15.9.10

Pensamentos de Alfredo Pimenta - V

«Simplesmente, a Democracia é, por definição, por essência filosófica, por natureza específica, anti-católica - porque repele o conceito fundamental da origem do Poder proclamado pela Igreja. Para esta, todo o Poder vem de Deus; para a Democracia, todo o Poder vem do Povo. Conceitos irreconciliáveis. Tem-se posto em prática muitos esforços para os conciliar; mas todos eles partem da Igreja; a Democracia não abdica, não transige, não se conforma. As soluções da origem imediata ou mediata não são obra da Democracia - porque para esta não há dúvidas nem hesitações: o Poder vem da massa popular, manifestado pelo Número. Não me consta que Deus seja ou possa ser cacique eleitoral.
E por isso Leão XIII repudiava o sentido político da palavra Democracia.»(1)
«... Os princípios democráticos são falsos, aqui e em toda a parte, porque uma vez aplicados, em toda a parte e aqui, resultam falência e perturbação.»(2)
«... A superstição democrática é a mais prejudicial de todas quantas a Loucura humana foi capaz de criar.»(3)
«... A Democracia é, por definição, por essência filosófica, inimiga de Deus - tal como o concebe e o proclama a Igreja católica. O mundo actual geme debaixo do joelho tirânico e brutal da Democracia que o estrangula sob os seus dedos de ferro, ameaçando-o com a bomba atómica.»(4)

Notas:
(1) - In Eu e as Novidades, p. 21, Publicações Pola Grey, Porto, 1942.
(2) - In Política Monárquica, p. 58. Empresa Lusitana Editora, 1920.
(3)- In Nas Vésperas do Estado Novo, p. 168, Livraria Tavares Martins, 1937.
(4) - In Três Verdades Vencidas: Deus - Pátria - Rei, p., XVI, Org. Bloco, Lda., 1949.

14.9.10

Livro: Grão Vasco da Professora Dra. Sofia Lapa

"Grão Vasco", da autoria do Professora Doutora Sofia Lapa, é o segundo livro da Colecção de Pintores Portugueses coordenada pela Professora Doutora Raquel Henriques da Silva e composta de 16 volumes.
Número de páginas: 96.
PVP: 6,90€.

13.9.10

Excelente decisão!

Foi dilatado o prazo da Exposição das Tapeçarias de Pastrana no Museu Nacional de Arte Antiga até ao dia 3 de Outubro.
Aqueles que ainda não foram e aqueles que já lá foram e gostavam de lá voltar não têm desculpa para o não fazerem, ainda por cima, com entrada gratuita aos domingos de manhã.

Pensamentos de Alfredo Pimenta - IV

«... Proclama-se que os direitos do cidadão que vive em Democracia são o de exprimir o seu parecer sobre as obrigações e sacrifícios que lhe impõem, e o de não ser obrigado a obedecer sem primeiro ter sido ouvido!
Isto é a subversão dos mais rudimentares princípios da noção mais singela do Governo! E é de grandes altitudes que ela se nos faz ouvir? Então onde está a Autoridade? Nos Governantes ou nos governados? Quem governa? A Autoridade ou a Multidão?
Que isto seja ou deva ser assim em Democracia, está certo. Mas que isto seja sancionado por Quem deve personificar sumamente a Ordem, a Disciplina, a Hierarquia, está absolutamente, irremissivelmente errado.»(1)
«Nas propagandas democráticas, diz o sr. Cambó, tem-se falado sempre nos direitos que o regime de democracia dá aos cidadãos; mas fala-se muito pouco nos deveres que lhes impõe.»
O sr. Cambó não é o pai da Democracia, nem é o seu doutrinário. A Democracia é o que a revolução estabeleceu. Ora esta não formulou os Deveres do Cidadão: formulou sim os seus direitos. Deveres tinha-os o cidadão há muito estabelecidos, desde que veio a este mundo. A Democracia falando em deveres não dava novidades nenhumas. Precisamente a sua justificação está na novidade que trouxe: a dos direitos. A Democracia é a rebelião, é a indisciplina, é o contrário dos deveres. Os democratas que falam em deveres são, se são sinceros, democratas fingidos. O que constitui a estrutura da Democracia é precisamente a preocupação dos direitos, fonte de toda a anarquia e de toda a dissolução social. Diz o sr. Cambó que Napoleão pôde dar o golpe de Brumário, porque o povo francês tinha perdido já o hábito das funções mais essenciais duma Democracia. Esta é boa! Então o povo francês guilhotinou, afogou, fuzilou, apunhalou, roubou como quis e quem quis, durante anos e anos — e estava desabituado das funções da Democracia?! Pelo visto — estava habituadíssimo a elas, durante o antigo regime, e foi por isso que em 1789 fez a Revolução!»(2)

«... A anarquia mansa, corrosiva, como em Portugal e na França, sob ameaças graves de deslizar para a Anarquia brava do Despotismo do Poder oculto. Quanto à ligeireza e versatilidade do corpo eleitoral - temos conversado. Que é o corpo eleitoral? Os que votam, ou os que levam os que votam a votar? O corpo eleitoral! Se o sr. Giraud tivesse lido certos versos do nosso bom João de Deus... A respeito da cegueira, isto é da falta de clarividência do povo - os factos estão aí, na situação da Democracia. Se o povo fosse, pudesse ser clarividente e competente; se os inferiores pudessem escolher os superiores; se os debaixo pudessem julgar os de cima, - era o Paraíso democrático. Como se dá o contrário, é o Inferno democrático. Quanto a corrupção eleitoral e parlamentar...»(3)

Notas:
(1) - In A Democracia Nova, p. 13, ed. Autor, 1945.
(2) - In O Livro do Sr. Cambó, in «A Voz», n.º 1004, p. 3, 23.11.1929
(3) - In Nas Vésperas do Estado Novo, p. 120, Livraria Tavares Martins, 1937.

11.9.10

Salazar e o dr. Filipe Ribeiro Meneses

O agora, decretado pela imprensa, primeiro biógrafo de Salazar, o Dr. Filipe Ribeiro Meneses dá uma entrevista ao jornal O Sol sob o título "Fazia-se a distinção entre o regime e Salazar".

Já se esqueceram que o grande biógrafo de Salazar foi o Dr. Franco Nogueira com os seis volumes de "Salazar" editados entre 1977 e 1985?

10.9.10

Pensamentos de Alfredo Pimenta - III

«... Democracia cristã; Democracia orgânica; Democracia positiva; Democracia social; Democracia temperada; Democracia liberal; Democracia isto; Democracia aquilo, Democracia aqueloutro, são máscaras do mesmo erro, pseudónimos do mesmo mal, disfarces do mesmo cancro: a Democracia.(1)
«... Mas o governo de todos é um mito, porque é o Absurdo. A sociedade é uma realidade; o governo é outra. Não há sociedade sem governo - proclamou-o Augusto Comte. Pode governar um; podem governar alguns; não podem governar todos. A Democracia que é o governo de todos, é conceito essencialmente metafísico, abstracção pura.
A Democracia nunca se realizou. Sociedade que tentasse realizá-la suicidar-se-ia. Sociedade a governar-se a si própria nunca existiu, porque a mesma noção de sociedade implica organização e hierarquia, e portanto governantes que mandam, governados que obedecem. A Democracia é a negação da organização e da hierarquia: todos mandam, todos governam, todos são soberanos. Nunca se viu; nunca se viu; nunca se poderá ver. O mal da Democracia está, antes de mais nada, no mito que a constitui, na mentira que representa, na mistificação idiota que personifica.
As massas que são crédulas, ingénuas ou estúpidas. Os seus exploradores, os que vivem, enriquecem, engordam, trepam e se fazem à custa são os profiteurs da Democracia, tão repelentes e tão sujos, como aqueles cadastrados que vivem à custa das desgraçadas que pertencem a quem as compra.»(2)
«... Se a Democracia, sociedade em que todos governam, não existe, que é existe com o nome de Democracia? Existe a sociedade em que alguns se governam - mentindo, iludindo, sofismando, arrastando o Povo atrás da sua mentira, levando-o, cego e surdo, atrás de uma ilusão!
As massas não raciocinam: crêem. E quanto mais compactas e mais numerosas são, mais obtusa e irreflectida e infantil é a sua crença.
Não há almas colectivas, não há razões colectivas, não há inteligências colectivas. As massas têm instintos, não têm Razão; têm reflexos, não têm discernimento. Porque as seduz à Democracia? Porque as encanta o Comunismo? Precisamente, porque são bárbaros e absurdos.
Mas essas Democracias que por aí passeiam a sua vida, que são afinal? São burlas escandalosas e é a sua qualidade de burlas que devem o poder viver.
São sociedades de negócios, materialistas, e jogadoras da vermelhinha - em que, repito, alguns se governam... São aristocracias de videirinhos. Eles sabem, como todos nós sabemos, que a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade são entre os homens, mistificações, nuns, superstições, noutros. E gritam, e trombeteiam às massas, nos comícios e nos Parlamentos, nas campanhas eleitorais e nas alfurjas, nas gazetas e nos conclaves internacionais: Liberdade! Igualdade! Fraternidade!(3)


Notas:
(1) - In Contra a Democracia, p. 17, ed. Amigos do Agora!, 1949.
(2) - In Contra a Democracia, pp. 17/18, Amigos do Agora!, 1949.
(3) - In Contra a Democracia, pp. 18/19, Amigos do Agora!, 1949.

7.9.10

Livro: Nuno Gonçalves. Professor Dr. Pedro Flor

Está à venda o primeiro livro da Colecção de Pintores Portugueses coordenada pela Professora Doutora Raquel Henriques da Silva e composta de 16 volumes.
Uma magnífica iniciativa do jornal Público e do Instituto de História da Arte.
O preço de lançamento de "Nuno Gonçalves", da autoria do Professor Dr. Pedro Flor, primeiro volume, é de 3€. Número de páginas: 96.
Os restantes volumes serão ao preço de 6,90€, perfazendo o total da colecção em 106,50€ e terá uma periodicidade semanal até 21 de Dezembro.
A destacar: Grão Vasco (14 de Setembro), Josefa de Óbidos (21 de Setembro) e Almada Negreiros (16 de Novembro).

6.9.10

Pensamentos de Alfredo Pimenta - II

«Isto é a cobardia democrática. Isto é o preconceito democrático. Isto é a vermina democrática.
A Democracia afoga-nos, subverte-nos, arruina-nos, envenena-nos. Diante dela, a sociedade portuguesa está tolhida, vencida, sucumbida e morta — para toda a energia sã, para toda a acção salvadora. A República? Não. Não é bem a República que nos mata: é a Democracia. A Monarquia? Não será a Monarquia que nos salvará, se vier aliada à Democracia. Porque a Democracia é a antecâmara da Anarquia. A Democracia é a legalização da Desordem, é a organização do Tumulto. A Democracia é a lógica, às avessas; é o regime da Multidão, do ninguém se entende, do tudo doido. A Democracia é contra a Pátria, depois de ser contra a Família, depois de ter sido contra Deus. A Democracia é o caos.
A sociedade portuguesa sofre do uso e do abuso da Democracia. Deixaram-se corromper por ela todas as classes, todos os partidos, todas as categorias. A onda democrática bate o seu pleno — desde as mais altas esferas intelectuais até às mais baixas camadas populares. Por isso, a sociedade portuguesa se encontra na fase mais crítica da sua existência, fugindo do poço da lama para que a Democracia arrasta para ir cair no lago de sangue para que a Democracia a atrai.
Todos os aspectos singularmente doentios que a sociedade portuguesa apresenta ao observador, têm uma origem: a corrupção democrática, a tendência democrática, o preconceito democrático, a sugestão democrática.
As castas aristocráticas finam-se por esterilidade. As massas democráticas diluem-se em grosseria e sangue.
A Democracia é a mistura, a mestiçagem, a confusão, o tumulto.»(1)
«...O regime das castas que fez a grandeza dominadora de tantas civilizações, grandeza que as civilizações modernas, viciadas de igualitarismo, de democratismo, de degradante mestiçagem, de babelismo, jamais atingirão, o regime das castas é uma das fundamentais condições de ordem e de prosperidade positiva.»(2)
«...As tendências oligárquicas nas democracias são claras de mais para que seja preciso perdermos tempo a demonstrar que sem aristocracias ou élites o progresso social é impossível.»(3)
«... Não se confunda Democracia e Povo, não se confunda Aristocracia e Brasão. Porque no Povo, há aristocratas — os espíritos de eleição que olham o Céu e as Estrelas; entre os brasonados, há democratas — os que descem os olhos para as sarjetas sociais e se comprazem com os contactos lamacentos e repugnantes.
Aquele homem do povo que se lava e procura distinguir-se da arraia em que viveu, pelas maneiras e pelas acções, buscando, na cultura dos seus sentimentos, compensação para a humildade e anonimato da sua origem — esse é um aristocrata.
Aquele filho d`algo que esquece os feitos de heroicidade física ou moral dos seus maiores, para se deliciar no convívio dos mais lastimáveis tipos da baixa fauna social, e se degrada, e se arrasta até se confundir com eles — esse é um democrata. Entre um parvenu de salão e um parvenu de taberna — ah! Senhores, não hesitemos. O primeiro pode dar-nos a impertinência que irrita. Mas o segundo dá-nos a degradação que arrepia. E dos dois, só o segundo é produto da Democracia.
Não há dúvida nenhuma que nós estamos sofrendo uma profunda crise de inteligência — crise de origem democrática. Não há reflexão; não há raciocínio; não há cultura; não há respeito pela inteligência. Há mais alguma coisa, que é muito pior: há um ódio, oculto, por ora, à inteligência. O processo adoptou a Democracia para conseguir triunfar no seu assalto à inteligência? Que mais infame: fingindo-se defensora da inteligência. Ora se há inimiga da inteligência, por natureza, pela sua própria substância, — é a Democracia, o nivelamento, o repúdio de todos os Heróis, de todas as Personalidades de todos os Eus.
O sintoma mais típico do domínio da Democracia, e por outro lado, a revelação mais clara do seu carácter — temo-la aí nesse culto do Soldado Desconhecido, do Anónimo, do Ninguém, em detrimento do culto devido aos generais responsáveis, sobre quem cairiam todas as afrontas e todos os vexames, todos os insultos e todos os castigos, no caso de uma derrota, e a quem negam todas as homenagens, na hipótese realizada do menor mal possível. E toda a gente se acobardou diante da vaga anárquica, e consagrou a mais demolidora das orientações!
Às vezes, mesmo antevendo a catástrofe para que nos encaminhamos com aquela fúria singular de quem tem medo de não chegar a tempo, sorrimos de desdém, ouvindo a gritaria, a choramingaria, os protestos, os discursos, as ameaças, as reclamações, que surgem nos jornais, nas representações, nos parlamentos, nas salas, nas ruas, em toda a parte. Porque tudo isso, gritos, choradeiras, protestos, discursos, ameaças, reclamações, — é poeira vazia, é linguagem de papagaio, e tolice... Gritam, protestam, contra o assassinato e o roubo, contra a injúria e a calúnia, mas fazem muralha, quando alguém, audaz, se ergue contra a origem do assassinato que os aflige, do roubo que os amedronta, da injúria que os vexa e da calúnia que os irrita.
Acabo de percorrer a maior parte dos comentários que se fizeram ao acontecimento trágico de quarta-feira passada, em que um agente da ordem pública e social sucumbiu às mãos de um inimigo da mesma ordem, — acontecimento que as deu no mesmo dia em que pela terceira vez se adiou o julgamento de outro inimigo da ordem social. Palavras, palavras, palavras — e nem um conselho positivo, e nem uma solução positiva! Tocar na arca santa da instituição do júri criminal? Pedir a instituição dos processos sumários militares? Esquecer tudo, tudo e obrigar o Governo a defender a Ordem, e impor a Ordem, com a Constituição ou contra a Constituição, com o Parlamento ou contra o Parlamento, com a Lei ou contra a Lei? Credo! Seria magoar a Democracia. Seria ofender a Democracia.
Diante de uma casa a arder, não se discutem teorias: apaga-se o fogo, a bem ou a mal. A sociedade portuguesa está a arder. Acudam-lhe enquanto é tempo. Arrumem para o lado os incendiários ou os coniventes, encontrem-se eles onde se encontrarem, — no Parlamento, nos jornais, nas Secretarias, nas ruas e nas alfurjas — e salvem isto da derrocada!»(4)

Notas:
(1) - In Acabemos com isto, in «A Época», n.º 1749, p. 1, 01.06.1924.
(2) - In Política Monárquica, p. 18, Empresa Lusitana Editora, 1920.
(3) - In Aristocracias, in «A Ideia Nacional», n.º 12, p. 363, 24.04.1915.
(4) - In Acabemos com isto, in «A Época», n.º 1749, p. 1, 01.06.1924.

3.9.10

Pensamentos de Alfredo Pimenta - I

«... O sr. Gaston Jèze é uma das mais altas autoridades do mundo universitário francês, e o seu nome ultrapassou, há muito tempo, as fronteiras da França. Em ciência financeira, e mesmo em Direito Administrativo e Direito Político, as suas opiniões formam escola, e impõem-se com autoridade. Politicamente, o sr. Gaston Jèze, é radical: pertenceu ao famoso cartel das esquerdas, e vejo-o figurar no célebre volume La Politique Républicaine, que é uma espécie de Programa do Radicalismo. Por sinal que no seu estudo consagrado às Finanças francesas, o sr. Gaston Jèze tem esta paradoxal sentença: o que deve guiar os governos é a ciência financeira e o ideal democrático - como se este ideal democrático fosse capaz de se ajeitar com qualquer ciência, e muito menos com a ciência financeira.
Ora o sr. Jèze acaba de escrever num jornal francês, palavras preciosíssimas que demonstram que o seu espírito nem sempre está perturbado, a sua visão das coisas nem sempre é deformada.
Pergunta ele: «Acaso as assembleias legislativas são compostas de seres superiores, mais inteligentes ou melhores do que outros homens?»
E responde com esta clareza e esta justeza: «Nada disso. A Democracia não tem a pretensão de ter, como governantes, super-homens, os governantes de uma Democracia são medíocres; tomam-se, um pouco ao acaso, na massa. Seria preciso ter os olhos fechados para não ver que os colégios eleitorais não escolhem nem os melhores, nem os mais inteligentes, nem os mais honestos, nem os mais cuidadosos pela coisa pública. A intriga, as promessas excessivas, mesmo as mentiras, a pressão e a corrupção desempenham um grande papel nas eleições dos países democráticos. Isto não oferece dúvidas a ninguém. Nenhuma reforma eleitoral mudará grande coisa nisto. Não tenhamos ilusões a esse respeito».
De acordo. Não tenhamos ilusões. Nós não as temos. As reformas eleitorais, para nós, os sistemas eleitorais, para nós, têm bem medíocre importância. Eleição directa ou indirecta, sufrágio restrito ou universal; recenseamento obrigatório ou facultativo, sistema maioritário ou proporcional; com representação ou sem representação de minorias; círculo único ou muitos círculos - é tudo a mesma burla monstruosa - porque o vício fundamental da eleição não está na maneira como ela se realiza, mas em si própria. O carácter específico da eleição é o Número, e o Número é a antinomia da Qualidade. À medida que o Número aumenta, a Competência restringe-se. Se alguém tem autoridade para limitar o Número, esse tem autoridade para escolher logo o que o Número vai eleger. Uma vez que se adopte o critério do Número, em boa lógica, só o Sufrágio Universal tem defesa. Eu compreendo os partidários deste Sufrágio; não compreendo os que limitam, os que querem segurá-lo, com reformas, com habilidades.
Eu só compreendo o Sufrágio Universal, com recenseamento obrigatório e voto obrigatório. O resultado é mais democrático, mas é mais característico. Quanto mais errado mais democrático, mais puramente democrático, mais dentro do critério da soberania nacional.
Aparte aquela de a Democracia não ter a pretensão de possuir, por governantes, super-homens, tudo quanto sr. Gaston Jèze diz é luminoso.
«Os governantes de uma Democracia são medíocres» - diz ele. Nem podem deixar de ser. A massa eleitoral, o rebanho humano só escolhe os que estão ao alcance da sua inteligência. Ora a inteligência da multidão é tudo o que há de mais frágil. A multidão não sugere ideias: move-se por palavras, determina-se por gritos, dirige-se por imagens. E não é necessário que seja uma multidão ignara de incultos patriotas.»(1)
«... Continuando o seu desenho, o sr. Gaston Jèze diz que os colégios eleitorais não escolhem nem os melhores, nem os mais honestos, nem os mais cuidadosos pela coisa pública. Certíssimo. Como estamos longe daqueles que diziam que era apanágio da Democracia, a virtude! Mas se não são os melhores; se não são os mais cuidadosos pela coisa pública, os que a Democracia chama para a alta função do governo - que demónio de simpatia, de apoio ou aplauso nos pode merecer a mesma Democracia, com a sua remonta dos piores, dos estúpidos, dos patifes e dos desleixados, sr. Gaston Jèze?
A Democracia, aos melhores, desgosta-os; aos mais inteligentes, persegue-os; aos mais honestos, calunia-os; aos mais cuidadosos da coisa pública, afasta-os. É de hoje. É de ontem. É de sempre. Que fica, então? Fica o bando dos malfeitores, dos sem consciência nem vergonha - profissionais da honra, profissionais do Dever, profissionais do patriotismo, profissionais da justiça, profissionais de tudo, fazendo de tudo profissão, até da infâmia!
Entre a sentença clara de Gaston Jèze, homem de indiscutível valor intelectual, e as leviandades dos doutores da Democracia que, envenenando a toda a hora o sentimento público e o espírito público, com as suas campanhas a favor da mais perigosa mentira, da mais hedionda burla que é a Democracia - entre a sentença de Gaston Jèze e as leviandades dos doutores da Democracia - quem pode hesitar?
Não. Se queremos salvar esta pobre Pátria, não nos atemorizemos diante de nada, e não abandonemos o combate salutar à comédia democrática, à fraude democrática - numa palavra à Democracia que é, por definição, mentira, fraude, comédia, e que só pode captar aqueles que não são incompatíveis com o Erro.»(2)
«...Não era preciso que o sr. Faguet viesse dizer que as democracias, na concepção sua vulgar, corrente e geral, levariam à vitória da mediocridade e constituiriam o culto dos incompetentes.»(3)



Notas:
(1) - In Novos Estudos Filosóficos e Críticos, pp. 163/165, Imprensa Nacional, 1935.
(2) - In Novos Estudos Filosóficos e Críticos, pp. 165/166, Imprensa Nacional, 1935.
(3) - In Aristocracias, in «A Ideia Nacional», n.º 12, p. 363, 24.04.1915.

Já está legalmente constituída

Na passada Segunda-Feira, 30 de Agosto, foi realizada a escritura de constituição da nossa associação, que recebeu o nome, já anteriormente registado e aprovado, que acima publicamos.
Preparamos agora a primeira Assembleia Geral, que vai reunir os fundadores mobilizados pela Comissão Instaladora, a fim de preencher os primeiros Corpos Sociais.
Naturalmente, uma Associação Política e Cultural não concorre com qualquer partido político nem participa em Eleições. Mas a nossa Missão é realizar todas as actividades necessárias à formação de um Movimento de opinião e intervenção a nível nacional que estimule, dinamize e organize a reflexão e a acção núcleos de nacionalistas, patriotas livres e independentes, filiados ou não em partidos políticos, dispostos a participar no Combate Político e Cultural nacional por todos os meios legítimos e legais ao nosso alcance.


Contactos: oposicaonacional@gmail.com ou 96 730 00 76.

27.8.10

Couto Viana homenageado pela Biblioteca Nacional

Está a decorrer, entre 11 e 31 de Agosto, na Biblioteca Nacional, uma Mostra homenageando a Obra cultural de um dos Mestres da Cultura Portuguesa, António Manuel Couto Viana.
A entrada é livre.

25.8.10

Mais uma "descoberta" sobre Hitler

Testes realizados com amostras de saliva retiradas de 39 familiares do ditador nazi relacionam Hitler com as raças que tentou exterminar durante o Holocausto. Não é a primeira vez que surgem ligações entre Adolf Hitler e uma possível ancestralidade judaica, mas se antes as alegações eram históricas (o pai de Hitler terá sido fruto de uma relação ilegítima da sua avó com um homem judeu) passaram agora para o plano científico.
O cromossoma identificado no estudo impulsionado por um jornalista e um historiador belgas, o Haplogroup E1b1b1, é raro na Europa, sendo mais facilmente identificado em povos como os Berberes de Marrocos, Algeria e Tunisia bem como em algumas comunidades judias como os Ashkenazi e os Sefarditas.
A notícia, avançada pela revista belga Knack, é “surpreendente” segundo Ronny Decorte, especialista em genética da Universidade de Leuven. “O assunto torna-se especialmente interessante se o compararmos com a concepção do mundo para os Nazis, na qual as noções de raça e sangue eram cruciais”, diz o investigador.»

Afinal, Hitler era um morcão

Eis a prova que faltava. Thomas Weber, sabido investigador achou que era altura de ganhar uma massaroca e publicou um livro sobre Hitler na I Guerra Mundial.
Thomas Weber mostra-se um autor nada morcão com esta falsificação!