Mostrar mensagens com a etiqueta Riccardo Marchi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Riccardo Marchi. Mostrar todas as mensagens

1.8.11

Riccardo Marchi e a extrema-direita


Revista Notícias Sábado distribuída com Diário de Notícias e com Jornal de Notícias
30.07.2011

31.3.10

Blogue de interesse: Império, Nação, Revolução

Império, Nação, Revolução é um "blogue para despertar as memórias das testemunhas e as críticas dos leitores, porque escrever História é sempre uma obra comunitária."
As memórias, as críticas, as correcções e os comentários podem ser enviadas para riccardo.marchi@ics.ul.pt.

30.3.10

Crítica de Barroso da Fonte ao livro Folhas Ultras de Riccardo Marchi

"O académico italiano Riccardo Marchi entusiasmou-se de tal modo com o tema que preparou para doutoramento que, mal editou a tese, logo preparou uma espécie de anexo dessa época ao qual chamou Folhas Ultras - As ideias da direita radical portuguesa (1939-1950). Foi patrocinado pela Imprensa de Ciências Sociais que o inseriu na colecção Breve História (2009). Em 256 páginas reúne autores e doutrinas que em Portugal nunca haviam merecido tanta atenção, apesar de se diabolizar o Estado Novo e se falar no fascismo português. Foi preciso vir um italiano indagar este tema que a muitos repugna mas que a muitos outros agrada. É que urge banir o preconceito de que só as esquerdas são cultas, sérias, competentes, ao invés das direitas que, para os seus contrários, são portadores de todos os males da espécie.
Sem complexos Riccardo Marchi fez os estudos básicos em Itália. Mas em 2001 fez uma viagem a Portugal, no âmbito da pesquisa para a tese de licenciatura. Reuniu «material documental sobre a direita radical portuguesa no segundo pós-guerra». Acabou por ficar por cá, investigando esse tema que resultou no volume Império, Nação, Revolução... e com o sobrante elaborou um estudo complementar que acaba de nos chegar, com amável dedicatória do autor.
Marchi escolheu para orientador António Costa Pinto. António José de Brito, Alfredo Pimenta, Jaime Nogueira Pinto, José Pequito Rebelo, Caetano Beirão, Amândio César, António Sardinha, Plínio Salgado e Henrique Barrilaro Ruas foram autores recorrentes. Mas esta excelente obra sobre as ideias da direita radical portuguesa é uma espécie de homenagem a um dos mais plumitivos pensadores desta ala doutrinária: Alfredo Pimenta. Já numa altura em que ele era conservador da Torre do Tombo. Desta sua última década de vida dá este livro conta, a par de um discípulo que honrou o mestre e que ainda está vivo e declaradamente intelectual de direita: o Prof. Doutor António José de Brito.
Riccardo Marchi não se ficou pela licenciatura e pelo doutoramento com esta temática doutrinária. No Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa está a fazer um pós-doutoramento, o que mais abona este investigador que em Portugal não tem imitadores. Talvez por complexos ou receios de ser apodado de fascista radical."

Barroso da Fonte
In jornal Poetas&Trovadores, n. º 51, Janeiro/Março de 2010, p. 11.

Crítica de Barroso da Fonte ao livro Império, Nação e Revolução de Riccardo Marchi

"Riccardo Marchi é um jovem investigador italiano (n. Pádua, 1974). No ano 2000 licenciou-se com uma tese sobre o Estado Novo e o Fim do Império Português (1945-1975). Continuou a interessar-se pela dinâmica das direitas radicais no fim do Estado Novo, tema que em 2005 acolheu para tese de doutoramento no ISCTE. Desde Abril de 2008 é investigador de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, retomando o projecto das direitas radicais na democracia portuguesa.
Nestas 440 páginas, resumo da tese de doutoramento, condensa figuras e pensamentos de muitos políticos e ideólogos do Estado Novo que colocaram todas as suas energias a defender as ideias do estado-novismo. Alfredo Pimenta, João Ameal, Fernando Pacheco Amorim, Caetano Beirão, António José de Brito, Fernando Campos, Amândio César, João Bigotte Chorão, Freitas da Costa, Guilherme Braga da Cruz, Rodrigo Emílio, Pinharanda Gomes José Miguel Júdice, Luís Amado, Goulart Nogueira, Jaime Nogueira Pinto, Lucas Pires, António da Cruz Rodrigues, Vítor Manuel de Aguiar e Silva e António M. Couto Viana são alguns dos autores portugueses citados. Mas cita também muitos tratadistas estrangeiros. Um trabalho notável deste jovem docente e investigador que conhecemos pessoalmente em Guimarães, onde veio beber nas obras de Alfredo Pimenta. Teve a gentileza de também mencionar o nosso projecto de investigação sobre Alfredo Pimenta: da práxis Libertária à doutrinação nacionalista. Texto Editores, Novembro de 2009."
Barroso da Fonte
In jornal Poetas&Trovadores, n. º 51, Janeiro/Março de 2010, p. 13.

2.3.10

O Diabo: Entrevista a Riccardo Marchi

«Houve quem achasse excessivamente dura a recensão crítica publicada por ‘O Diabo’ ao seu livro “Império Nação Revolução”, recentemente apresentado ao público…
Antes de mais, agradeço a atenção que ‘O Diabo’ prestou à obra, mas gostava de sublinhar, ao lado de algumas verdades, falsidades desnecessárias. É, sem dúvida, verdadeira a existência de erros linguísticos no texto, cuja responsabilidade é só e exclusivamente minha e das minhas lacunas na língua portuguesa, a começar pelo “inaceitável serrar fileiras”, que nem sequer foi um lapso freudiano. Também é verdadeira a presença de “erros factuais”: são os perigos do ofício de historiador, por muito rigor que se use. Os amigos que me ajudaram com os seus testemunhos já me alertaram para isso, mas também referiram a irrelevância dos erros na economia da obra. Não me resta mais que considerá-los uma boa oportunidade para futuros trabalhos “revisionistas”… sempre bem aceites quando rigorosos.

E quanto às críticas mais opinativas?
O meu crítico lamenta a falta de “uma boa introdução sobre o pensamento nacionalista português do século XX”. Esta foi uma escolha metodológica minha. Optei por me concentrar exclusivamente no nacionalismo radical do pós-guerra. O tema, de facto, só por si, oferece pano para mangas para uma investigação que ao ser definida como “superficial” parece-me, no mínimo, pouco generoso, visto o estado da arte em que se encontravam tais estudos. Opinável é também definir o trabalho como “uma monumental maçada cronológica”. Cada leitor, como é óbvio, tem a sua sensibilidade. Certo é que um trabalho de história sobre um período ainda inexplorado não pode eximir-se de uma minuciosa contextualização e colocação temporal dos eventos. Quanto ao facto de o livro resultar “sem alma e sem chama”, posso apenas dizer que eu não sou um romancista, nem um poeta, nem um apologista e que não vivi, nem sequer de longe, os factos narrados, para poder sentir as suas almas e chamas. Para isso servem as obras de memórias, que, pelos vistos, os detentores de almas e chamas deste “tema empolgante” nunca se preocuparam em legar às gerações vindouras. A mim, coube-me apenas relatar as ocorrências, da maneira mais científica possível.

Mas é na parte factual que parecem surgir mais dúvidas…
Sim. O crítico afirma ter eu “enveredado por um estudo cómodo”, com base apenas no material impresso (publicações dos movimentos). É falso. A análise necessária e exaustiva das publicações dos movimentos da direita revolucionária é apenas uma das fontes utilizadas. A reconstrução historiográfica baseia-se, principalmente, nas várias entrevistas realizadas com 25 destacados militantes e dirigentes da direita revolucionária da altura; nos 8 arquivos particulares pertencentes a líderes dos movimentos; nas centenas de pastas (com alguns milhares de documentos) guardadas nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo (Salazar, PIDE, Censura, Marcello Caetano, Legião Portuguesa, Ministério da Administração Interna). Tudo rigorosamente registado em notas de rodapé.

A crítica questionava também a opção de fundo de ter iniciado o estudo em 1959...
Esse “mistério” poderia ter sido resolvido com uma sua investigação, esta sim bastante “cómoda”, na internet ou, ainda mais “cómoda”, na bibliografia do livro (página 414). Teria descoberto que, ao mesmo tempo que “Império, Nação, Revolução”, publiquei o livro “Folhas Ultras” (Ed. ICS) que cobre o período 1939-1950, dedicado a Alfredo Pimenta, ao grupo de ‘A Nação’ e também ao grupo da ‘Mensagem’ (Caetano Beirão, Amândio César, António José de Brito). Quanto às “frequentes remissões para trabalhos de autores esquerdistas”, deixe-me dizer, em primeiro lugar, que o “rotulismo” é-me indigesto tanto quando provém de certa cultura antifascista, como de qualquer outra cultura política. Dito isto, as “frequentes remissões” denunciadas, reduzem-se a… duas, em 400 páginas, nomeadamente nas notas de rodapé n.º 1 da página 14 e n.º 2 da página 387. Demasiada esquerda num livro sobre as direitas?

O seu trabalho de investigação sobre os movimentos de Direita em Portugal é, de alguma forma, pioneiro. Porque acha que os investigadores portugueses não se têm dedicado a este campo de estudos?
Posto que os interesses de investigação têm muito a ver com o foro interior de cada investigador, na minha opinião são duas as razões principais que concorreram a alhear a atenção dos cientistas deste campo de estudos. A primeira tem a ver com a relativa proximidade cronológica do regime autoritário que causa ainda uma reductio ad unum de tudo o que é direitas ou nacionalismos à figura de Salazar. Isso esbate a policromia de uma área rica em pensamento político e história dos movimentos e prejudica o seu interesse. A segunda tem a ver com a auto-exclusão, no regime democrático, das direitas e dos nacionalismos do debate das ideias. Tiradas algumas excepções (por exemplo “Futuro Presente” nos anos 80), esta área temeu as contaminações, recusou-se a enxertar as suas raízes com os novos desafios da modernidade e renunciou a produzir novas sínteses. Acabou, assim, por contentar-se em sobreviver no limbo dos “êxules em pátria”, importando amiúde ideias simples cunhadas no estrangeiro para o combate partidário (por sua essência pouco útil à elaboração de princípios com peso). Esta retirada da batalha das ideias contribuiu em afastar os investigadores da procura das raízes profundas desta área. Dito isto, eu não me preocuparia muito com a quantidade de investigações dedicadas ao tema, mas sim com a sua qualidade, muito mais importante para abrir trilhos seguros.

Consultou inúmeros arquivos, particulares e públicos. Ficou surpreendido com a quantidade ou a qualidade dos documentos que teve ao seu dispor?
Fiquei mais surpreendido com a descontinuidade dos documentos, que denota como as direitas radicais do segundo pós-guerra, apesar de sempre presentes, nunca conseguiram (ou nunca procuraram) um projecto orgânico de longa duração. Tratou-se de experiências isoladas, pontuais, amiúde com boa qualidade intelectual, mas efémeras e, por isso, pouco frutíferas do ponto de vista do legado a deixar. Este limite parece-me reproduzir-se também no período democrático.

Encontrou disponibilidade para depor por parte dos muitos participantes nos movimentos de Direita no período de que se ocupa?
Disponibilidade incondicional por parte de muitos, uma certa reticencia por parte de alguns, recusa total de colaboração por parte de poucos, felizmente.

Algumas das pessoas que participaram nesses movimentos encontram-se hoje inseridas na sociedade democrática, e algumas ocupam mesmo cargos de relevo na vida política e social. Sentiu que isso as inibiu de falarem abertamente sobre o seu passado?
Creio que as inibições deveram-se mais ao facto de eu ser estrangeiro. Isso gerou o preconceito, não totalmente injustificado, que dificilmente poderia ter compreendido as razões profundas da militância deles de há 40 anos. Mas devo dizer que também as figuras actualmente com cargos de relevo, foram, no que decidiram contar-me, bastante sinceras, honestas e até orgulhosas das lutas que travaram nos seus 20 anos. Isso não lhes impediu de rever algumas posições e criticar certos limites ínsitos no radicalismo de então, graças à distância cronológica e aos respectivos percursos de maturação intelectual. Gostei dos depoimentos deles e fiquei com a vontade de os interrogar mais a fundo, ultrapassando finalmente as omissões iniciais. Como historiador, e como homem, teria ficado muito mais decepcionado em ouvir uma ladainha de arrependimentos, justificações, mea culpa. Não foi o caso, com nenhum deles.

Sabemos que em breve inaugurará um ‘site’ sobre o tema na Internet. Tenciona continuar a dedicar-se à investigação e à publicação no âmbito da Direita portuguesa?
Sim, o site disponibilizará na internet a documentação original que recolhi no decurso das minhas investigações e tenciona ser um instrumento de trabalho para os futuros investigadores e apaixonados da matéria. Em relação às minhas actuais investigações, dedico-me agora à história das direitas radicais na transição democrática, entre 25 de Abril de 1974 e, sensivelmente, o princípio da década de 80. A este respeito gostava de aproveitar a colaboração de “O Diabo” para lançar uma “operação memória”, convidando todos os leitores que participaram directamente naqueles eventos em contactar-me (riccardo.marchi@ics.ul.pt) para deixar o seu testemunho ou disponibilizar-me o acesso aos seus arquivos particulares. Na minha profissão, “memento” é de facto um imperativo, visto que a reconstrução histórica, assim como a história em si, é sempre uma obra comunitária.»
In O Diabo, n.º 1731, 02.03.2010, págs. 16/17.

Entrevista de Riccardo Marchi ao jornal O Diabo




Nota: Clicar nas imagens para aumentar.

14.12.09

Livros: Império, Nação e Revolução e Folhas Ultras de Riccardo Marchi

O investigador e historiador italiano Riccardo Marchi, após cinco anos de pesquisa profunda e exaustiva sobre os movimentos nacionalistas radicais entre 1939 e 1974, dá-nos em dois livros essa panorâmica que é a prova real, factual e documental do ambiente da Direita radical ao longo de 65 anos do século XX.
Império, Nação e Revolução é a parte central da tese de doutoramento em História, editado pela Texto Editora, em cujas 440 páginas nos oferece uma panorâmica muito documentada através dos arquivos consultados como os da PIDE/DGS, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa. PVP - 16,90€.
Folhas Ultras, a ser editado pelo ICS em Janeiro de 2010, corresponde aos dois primeiros capítulos da sua tese de doutoramento, onde aborda, nas 254 páginas do livro, o papel dos jornais A Nação e Mensagem bem como da influência de Alfredo Pimenta com o seu magistério doutrinário. PVP - 15€.