4.5.08

A qualidade da democracia portuguesa

No Diário de Notícias de hoje vem o artigo Democracia portuguesa é das piores da Europa assinado por João Pedro Henriques.
«A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.
As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos.(...)»

Segundo o articulista e o estudo, a democracia portuguesa é das piores da Europa passando este certificado de má qualidade.
Das duas uma, ou o articulista ou os autores são nazis-fascistas-xenófobos-racistas ou passa a ser um caso de polícia para a ASAE.
Afinal, o 25 de Abril foi feito para trazer a bela democracia ao nosso país. Mas, há uma falta de adaptação e de entendimento 34 anos depois. Ou o povo português não se entende com a democracia ou vice-versa.
Parece-me, sem dúvida, que o povo português se está a marimbar para o "esforço heróico" dos abrileiros e seus coveiros!

A "liberdade" pelo Prof. António José de Brito

Leitura semanal

Afinidades Efectivas
Que loucura
O convidado de pedra

Euro-Ultramarino
28 de Abril

Falangista Campense
O 139.º aniversário do grande Oliveira Salazar

Legião Vertical
A "liberdade"

Manlius
Colossal... Piramidal... Bestial!!!
Piazzale Loreto
E depois como é que "eles" apreendem
São só os jovens?
Omissões

Odisseia
Céline e Jünger

O Fogo da Vontade
O liberalismo e a Direita

Os Veencidos da Vida
A alegria de haver afinidades

Pena e Espada
Ainda Rosa Coutinho
Vitorino Magalhães Godinho em conversa
Em defesa da Língua Portuguesa

Portugal dos Pequeninos
Memória de António Oliveira Salazar

Sexo dos Anjos
Direitas
Confidências embaraçosas
O 25 de Abril e a História



Revisionismo em linha

30.4.08

O PCP tinha uma estrutura no Exército desde Goa

Mais elementos sobre a traição à Pátria.
Tudo começou na Índia Portuguesa!
Leiam e tirem as vossas conclusões desta
entrevista publicada no Diário de Notícias feita ao catalão Josep Sánchez Cervelló, professor de História na Universidade Rovira i Virgili, em Tarragona, e académico correspondente da Real Academia de História. Investigador, dedicou a sua tese de doutoramento à Revolução Portuguesa e sua Influência na Transição Espanhola (1961-1976), que viria a ser (parcialmente) editada em Portugal pela Assírio e Alvim, em 1993.
Nada melhor do que ler os testemunhos dos revolucionários abrileiros...

Pintura de Acácio Lino

João das Regras

Câmara Municipal do Porto

Não sabiam?!, por Joaquim Letria

«Contaram-me que o presidente da República descobriu, num estudo, que os portugueses com idades compreendidas entre entre os 18 e os 29 anos não sabem raspas do 25 de Abril. Então era preciso um estudo para se descobrir isso?! Ande por aí e converse com as pessoas que fica logo a saber.
Ao fim de 10 anos de cavaquismo e de 6 de guterrismo, e mais 18 anos de governos avulsos, em Portugal ninguém sabe porra nenhuma! Perguntem a um secretário de Estado quem formava a ínclita geração, um deputado que diga quantos são 7×8, um engenheiro que fale em que ano foi a Restauração e um arquitecto que diga quem foi Miguel de Vasconcelos e vão ver a surpresa que apanham.
Não se esqueçam de que até Ferreira Leite, o Roberto Carneiro e o Vítor Alves foram ministros da Educação!
Dizem-me que na manif da Avenida da Liberdade só os “Toca a Rufar” e os reformados sabiam o que andavam ali a fazer. Natural no resto, muitos foram lá para o chefe ver. Como já acontece em Portugal desde a segunda dinastia…»

Joaquim Letria
in
24 Horas, 28 de Abril de 2008

P.S. - Até o Joaquim Letria...

29.4.08

Quatros anos de Pena e Espada

Para o meu amigo e camarada, Duarte Branquinho, que continua firme com a Pena e Espada, aquele abraço!

Uma dúvida do Manlius

Não se passa nada, pois não?

Em Beja foi assim, em Moscavide assim foi.
Será que foram de carjacking?
Depois das esquadras, que tal umas pilhagens nas farmácias, nos supermercados, nos hipermercados, nos shopping centers?
O tal workshop está a produzir efeitos. Olá, se está!!!
Já dizia o outro: o povo é sereno!
E digo eu: não há problema, vivemos num estado de direito e democrático!

28.4.08

Salazar: 28 de Abril 1889 - 2008


Memória da «libertação» da Itália





«Manicómio» policial/jurídico

«Através das escutas telefónicas e da monitorização do site fórum nacional chegámos à conclusão que se tratava de um forum de cariz nazi, fascista, racista, xenófobo e homofóbico, em que alguns personagens resolveram associar o nacional e o social, e através do qual os individuos pretendiam criar uma rede/network ligada às células/chapters no estrangeiro, que por sua vez têm ligação com o terrorismo internacional, isto com o objectivo de levar a cabo atentados e derrubar o estado de direito democrático.»
Não há hospital psiquiátrico que os trate?

26.4.08

Algumas desmitificações de Silva Cardoso

Deixo umas breves notas, a título de exemplo, sobre a desmistificação que no livro “25 de Abril – a Revolução da Perfídia” o sr. general considera «ser a mais insidiosa manipulação da nossa História entre 1933 e 1975 nomeadamente nas seguintes linhas de força:

- a guerra do Ultramar foi, principalmente, um episódio da guerra entre os EUA e a URSS e não uma luta de autolibertação e desenvolvimento dos povos;

Cita os textos da autoria de José Manuel Barroso publicados no Diário de Notícias a 27 e 28 de Fevereiro de 202, intitulados: “Luanda na mesa das Superpotências” (págs. 28/29/30) e “Concentrar meios no elo mais fraco” (págs. 36/37) onde analisa e desenvolve historicamente ambos os textos.

- a guerra estava a ser ganha militarmente e a batalha do desenvolvimento atingia crescimentos sociais e económicos muito elevados;
«Bastará comparar os efectivos dos guerrilheiros que se nos opunham com os dos recrutados localmente e que combatiam ao nosso lado. Na Guiné, o PAIGC dispunha dum efectivo na ordem dos cinco mil homens, contra cerca de doze mil guineenses que se lhe opunham; em Angola, depois da derrota do MPLA na frente Leste, da apresentação e entrada para os Flechas dos duzentos guerrilheiros da primeira região político-militar do Quanza Norte, a de duzentos homens mal armados e sem dispor de qualquer apoio externo; a FNLA, cujos efectivos eram difíceis de estimar, mas que através da fraquíssima acção desenvolvida no terreno não iria além dos três mil homens, a maioria dos quais zairenses descendentes de angolanos, dispondo as forças da contra-subversão de recrutamento local perto de quarenta mil militares, alguns dos quais constituíam forças de elite como os Flechas e os TE`s representando um potencial considerável; por fim, em Moçambique, aquando dos acordos de Lusaca, a Frelimo não dispunha de mais de mil guerrilheiros moçambicanos, tendo recorrido a zambianos e tanzanianos para acabar por surgir com pouco mais de cinco mil homens, contra dez mil militares de unidade de combate especiais GE`s (Grupos Especiais) e GEP`s (Grupos Especiais de Pára-Quedistas) e uma série de unidades regulares (milícias) que, na sua totalidade, ultrapassavam as forças deslocadas da Metrópole. (Pág. 64).

«Em 1973/74 a realidade nos territórios africanos sob a jurisdição portuguesa era, sem qualquer margem para dúvidas, altamente promissora para a constituição de comunidades com padrões de vida substancialmente acima da média dos verificados nos países africanos que se tinham tornado independentes com os “ventos da História”, especialmente na década dos anos 50.» (Pág. 56)

«um território cujo padrão de vida antes do 25 de Abril era o terceiro de toda a África sub-sahariana (sendo apenas suplantado pelo da África do Sul e pela, então, Rodésia)…» (Pág. 23)

- a subversão na retaguarda e a inoculação do vírus revolucionário nas Forças Armadas foi a solução que a URSS opôs à nossa vitória militar;

Escreve: «A quebra da unidade na retaguarda iniciou-se logo após o desaparecimento de Salazar, com as indecisões de Marcello Caetano, a crise estudantil de 1968 e o movimento grevista onde o PCP, na clandestinidade, era certamente o motor.» (Pág. 85).

Refere o “descontentamento provocado em Julho de 1973, ao nível dos capitães e majores do quadro permanente que vinham lutando em África, com a publicação do Decreto-Lei 353/73” e refere as entrevistas de Salgueiro Maia à revista “Fatos e Fotos”, em que este afirmava que “o que esteve na base do chamado Movimento dos Capitães foi a legislação que punha em causa a dignidade da carreira militar”; e a de Otelo ao Expresso, na qual este abrileiro considerava uma injustiça, “ a ultrapassagem na escala de antiguidades de oficiais do quadro permanente pelos oriundos do quadro de complemento, em condições que os primeiros – aqueles que entraram para a Academia Militar depois de completarem o sétimo ano do liceu.”» (Pág. 46)

Aborda a incapacidade do governo de Marcello Caetano na resolução desta questão e que essa «incapacidade foi aproveitada pelo Partido Comunista para pôr em prática o plano que iria conduzir ao golpe comunista do 25 de Abril. As iniciativas políticas do General Spínola na Guiné dão origem a uma primeira cisão ou enfraquecimento da unidade da retaguarda que, na óptica da URSS, era imperioso promover. Para quebrar a coesão nas unidades militares actuando nas frentes de combate, foram constituídas células comunistas no seio das tropas, essencialmente formadas por oficiais e sargentos milicianos que tinham estado na génese do levantamento académico de 1968.» (Págs. 46/47)

«O virús revolucionário, segundo os planos de Moscovo, nasceu na Guiné e rapidamente alastrou pelos restantes teatros de operações, não só às unidades como igualmente a outros órgãos das Forças Armadas empenhados em debelar a subversão e proteger as populações.
(…) Também na Metrópole as iniciativas de grupos mais ou menos organizados pelos comunistas levaram a efeito acções tendentes a incrementar o espírito anti-guerra colonial como por exemplo de:
- Direcção da Organização Regional do Sul do PCP:
- Comité Directivo da Resistência Popular Anticolonial;
- Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas;
- Contestação da Capela do Rato (1972);
- Congresso da Oposição Democrática em Aveiro a 27 de Maio de 1973;
- Encontro de Liberais em Lisboa e 6 de Junho de 1973.
E outros eventos como greves, demonstrações de rua, etc, todos com o mesmo objectivo de quebrar a unidade na retaguarda.» (págs. 88/89).

- os autores da traição e do descalabro têm nomes e são os que, conscientemente, fizeram o jogo da URSS, isto é, o PCP e seus “compagnons de route”.»
Abstenho-me de transcrever esta parte porque a selecção é difícil dada a sua quantidade.

Um reparo: o sr. General não refere uma única vez o papel do Grupo Bilderberg, da Maçonaria e da Igreja (mormente nos padres missionários protestantes, verdadeiros agentes da CIA e alguns católicos em África que pregavam a doutrina democrática e comunista) neste descalabro trágico que marcou o fim histórico de Portugal.

As desmistificações do General Silva Cardoso

O sr. general desmistifica o que considera «ser a mais insidiosa manipulação da nossa História entre 1933 e 1975 nomeadamente nas seguintes linhas de força:

- a guerra do Ultramar foi, principalmente, um episódio da guerra entre os EUA e a URSS e não uma luta de autolibertação e desenvolvimento dos povos;

- a guerra estava a ser ganha militarmente e a batalha do desenvolvimento atingia crescimentos sociais e económicos muito elevados;

- a subversão na retaguarda e a inoculação do vírus revolucionário nas Forças Armadas foi a solução que a URSS opôs à nossa vitória militar;

- os autores da traição e do descalabro têm nomes e são os que, conscientemente, fizeram o jogo da URSS, isto é, o PCP e seus “compagnons de route”.» (Pág. 25)

25.4.08

Prof. Silva impressionado com o alheamento da juventude

Segundo o Público de hoje:

«O Presidente da República, Cavaco Silva, mostrou-se hoje "impressionado" com a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado e denunciou uma "notória insatisfação" dos portugueses com o funcionamento da democracia.
No seu discurso na sessão comemorativa do 25 de Abril, no Parlamento, Cavaco Silva divulgou extractos de um estudo que mandou realizar sobre o alheamento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade aos partidos políticos.
O Presidente considerou "não ser justo" para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes arriscando a própria vida, que a geração responsável por manter viva a memória de Abril persista em esquecer que a revolução foi um projecto de futuro.
"Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário", declarou o Chefe de Estado perante o hemiciclo.
O Chefe de Estado fez eco da "notória a insatisfação dos Portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas na sociedade portuguesa".
Cavaco Silva disse aos deputados e convidados da sessão solene do 25 de Abril ser seu propósito promover em breve um encontro com representantes de organizações de juventude, tendo por objectivo colher a sua opinião sobre o distanciamento dos jovens em relação à política e sobre as medidas que possam contribuir para minorar ou inverter esta situação.»

O sr. Prof. Silva já devia saber que os jovens são ingratos e então há que incorporá-los nas jumentudes partidárias existentes e dar-lhes doses industriais e democráticas sobre a democracia a começar logo no pré-escolar e com umas visitas de estudo à sede da Pide, ao Forte de Peniche, ao Tarrafal em Cabo Verde, promovendo o turismo juvenil anti-fascista.
O problema é que a juventude assume com naturalidade que a democracia é anti-natural, nada quer com ela e está-se nas tintas para a mesma.
Logo, conclui-se que a separação entre a juventude e a democracia é porque a juventude não quer viver num manicómio político-social tipicamente burguês.
A outra, a jumentude, faz um negócio com a democracia: filia-se no partido e na jumentude e com o decorrer dos anos vai subindo na carreira pulhítica, e no mínimo, ser deputado e daí receber uma pensão de sobrevivência e no máximo ser presidente de uma empresa estatal. Essa é a que chamaram a
geração rasca!
Agora, aguentem-se e não há estudos ou encontros que resolvam o que é insolúvel!

Motivo de preocupação

O Público de hoje, refere estas declarações de Vasco Lourenço: «os tempos actuais são complicados". Do seu ponto de vista e não apenas em Portugal, "o actual regime democrático parece esgotado", com os detentores do poder a fugirem para a frente, sem se aperceberem de que, cada vez mais, vão ajudando a degradar a situação, o que lhe lembra "os velhos senhores de Roma, que não viam o fim do Império a aproximar-se, de forma acelerada, e continuavam em festas e orgias".
Vasco Lourenço defende que os partidos políticos voltem "à essência da sua criação", pois "não podem continuar a ser agências de empregos, coberturas e agentes de luta do poder pelo poder, causadores e encobridores de corrupção, enfim, maus agentes da democracia".»

Ora, o capitão "melena e pá" está a chegar às mesmas conclusões a que cheguei há muitos anos. Percebeu, agora, trinta e quatro anos depois que o regime democrático está esgotado e que os partidos não podem nem devem ser agências de emprego, criadores e causadores de corrupção e que são maus agentes da democracia.
Ora, se os partidos são isso tudo o presidente da associação 25 de Abril está a negar a essência da democracia, porque não há democracia sem partidos!
Se estas são as conclusões do capitão abrileiro, vou consultar imediatamente um psiquiatra, um psicólogo e um psicanalista para me provarem que não pensa o mesmo que eu!
Mais vale sozinho do que mal acompanhado...

Vasco Lourenço e Silva Cardoso

O Público de hoje, traz a público estas declarações de Vasco Lourenço, uma verdadeira e total autoridade moral democrática: «Para fazer ouvir a sua voz, seja quem for, tem que ter autoridade moral no que respeita aos temas em que quer ser ouvido. Infelizmente, isso não acontece, muitas vezes." Nos casos em apreço, "por escandaloso, há um que sobressai mais. O general Silva Cardoso, pelo seu passado, pela sua postura, não tem perfil nem qualquer autoridade para afirmar seja o que for. Até porque, normalmente, mente descaradamente", critica.»

O que me leva a concluir que o general Silva Cardoso só diz a verdade no seus livros "Angola - Anatomia de uma tragédia" e "25 de Abril de 1974, a revolução da perfídia".
Diz-me quem te critica que dir-te-ei quem és...
Bingo!

A revolução da perfídia

«Em 25 de Abril ocorreu a revolução da perfídia. Toda ela estava viciada, chocou-se um ovo de monstro no nosso ventre, que quando a casca se partiu, rapidamente cresceu e nos quis devorar. Os portugueses resistiram e fizeram-lhe frente, mas dos seus tentáculos cortados escorreu um visco venenoso que ainda hoje se agarra a tudo e nos tolhe os movimentos. Fomos aldrabados por "heróis de pacotilha" que se encheram de honras e de dinheiros fáceis. O sonho rapidamente se transformou em pesadelo e aqueles que já acordaram rangem os dentes de impotência. Era bom voltar a sonhar com outros protagonistas: a verdade, a humanidade e a justiça. Mas dizem-nos dos bastidores que essa peça não está no repertório desta companhia de teatro. Só temos guarda-roupa para interpretar peças de vilões e de perfídia.
Teremos de continuar com a "revolução da perfídia", peça estreada há mais de trinta anos, de autor estrangeiro, sempre com protagonistas que se esquecem de olhar para o público, nem nisso estão interessados pois o público, embora remoendo impropérios, não tem outro espectáculo para ver.»

General Silva Cardoso
In "25 de Abril de 1974 - A Revolução da Perfídia", Prefácio - Edição de Livros e Revistas. Lisboa, 2008, págs. 225/226.

Livro: O 25 de Abril de 1974, a revolução da perfídia

Com a chancela da Prefácio, foi editado mais um livro do general António Silva Cardoso intitulado “25 de Abril de 1974 – a revolução da perfídia”.
Nas 234 páginas do livro, o general Silva Cardoso lavra uma fortíssima acusação e denúncia sobre o golpe de estado abrilino e as repercussões que este teve para Portugal.
Na realidade, o general António Silva Cardoso é o mesmo que fez parte da Junta Governativa de Angola chefiada por Rosa Coutinho, acumulando esse cargo com o Comando da 2.ª Região Aérea. Na sequência do Acordo do Alvor foi designado Alto-Comissário (ou Alto-Corsário como dizia o
Rodrigo Emílio) para o período de transição, onde se manteve até princípios de Agosto de 1975.
Ora, o sr. general António Silva Cardoso, na sua qualidade de membro da Junta Governativa de Angola chefiada por Rosa Coutinho e de Alto Comissário de Angola foi co-responsável pela criminosa e racista descolonização, pelo desmembramento do Império português e morte de milhares de portugueses que com os seus rios de sangue inundaram o solo das Províncias Ultramarinas traindo, dessa forma, o esforço de quinhentos anos de presença e soberania portuguesa no Ultramar!
Foi o autor de "Angola, Anatomia de uma tragédia", editado pela Oficina do Livro, no ano de 2000, 690 págs., em cuja capa se vê o sr. general ao lado de Melo Antunes e de Mário Soares - em que o último a assina o "acordo".
Por muito que o sr. general escreva - e já vai em cerca de mil páginas - , já não se pode voltar atrás e pedir comovidamente desculpa como o faz no Preâmbulo deste livro, remetendo-nos para "Angola, Anatomia de uma tragédia":
«A resposta, pronta e inevitável, centra-se na constante, abusiva e obcecante tentativa de mistificação da História de Portugal relativamente a esse período. A minha vivência da maioria dos factos relatados e as imagens com frequência nos entram em casa mostrando o drama terrível e pungente que se tem abatido sobre o povo angolano para quem a fome, a dor, a doença, a tremenda incerteza do futuro, os estropiados e a morte são uma constante perante os olhos atónitos, incrédulos, mas também passivos, do mundo, levaram-me, num imperativo de consciência, a escrever a minha própria verdade como a tinha sentido e vivido. Quanto à segunda questão, porquê só agora, limito-me a citar um dos últimos parágrafos do livro:
Os anos passaram. Muitos outros hão-de ainda passar e a História, como se diz, fará o seu juízo.
(…) Naquilo que me diz respeito afirmo que a descolonização, tal como se cumpriu, será considerada como o episódio mais catastrófico, mais desprezável e mais estúpido de toda a História de Portugal; na parte que mais de perto me toca, eu julgo que é também meu dever contribuir para a formulação do juízo da História. E esta precisa de distanciamento em tempo para poder ser escrita.» (Pág. 21/22)
Assim é. Já passaram trinta e quatro anos. Duas gerações quebraram um elo de quinhentos anos de laços históricos e o sr. General foi um dos que contribuiu para essa trágica realidade!
Demasiado tarde, rios de sangue correram nas províncias ultramarinas de África que desaguaram no oceano Atlântico e no oceano Índico!
Escreve o sr. general: «Omitia a Dr.ª Maria Barroso que o seu marido é um dos grandes responsáveis pela tragédia que se abateu sobre aquele território após a chamada descolonização que ele começou por classificar de espectacular, depois de exemplar e, por fim de possível. Como é possível tal atitude quando o ilustre casal Soares sabia quem foram os seus compatriotas que transformaram um território cujo padrão de vida antes do 25 de Abril era o terceiro de toda a África sub-sahariana (sendo apenas suplantado pelo da África do Sul pelo da África do Sul e pela, então, Rodésia) num país em que se estima estarem cerca de quatro milhões de pessoas de pessoas ameaçadas de morrer de fome!» (Pág. 23)
O sr. general desmistifica o que considera
«ser a mais insidiosa manipulação da nossa História entre 1933 e 1975 nomeadamente nas seguintes linhas de força:
- a guerra do Ultramar foi, principalmente, um episódio da guerra entre os EUA e a URSS e não uma luta de autolibertação e desenvolvimento dos povos;
- a guerra estava a ser ganha militarmente e a batalha do desenvolvimento atingia crescimentos sociais e económicos muito elevados;
- a subversão na retaguarda e a inoculação do vírus revolucionário nas Forças Armadas foi a solução que a URSS opôs à nossa vitória militar;
- os autores da traição e do descalabro têm nomes e são os que, conscientemente, fizeram o jogo da URSS, isto é, o PCP e seus “compagnons de route”.»
(Pág. 25)

Um livro a ler com atenção para se compreender as razões do golpe de estado abrileiro, a descolonização, o PREC, enfim, a democracia em Portugal!
O crime de traição à Pátria
pela "
prática do crime previsto no art.º 141 do Código Penal, crime consubstanciado em documentos de que os acusados foram signatários, em pareceres dados no exercício de funções oficiais, e em declarações prestadas publicamente, usando assim de meios fraudulentos com vista à separação de parcelas do território português, objectivo que conseguiram alcançar em directa colaboração com os que pretendiam por acções violentas a apropriação das províncias ultramarinas, como eram designadas na Constituição então vigente."