democrata, o Partido Democrático Português honrando assim Afonso Costa.
Pensem bem. Em vez do sistema democrático financiar os "partidos com assento na Assembleia da República" e respectivos deputados assim acaba - também - com tudo e o Palácio de S. Bento pode ser vendido para a construção de uma zona luxuosa, um novo hipermercado ou um novo casino em Lisboa.
Resumindo e concluindo, a democracia e os partidos políticos funcionam a numerus clausus.
Estamos com uma clausura democrata ou democracia enclausurada.

Post Scriptum - Por acaso, esta sadia medida anti-democrática não tem nada a ver com o crescimento do PNR, pois não?

Ontem, hoje e sempre!



12.12.07

No Expresso: Um cientista português no coração do nazismo

Leni Riefenstahl em DVD

Leni Riefenstahl editada em português através de dois documentários impressionantes pelas suas imagens: "O Triunfo da Vontade" e "Olympia - Deuses no Estádio". A edição é da Cameo Media.
O duplo DVD custa 24,95€.
É de aproveitar.

Declarações de Udo Voigt, líder do NPD

O líder do partido alemão NPD, Udo Voigt, declarou em entrevista ao canal de TV público ARD que: "O número de seis milhões de mortos não pode estar certo. No máximo, 340.000 pessoas morreram em Auschwitz. Os judeus sempre falam que mesmo que um único judeu tenha morrido, seria um crime porque ele era judeu. Há, porém, uma diferença entre pagar por seis milhões (de mortos) e por 340.000".
"Assim, a unicidade deste grande crime, ou suposto grande crime, já não existe mais", acrescentou Udo Voigt nesta entrevista concedida a jornalistas iranianos e transmitida pela ARD.
Voigt, também, exigiu a restituição "da Pomerânia, da Prússia ocidental, da Prússia oriental e da Silésia, pouco importa que seja Königsberg (Kaliningrad), Danzig (Gdansk) ou Breslau (Wroclaw)". "Todas essas cidades são alemãs, e exigimos a liberdade de exercer nossos direitos sobre elas", afirmou.

11.12.07

Boletim Evoliano n.º 2


À vossa disposição em papel, html ou em pdf o n.º 2 do Boletim Evoliano que se caracteriza pela qualidade. Excelente número.

10.12.07

Olha quem fala!

“Quando a Directora da Menina e Moça me pediu algumas palavras para este número comemorativo do XX aniversário, senti que não podia deixar de responder a esse convite. Não que essa resposta me fosse ditada por uma mera cortesia para com as responsáveis da M. P. F., que respeito e admiro. Não que a ela me movesse o gosto, sempre renovado, de ver as próprias ideias ou sentimentos reduzidos à forma objectiva de caracteres tipográficos. Um único motivo me torna presente nas colunas desta revista. Esse motivo é a gratidão muito viva por tudo o que através da M. P. F., eu pude aprender, consciencializar e tornar bem concreto na vida quotidiana.
A Menina e Moça foi para mim, durante o tempo decisivo da minha adolescência, o complemento do clima de entusiasmo e de generosidade, de gosto pelos grandes ideais e de pronto espírito de serviço que as aulas de formação, as colónias de férias e, acima de tudo, o curso de graduadas da M. P. F. (que frequentei entre o 4.º e 5.º anos do liceu) me habituaram a desejar e a querer viver. Mais tarde, durante a experiência, extremamente rica, de alguns anos em que pude colaborar nas aulas de formação moral e nacionalista, o mesmo espírito me foi trazido pela Menina e Moça, onde sempre gostei de reencontrar o ideal, sem mistura, da mocidade, e a disponibilidade, sem reserva, da época da vida em que o coração todo inteiro se dá.
Sobretudo, veio-nos através da M. P. F. (eu não sei mais distinguir entre o que me veio através da Menina e Moça e o que veio através das outras actividades da Organização) a repulsa pela mediocridade consentida e o gosto das coisas duras, que me têm tornado a vida uma difícil mas apaixonante aventura. E, como pano de fundo de toda a formação que na M. P. F. recebi, veio-me a certeza, ao mesmo tempo empírica e mal documentada, da existência de uma vocação própria da Mulher no mundo, base natural em que mais tarde havia de assentar a minha vocação ao serviço da Igreja Universal.
É por isso que eu gostaria de dizer a todas as meninas e moças da geração de hoje que não fechem os ouvidos ao apelo de altura e de sonho que a M. P. F. nelas quer despertar. Que não encolham os ombros, numa pretensão de experiência céptica das pessoas e das coisas, quando a M. P. F. as convida à generosidade e a ocuparem o seu lugar no mundo. Que não se alheiem com desprezo daquelas que procuram ajudá-las a viver a etapa maravilhosa da adolescência. Que não tenham medo de ser diferentes no meio da massa indiferenciada que a civilização do nosso tempo tem produzido.”

In “Mocidade Portuguesa Feminina”, Irene Flunser Pimentel,
Esfera dos Livros, 2007, pág. 204.

Livro: Mocidade Portuguesa Feminina

Sob a chancela da Esfera dos Livros, Mocidade Portuguesa Feminina é um álbum extraordinário em matéria documental e iconográfica. Com 240 páginas profusamente ilustradas e o preço de 40€ é um livro que merece fazer parte da biblioteca de qualquer estudioso da temática.

7.12.07

Livro: Berlim, vida ou morte

Berlim, vida ou morte é um relato épico feito pelo coronel SS Miguel Ezquerra Sanchez que nos conta toda a odisseia na defesa da Europa.
Editado pela Atomic Books é um livro que vale a pena ler para se conhecerem os feitos da Europa Heróica.

Eis a capa da 1.ª edição portuguesa de 1947.

6.12.07

Gerd Honsik condenado a 18 meses de prisão

Gerd Honsik, autor revisionista, foi condenado pelo Supremo Tribunal "austríaco" a penar 18 meses na prisão por negar o holocausto em 1992.
Honsik foi detido em Málaga, no sul de Espanha a 24 de Agosto deste ano e extraditado para a Áustria em 4 de Outubro 2007 a fim de ser julgado pela "Justiça" democrática no seu país natal.


5.12.07

Vamos repôr o nome à Ponte Salazar

Está em circulação através de Salazar, o obreiro da Pátria o abaixo-assinado: «VAMOS REPÔR O NOME À PONTE SALAZAR
Meus amigos, vai sendo tempo de dizermos!
É urgente que as gerações não cresçam sobre a mentira; se para si a verdade histórica é importante; se o nome dos nossos maiores tem alguma importância histórica; se a justiça é elemento importante e determinante; se a verdade deve fazer parte de um Estado de Direito; Então, lute pela verdade!
Preencha e devolva-nos o impresso.
Clique aqui»

Pela minha parte, subscrevo que nome de Salazar, o grande Português, seja reposto mesmo contra a vontade do mesmo que nunca quis que a Ponte fosse inaugurada com o seu nome.

4.12.07

Os meus 35 anos com Salazar / Micas e Salazar

Vi o documentário "Micas e Salazar" transmitido na SIC Notícias no programa "Grande Reportagem".
A Senhora D. Maria da Conceição de Melo Rita deixa-nos um testemunho extraordinário sobre Salazar. Um depoimento comovido e comovente, verdadeiro e sincero que só honra e dignifica a depoente e o visado.
O documentário é o reflexo do seu livro "Os meus 35 anos com Salazar", cuja compra e leitura vivamente recomendo e que já vai na 4.ª edição.
A sua fidelidade é-nos deixada ao longo do livro. Na última página afirma: "Mas a sombra do homem de quem recebi a benesse de iluminar a minha existência não desapareceu. Foi o meu porto seguro. É um referencial que permanece. Até ao fim."
Para a Senhora D. Maria da Conceição de Melo Rita a sua honra chama-se fidelidade e não há que esquecer que serviu Salazar e não se serviu de Salazar.
O S do cinto da Mocidade Portuguesa não significava Salazar como erradamente muita gente pensava. O S era de Servir.
A Senhora D. Maria da Conceição de Melo Rita, uma grande Senhora, prestou um enorme serviço à História de Portugal com estas suas declarações.
Bem haja!

Na SIC Notícias: Micas e Salazar

Transmitido na SIC no domingo passado, logo a seguir ao Jornal da Noite, o documentário "Micas e Salazar" vai hoje para o ar na SIC Notícias, às 23 horas.

Virgem do Graal

23.11.07

Novidades em linha




Já a pensar no centenário www.regicidio.org
Boas surpresas:
Legião Patriótica, Revisionismo em linha e Alain Guionnet.

Língua ou dialecto?

No próximo ano, vamos ter uma nova língua ou dialecto: tuga/brasilês/acordês.
Ainda diziam que "a minha Pátria é a língua portuguesa". Oh, Pessoa não leves a mal. Sabes que a Pátria (povo e território) foi estreitada e enterrada em 1974, a soberania em 1980. Agora, querem enterrar-te outra vez em 2008.
Deixa lá. enterram-te a ti, ao Camões e tantos grandes escritores da Língua Portuguesa.
Valha-nos Deus! Deus nos valha! Eles não sabem o que fazem!
Aqui fica o texto sobre o novo crime à Língua Portuguesa.
Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Exmo. Sr. Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros Luís Amado,
tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário.
Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua.
Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo.
Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora.
E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.

ASSINE AQUI A PETIÇÃO

Livro: Portugal Futurista


Editado pela Contexto Editora, em 1990, este número único do "Portugal Futurista" com um interessante estudo de Nuno Júdice sobre "O Futurismo em Portugal".

22.11.07

Revista: Exílio


Edição facsimilada do primeiro e único número desta revista modernista dada à estampa pela Contexto Editora em 1982, tem um estudo interessante de Teresa Almeida sob o título de "Nacionalismo e Modernismo - o projecto Exílio."

18.11.07

Correntes e cadeados

Desafiado pelo FSantos - nesta brincadeira da corrente aleatória ou lá o que isso seja - a transcrever a 5.ª linha da página 161 de um livro, aqui estou a responder ao repto. Do livro escolhido por mim, a referida página, que coincide com o início do texto, só tem dois parágrafos tendo eu o prazer de transcrever o primeiro da autoria de António Ferro, um dos grandes mestres da Cultura Portuguesa.
«A Arte de Bem Morrer

A Vida é o curso superior da Morte. Durante a vida deve aprender-se, apenas, a morrer. A Morte é uma prova de concurso para a Eternidade. Ela deve ser a nossa maior vitória. De resto, a Morte é um preconceito, uma invenção das agências funerárias. Morrer é subir, abandonar o corpo como um fato velho. Não há mulher mais linda do que a Morte. Ela adormece, ela fecha os olhos de quem deseja, ela cega como uma grande paixão. A Morte é uma senhora. É preciso recebê-la, é preciso ter cavalheirismo de não a desiludir, de não a deixar envergonhada, vexada, no seu amor por nós. A Morte é uma mulher. E é talvez por isso, minhas Senhoras, que a mulher é, às vezes, a morte... A Morte, com rosto de morte, não existe. A Morte é a apoteose da Vida, um final de acto, onde convém que a última frase seja de efeito. A Morte é um papão e nós não somos meninos. Morrer é passar para o lado de lá, é viajar... Nós falamos dos fantasmas, das almas do Outro Mundo, sem nos lembrarmos de que, para esse outro mundo, nós somos, talvez, os fantasmas, as Almas deste Mundo...».

C
onferência realizada em 21 de Junho de 1922, in "Obras de António Ferro - Intervenção Modernista 1", Editorial Verbo, 1987.
Agora, passo a bola aos Arqueofuturista, Mote
para Motim, Mneme, Fogo da Vontade e Voz Portalegrense.

Leitura semanal

A Voz Portalegrense:
Telescópio Hubble

Dragoscópio:
O carácter dos Nobres
Reflexo condicionado

Legião Patriótica:
Acção Nacionalista
Fascismo: concepção aristocrática de Estado
Do Império
Salazar e o Estado Novo
Nós e Brasillach
Nós e o Fascismo

Legião Vertical:
Evola - Citações
A Doutrina das Quatro Idades (excerto)

Linha Horizonte:
Gangsters de alto calibre
Perdas e perdas

Manlius:
Obrigado António Vilarigues

Tierra y Pueblo n.º 16

Saiu mais um número da excelente revista identitária espanhola Tierra y Pueblo.
Os interessados devem pedir a revista para:
publicaciones@tierraypueblo.com

Editorial: En defensa de nuestras fiestas - Enrique Ravello.
La noche de San Juan - Joan Gilabert
El latir del ciclo anual: celebraciones de muerte y vida - Federico Traspedra
Ante el nuevo curso político - Enrique Ravello
Los deportes vascos - Claudi Abril y Hug Taix
Breves apuntes de etnología andaluza - Olegario de las Eras
Sant Jordi o el arquetipo de la victoria de la vía interior - Adriá Solsona
Las fiestas de moros y cristianos, eco de un milenio de amenaza islámica - Ernesto Milà
La cruz visigoda como lábaro de la victoria - Enrique Monsonís
El solsticio - Pio Filipani Ronconi
Dr. Philipp Lersch - Eduardo Núñez
Te lo digo a ti - Gabriele Adinolfi.
El reino de los símbolos:
Estómago, Páncreas, Bazo - Álvar Riudellops e Andrés del Corral.
Rincón de poesía:
Juan Pablo Vitali
Cine:
Network
Teatro:
La ciudad de los Césares perdidos - Petras Banavicius e Juna Pablo Almarza.
Libros:
Antonio Hernández, Las Castillas y León. Teoría de una Nación.
Serafín Fanjul, Al-Ándalus contra España.
Enzo Iurato - Julius Evola, Crítica de las costumbres

14.11.07

Micas, a herdeira de Salazar

«MICAS, A HERDEIRA DE SALAZAR

Maria da Conceição de Melo Rita desfia, em "Os meus 35 anos com Salazar", as memórias da convivência com o homem que a perfilhou aos seis anos. Não há nada de novo neste retrato de Oliveira Salazar na intimidade
Maria da Conceição de Melo Rita, a menina que, em 1938, surgiu na capa do jornal O Século, sentada numa cadeirinha, caderno no colo, sob o olhar atento de António de Oliveira Salazar, decidiu, aos 78 anos, deixar um "testemunho aos netos". Primeiro quebrou um silêncio de décadas quando foi entrevistada por Joaquim Vieira para o Expresso em 1988. Este ano aceitou um outro convite do jornalista para converter as suas memórias em livro - o resultado é Os meus 35 anos com Salazar (Esfera dos Livros), que será apresentado hoje, às 18h30, no restaurante da Estufa Real, Lisboa. Os historiadores José Hermano Saraiva e António Costa Pinto são os oradores convidados.
Ao longo de 200 páginas, Maria da Conceição, que viveu em casa de Salazar entre os seis e os 28 anos (1935-1957), não faz qualquer revelação sobre o homem que governou autoritariamente o país durante quase meio século - não há confidências nem segredos íntimos. Há, sim, o retrato de uma "família" (Salazar e a governanta, Maria de Jesus) que "perfilhou" Maria da Conceição aos seis anos, estava ela em Lisboa há meses, em casa do irmão José, a pedido da mãe, desesperada com mais sete filhos e sem sustento para todos na aldeia beirã da Lajeosa.
E há também a evocação de episódios domésticos que em nada contradizem aquilo que já foi escrito sobre Salazar na intimidade - que incutia o espírito da "poupança" em casa (a governanta fazia saias com o tecido das velhas calças do então Presidente do Conselho e aproveitava os antigos roupões para fazer vestidos para a criança); que ordenou à criada para fechar a sete chaves todos os pertences do Palácio de São Bento ("entendia que aquilo que era do Estado, não devia utilizar-se"); que Maria era "uma pessoa austera" e implacável com as criadas, recrutadas em orfanatos da província (transformou os jardins de São Bento num aviário cuja produção até dava para fornecer as despensas de alguns hotéis de Lisboa).
As casas (a da rua Bernardo Lima e a residência oficial) e o ambiente familiar eram um retrato, a uma escala reduzida, do país. Salazar governava a casa como governava o país - com mão de ferro, com o vício da poupança, monopolizando em si todas as decisões (com a excepção dos afazeres domésticos). Era afectuoso e "terno" com Maria da Conceição, a quem gostava de "aconchegar os cobertores à noite", e rigoroso com as matérias escolares: "Queria que eu soubesse tudo direitinho, desde a tabuada até à história e geografia", disse ao P2.
Contudo, a política era tema tabu dentro de portas. Pelo menos quando as mulheres da casa estavam presentes. A política nacional, na verdade, não "despertava" a curiosidade de Micas, como carinhosamente lhe chamava Salazar. Mas no livro, a pupila do ditador admite que se soubesse o que sabe hoje teria dado "outro rumo" aos diálogos com o seu tutor. "Nos passeios nocturnos que dávamos pelos jardins de São Bento, por vezes ele falava um pouco sobre política", lembrou, sentada na sala da sua moradia na Parede. "Eu até gostaria de ter falado mais, mas acho que não estava habilitada para perceber aqueles assuntos. Ele só me dizia que depois de morrer as nossas colónias em África tinham o tempo contado, porque estavam desejosas da independência. Mas considerava que aqueles povos não estavam preparados para isso."

Uma rapariga triste
Micas vivia ainda na casa da Rua Bernardo Lima quando foi confrontada com a ideia, ainda que vaga para uma criança de oito anos, de que existiam "homens maus" que queriam "fazer mal" ao seu pai adoptivo. Salazar escapou ao atentado anarquista de 1937 (uma bomba colocada numa caixa de esgoto) e quando chegou a casa, "o fato salpicado com areia", Micas agarrou-se a ele num pranto solto. "Eu não quero que o senhor doutor morra", recorda. "Não sabia por que é que lhe queriam mal..."
Ao longo dos anos, Maria da Conceição manteve-se sempre alheada das questões políticas. Era como se durante o Estado Novo tivesse vivido dentro de um casulo, sem comunicação com o exterior.
Não seguiu o liceu por iniciativa do pai adoptivo, que a encaminhou para o ensino comercial - "dizia que o curso comercial teria mais saídas no futuro das novas tecnologias" -, e o seu primeiro emprego foi no Instituto de Assistência a Menores. Não tinha tempo para divertimentos e no livro são escassas as referências a amizades. "Eu estava um pouco isolada", contou, "convivia pouco com as amigas, não frequentava a casa delas e elas também não iam a São Bento". Era infeliz? "Estava habituada. Fui criada assim desde pequena."
Em 1957, Micas casou com Manuel Rita no Palácio de São Bento, onde também se fez a boda. Um ano depois, nasceu António, cujos padrinhos foram Oliveira Salazar e Maria de Jesus, e Micas estava demasiado ocupada com a maternidade para atentar na política e na candidatura do general Humberto Delgado às eleições presidenciais.
O tumulto provocado no regime, com o candidato a percorrer o país perseguido por multidões de apoiantes, era inaudível na residência oficial. O eco das palavras do homem que ousou defrontar Salazar foi abafado e Micas diz que as eleições "passaram despercebidas" em São Bento. "Não discutíamos esse problema. O Humberto Delgado tinha os seus apoiantes, mas Salazar tinha mais."
Sete anos depois, Portugal foi confrontado com os assassinatos de Delgado e da sua secretária, Arajaryr Campos, pelas mãos de homens da PIDE. O Presidente do Conselho demarcou-se publicamente do acto. "Tenho a certeza absoluta de que ele não teve conhecimento prévio. Quando soube ficou muito aborrecido", garante.

O neto adoptivo
A partir dos últimos anos da década de 50, tornou-se quase impossível manter o silêncio, dentro de São Bento, em torno dos acontecimentos políticos. 1961 foi o ano em que, perante a sequência de episódios que abalam o regime, Salazar levou para casa as preocupações que o assaltavam. E eram muitas: Henrique Galvão desviou o paquete Santa Maria; deflagrou a guerra em Angola; deu-se a "ocupação" de Goa, Damão e Diu pela União Indiana; e Salazar deparou-se com a rebelião no interior do seu Executivo, quando o seu ministro da Defesa, Botelho Moniz, liderou um golpe de Estado que não passou da tentativa. "Nessa altura, ele já deixava transparecer uma certa preocupação", diz Micas.
Quando começou a guerra colonial, Micas já tinha dois filhos, António, que foi também "perfilhado" pelo padrinho, vivendo até aos 10 anos em São Bento, e Margarida. Maria da Conceição tem visto na RTP "um ou outro" episódio da série documental A Guerra, de Joaquim Furtado. Não tinha "tanta" consciência sobre a dimensão dos conflitos. "Sabia que as nossas possessões queriam a independência e que aquilo estava um bocado complicado." A guerra juntou-se, portanto, ao rol de temas que Salazar expurgava das suas conversas com Micas.
Sobre Marcello Caetano, porém, falou-lhe algumas vezes. "Gostava muito dele, dizia que era muito inteligente e responsável." Mas isso foi antes das "divergências que os separaram" e muito antes de Caetano assumir a Presidência do Conselho, em 1968, quando Oliveira Salazar julgava ainda ditar os destinos do país, como aqueles que o rodeavam lhe faziam crer. Micas não quis fazer parte desse jogo de fingimento (depois da queda da cadeira, Salazar continuou a viver em São Bento, com todas as regalias de outros tempos, sendo o protagonista involuntário de uma peça de teatro que se prolongou até à sua morte, em 1970). Ela visitava-o todos os dias, ritual, aliás, que começou no dia seguinte ao seu casamento. "Tinha certos momentos de lucidez, por vezes perguntava por um ou outro ministro, mas acho que ele tinha noção de que algo não estava a correr bem."
Quando acedeu ao convite de Joaquim Vieira para escrever Os meus 35 anos com Salazar, Maria da Conceição quis, em primeiro lugar, diluir os "retratos estereotipados" criados em torno de Salazar. "As pessoas desconhecem o homem excepcional que ele foi. É verdade que não gostava de se expor, que não gostava de multidões. Toda a gente julgava que ele era muito fechado mas, na verdade, era uma pessoa muito cativante." Por isso, Micas ficou "muito satisfeita" quando viu o "senhor doutor" ganhar o concurso televisivo Os Grandes Portugueses (mas não votou). "Ao pé dos outros finalistas, ele sobressaía em tudo." Se tivesse de escolher outro "grande português" quem seria? "Aristides de Sousa Mendes", responde logo. "Era uma figura muito simpática."
Maria da Conceição não herdou apenas os "afectos" de Salazar. Guarda vários objectos com que ele a presenteou ao longo dos anos e distingue dois: um retrato emoldurado de Salazar (que ela quer dar à "futura casa-museu" em Santa Comba Dão) e uma medalha em ouro com a imagem da Nossa Senhora de Lourdes, que traz ao peito, pendurada num fio, desde os 16 anos. "Foi como um pai. Tenho muitas saudades dos bocadinhos em que conversávamos à noite, nos jardins de São Bento."

Maria José Oliveira»
In Público, 14.11.2007, págs. 4/5.

Micas, a pupila do senhor ditador

«Micas, a pupila do senhor ditador

Maria da Conceição Melo Rita viveu com Salazar até aos 28 anos. Foi só depois de casar que saiu do primeiro lar salazarista da Nação, no Palácio de São Bento, onde se usaram senhas de racionamento durante a guerra e se fazia a comida em panelas compradas com o dinheiro do próprio ditador (que as escolheu, ele próprio, sem saber alemão, num catálogo de uma empresa alemã).
Todas as noites, dos seis até aos 28 anos de Maria da Conceição, o ditador subia ao sótão onde ficava o quarto da pupila para, antes de ele próprio se recolher, ver se estava tudo bem com Micas e aconchegar-lhe os cobertores.
Para Salazar, Maria da Conceição era um nome muito comprido: passou a chamar-lhe Micas. O jornalista Joaquim Vieira recolheu e enquadrou historicamente as memórias dos 35 anos que Maria da Conceição Melo Rita acompanhou o ditador. Mesmo depois do casamento, as visitas da pupila eram constantes. O filho mais velho de Micas viveria no Palácio de S. Bento até à morte de Salazar.
O retrato de Salazar na intimidade, visto pela sua filha adoptiva, é uma pérola para a compreensão desse fenómeno único no contexto das ditaduras europeias que foi o salazarismo. "Com muita gente a mexer num tacho ninguém se entende", dizia Salazar, que adorava metáforas domésticas, e que um dia confessou à governanta que tratava por "menina Maria": "A menina Maria tem mais facilidade em escolher uma criada do que eu um ministro."
Já se sabe que o pai da Nação era austero e misantropo - mas talvez não se soubesse ainda que comia sempre sozinho, nos pratos e talheres que ele próprio comprara - empacotara a louça do Estado, que seria reservada só a jantares oficiais - deixando a filha adoptiva e a governanta D. Maria remetidas à copa.
Salazar, antigo seminarista, ajudava à missa de todos os domingos em S. Bento. Mas nunca foi visto a comungar: Micas interroga a governanta, que responde que o ditador tinha uma licença especial que o desobrigava da confissão e da comunhão.
O namoro de Salazar com Carolina Asseca é um momento duro para a D. Maria que, aflitíssima com a perspectiva de casamento do ditador pede a Micas um favor: que aproveite o beijo de boas noites que Salazar lhe dava todas as noites no quarto para lhe implorar que não casasse. "Deixa lá isso, dorme, dorme", foi a resposta. De resto, todas as cartas de Carolina eram deixadas à vista das mulheres da casa que as liam com fervor. "Como o senhor doutor nunca passava noites fora, duvido mesmo que tenha havido intimidade física" com Carolina Asseca, escreve Micas.
Com Christine Garnier, a jornalista francesa com quem Salazar, aos 62 anos, viveu um romance (chegou a encarregar o embaixador em Paris, Marcello Mathias, da missão de lhe comprar e entregar um anel) a situação pode ter sido diferente. Micas repara que, no forte do Estoril, durante vários encontros, são corridas "as portadas de madeira do escritório do senhor doutor" que nunca antes estavam fechadas.
A vida de Salazar com Micas faz parte da hagiografia do Estado Novo. Rosa Casaco (o agente da PIDE que comandou o assassinato de Humberto Delgado e fotógrafo nas horas vagas), tira o retrato em que o ditador ensina a tabuada à pupila, que depois ilustrará a manchete de O Século "Como vive e trabalha o sr. dr. Salazar". E o Diário de Notícias é avisado do dia, hora e local do exame de 4.ª classe de Micas: para surpresa da examinanda, aparece-lhe à frente um flash e, no dia seguinte, 26 de Julho de 1941, o DN publica uma reportagem intitulada "Era uma vez uma menina", que noticia o exame e afirma que um "acontecimento tão simples e tão pequeno deve ter chegado para animar com a sua claridade o dia do presidente do Conselho".


Ana Sá Lopes»
In Diário de Notícias, 14.11.2007

13.11.07

1940 Álbum Comemorativo


Texto por Henrique Galvão
Desenhos a lápis e capa por Eduardo Malta
Figurinos por Eduardo Lapa

Pavilhão "Portugueses no mundo"

Pavilhão "Portugal"

"Esfera dos Descobrimentos" e "Porta da Fundação"

10.11.07

Livro: Histórias secretas da PIDE/DGS

Um estudo sério e profundo sobre a PIDE/DGS com entrevistas a Cunha Passo, Abílio Pires, Óscar Cardoso e Diogo Albuquerque. Da autoria de Bruno Oliveira Santos, editado pela Nova Arrancada, em 2000.
São 170 páginas cheias de interesse e reveladoras de situações como a organização da PIDE, a morte de Humberto Delgado, a guerra d´África, o terrorismo esquerdóide e a fantochada do golpe do 25 de Abril.

Irene Pimentel e a PIDE

Li a entrevista de Irene Pimentel ao Diário de Notícias sobre o seu último livro "A História da PIDE", e fiquei escandalizado com estas afirmações:

"Foi uma polícia que ajudou o regime a manter-se, embora não tenha sido a arma principal desse regime. O que o sustentou foram, penso eu, as Forças Armadas."

Então, a PIDE não perseguia e vigiava ferozmente as Forças Armadas? É isso que temos ouvido ao longo destes anos...

"Optei por não fazer história oral apesar de não ter nada contra."
A sr.ª drª não é a favor da prova oral mas não deixou de afirmar que a PIDE torturava.

"Pensava, por exemplo, que a PIDE teria matado muito mais gente. Mas houve um cuidado, que era não apenas cosmética para a opinião mundial, mas tinha a ver com a razão de ser da PIDE: prender para investigar e através da tortura investigar. Achave era que a PIDE não divulgava as prisões, mas vamos aos jornais e vemos muitas notas oficiosa. A PIDE estava interessada em mostrar que estava por todo o lado, pelo exemplo, e que era eficaz. Isso teve eficácia e explica em parte a razão de haver poucos mortos e apesar de tudo menos presos do que noutras ditaduras. Tem a ver com uma certa apatia e apolitização que se criou na sociedade portuguesa. São muitos anos e introduziu-se esse medo."

Que desilusão e infâmia! A PIDE não matava a torto e a direito?! A PIDE anunciava as prisões em notas oficiosas nos jornais? Então, a Censura Prévia permitia que a PIDE fizesse eco público das suas tropelias? E, Salazar permitia esses anúncios na imprensa escrita?

"Fiz uma análise não só social, quer dos presos quer dos elementos da PIDE, e eram muito à imagem do próprio povo. Muitos só tinham a quarta classe ou o primeiro ciclo, vinham do Norte e centro do País, tinham uma origem camponesa. Não tinham nada a ver com a Gestapo, com inspectores treinados."

A PIDE não tinha nada a ver com a GESTAPO? Inaudito!

"Sempre achei que as mulheres eram tão torturadas como os homens. Não. Isso também tinha a ver com a ideologia salazarista e o Código Civil."

Chocante, a PIDE era sexista e machona!

"De 1945 a 1975 houve cerca de 15 mil presos, o que dá uma média de 400 por ano. Pode parecer pouco, mas são 400 a mais."
Só? Peça ao Eng. Guterres para lhe fazer as contas...

"A PIDE era bastante cínica e hipócrita: deixava que as pessoas definhassem. Ou seja, não provocou muitas mortes directas. Por isso na minha tese não contabilizei os mortos. Contei 15 entre 1945 e 74."

Quinze mortos! Quinze vítimas da malfeitora PIDE?! Não pode ser! Aproveite o Natal para comprar pilhas Duracell e duas máquinas calculadoras: científica e gráfica!
***

Sugiro que Irene Pimentel seja levada a tribunal internacional dos direitos do homem por este livro, que branqueia o passado nazi/fascista da PIDE e põe fim ao "mito da PIDE"! A acção judicial e humanitária deverá ser posta pela URAP e pela Odete Santos tendo como testemunhas Jaime Nogueira Pinto - que com o seu ar de expert sobre Salazar, a PIDE, a Legião Portuguesa, a Mocidade Portuguesa diria logo que talvez sim, talvez não, deixando ao critério de outros especialistas menores - e Nuno Rogeiro, na certeza que este classificaria o regime salazarista como demoníaco e que essas quinze mortes confirmadas pela historiadora são a prova que a PIDE era uma organização tenebrosa e assassina. Por certo, que arranjaria mais uns milhares ou uns milhõesitos de vítimas da PIDE e que tinha em sua posse essas provas pois teriam sido entregues em mão pelo seu padrinho, Marcello Caetano.

P.S. - É de Irene Pimentel esta "História das Organizações Femininas do Estado Novo", editado pelo Cìrculo de Leitores/Temas&Debates, em 2001, 472 págs., cujo interesse está nas fotografias e nas fontes.