3.3.07

Degrelle, Tintin e Hergé





Celebrando centenário do nascimento e 24.º aniversário da morte de Hergé (Georges Rémy), o criador de Tintin, chamo a vossa atenção para Tintin mon copain e para a entrevista de Léon Degrelle a O Independente.
Infelizmente, a edição do livro de Degrelle não veio à luz como era seu desejo devido à sua morte em 1993. Felizmente, a entrevista dada ao jornal O Independente com o título de "Eu, SS Tintin" relata-nos toda a verdade sobre a projectada edição de "Tintin mon copain".
Entretanto, Degrelle tinha cedido uma cópia do seu manuscrito a um amigo belga.
Com a morte de Degrelle, só a família e esse amigo tinham na sua posse o manuscrito que foi publicado em França por livre iniciativa desse amigo belga, contra a vontade da família de Léon Degrelle. Essa edição "clandestina" e "pirata", na ordem de poucas centenas de exemplares, é uma raridade bibliográfica.


"O meu livro Tintin, mon copain vai tornar pública não só a verdadeira história de Hergé e a minha mas as duas, pois as nossas vidas coincidiram fraternalmente, fraternalmente, reencontrando-se sempre, quer na imensidão das Américas, ao longo dos milhares de quilómetros da frente russa ou no amargo exílio espanhol. Não se trata pois da vida de um dos dois comparsas, mas sim da vida de dois cúmplices, um deles criando a partir do imaginário e o outro construindo a partir da realidade, movidos através das circunstâncias mais imprevistas por entusiasmos e reacções idênticas."
"O meu livro Tintin, mon copain é a história conjugada do criador duma personalidade imaginária e de um homem de acção, ainda vivo, muito vivo, que juntos quiseram, criar esta Europa, que há cinquenta anos poderia ter sido salva. Um dia, talvez nos arrependamos amargamente de, em 1945, as nossas bandeiras não terem triunfado!"

In O Independente, caderno Viver n.º 98, 26 de Junho de 1992, págs. 18 a 22 e editado em opúsculo pela Associação Cultural "Amigos de Léon Degrelle" em 2003.

7 comentários:

Anónimo disse...

O livro "Tintin, mon copain" é fraquito, não vale o que pedem por ele nos alfarrabistas belgas e franceses, e está disponível para quem o quiser ler e carregar integralmente no "Argh".

a voz disse...

Excelente Postal!

Parabéns.

Pedro Botelho disse...

O livro está carregável em pdf no Aaargh.

Entre as várias alegações do Degrelle -- algumas delas certas ou muito provavéis, e outras menos mas ainda assim possíveis -- há uma que me parece claramente loufoque: a de que o inseparável Milou tinha sido inspirado num fox terrier que o cabo Hitler tinha adoptado quando estava nas trincheiras!

É verdade que existe uma foto desse canídeo e que, 'a excepção das malhas, é parecido com o Milou, mas as chances do Hergé se ter inspirado nele são praticamente nulas! Quando o Milou nasceu, as fotos do cão do Hitler não eram sequer conhecidas, quanto mais notórias a ponto de o inspirar...

E note-se que o Hergé teve sempre uma visão muito hostil à 2ªGM, a ponto de desenhar uma BD pacifista logo antes do seu início...

viriato disse...

«a ponto de desenhar uma BD pacifista logo antes do seu início»

Caro Pedro Botelho, está a referir-se a que obra de Hergé?

Pedro Botelho disse...

Referia-me à curta série de histórias da personagem «Monsieur Bellum» criada por Hergé para o jornal «L'Ouest», um hebdomadário fundado em 1939 que se auto-classificava como «de combate pela neutralidade da Bélgica, contra a presente guerra civil ocidental para nossa desgraça colectiva».

O jornal era financiado tanto pelo governo belga (graças ao ministro Paul-Henry Spaak) como, ao que parece, pelos alemães, e foi dirigido pelo (futuro «colaboracionista») Raymond de Becker que descreveu as caricaturas de Hergé como «d´heureuses caricatures contre le bourrage de crâne».

Note-se que a existência dessa personagem de Hergé foi muito curta pelas próprias circunstâncias da guerra em que a Bélgica se viu envolvida depois da invasão alemã, mas ajuda a registar o posicionamento anti-belicista de Hergé, já visível na sua antipatia pelo militarismo japonês, ou na sua caracterização da simpática monarquia constitucional da Sildávia e da sua inimiga, a autoritária Bordúria do ditador «Müssler» (uma sobreposição de Muss[olini] + [Hit]ler, formando o nome do antecessor do marechal Pleksy-Gladz que lhe sucederia no pós-guerra).

Outro sintoma das suas posições quanto à guerra em geral: o motivo do comércio de armas, desde logo inaugurado com o «Basil Bazarroff» da Oreille Cassée, baseado na figura autêntica de Basil Zaharoff. O tema é retomado em múltiplos albuns subsequentes.

Eurico de Barros disse...

Claro. O Hergé era um conservador católico, de educação escutista, um homem de direita tradicional e não revolucionária, convém lembrar isso.

viriato disse...

Obrigado pela resposta, Caro Pedro Botelho.