«... De pé, olhos bem abertos, face ao Inimigo, unidos em bloco firme, os dentes cerrados, resistir, combater até à morte, na defesa do Património sagrado que herdamos, para, ao menos, salvarmos a honra do nosso nome. Descer as pontes da fortaleza - jamais!» Alfredo Pimenta, in Em Defesa da Portugalidade, p. 29, 1947.
8.1.09
Contra a crise, contra o desemprego
Desta o Sócrates ainda não se lembrou...
Pintura de Ferdinand Staeger: Resistência contra as invasões do Leste
7.1.09
Continua a matança
Não olhando a nada o genocida e terrorista exército judeu bombardeou duas escolas sob a supervisão da ONU foram noticiadas na imprensa nacional Expresso, Correio da Manhã, Jornal de Notícias. Destaco e transcrevo as do Público e do Sol:Do Público:
"O Exército israelita admitiu ter disparado morteiros contra uma escola na Faixa de Gaza, onde pelo menos 30 palestinianos foram mortos, mas alega que os seus soldados se limitaram a responder a disparos efectuados a partir do local. As Nações Unidas garantem que a escola estava claramente identificada com bandeiras da organização.
“Investigações iniciais revelam que foram disparados morteiros contra as forças israelitas de dentro da escola”, declarou um porta-voz militar, depois de as agências internacionais terem noticiado o ataque. “Na resposta, as nossas forças dispararam várias rondas de morteiros contra aquela área”, adiantou a mesma fonte, dizendo desconhecer o número de mortos resultantes deste ataque.
Os serviços de emergência palestinianos referem que 43 pessoas morreram e perto de uma centena foram feridas ao serem atingidas pelos estilhaços, enquanto as Nações Unidas falam em 30 mortos e 55 feridos.
Mark Regev, porta-voz do Governo israelita disse, por seu lado, que as explosões que se registaram no local “não tem equivalência nas munições de artilharia usada”, dando a entender que o local poderia estar a ser usado como esconderijo de explosivos – uma acusação frequentemente feita por Israel.
Testemunhas citadas pela Reuters adiantam que dois a três morteiros atingiram o recreio da escola Al-Fakhoura, um estabelecimento de ensino na cidade de Jabaliya, no Norte da Faixa de Gaza, gerida pela agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês). Na altura, encontravam-se na escola cerca de 350 pessoas que fugiram das suas casas, acreditando que o local estaria a salvo dos bombardeamentos israelitas contra a região.
ONU diz que Israel conhecia escolaGing explicou que a área de Jabalya tem sido palco de intensos confrontos, o que prova “uma forte actividade de militares e militantes”, mas sublinhou que os funcionários das Nações Unidas controlam as entradas dos civis que procuram refúgio nas suas instalações, para evitar que sejam usadas por grupos armados. “Até ao momento não há registo de que os militantes tenham invadido as nossas instalações”, acrescentou.
Horas antes deste ataque, três palestinianos morreram num raide aéreo israelita contra uma outra escola gerida pela ONU, no campo de refugiados de Chati, nos arredores da cidade de Gaza. Segundo a AFP, as vítimas eram três primos, de 19, 20 e 21 anos, que tinham fugido pouco antes da zona de Beit Lahya, palco nas últimas horas de confrontos entre os soldados israelitas e militantes do Hamas. No momento do ataque, estavam refugiadas 450 pessoas naquela escola, identificada com bandeiras das Nações Unidas.
Onze dias depois do início dos bombardeamentos aéreos israelitas e quatro dias após a entrada das forças terrestres na Faixa de Gaza, o chefe dos serviços de emergência calcula em 660 palestinianos o número de palestinianos mortos e em 2950 o número de feridos – um número muito acima das capacidades de resposta dos hospitais da região.
Do outro lado da fronteira, onde apesar da ofensiva continuam diariamente a cair "rockets", quatro civis foram mortos na última semana e meia e perto de 40 ficaram feridos.
Seis militares morreram desde o início da incursão terrestre, três dos quais atingidos por engano por disparos da artilharia israelita."
No Sol:
"Fontes médicas palestinianas afirmam que pelo menos 30 pessoas morreram no segundo ataque aéreo israelita a uma escola das Nações Unidas na Faixa de Gaza.
Este é o segundo ataque israelita que atinge uma escola da ONU só nas últimas horas, provocando 30 mortos.
O porta-voz das autoridades de saúde da Palestina, Said Joudeh, confirmou o número de mortes resultante do ataque aéreo na cidade de Jebaliya, no Norte de Gaza.
O porta-voz afirmou ainda que a escola se tinha transformado num abrigo para desalojados resultantes da ofensiva de Israel contra militantes do Hamas.
Mais de 500 pessoas já foram mortas ao 11.º dia de operações, incluindo dezenas de civis. As autoridades israelitas não cimentaram ainda este ataque. Mas já acusaram o Hamas de usar escolas, mesquitas e áreas residenciais para se proteger."
Até agora ainda não se ouviu uma vozinha da ONU a condenar mais um acto bárbaro o que demonstra o seu fair-play apesar de todos os cuidados humanitários das tropas judaicas.Ora, tomem lá!

A "libertação da Bélgica e a "Depuração" belga

As pessoas assassinadas ascenderam a cerca de 51.000. Os «incívicos» cifraram-se em 231.000, mas outros 70.000 vieram a ser presos(2). Abriram-se 75.391 processos jurídicos por colaboração. 
No final de Maio de 1945 regressavam à Bélgica cerca 3.000 assalariados belgas que tinham trabalhado na Alemanha como voluntários. Vinham num navio belga que os trazia de Odessa, na Ucrânia. Esses operários imaginavam estar a regressar do exílio. Mas nem tiveram tempo de desembarcar: a multidão, em Ostende, apoderou-se deles e atirou-os à água. Os que nadaram para a margem foram repelidos de novo pela chusma. Todos se afogaram(3).
A repressão contra os voluntários flamengos e valões que combateram na Rússia contra o bolchevismo foi particularmente odiosa e de um sadismo medonho. Tendo lutado de armas na mão e tendo-se oposto ao comunismo, foram considerados traidores à Bélgica e internados em campos de concentração (melhor dito: campos de morte), alguns deles ao ar livre e sem o mais pequeno abrigo no verão ou no inverno(4).
Léon Degrelle conseguiu chegar a Espanha em Abril de 1945 e, apesar dos pedidos insistentes de extradição formulados pelo governo belga, o governo de Franco negou-se ceder. Léon Degrelle fora condenado à morte in absentia nos finais de 1944. A condenação baseava-se num «delito de opinião», dadas as suas qualidades de chefe do REX e de voluntário na Frente do Leste. O processo foi grotesco. Degrelle sempre se dispusera a regressar à sua pátria na condição de poder defender-se com liberdade, de ter um julgamento regular, equitativo e imparcial e de os debates poderem ser difundidos. A «Justiça» belga não aceitou a proposta. Caberia perguntar porquê, se não soubéssemos de sobra...Assim, Léon Degrelle permaneceu em Espanha. E, como a infâmia tem braços compridos, ao não ter conseguido alcançar Degrelle, encarcerou os seus pais, apesar de pessoas muito idosas, e pelo único delito de serem seus pais. Outros réus do mesmo delito de parentesco, foram também encarcerados: um cunhado seu, as suas irmãs, a sua mulher e até a filha de 9 meses de idade. Para terminar esta girândola de patifarias, os libertadores, em 8 de Julho de 1944, assassinaram com cinco balas nas costas e uma na nuca, o seu irmão, Edouard, pacífico farmacêutico da cidade de Bouillon, a dois metros de distância das suas filhas pequenas!
In Último Reduto, n.º 12, Setembro de 1994, p. 50.
1 - Enciclopédia Larousse
2 - Robert Poulet.
3 - Le Monde, Paris, 28.5.1945
4 - Fernand Kaisergruber, Nous n'irons pas à Touapse.
6.1.09
Livro: Hergé, filho de Tintim de Benoît Peeters
Hergé, filho de Tintim é uma biografia da autoria de Benoît Peeters, escritor e argumentista de banda desenhada e autor de "Le Monde de Hergé" editada pela Editorial Verbo em 2007 devido ao centenário do nascimento do desenhador belga. Cheia de interesse ao longo das 432 páginas, nas quais o autor faz uma análise à vida de Georges Rémi, bem como ao próprio Tintim, dando-nos a conhecer as estórias e as inspirações pelas diversas figuras criadas pelo desenhador belga. No entanto, três ressalvas há a fazer. Uma, a preocupada atenção do biógrafo de Hergé em desmentir a história Degrelle/Tintim segundo a qual, Tintim seria uma criação hergeniana com base na figura extraordinária do chefe rexista belga e general SS, León Degrelle. Sabendo-se hoje que a marca Tintim é uma marca empresarial há que desmentir a todo o custo a influência de Degrelle. Outra, são as páginas referentes à “Libertação” e à “Depuração” na Bélgica e finalmente, a censura e o reescrever segundo a cartilha do politicamente correcto das várias obras de Hergé. Sobre a “Libertação”/“Depuração” na Bélgica "libertada" e "depurada" através de assassinatos e prisões em nome da justiça, da democracia e dos direitos do homem:
«Logo a 3 de Setembro, por volta da meia-noite, justiceiros improvisados querem prender este George Remi, de quem pouco sabem; apresentam-se à sua porta, mas rapidamente se vão embora. A 7, o desenhador é interrogado e depois libertado. Dois dias mais tarde, a Segurança do Estado faz uma busca a sua casa, onde não encontra nada de comprometedor, e leva-o depois para o comando central da polícia de Bruxelas, alcunhado Amigo, como o hotel mesmo em frente. Hergé cruza-se aí com Robert Poulet com quem troca “um sorriso valente como se impunha”. (Robert Poulet, «Adieu, Georges», em Rivarol, 18 de Março de 1983.). Passa apenas uma noite na prisão, juntamente com uma dezenas de outros proscritos, entre os quais Paul Herten, o director do Nouveau Journal, que será fuzilado pouco depois.
Tal como Hergé conta depois a Nobert Wallez, que também tem a sua conta de aborrecimentos:
“Depois de ter sido interrogado, fui libertado; no dia seguinte vieram prender-me, a PJ desta vez. Interrogado. Posto em liberdade. Três dias mais tarde, os MNB, metralhadora em punho, cercaram a casa. Interrogado, posto em liberdade. Dois dias depois, apareceram as FFI. Interrogado, posto em liberdade. Desde então, mais nada. Como existem agora uma dez organizações semelhantes, pensava que iam aparecer à vez para me prender, mas não, acabou assim, sem motivo aparente, e desde então deixaram-me em paz, moralmente diga-se. trabalho, como de costume, e isolo-me cada vez mais, ajudado por Germaine, esta companheira admirável cuja coragem, lucidez e nobreza foram para mim um verdadeiro apoio no meio de todas estas vilanias.” (Carta de Hergé ao padre Nobert Wallez, Setembro de 1944.).
«Entretanto, os legítimos proprietários reapossaram-se dos jornais e promulgaram medidas contra os colaboracionistas. A 7 de Setembro são expostas as decisões do Alto Comando Aliado: qualquer pessoa “que tenha contribuído para a redacção de um jornal durante a Ocupação, independentemente da rubrica a que tenha estado afecta, encontra-se momentaneamente interdita do exercício da sua profissão. Os repórteres fotográficos são objecto da mesma medida.” (Le Soir, 8 de Setembro de 1944.).» (pp.191/192)
«Tinha amigos jornalistas que ainda hoje acredito que eram completamente puros e nunca estiveram a soldo do inimigo. E quando vi algumas dessas pessoas minhas conhecidas, cujo patriotismo pressuroso também conhecia, serem condenadas à morte e algumas mesmo fuziladas, deixei de perceber tudo de tudo. Foi uma experiência de intolerância absoluta. Foi terrível, terrível!» (p. 194)
«Uma coisa é certa: os tempos são de justiça célere. Na Bélgica, mais de seiscentas mil pessoas foram incomodadas durante os anos que se seguiram à Libertação; no fim, os tribunais condenarão um pouco mais de quarenta mil por “incivismo”, palavra que na Bélgica designa os colaboracionistas. O pior são as denúncias arbitrárias e as vinganças pessoais, tantas como durante a Ocupação. É por temer os excessos causados pelo ódio que o auditor-geral, Walter Ganshof van der Meersch, “arquitecto e coordenador da política de repressão”, fez questão em confiar a Depuração oficial apenas aos tribunais militares.» (p. 196)
«Agora que a revista Tintim existia, outras manigâncias tentavam impedi-la de continuar. (…) Em 1946, a União dos Jornalistas era extremamente poderosa. Conseguia fazer reinar um ostracismo inimaginável sobre todos os que tinham publicado durante a guerra. O comunista Fernand Demany é um dos ferrabrás mais regulares dos jornalistas clandestinos. Segundo ele, a criação da revista Tintim “despertará penosas recordações em todos os que se lembrarem do Le Soir roubado para o qual Hergé contribuiu com o seu incontestável talento”. Mas não é o único a indignar-se. A revista católica La Cité Nouvelle não é menos virulenta. É manifesto que Hergé perdera parte dos seus apoiantes tradicionais:
“Não apenas o desenhador boche não foi incriminado, como é hoje autorizado a publicar um Tintim reabilitado, com o contingente de papel oficial. Incívico, este traidor que serviu os desígnios do inimigo por quantias substanciais, pode retomar livremente no seu lápis e repor no comércio a sua pequena brigada de Hitlerjugend… Será necessário que os filhos dos fuzilados e dos prisioneiros políticos venham ensinar alguma decência a este indivíduo que não hesitou em utilizar em benefício do inimigo o divertimento inocente das crianças? M. Tintim e a sua Hitlerjugend, o lugar do vosso patrão é na prisão de Saint-Gilles.”» (pp. 209/210)
Sobre a censura/politicamente correcto:
«É preciso que se diga que os ataques contra Hergé nunca pararam: o sucesso cada vez maior dos seus álbuns tem tendência a acirrá-los. Uma das críticas mais virulentas, e mais injustas, é publicada em 1962 na revista Jeune Afrique, assinada apenas com as iniciais G.R.:
“Na secção dos livros, os dezanove álbuns de Hergé foram reis e senhores. Traduzidos em seis línguas, excepto um, o primeiro da colecção, Tintim no País dos Sovietes, que os tintinólofos vão consultar à biblioteca nacional e que não será nunca (como é óbvio) reeditado. Nele, o autor manifesta nitidamente tendências que lhe valeram ser interditado por colaboracionismo, até 1947.
Moderou-se depois disso, mas uma pequena chamada de atenção continua a aparecer sub-repticiamente.
O nome dos “Maus” é só revelador: Salomon Goldstein, Rastapopoulos, o xeque Babe l Ehr, o marechal Plekszy-Gladz; o aspecto físico a mesma coisa; nariz encurvado de uns, tez colorida dos outros (aqueles a quem o capitão Haddock chama «colocíntida cor de antracite), faces mongóis dos terceiros. Quanto aos temas abordados, estes cantam as aventuras de Tintim, menos repórter que justiceiro, que detective, que super-homem”.
O autor esforça-se de seguida por provar, não sem má-fé, que os álbuns de Tintim são completamente reaccionários. Até a denúncia do regime borduro, em O Caso Girassol, se torna motivo de acusação…
Este artigo, se bem que um dos mais agressivos, está longe de ser o único. Pouco tempo antes, Le Canard enchaîné incitava os pais a desconfiarem de “«este herói” para quem os Brancos são todos brancos e os Pretos, todos pretos. Se os vossos filhos devem ser sensatos como as imagens, evitem que estas sejam do desenhador Hergé».
Na Casterman, assustam-se: estes ataques arriscam-se a penalizar a série, sobretudo junto dos pedagogos e dos bibliotecários. Desde o início de 1969 que Tintim no Congo, o álbum mais “sensível”, atravessa um longo período de desgraça: o livro não é proibido, mas o editor não o reimprime apesar dos pedidos constantes de Hergé. Esta censura que não se assume irrita-o profundamente. Tanto mais que este “pecado de juventude” parece-lhe muito venial: aquando da colorização em 1946, o álbum foi retocado e os pormenores escandalosamente colonialistas foram eliminados. Tintim já não dá aulas de geografia sobre “o vosso país, a Bélgica”; contenta-se com a neutralidade de aula de aritmética.» (p. 358/359)
«Sempre sob a pressão de Casterman, Hergé revê vários dos outros álbuns para os tornar “politicamente correctos” antes do tempo. Entre duas tiragens de Carvão no Porão, modifica o estilo demasiado trapalhão de uma carta do emir Ben Kalish Ezab e elimina “petit nègre” dos desgraçados negros destinados à escravatura. Doravante exprimir-se-ão da mesma maneira que nos romances traduzidos do americano, os de Chester Himes, por exemplo: dizem “M`sieur” em lugar de “Missié”. Tal como Hergé explica a um dos seus correspondentes: “Cedi aos insistentes pedidos dos meus editores, preocupados em gerir as susceptibilidades das gentes do terceiro mundo, e mais ainda dos seus defensores em Paris e em Bruxelas.» (Carta de Hergé a Jacques Langlois, 6 de Junho de 1969.).
«Revê Tintim no País do Ouro Negro de forma muito mais profunda. Na perspectiva da tradução inglesa, Hergé “curto-circuita os terroristas judeus e os ocupantes ingleses para deixar em campo apenas um emir e o seu rival”. Para evitar mal-entendidos, diz ele: na altura em que esta história apareceu em Inglaterra, em 1971, os jovens leitores já não sabiam que o exército inglês tinha ocupado a Palestina e lutado contra os grupos sionistas.
“Então, modifiquei o álbum. E creio sinceramente que ganhou em clareza, (…) porque se torna mais intemporal. Pode sempre existir uma rivalidade entre dois emires, enquanto, na primeira versão, a ocupação britânica da Palestina era muito localizada no tempo. Não é portanto para evitar a política, é para que se compreenda melhor: mais uma vez a preocupação da legibilidade.”
Diga Hergé o que disser, fazer desaparecer de Tintim no País do Ouro Negro qualquer alusão aos judeus (anti-semitismo), é como que uma tentativa ingénua e desastrada de limpar a Estrela Misteriosa. Mas é, fundamentalmente, também o sinal de uma perda de identidade. Tudo se passa como se o autor tivesse passado a ignorar um dos aspectos essenciais da su obra: enquanto nos anos 30 As Aventuras de Tintim tinham sido concebidas sob pressão da actualidade (a ponto de Hergé fazer disso, na sua carta a Leblanc de 1952, uma das causas do seu sucesso), agora eliminam-se as marcas demasiado explícitas da historicidade.» (p. 361)
5.1.09
Uma recriação ficcional: A Solução Final de Hitler: a Conferência de Wannsee
Ora o ignorante que escreveu estas linhas ainda não sabe que não houve mais de seis milhões de judeus mortos.
Deveria consultar Yehuda Bauer, um dos teóricos exterministas/genocidas, quando afirmou a respeito do número de mortos em Auschwitz era de 1,1 milhão, “um número realista”, e não os célebres 4 milhões que constavam e depois retiraram da placa que está em Auschwitz. Esta revisão e diminuição numerária ocorreu em 1992.
A conferência de Wannsee teve lugar em Berlim a 20 de Janeiro de 1942 e tratou sobre a emigração judaica e de fomentar por todos os meios estando prevista a evacuação de um milhão de judeus para a Rússia.
Os teóricos exterministas/genocidas passaram - à falta de melhor e de provas irrefutáveis - a defender que as palavras “evacuação”, “deslocamento” e “emigração” eram palavras-senhas (!!!) para o extermínio dado que as actas da conferência só mencionam estes termos.
E assim se criou o conto que a “solução final” era o extermínio dos judeus na Europa!
Espera-se que a recriação ficcional da conferência seja um êxito mormente com o aparecimento do papel – o tal que nunca apareceu - onde “ficou escrito” que era o extermínio judaico.
4.1.09
Violência urbana na Trofa
Já o Prof. Silva tinha avisado: "ilusões que se pagam caras"!
Leitura semanal
1.1.09
30.12.08
Mais (holo)conto menos conto
Depois de Misha Defonseca foi agora descoberto um conto da autoria de Herman Rosenblat, com o título, "Angel at the Fence, The True Story of a Love that Survived" que relata uma linda história de amor passada no campo de concentração de Buchenwald, onde a sua actual mulher atirava maçãs por cima da cerca para o autor. Pena foi que este confessasse à sua agente, Andrea Hurst, ter inventado partes do livro.Sinceramente, não compreendo qual seja o problema em criar e recriar um texto. A liberdade literária é um direito inalienável de qualquer autor.
Ainda por cima a Berkley Books, do grupo Penguin Books exige a devolução do dinheiro quer ao autor quer à sua agente.
Tudo isto porque alguma(s) mente(s), provavelmente anti-semitas, repararam que não havia lógica que ao lado de um campo de concentração nazi houvesse uma macieira. Só gente mesquinha podia reparar nesse pormenor. Então, não há lógica?
Ora, os campos de concentração não ficavam no meio de desertos...
Se no campo de concentração de Buchenwald, na Turíngia, havia forno crematório era natural que ao lado houvesse árvores de fruto adubados com as cinzas deitadas pelos prisioneiros e que davam fruto para mais tarde seriam atirados pelas namoradas aos seus queridinhos e tudo isto nas barbas dos SS armados com a pistola-metralhadora Scheimesser MP38!
Mas nem tudo é mau. Harris Salomon, presidente da Atlantic Oversear Pictures, ainda mantém os planos de fazer um filme com orçamento de 25 milhões de dólares sobre a história de Herman Rosenblat, apesar de "Em essência, haverá duas histórias, a fantasia que ele criou em sua mente entrecortada com a vida real de Herman Rosenblat, um homem que inventou isso", disse Salomon.
"Há algumas coisas na vida que você não questiona, como um sobrevivente do Holocausto. Eu acredito nisso", disse Salomon, que já conversou com Rosenblat desde que o livro foi cancelado.
Realmente em questões de fé e de dogma não se questiona!
Resumindo e concluindo: temos holoconto!
A descoberta do Prof. Silva
O Prof. Silva, presidente desta república, afirmou e muito bem que a "democracia portuguesa sofreu um sério revés" e que "Para dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores, o Presidente terá de ouvir os partidos, o Conselho de Estado, o Governo Regional e Assembleia Legislativa dos Açores". "É uma "solução absurda".Fico feliz e contente que a democracia tenha sofrido um sério revés. Lamento que não seja o último. Mas revés a revés...
Intrigo-me com o facto de ter dito que está em causa é "o normal funcionamento das instituições". Ora, o sr. Silva, ainda não percebeu que a decisão tomada no Palácio de S. Bento só foi possível porque os deputados não sabem em que votaram - perceberam agora que os seus direitos foram limitados por eles próprios - logo, isto é, o normal (dis)funcionamento das instituições democráticas!!!
Agora - sim! - os deputados açoreanos garantiram e muito bem a sua sobrevivência económica ao olharem pela vidinha deles e impedirem que um qualquer presidente da república dissolvesse a casinha da democracia açoreana e lhes tirasse o pãozinho da boca acabando a receber algum subsídio da Segurança Social.
Espero que chefe Alberto João faça o mesmo no jardim do Atlântico, verdadeiro reduto nazi-fascista na opinião do deputado do PND, José Manuel Coelho, e garanta que o nazi-fascismo madeirense resiste aos ventos atlânticos!
Bastonário da Ordem dos Advogados diz que "privilégios" dos bancos devem ser discutidos
"Pelos vistos, nenhum banco pode ir à falência porque o Estado vem salvá-lo", disse António Marinho Pinto, em entrevista à agência Lusa, considerando que é preciso "ver o que se passa no submundo das instituições financeiras em Portugal", como "são usadas, que fins é que servem". O bastonário, que completa um ano de mandato, criticou as offshores e o "endeusamento do segredo bancário" que, em muitos casos, servem como "instrumentos para cometer crimes": "Estão-se a descobrir podres que eram inimagináveis há meia dúzia de meses. Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade", disse.
Questionado sobre se em Portugal há uma justiça para os ricos e outra para os pobres, o bastonário contrapôs que basta visitar as cadeias para constatar que "97 por cento [dos reclusos] são pessoas pobres".
Quanto à corrupção, Marinho Pinto diz que esta assume em Portugal "proporções maiores do que as que devia assumir"; a "verdadeiramente nociva" para o Estado de direito é "a corrupção política", a que envolve "grandes empreitadas do Estado" e a "aquisição de milhares de milhões [de euros] em equipamentos", como sucede, nomeadamente, na "modernização das Forças Armadas".
"Vergonha inadmissível"
Marinho Pinto classificou como uma "vergonha inadmissível" a "privatização de segmentos importantes da justiça", visando retirar processos dos tribunais através da "desjudicialização", que vai da acção executiva à resolução de litígios laborais.
"Parte significativa da administração da justiça é hoje feita em repartições públicas como conservatórias, julgados de paz, em centros de mediação, centros de arbitragem, muitos deles vocacionados para o lucro", criticou. "Há interesse dos magistrados em retirar trabalho e processos dos tribunais."
Esta frase foi criticada pelo presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, António Martins, que classificou como "descarada falsidade" a ideia do bastonário de que os magistrados querem retirar processos dos tribunais para terem menos trabalho.
Quanto à declaração de Marinho Pinto de que o novo mapa judiciário faz dos tribunais um "feudo dos juízes", que passam a ser "senhores absolutos", Martins explicou que "os tribunais devem ser geridos por juízes, assim como os escritórios de advogados são apenas geridos por advogados". E acusou o bastonário de ter um discurso "corporativo" e que denota uma "certa psicose".
"Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade", diz Marinho Pinto .»
28.12.08
Leitura semanal
Holocausto das Almas
Legião Vertical
O Sol retornará invicto e vitorioso também para nós
O Reaccionário
Só existem nações, não existe humanidade
Um Homem das Cidades
O Hamas, uma criação da Mossad israelita, volta a fornecer pretextos a Israel para uma nova chacina de palestinianos
Terra e Povo - Galiza
La Orden del Santo Graal: Identidad y restauración tradicional en la obra de Vicente Risco
In-Mémoriam - Abel Bonnard
Notre fête de Noël
Inconformista
Pt No Media
Pt NovoPress
Revisionismo em Linha
Humor de Pacheco Pereira



As ideias de Mário Machado matam, tenho poucas dúvidas sobre isso. Mas também a minhas há 30 anos matavam, as de Mário Soares, as de vários membros do Governo actual e de altos responsáveis da magistratura, de empresas, da comunicação social, matavam também. E as de muita gente hoje, que em Portugal passa por ser pacífica e que ninguém vê com os mesmos olhos com que vê os skins e os nazis, matam hoje mesmo, na Colômbia, na América Latina em geral, em África, na Ásia e mesmo na Europa, no nosso país vizinho. Ou pensam que é um exclusivo da extrema-direita e que a extrema-esquerda são uns pacíficos meninos, cujas bandeiras com a foice e o martelo têm tanto sangue como a cruz gamada?
Só que em democracia é suposto as ideias e as opiniões serem livres, por péssimas que sejam, e o nosso desgosto com elas não deve servir de agravante penal, sob pena de politização da justiça.»
Raid aéreo em Gaza
Veja a reportagem deste sangrento massacre na SIC e as fotografias no JN.
23.12.08
Bom Natal e Feliz Ano Novo
Da autoria do VL este antigo e muito moderno postal.É o exemplo do Vanguardismo Estético, entre o espírito nacional-universalista e a ética tradicional-revolucionária.
22.12.08
Um Acto de Confissão de José Campos e Sousa
1. Após um interregno de quatro anos voltaste a editar. Depois de “Rodrigamente Cantando” veio a “Mensagem - À Beira-Mágoa”. A que se deve esse silêncio?
Silêncio? Eu não tenho estado nada calado, canto todos os dias para quem gosta de me ouvir. Por exemplo: no ano de 2008 foi religiosamente cumprida uma Missa Em Fado na Basílica dos Mártires – todos os terceiros Domingos de cada mês, às 18h30. Só falhámos no final por pura “exaustão de material humano”. Este projecto do Grupo “IN NOMINE” - Quando o Fado é Oração - Missa Fadista durou ininterruptamente de finais de 1994 até hoje.
Depois, e ainda em 2008, cumpri também quase religiosamente um Jantar de Poesia dita e cantada na Quinta de S. José do Marco, em Castanheira do Ribatejo, desta vez integrando o grupo “EM CANTO”. Foi – e vai continuar a ser um Jantar fantástico, tanto o jantar propriamente dito como o momento de poesia e música bem à antiga portuguesa, fazendo lembrar bons tempos em que não havia televisão e as pessoas se eternizavam à volta da mesa da casa de jantar a ouvir-se umas às outras!
Ainda em 2008, para que definitivamente não me fales em silêncios, envolvi-me em mais um projecto do grupo “EM CANTO” - A Estória do Menino que mudou a História. Gravámos uma maquete em Maio na esperança de entusiasmar algum Banco ou Câmara Municipal.
Mas estas coisas são o que são. Quando falam do Menino Jesus, são sempre difíceis de digerir pelas cabeças bem pensantes, bem falantes, certamente bem perfumadas e politicamente correctas que normalmente tomam decisões sobre estas coisas.
Afinal ‘somos um estado laico’ e acho que ainda a caminho do socialismo!!! Não temos nada que falar do Menino Jesus fora de portas, que é como quem diz, fora das Igrejas.
Assim é que é correcto! E lá fica o projecto á espera do seu Natal!!!
Os silêncios são relativos – muitas vezes são casos de surdez, de autismo, mesmo -, de quem não nos quer ouvir.
Mas voltando ao princípio da tua pergunta: Foi o “Rodrigamente Cantando” quando infelizmente teve que ser.
Foi agora a “Mensagem à Beira-Mágoa”.
2. Este CD tem outro significado ou simbolismo para além da celebração do 120.º aniversário do nascimento do poeta? Claro que sim! O que são 120 anos? Apenas mais um que 119!
A Mensagem é o que é verdadeiramente importante - dramaticamente actual. E espero sinceramente que “a HORA!” venha a tempo!
Pôr a Mensagem em música e dar-lhe voz, foi unicamente uma tentativa de formalizar a ideia de Pessoa: “Musicar um poema é acentuar-lhe a emoção, reforçando-lhe o rítmo!”
Ricardo Reis, um dos outros Pessoas dizia: - “A poesia é uma música que se faz com ideias!”
Fui um bocado parasita do génio musical de Pessoa na sua própria poesia. Ao musicar estes poemas da Mensagem, vou levá-los mais longe, até gente que de outra maneira a eles não teria acesso. A música adoça – Pode até ser que alguém que passa, se passe a interessar pelo tal Livrinho de fácil leitura mas de difícil compreensão!, como dizia o Poeta.
Pessoa, claro, não precisa de nada disso, nem de mim. Nós é que precisamos todos dele, e muito, e cada vez mais.
3. Pessoa dizia sobre si próprio: “um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras cousas.” Quem são para ti Pessoa e os seus heterónimos? Falo clara e unicamente em meu nome, pois não sou catedrático de nada!
O encanto de Pessoa é o ele ser simultaneamente tudo e o seu contrário, sem perder com isso a coerência que lhe dão os seus heterónimos.
Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis (fiquemo-nos por estes!) tinham sentires diferentes e certamente outro tipo de preocupações de acordo com as suas próprias personalidades. Por isso são heterónimos e não pseudónimos.
Não posso deixar de transcrever uma passagem de um escrito de Pessoa sobre o que atrás mencionei:
“… Escrevi com sobressalto e repugnância o poema oitavo do - Guardador de Rebanhos - com a sua blasfémia infantil e o seu antiespiritualismo absoluto - Na minha pessoa própria e aparentemente real, com que vivo social e objectivamente nem uso da blasfémia nem sou antiespiritualista- Alberto Caeiro porém como eu o concebi. É assim : Assim tem pois que ele escrever, quer eu queira quer não….”
E podíamos continuar, mas acho que este bocadão de prosa me servirá para explicar que primeiro admiro incondicionalmente esta forma de “Loucura” chamada Fernando Pessoa, que era tudo menos um “cadáver adiado que procria”. Mas dentro da sua genial loucura sou um muito maior conhecedor e apreciador de Fernando Pessoa ortónimo - Ele próprio, o tal Nacionalista mistico Sebastianista racional etc…etc… Foi com ele que comecei e a verdade é que como compositor e intérprete do seu universo, nada ou quase nada tenho, que não seja dele próprio.
Aqui estamos a entrar nas perguntas difíceis. Não sei o que iria na cabeça de Pessoa mas posso e devo tentar ler nas entrelinhas. Nas pausas e sobretudo nos silêncios. Pessoa leva a Mensagem até Dom Sebastião, largamente representado no seu “Livrinho…”, directa ou indirectamente.
Pessoa esqueceu na Mensagem períodos luminosos da nossa História, como por exemplo a Restauração da Independência que durou umas boas dezenas de anos. Esqueceu também alguns Portugueses que foram passando como fogachos do antigo Heroísmo Lusitano.
O “Dilúvio” começou logo após Dom Sebastião, continuou naturalmente pelos Filipes e prolongou-se pela dinastia de Bragança, pelas Invasões Francesas, pelo constitucionalismo e com a R, que quando ele morreu, já tinha a feia idade de 25 anos. A excepção para este hiato gigantesco na Mensagem foi para o Padre António Vieira. Sabe-se-bem-porquê! E talvez, em parte, para ele próprio quando escreve o poema “‘Screvo o Meu Livro á Beira-Mágoa”.
Mas esta é apenas a minha realidade. Tudo o mais será fatalmente interpretado, à luz da conveniência de cada um.
A mesma Mensagem são assim dois livros. Um, o tal “Livrinho…” que foi escrito e organizado por Pessoa, publicado no dia 1º de Dezembro (vá lá!) de 1934. O outro, muito maior! “O livro dos silêncios e omissões”. Refiro-me, claro está a omissões no âmbito da Mensagem. Pois se houve alguém em Portugal que se pronunciasse tanto e tão bem sobre TUDO, esse alguém foi Fernando Pessoa. E lá virão certamente referências ao Estado-Novo e a Salazar.
A título de curiosidade, o final do poema
… E mais do que isto
É Jesus Cristo
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca!
5. Achas que o “Nevoeiro” continua actual? É a hora de o dissipar? Pelo que apurei, o Nevoeiro é datado de 10 de Dezembro de 1928. São treze versos de Verdades como Punhos. Será talvez bom recordar o Poema:
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro …
É a hora!
Se continua actual? Não, o nevoeiro passou a FOG - que é muito mais perigoso e tóxico! É que os nossos governantes têm mesmo como único desígnio cumprir e fazer cumprir e aumentar esta fatal toxicidade! Os que hão-de vir amanhã serão sempre piores do que os que estão hoje, que por sua vez, são piores do que os que estiveram ontem. Razões? Aos montes, e sem ordem de precedência, tirando a primeira: - A negação constante e doentia da nossa raíz Cristã
- Faltam bons mestres e bons exemplos
- Ignorância galopante
- Como dizia o Rodrigo Emílio: - Não sabem nada de tudo
- Roubalheiras e negociatas
- Compadrios e casamentos de interesses
- Lobbys disto e daquilo
- Pedófilos a torto e a direito
- Abortos à la carte
- Eutanásias que vêm aí
- Pais que querem ser mães
- Mães que querem ser pais!
- O tudo (nada Pessoano) é possível!
- O porque não?
- O videirinho “Já agora!”
O trabalho científica e sadicamente executado na desmoralização das nossas Forças Armadas ou fardadas, cuja existência e utilidade são constantemente postas em causa. Choca-me ver gente em uniforme a exigir 13.º mês, subsídio de férias, segurança social e assistência médica na velhice. Deviam ser tratados como Primeiros Portugueses para que depois quando fosse preciso serem também os PRIMEIROS.
Valerá a pena falar na justiça?
Nos anos ridículos que se levam para julgar alguém!
No crime que compensa em Portugal, e até dá direito a indemnização?
- Não para todos!
Dependendo do clube partidário, da gravata e da camisa, do perfume e da marca do fato, dependendo da “Arte de Bem Cavalgar” e dar a volta às virgulas e pontos finais nas nossas leis. Estou cansado de divagar e quase já me perdi na entrevista. Vou ter que mudar de agulha, mas ainda dentro da mesma pergunta!
Fernando Pessoa escreve sobre o Homem Português:
“…Há um terceiro Português que começou a existir quando Portugal , por alturas do Rei Dom Dinis começou a esboçar-se Império. Esse Português fez as descobertas, criou a civilização transoceânica moderna e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer-Quibir. Mas deixou alguns parentes que têm estado sempre e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiramente rei de Portugal foi aquele Dom Sebastião que caíu em Alcácer-Quibir e presumivelmente ali morreu. É no símbolo do regresso de El-Rei Dom Sebastião que os Portugueses da Saudade Imperial projectaram a sua fé de que a Família se não extinguisse…”
Tenhamos pois Fé em que ainda existam uma boa meia dúzia de Portugueses!
É a hora de dissipar o nevoeiro? Resta-nos saber quantas vezes temos que bater no fundo, para acordarmos. E, claro - quem vai acordar!?
Ah, é verdade, e também ter cuidado com quem acorda...
6. Na dedicatória lembras os poetas Rodrigo Emílio, Fernando Tavares Rodrigues e o José Alberto Boavida (Dinis Diogo) e referes António Quadros.
As leituras de Fernando Pessoa, “Portugal, Razão e Mistério” e “Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista” foram importantes para a tua compreensão de ser Português e do pensamento pessoano? Falemos primeiro do Rodrigo, do Fernando e do Zé Alberto.
Todos se foram embora quando Deus achou que deviam ir.
Todos tinham as suas razões.
Todos estão certamente no Céu.
E todos me fazem uma falta dos diabos, pois foi com eles e deles que muita da minha música nasceu.
Tenho o prazer de constantemente os manter vivos. Aquele chavão de que “um Poeta nunca morre”, não é chavão nenhum, é mesmo verdade, para mim que os canto!!
Quanto às leituras de que falas, esses títulos ainda não os li!
Tenho uma vastíssima obra sobre Pessoa, a maioria da autoria de António Quadros, que tive o prazer de conhecer. A ele devo quase tudo o que apreendi e a ele também dediquei este meu CD e dele me socorro constantemente.
Quero também mencionar uma obra interessantíssima “As Mensagens da Mensagem”, de Nuno Hipólito, um livro que aconselho vivamente e que também deu um valioso contributo neste trabalho.
Mas também tenho que atribuir um pouco de responsabilidade nesta aprendizagem à minha pobre e ignorante pessoa.
O tal “saber de experiência feito!”. Afinal fui um privilegiado. Andei no Império à semelhança de muitos, muitos milhares de camaradas meus que por lá andaram. Tive a felicidade de defender Portugal. Fui preparado pelo meu Pai e desse modo as coisas tornaram-se bastante mais fáceis para mim!
Para os que foram sem ter a devida preparação Histórica, mas foram e se portaram maravilhosamente, vai a minha grande Admiração e Respeito.
Como antigos combatentes encontramo-nos todos anos na minha querida C:CAÇ 2759 ou, de maneira mais abrangente, no Encontro do dia 10 de Junho, junto ao Forte do Bom Sucesso e da Torre de Belém, dia em que homenageamos os nossos Mortos Pela Pátria, os Primeiros Portugueses.
Portanto, a minha compreensão do Pensamento Pessoano de que falas, tem alguma ciência e alguma experiência que é como quem diz: - alguma inspiração e muita transpiração!
7. Ao homenageares António Quadros não estarás também a homenagear o seu pai, António Ferro, o mentor da “Política do Espírito” do Estado Novo, que teve o discernimento e a sensibilidade cultural de criar um prémio especial dado o valor poético, cultural e político da obra, no mesmo valor (5.000 escudos) dado que o 1.º Prémio do Prémio Antero de Quental em 1934, havia sido atribuído ao Padre Vasco Reis com “A Romaria” porque A Mensagem não tinha o número de páginas requeridas pelo regulamento? Ao homenagear António Quadros estou mesmo a homenagear o António Quadros. Tinha dois Pais muito difíceis de se terem, por causa das inevitáveis comparações: António Ferro e Fernanda de Castro.
O António Quadros, apesar destes Pais, fez o seu caminho, libertou-se deles, no bom sentido, claro!
Nunca fui muito íntimo de António Quadros. Tive o prazer de o receber em minha casa quando o convidei, e à sua mulher, para uma primeira audição do meu LP “Em Pessoa” em 1985. Cruzámo-nos, como ele diz, algumas vezes, sempre por motivos poético-musicais, quase sempre pessoanos.
António Quadros era um Senhor que sabia, e sabia saber!
Quanto a prémios e número de páginas obrigatórias e poesia a quilo, só tenho a dizer que, já então, como agora, era Portugal no seu melhor.
8. Pessoa escreveu: “A Minha Pátria é a Língua Portuguesa”. Como combatente na Guerra do Ultramar, achas que a Pátria é só e/ou sobretudo a Língua Portuguesa? Não lhe faltarão as componentes da raça e do território?
Sem dúvida, tenho dificuldade em olhar para o mapa mundi, ver todos aqueles países que já foram Portugal e esquecer-me disso. Mais ainda por, como já disse, ter andado no Império.
Quanto a território, há que ser pragmático. Não vale a pena negar as evidências. São países independentes e não vamos lá pela reconquista, vamos lá pela cultura que pode não ser a mesma, mas que é discutida na mesma língua por mais de 200 milhões de lusófonos.
E pelo menos nessa acepção Portugal continua do Minho a Timor, e ainda mais passando pelo Brasil!
Quanto à componente rácica, depende do que entendes por ela.
Para mim, Portugueses com Pês muito Grandes, há-os de todas as raças, de todos os credos, de todas as cores. É só ir ao 10 de Junho a Belém e ver aquela rapaziada escura, com peitos cheios de cruzes de guerra. Se tiveres sorte, podes encontrar e abraçar um “pretalhão” chamado Marcelino da Mata com uma Torre e Espada, para já não falar no muito querido amigo Comandante Alberto Rebordão de Brito, que infelizmente já morreu.
Se ainda quiseres ver nomes que soam a Império, daqueles que deram a vida pela Pátria Portuguesa, podes ler os que estão nas placas do Monumento.
Diz-me tu então: o que é a raça Portuguesa? Somos diferentes nós, os Portugueses!!
9.O teu Pai foi um reconhecido militante nacional-sindicalista. Pessoa frequentava nos últimos anos da sua vida os jantares nacional-sindicalistas como um célebre ocorrido no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Alguma vez coincidiram? O meu Pai foi, como dizes, um militante Nacional-Sindicalista.
Era Monárquico, ainda nascido no Reinado de D. Carlos I. Nunca lhe ouvi dizer que se tivesse cruzado com Fernando Pessoa, talvez (certamente ) porque as posições de Pessoa sobre a Monarquia não fossem coincidentes com as suas. Nunca lhe ouvi falar no tal jantar do Parque Eduardo VII.
Ainda sobre o meu pai também quero dizer que, como Monárquico, nunca foi um homem do Estado-Novo. O meu pai recusou, mesmo quando bem precisava, pois já era casado e tinha filhos, um chamado bom cargo com um óptimo pagamento, tudo isto porque, segundo creio, na época esses cargos obrigavam a um juramento de fidelidade ou à república (o que não passaria pela sua cabeça) ou ao Estado-Novo, ao qual ele não pertencia pois era Monárquico.
Esta postura do meu Pai tem-me “perseguido” e servido de exemplo para muitas coisas. É uma espécie de consciência que anda cá por casa.
Tenho muitas saudades dele.
E faz-me muita falta pois há cada vez mais coisas que gostava de lhe poder perguntar! 10. Um dos poemas por ti cantados ao longo da tua vida musical é o “Navio Feiticeiro”, de Alfredo Pimenta e editado no LP "Ceia" (1983). Achas que o poema deste grande mestre da Portugalidade se revê no sentir e pensar de Pessoa? Quem me deu o Navio Feiticeiro foi o Rodrigo. Graças a ele e ao Alfredo Pimenta, fiz uma das músicas mais bonitas e conseguidas do meu reportório. Claro que o Navio Feiticeiro é fortemente inspirado em Fernando Pessoa.
Saudade, névoa, praias desoladas, navios feiticeiros, longes esfumados, e até no final o navio que uma tarde há-de chegar“. Só não é Dom Sebastião, porque Dom Sebastião vai chegar numa manhã de Nevoeiro!
11. Não é a primeira vez que cantas Fernando Pessoa. Em 1985, editaste o LP “Em Pessoa”, com vinte e seis temas, acompanhado pela Maria Germana Tânger e pelo Luís Pavão. Desses poemas cantados constam já “O Infante D. Henrique”, “D. Sebastião, Rei de Portugal”, “O Infante”, “Prece” e “Os Colombos”.
Francamente, nunca os contei. Nesse LP tive a colaboração da Maria Germana Tânger, do Luís Pavão e do Manuel Lourenço, meu grande amigo que me gravou agora este CD e foi director musical comigo. Os arranjos foram então do António Emiliano. Do meu primeiro LP transitaram para este CD Prece, os Colombos e Mar Português. 12. Terminada esta saga pessoana, em que tratas símbolos e arquétipos nacionais do inconsciente colectivo da Nação Portuguesa, julgo saber que o próximo símbolo nacional a ser cantado é D. Nuno Álvares Pereira. Vamos ter novo CD no próximo ano para comemorar a canonização do Condestável? Para fazer um trabalho sobre o Santo Condestável, vou precisar, acima de tudo, da ajuda de D. Nuno Alvares Pereira. Ele está no Céu e por isso, dada a distância e a minha insignificância, não sei se ouvirá os meus e certamente os teus pedidos. Mas como Católico, fraquinho mas Católico que sou, acredito em milagres!
13. E para quando um CD sobre D. Sebastião?
Dom Sebastião fica para a tal manhã de nevoeiro!
14. Deus quis, Pessoa “poetou” e José Campos e Sousa cantou!
É tudo verdade. Resta saber se o tal José Campos e Sousa musicou e cantou bem...
15. Outros projectos? Tenho uma quase obcessão por um poema de Pessoa "O Corvo ", tradução de um outro de Edgar Allan Poe – “The Raven” mas que os entendidos dizem ser melhor que o original , o que não é nada para admirar. Está musicado há um bom par de anos mas são 30 minutos quase de poema e de música que podia funcionar se alguém o encenasse por exemplo.
Enfim, quando for rico, vou gravá-lo nem que seja só para mim. Depois, tenho os meus amigos Fernando Tavares Rodrigues e José Alberto Boavida. Gostava de fazer com eles o mesmo que fiz com o Rodrigo Emílio. Depois tenho o David Mourão-Ferreira.
Depois tenho...
Depois tenho...
Depois tenho...
Tudo se concretizará quando eu for rico.
Fica prometido!
E agora, sim, chegámos ao fim desta entrevista que mais não foi do que um ACTO DE CONFISSÃO
Possivelmente não disse o que muita gente esperava.
Possivelmente falei de mais.
Possivelmente disse muitas asneiras e ainda possivelmente dei um testemunho fantástico. A única coisa que posso garantir é a minha sinceridade - e isso é difícil, podem acreditar.
Um Abraço a todos que tiveram a paciência de chegar até ao fim e manda a tradição e a minha religião Católica e a minha devoção de amigo que deseje a todos
José Campos e Sousa







