28.7.08

Jornal de Notícias: Combatentes querem trazer mortos de África

O Jornal de Notícias de hoje, na página 4 noticia: «O Movimento Cívico de Antigos Combatentes está a promover um abaixo-assinado, por todo o país, pedindo a trasladação dos mortos da guerra do Ultramar. Só dessa forma, consideram, se fechará o ciclo da descolonização.
A recolha de assinaturas teve início no passado dia 10 de Junho e é, no entender de José Nascimento Rodrigues, do Movimento Cívico de Combatentes, "uma nova luta sem armas". Para além do apoio de mais de duas dezenas de associações de antigos combatentes que, no terreno, estão a recolher as assinaturas, o Movimento Cívico - criado em 2006 - espera contar, em breve, com a participação da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) que, conta o responsável, "se mostrou sensível ao problema".
As pretensões do Movimento Cívico foram dadas a conhecer, ontem, no decorrer do quinto encontro de pára-quedistas em Fátima, iniciativa que contou com a participação de cerca de dois milhares de pessoas, entre actuais e antigos 'boinas verdes' e respectivos familiares.
José Nascimento Rodrigues explicou que "o sonho" de devolver às famílias os corpos dos "3.026 militares que pereceram em combate" e que estão "abandonados em cemitérios e campas em estado degradado" ganhou uma nova dimensão com a recente trasladação dos três últimos pára-quedistas, falecidos em 1973, na Guiné.
"As dificuldades terão que ser ultrapassadas porque sentimos que, no país, toda a gente está sensível para que este problema seja resolvido", afirmou, frisando que a vontade terá, agora, que partir do Governo português e dos governos dos países africanos de expressão portuguesa - Angola, Guiné e Moçambique. "Tem que haver muitas negociações e uma dose de boa-vontade para se conseguirem as autorizações necessárias para trazer esses corpos para cá", considerou.
Mas está optimista em relação aos resultados. "No espaço de quatro ou cinco anos, isso será possível", defende, acrescentando que o desejo do Movimento Cívico que representa é de que, "a 10 de Junho de 2012, essa situação possa estar resolvida".
As assinaturas, que poderão ascender a mais de 100 mil, serão entregues na Assembleia da República ainda este ano ou no início de 2009, explicou.»

Ao que parece, finalmente, tomaram a consciência de trazer para Portugal continental os combatentes que em solo das ex-províncias ultramarinas portuguesas morreram em combate e em defesa dos valores pátrios.
Podem estar certos que com isso "não se fechará o ciclo da descolonização". Pode ser, sim, o início do julgamento dos traidores da "descolonização exemplar" que passou a "descolonização possível" e que já no dizer de alguns (ir)responsáveis como Melo Antunes passou a "descolonização trágica"!

Anexo: Lista de recolha de assinaturas. Logo que completa, enviar p.f. para: Clica aqui para acederes ao ficheiro
Em suporte digital: m.civicoantigoscombatentes.2006@gmail.com
Em suporte físico: (Morada provisória):
Movimento de Antigos Combatentes - Rua Eleutério Teixeira, Nº10-A
2825-152 Monte de Caparica – Almada - Portugal
Esclarecimentos: Telef. 265 530 090 / Fax 265 236 756

1 comentário:

Rui Barandas disse...

A descolonização que se fez em Portugal, foi de tal maneira dramática, que Portugal nunca mais se recuperará dos seus resultados. As feridas serão saradas, talvez, depois de algumas gerações,mas os resultados do que se fez, da maneira como se fez, e tudo o mais com relação a Guiné, Angola e Moçambique, por parte dos "chamados descolonizadores", e todos sabem que eles foram, os quais passeiam por aí sem que ninguém faça nada ou peça nada, (alguns até já morreram) é simplesmente avaçalador.
Dr. Rui Patrício,antigo Minsitro dos negócios Estrangeiros de Portugal, (copnheci-o na Embaixada de Portugal em Pretória, numa das suas visitas a Africa Portuguesa,e á Africa do sul,) disse mais tarde, já no Brasil, que as Provincias Ultramarinas, antes territórios florescentes e prósperos tinham-se tornado em verdadeiros cimitérios, e é verdade. Nem um Tsumani faria tantos estragos como foram as guerras, os genocídios,as fomes, a volta da malária já irradicada pelos Portugueses, e tudo o mais depois que os Portugueses foram obrigados a abandonar estes territórios depois do 25 de Abril e o que é mais curisos é que quem mais sofreu e tem sofrido com tudo isto foram precisamente os negros que por lá vivam á sobra da Bandeira de Portugal e que os descolonizadores tanto quizeram transmitir que quem eram os maus da fita eram os "portugueses" que os maltratavam, batiam,assassinavam, enfim, no entanto como a mentira tem pernas curtas, veja-se a obra por lá deixada pelos portugueses e que até os negros não deixam de lembrar com saudade "aqueles tempos" muitos dizem ainda.

Portanto concordo que se alguém detectar uma campa de um ente querido morto em África e o quizer trazer para Portugal, o governo que nada faz pelos vivos "os antigos combatentes" duvido que o façam pelos mortos, mas devia sim ser trazidos para a Mãe Pátria os restos mortais dos Portugueses mortos nestes territórios.
Quanto ao ciclo da descolonização ser fechada de vez, isso duvido que alguma vez venha a a contecer.


Rui Barandas

Porto