«... De pé, olhos bem abertos, face ao Inimigo, unidos em bloco firme, os dentes cerrados, resistir, combater até à morte, na defesa do Património sagrado que herdamos, para, ao menos, salvarmos a honra do nosso nome. Descer as pontes da fortaleza - jamais!» Alfredo Pimenta, in Em Defesa da Portugalidade, p. 29, 1947.
28.11.07
Paris, já está a arder? Outra vez!
23.11.07
Novidades em linha

Já a pensar no centenário www.regicidio.org
Boas surpresas:
Legião Patriótica, Revisionismo em linha e Alain Guionnet.
Língua ou dialecto?
Ainda diziam que "a minha Pátria é a língua portuguesa". Oh, Pessoa não leves a mal. Sabes que a Pátria (povo e território) foi estreitada e enterrada em 1974, a soberania em 1980. Agora, querem enterrar-te outra vez em 2008.
Deixa lá. enterram-te a ti, ao Camões e tantos grandes escritores da Língua Portuguesa.
Valha-nos Deus! Deus nos valha! Eles não sabem o que fazem!
Aqui fica o texto sobre o novo crime à Língua Portuguesa.
Exmo. Sr. Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros Luís Amado,
Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua.
Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo.
Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora.
E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.
ASSINE AQUI A PETIÇÃO
Livro: Portugal Futurista

22.11.07
Revista: Exílio


20.11.07
18.11.07
Correntes e cadeados

Conferência realizada em 21 de Junho de 1922, in "Obras de António Ferro - Intervenção Modernista 1", Editorial Verbo, 1987.
Agora, passo a bola aos Arqueofuturista, Mote para Motim, Mneme, Fogo da Vontade e Voz Portalegrense.
Leitura semanal
Telescópio Hubble
Dragoscópio:
O carácter dos Nobres
Reflexo condicionado
Legião Patriótica:
Fascismo: concepção aristocrática de Estado
Do Império
Salazar e o Estado Novo
Nós e Brasillach
Nós e o Fascismo
Legião Vertical:
Evola - Citações
A Doutrina das Quatro Idades (excerto)
Linha Horizonte:
Gangsters de alto calibre
Perdas e perdas
Manlius:
Obrigado António Vilarigues
Tierra y Pueblo n.º 16

Os interessados devem pedir a revista para: publicaciones@tierraypueblo.com
Editorial: En defensa de nuestras fiestas - Enrique Ravello.
La noche de San Juan - Joan Gilabert
El latir del ciclo anual: celebraciones de muerte y vida - Federico Traspedra
Ante el nuevo curso político - Enrique Ravello
Los deportes vascos - Claudi Abril y Hug Taix
Breves apuntes de etnología andaluza - Olegario de las Eras
Sant Jordi o el arquetipo de la victoria de la vía interior - Adriá Solsona
Las fiestas de moros y cristianos, eco de un milenio de amenaza islámica - Ernesto Milà
La cruz visigoda como lábaro de la victoria - Enrique Monsonís
El solsticio - Pio Filipani Ronconi
Dr. Philipp Lersch - Eduardo Núñez
Te lo digo a ti - Gabriele Adinolfi.
El reino de los símbolos:
Estómago, Páncreas, Bazo - Álvar Riudellops e Andrés del Corral.
Rincón de poesía:
Juan Pablo Vitali
Cine:
Network
Teatro:
La ciudad de los Césares perdidos - Petras Banavicius e Juna Pablo Almarza.
Libros:
Antonio Hernández, Las Castillas y León. Teoría de una Nación.
Serafín Fanjul, Al-Ándalus contra España.
Enzo Iurato - Julius Evola, Crítica de las costumbres
14.11.07
Micas, a herdeira de Salazar

Maria da Conceição de Melo Rita, a menina que, em 1938, surgiu na capa do jornal O Século, sentada numa cadeirinha, caderno no colo, sob o olhar atento de António de Oliveira Salazar, decidiu, aos 78 anos, deixar um "testemunho aos netos". Primeiro quebrou um silêncio de décadas quando foi entrevistada por Joaquim Vieira para o Expresso em 1988. Este ano aceitou um outro convite do jornalista para converter as suas memórias em livro - o resultado é Os meus 35 anos com Salazar (Esfera dos Livros), que será apresentado hoje, às 18h30, no restaurante da Estufa Real, Lisboa. Os historiadores José Hermano Saraiva e António Costa Pinto são os oradores convidados.
Ao longo de 200 páginas, Maria da Conceição, que viveu em casa de Salazar entre os seis e os 28 anos (1935-1957), não faz qualquer revelação sobre o homem que governou autoritariamente o país durante quase meio século - não há confidências nem segredos íntimos. Há, sim, o retrato de uma "família" (Salazar e a governanta, Maria de Jesus) que "perfilhou" Maria da Conceição aos seis anos, estava ela em Lisboa há meses, em casa do irmão José, a pedido da mãe, desesperada com mais sete filhos e sem sustento para todos na aldeia beirã da Lajeosa.
E há também a evocação de episódios domésticos que em nada contradizem aquilo que já foi escrito sobre Salazar na intimidade - que incutia o espírito da "poupança" em casa (a governanta fazia saias com o tecido das velhas calças do então Presidente do Conselho e aproveitava os antigos roupões para fazer vestidos para a criança); que ordenou à criada para fechar a sete chaves todos os pertences do Palácio de São Bento ("entendia que aquilo que era do Estado, não devia utilizar-se"); que Maria era "uma pessoa austera" e implacável com as criadas, recrutadas em orfanatos da província (transformou os jardins de São Bento num aviário cuja produção até dava para fornecer as despensas de alguns hotéis de Lisboa).
As casas (a da rua Bernardo Lima e a residência oficial) e o ambiente familiar eram um retrato, a uma escala reduzida, do país. Salazar governava a casa como governava o país - com mão de ferro, com o vício da poupança, monopolizando em si todas as decisões (com a excepção dos afazeres domésticos). Era afectuoso e "terno" com Maria da Conceição, a quem gostava de "aconchegar os cobertores à noite", e rigoroso com as matérias escolares: "Queria que eu soubesse tudo direitinho, desde a tabuada até à história e geografia", disse ao P2.
Contudo, a política era tema tabu dentro de portas. Pelo menos quando as mulheres da casa estavam presentes. A política nacional, na verdade, não "despertava" a curiosidade de Micas, como carinhosamente lhe chamava Salazar. Mas no livro, a pupila do ditador admite que se soubesse o que sabe hoje teria dado "outro rumo" aos diálogos com o seu tutor. "Nos passeios nocturnos que dávamos pelos jardins de São Bento, por vezes ele falava um pouco sobre política", lembrou, sentada na sala da sua moradia na Parede. "Eu até gostaria de ter falado mais, mas acho que não estava habilitada para perceber aqueles assuntos. Ele só me dizia que depois de morrer as nossas colónias em África tinham o tempo contado, porque estavam desejosas da independência. Mas considerava que aqueles povos não estavam preparados para isso."
Uma rapariga triste
Micas vivia ainda na casa da Rua Bernardo Lima quando foi confrontada com a ideia, ainda que vaga para uma criança de oito anos, de que existiam "homens maus" que queriam "fazer mal" ao seu pai adoptivo. Salazar escapou ao atentado anarquista de 1937 (uma bomba colocada numa caixa de esgoto) e quando chegou a casa, "o fato salpicado com areia", Micas agarrou-se a ele num pranto solto. "Eu não quero que o senhor doutor morra", recorda. "Não sabia por que é que lhe queriam mal..."
Ao longo dos anos, Maria da Conceição manteve-se sempre alheada das questões políticas. Era como se durante o Estado Novo tivesse vivido dentro de um casulo, sem comunicação com o exterior.
Não seguiu o liceu por iniciativa do pai adoptivo, que a encaminhou para o ensino comercial - "dizia que o curso comercial teria mais saídas no futuro das novas tecnologias" -, e o seu primeiro emprego foi no Instituto de Assistência a Menores. Não tinha tempo para divertimentos e no livro são escassas as referências a amizades. "Eu estava um pouco isolada", contou, "convivia pouco com as amigas, não frequentava a casa delas e elas também não iam a São Bento". Era infeliz? "Estava habituada. Fui criada assim desde pequena."
Em 1957, Micas casou com Manuel Rita no Palácio de São Bento, onde também se fez a boda. Um ano depois, nasceu António, cujos padrinhos foram Oliveira Salazar e Maria de Jesus, e Micas estava demasiado ocupada com a maternidade para atentar na política e na candidatura do general Humberto Delgado às eleições presidenciais.
O tumulto provocado no regime, com o candidato a percorrer o país perseguido por multidões de apoiantes, era inaudível na residência oficial. O eco das palavras do homem que ousou defrontar Salazar foi abafado e Micas diz que as eleições "passaram despercebidas" em São Bento. "Não discutíamos esse problema. O Humberto Delgado tinha os seus apoiantes, mas Salazar tinha mais."
Sete anos depois, Portugal foi confrontado com os assassinatos de Delgado e da sua secretária, Arajaryr Campos, pelas mãos de homens da PIDE. O Presidente do Conselho demarcou-se publicamente do acto. "Tenho a certeza absoluta de que ele não teve conhecimento prévio. Quando soube ficou muito aborrecido", garante.
O neto adoptivo
A partir dos últimos anos da década de 50, tornou-se quase impossível manter o silêncio, dentro de São Bento, em torno dos acontecimentos políticos. 1961 foi o ano em que, perante a sequência de episódios que abalam o regime, Salazar levou para casa as preocupações que o assaltavam. E eram muitas: Henrique Galvão desviou o paquete Santa Maria; deflagrou a guerra em Angola; deu-se a "ocupação" de Goa, Damão e Diu pela União Indiana; e Salazar deparou-se com a rebelião no interior do seu Executivo, quando o seu ministro da Defesa, Botelho Moniz, liderou um golpe de Estado que não passou da tentativa. "Nessa altura, ele já deixava transparecer uma certa preocupação", diz Micas.
Quando começou a guerra colonial, Micas já tinha dois filhos, António, que foi também "perfilhado" pelo padrinho, vivendo até aos 10 anos em São Bento, e Margarida. Maria da Conceição tem visto na RTP "um ou outro" episódio da série documental A Guerra, de Joaquim Furtado. Não tinha "tanta" consciência sobre a dimensão dos conflitos. "Sabia que as nossas possessões queriam a independência e que aquilo estava um bocado complicado." A guerra juntou-se, portanto, ao rol de temas que Salazar expurgava das suas conversas com Micas.
Sobre Marcello Caetano, porém, falou-lhe algumas vezes. "Gostava muito dele, dizia que era muito inteligente e responsável." Mas isso foi antes das "divergências que os separaram" e muito antes de Caetano assumir a Presidência do Conselho, em 1968, quando Oliveira Salazar julgava ainda ditar os destinos do país, como aqueles que o rodeavam lhe faziam crer. Micas não quis fazer parte desse jogo de fingimento (depois da queda da cadeira, Salazar continuou a viver em São Bento, com todas as regalias de outros tempos, sendo o protagonista involuntário de uma peça de teatro que se prolongou até à sua morte, em 1970). Ela visitava-o todos os dias, ritual, aliás, que começou no dia seguinte ao seu casamento. "Tinha certos momentos de lucidez, por vezes perguntava por um ou outro ministro, mas acho que ele tinha noção de que algo não estava a correr bem."
Quando acedeu ao convite de Joaquim Vieira para escrever Os meus 35 anos com Salazar, Maria da Conceição quis, em primeiro lugar, diluir os "retratos estereotipados" criados em torno de Salazar. "As pessoas desconhecem o homem excepcional que ele foi. É verdade que não gostava de se expor, que não gostava de multidões. Toda a gente julgava que ele era muito fechado mas, na verdade, era uma pessoa muito cativante." Por isso, Micas ficou "muito satisfeita" quando viu o "senhor doutor" ganhar o concurso televisivo Os Grandes Portugueses (mas não votou). "Ao pé dos outros finalistas, ele sobressaía em tudo." Se tivesse de escolher outro "grande português" quem seria? "Aristides de Sousa Mendes", responde logo. "Era uma figura muito simpática."
Maria da Conceição não herdou apenas os "afectos" de Salazar. Guarda vários objectos com que ele a presenteou ao longo dos anos e distingue dois: um retrato emoldurado de Salazar (que ela quer dar à "futura casa-museu" em Santa Comba Dão) e uma medalha em ouro com a imagem da Nossa Senhora de Lourdes, que traz ao peito, pendurada num fio, desde os 16 anos. "Foi como um pai. Tenho muitas saudades dos bocadinhos em que conversávamos à noite, nos jardins de São Bento."
In Público, 14.11.2007, págs. 4/5.
Micas, a pupila do senhor ditador
Maria da Conceição Melo Rita viveu com Salazar até aos 28 anos. Foi só depois de casar que saiu do primeiro lar salazarista da Nação, no Palácio de São Bento, onde se usaram senhas de racionamento durante a guerra e se fazia a comida em panelas compradas com o dinheiro do próprio ditador (que as escolheu, ele próprio, sem saber alemão, num catálogo de uma empresa alemã).
Todas as noites, dos seis até aos 28 anos de Maria da Conceição, o ditador subia ao sótão onde ficava o quarto da pupila para, antes de ele próprio se recolher, ver se estava tudo bem com Micas e aconchegar-lhe os cobertores.
Para Salazar, Maria da Conceição era um nome muito comprido: passou a chamar-lhe Micas. O jornalista Joaquim Vieira recolheu e enquadrou historicamente as memórias dos 35 anos que Maria da Conceição Melo Rita acompanhou o ditador. Mesmo depois do casamento, as visitas da pupila eram constantes. O filho mais velho de Micas viveria no Palácio de S. Bento até à morte de Salazar.
O retrato de Salazar na intimidade, visto pela sua filha adoptiva, é uma pérola para a compreensão desse fenómeno único no contexto das ditaduras europeias que foi o salazarismo. "Com muita gente a mexer num tacho ninguém se entende", dizia Salazar, que adorava metáforas domésticas, e que um dia confessou à governanta que tratava por "menina Maria": "A menina Maria tem mais facilidade em escolher uma criada do que eu um ministro."
Já se sabe que o pai da Nação era austero e misantropo - mas talvez não se soubesse ainda que comia sempre sozinho, nos pratos e talheres que ele próprio comprara - empacotara a louça do Estado, que seria reservada só a jantares oficiais - deixando a filha adoptiva e a governanta D. Maria remetidas à copa.
Salazar, antigo seminarista, ajudava à missa de todos os domingos em S. Bento. Mas nunca foi visto a comungar: Micas interroga a governanta, que responde que o ditador tinha uma licença especial que o desobrigava da confissão e da comunhão.
O namoro de Salazar com Carolina Asseca é um momento duro para a D. Maria que, aflitíssima com a perspectiva de casamento do ditador pede a Micas um favor: que aproveite o beijo de boas noites que Salazar lhe dava todas as noites no quarto para lhe implorar que não casasse. "Deixa lá isso, dorme, dorme", foi a resposta. De resto, todas as cartas de Carolina eram deixadas à vista das mulheres da casa que as liam com fervor. "Como o senhor doutor nunca passava noites fora, duvido mesmo que tenha havido intimidade física" com Carolina Asseca, escreve Micas.
Com Christine Garnier, a jornalista francesa com quem Salazar, aos 62 anos, viveu um romance (chegou a encarregar o embaixador em Paris, Marcello Mathias, da missão de lhe comprar e entregar um anel) a situação pode ter sido diferente. Micas repara que, no forte do Estoril, durante vários encontros, são corridas "as portadas de madeira do escritório do senhor doutor" que nunca antes estavam fechadas.
A vida de Salazar com Micas faz parte da hagiografia do Estado Novo. Rosa Casaco (o agente da PIDE que comandou o assassinato de Humberto Delgado e fotógrafo nas horas vagas), tira o retrato em que o ditador ensina a tabuada à pupila, que depois ilustrará a manchete de O Século "Como vive e trabalha o sr. dr. Salazar". E o Diário de Notícias é avisado do dia, hora e local do exame de 4.ª classe de Micas: para surpresa da examinanda, aparece-lhe à frente um flash e, no dia seguinte, 26 de Julho de 1941, o DN publica uma reportagem intitulada "Era uma vez uma menina", que noticia o exame e afirma que um "acontecimento tão simples e tão pequeno deve ter chegado para animar com a sua claridade o dia do presidente do Conselho".
In Diário de Notícias, 14.11.2007
13.11.07
1940 Álbum Comemorativo

11.11.07
Leitura semanal
Crime contra a liberdade de expressão
Dragoscópio:
O Lili-Canecismo pênsil
Setenta vezes sete
Telejornal - edição especial: da Indemnização hereditária aos crimes de ódio auto-inflingidos
Linha Horizonte:
Marcel Aymé, 1902-1967
Já desconfiava...
O FIM, de António Patrício
Prometheus:
Demagogia como regime político
Reverentia:
Já dei para esse... memorial
10.11.07
Livro: Histórias secretas da PIDE/DGS

São 170 páginas cheias de interesse e reveladoras de situações como a organização da PIDE, a morte de Humberto Delgado, a guerra d´África, o terrorismo esquerdóide e a fantochada do golpe do 25 de Abril.
Irene Pimentel e a PIDE


9.11.07
Vincent Reynouard condenado

Crime: o folheto intitulado "Holocauste? Ce que l’on vous cache", de 16 páginas que atenta contra o dogma do holocausto.
Na terra eleita dos campeões dos direitos do homem, da liberdade de expressão, é assim...!
Reynouard, veterano nestas andanças e condenações judiciais - é a terceira vez que é condenado - já esperando o resultado da sentença, fez um recurso, segundo o qual, a lei de 13 Julho de 1990, que condena o revisionismo de pretenso crime contra humanidade, é nula visto que o Acordo de Londres, de 8 de Agosto de 1945, foi assinado pela França que não tinha um governo reconhecido e legal.
8.11.07
Livro: Verde Gaio, uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950).



6.11.07
O Santo Condestável por Alfredo Pimenta
«Nesta longa e difícil guerra pela independência da terra portuguesa, ao lado do Rei, a acompanhá-lo incansavelmente, vemos a pessoa do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.
Filho bastardo do Prior do Hospital, D. Fr. Álvaro Gonçalves Pereira, filho bastardo, este, também, de D. Gonçalo Pereira, que foi, mais tarde, Arcebispo de Braga, e de Iria Gonçalves, Nuno Álvares, o Condestável do Rei de Portugal D. João I, nasceu a 24 de Junho de 1360, em Sernache do Bonjardim. É, talvez, a figura mais representativa, a figura mais exemplarmente típica do povo português, enquanto ideologias intrusas o não abastardaram e corromperam.
Ele trouxe sempre fundidos no seu coração o amor de Deus e o amor da Pátria. Foi Monge e foi Soldado; e foi Santo e foi Herói. Teve o duplo mistiscismo — o do Céu, e o da sua terra. Na hora mais aguda das batalhas, esquecido de tudo, ajoelhava e rezava. E, como os maiores místicos, possuía o sentido rectilíneo do equilíbrio e das realidades. Era um espírito positivo de patriota, animado pela fé mais viva da crença mais alta.
Sabia querer: e a sua vontade não conhecia, quando livre, embaraços. Sabia obedecer: e a sua obediência, na hora própria, não suportava reservas.
Nuno Álvares é a encarnação suprema da Pátria portuguesa: está nos altares, porque a Igreja o reconheceu merecedor de culto; e está nos corações dos portugueses fiéis que vêem nele o símbolo do seu amor pátrio.
Sem a sua espada vigorosa e sã, Portugal teria caído possivelmente na órbita de Castela, e tudo quanto fez em prol da Civilização andaria hoje escrito em língua estranha.
Riquíssimo de tudo — de honras, de bens e de glória, tudo trocou pelo hábito rude e áspero da estamenha de carmelita, quando viu que a sua Pátria já não precisava de que pusesse por ela «seu corpo em grandes aventuras», como dissera o Rei, no diploma em que lhe conferia o título de Conde de Barcelos.
O Convento do Carmo começou a edificá-lo, em Lisboa, em 1389. Lentamente, as obras prosseguiam. Os primeiros monges entrariam em 1397 — só portugueses. Nuno Álvares queria habitá-lo. Um elo ainda o prendia à vida: a filha. Mas esta, talvez em 1415, morre em Chaves. Dispõe-se a entrar no Carmo. Mas o Rei chama-o para Ceuta. E Nuno Álvares obedece.
No regresso, liberto já de quaisquer peias, o seu sonho corporiza-se. E em 15 de Agosto de 1423, a porta do convento fecha-se sobre a sua sombra: é Fr. Nuno de Santa Maria!»
In «Elementos de História de Portugal»,
E.N.P., Lisboa, 1935, págs. 112/115.
Condestável visto por Carlos Eduardo de Soveral
o definiu Pessoa.
Mas ora aquele de quem a devoção
do clero e de fiéis bem infiéis
— e não à toa.... —
refuge desde há muito,
pois se não vê, não sente nem entende
o amor da Pátria assimilado
— e ordenado —
com o de Deus Senhor. (...)
Devoção que nem mesmo tem por alvo
o santo e pobre monge
em quem
o grão Conde de Ourém,
o `spantoso vencedor,
humílimo ficou,
e o nome de Maria,
ao de Nuno bem ligado,
como tanto, tanto, qu`ria,
enfim, tomou.
Quem à Pátria, agreste, não venera
e, antes, abomina,
há de ao seu campião desatender e mal julgar,
em cega e surda sina.
Carlos Eduardo de Soveral
Alto da Castelhana, Janeiro 99.
Nun`Álvares, como Condestável e como Fr. Nuno de Santa Maria, constitui a mais juvenil, santa e formidável acusação às tibieza e insensibilidade, nenhum patriotismo, dum clero que, desrespeitando a vontade do Senhor, que em Portugal o implantou, não ama a Pátria e a Justiça que se lhe deve.
C.E.S.
Nun´Álvares por Miguel Torga
Pátria — é um palmo de terra defendida.
A lança decidida
Risca no chão
O tamanho do nosso coração,
E todo o inimigo que vier
Tem de retroceder
Com a sombra da morte no pendão.
Eu assim fiz,
Surdo às razões da força e da fraqueza.
(A liberdade não discute os meios
De se manter.)
Mais difícil era a empresa
Que a seguir comecei:
Já sem cota de malha, combater
Por outro Reino e por outro Rei!
In «Poemas Ibéricos», 1.ª ed. 1965
e «Poesia Completa», Edições D. Quixote, 2000, pág. 710.
Ao Condestável, jubilosamente por Couto Viana
Homens d`armas, pendões, o clangor dos clarins
Rodeiam-te o retrato em corpo inteiro
Pintado pelo génio de Junqueiro,
De Oliveira Martins.
O meu, de ti, não tem moldura,
Que se perdeu na Grande Perdição:
Noite escura
E apenas tu, clarão!
Envergas um burel (penitência e desterro),
Mas, debaixo do hábito, o arnês!
E o coração de português!
E o ímpeto de ferro!
Quando a rubra invasão destruiu Portugal,
Ninguém formou quadrado,
Cada qual escapou pra cada lado:
Temerosos do fim, talharam o final!
Aqui ficaste só com tua espada
Mas sem vassalos,
Mal se escutou da Tróia conquistada
O tropel dos cavalos.
Nasce de ti a esperança do resgate,
Alma de santo, pulso de herói:
Tu chamas ao combate
Contra a morte que é, pela vida que foi.
E hás-de reunir em teu redor,
Para expulsar de vez o inimigo,
Alas verdes, viris, como o tempo da flor;
Saudáveis, imperiais, como um facho de trigo!
Elas, sim, lutarão em campo aberto
Pelo sinal da Cruz e teu sinal.
— A nova Aljubarrota já vem perto,
Portugal!
António Manuel Couto Viana.
In «Sou quem fui», Edições Ática, Lisboa, 2000, págs. 146/147.
Nun´Álvares por António Sardinha
Nascido na leal Cavalaria,
deu-te a Cavalaria essa pureza
que sem a alma que em tua alma havia,
é luz velada que não dura acesa!
Tu a abrigaste em horas de alegria
— tu a abrigaste em horas de tristeza.
Por ti a flor de Galaaz floria,
talvez ainda com maior firmeza!
Tens o poder da tua espada forte,
tens o poder das tuas mãos erguidas,
— Herói e Santo, vem valer aos teus!
Alto, mais alto que o pavor da morte,
se a tua espada guarda as nossas vidas,
as tuas mãos pedem por nós a Deus!
António Sardinha
In «Pequena Casa Lusitana», Liv. Civilização, Porto, 1958, págs. 67/68.
Hino do Beato Nuno de Santa Maria
Coro:
Herói e Nuno, Nuno imortal,
Herói e Nuno, Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!
(Bis)
I
Dom Nuno Alvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.
II
Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.
In «Iconografia Condestabriana»,
Bernando Xavier Coutinho, Instituto de Alta Cultura, p. 309, 1971.
Frei Nuno de Santa Maria

Síntese perfeita do arquétipo português e do inconsciente colectivo nacional, o exemplo do verdadeiro Galaaz português e uma acusação permanente às gentes medíocres dos dias de hoje, incapazes de um acto de despreendimento dos bens materiais em troca do bem espiritual.
D. Nuno Álvares Pereira nasceu a 27 de Julho de 1360, em Santarém, na freguesia de Castelo do Bonjardim.
No dia 15 de Agosto de 1423 deu entrada no Mosteiro do Carmo, em Lisboa, mandado construir por si, onde viveu os oito últimos anos de vida totalmente dedicado à Espiritualidade.
Viria a falecer a 6 de Novembro de 1431.
5.11.07
Livro: Ao Gosto do Gosto: uma guloseima!

Sob a chancela da Antília Editora, Couto Viana acrescenta mais um livro à sua longa, vasta e variada bibliografia. Desta vez, é o sétimo livro sobre uma das suas especialidades, a Gastronomia.
Profusamente ilustrado, com um magnífico trabalho de design e 184 páginas, este livro é «a memória das mesas a que me sentei, bem como a evocação de outras a que desejei sentar-me, além de algumas pesquisas literárias, sempre no meu espírito.
Oxalá, tais memórias, evocações e pesquisas vão ao encontro do gosto do leitor».
António Manuel Couto Viana, um Senhor da Cultura Portuguesa: poeta, crítico literário, ensaísta, contista, dramaturgo, memorialista, gastrólogo e prefaciador, reúne neste volume textos “publicados na imprensa, não só sobre a cozinha e a adega portuguesas, mas também estrangeiras, sobretudo, europeias.”