27.4.07

LOTRO: O Senhor dos Anéis online!

O Senhor dos Anéis online!
J. R. R. Tolkien chegou à internet em forma de jogo com o nome de
LOTRO (Lord of The Rings Online).
Um acontecimento multimédia.

A actualidade de Salazar por Silva Resende


A ACTUALIDADE DE SALAZAR

(...) Ora quando nestas colunas se fala em Salazar não é para lhe ressuscitar a governo nem para matar uma sau­dade irremediável. Salazar, se fosse vivo, ele próprio tomaria as opções políticas da hora que passa — mu­dando certamente sem se contradizer, reformando sem perder o fito histórico e a sua luminosa consciência de sábio.
Mas felizmente para todos (e abei­ramo‑nos do tempo das grandes conversões) Salazar, sem querer, deixou a única obra de filosofia política digna desse nome à escala mundial. Como refere Ploncard d`Assac, é obra de um filósofo que teve a poderosa intuição da perenidade do pensamento. Até de pequenas circunstâncias históricas (e o governante português tinha como ninguém o sentido da grandeza do Estado e a noção das proporções) Salazar deixou sempre o traslado das frases que não envelhecem e o segredo das soluções que desafiam o tempo.
O seu conceito de democracia orgânica abisma no vazio e na inutili­dade prática esta partidocracia que se perde em discussões estéreis, em erros condenados pela História, e em guer­ras que consomem inutilmente as energias da nação.
Decerto que o corporativismo não era perfeito e não resultou em toda a linha nem pôde ser aplicado na totali­dade da lógica do seu sistema. O Portugal que foi entregue a Salazar para o arrancar à descrença, ao con­formismo e desordem mortal, era um mosaico de traições à História, uma satânica renegação do seu destino. Não dispondo de outro apoio senão o do seu génio de govemante e o da sua integridade e autoridade moral, Salazar teve de parar algumas vezes no tra­jecto histórica diante dos abencerragens dos erros passados. Com razão se diz que a sua tarefa espantosa de manter Portugal neutro durante a Guerra foi mais difícil em relação aos seus inimi­gos de dentro do que relativamente aos beligerantes. Nomeadamente, o embaixador em Londres, conspirando junto do Govemo britânico, deu mais trabalho e dores de cabeça a Salazar do que as vicissitudes do conflito e as flutuações da sorte da guerra.
Ora os discursos do político portu­guês oferecem hoje a mais fecunda e admirável lição. E também a mais ac­tual. Nele se reflecte a essência do pensamento das encíclicas para a questão social, a construção de uma cidade em que os homens hão‑de conviver na paz e no equilíbrio, o valor imprescindível da autoridade para garantia da liberdade, as constantes do nosso destino eterno como inspi­ração das instituições basilares da sociedade.
A tudo isto, que nos surge vasado em trechos de antologia, juntou Salazar a previsão dos acontecimentos, de modo que se pode sustentar que foi, em vida e em sentido vulgar, o único profeta dos estranhos caminhos do Homem neste século e nos mais próximos vin­douros.
Último grande europeu, no sentido civilizacional, combateu até ao último sopro de vida as ideologias que pre­cipitaram a Europa no negativismo mais torpe e no mais cruel despotismo de que há memória. Os acontecimentos viriam a dar‑lhe, contra a expectativa dos seus adversários e a generalidade dos contemporâneos enlouquecidos por ideologias condenadas e mitos passageiros, aquilo que imortaliza um ser humano: a plena razão dos seus juizos sobre o futuro.
A Direita reivindica em exclusivo essa honra de ter razão. E de ser o caminho da restituição do sentido divino da História. Salazar deixou-lhe a mais lídima e fecunda das heranças — a de um progresso verdadeiro, baseado na ideia de reforma que só os verdadeiros conservadores possuem.

Silva Resende
In O Dia, 14.05.1994

26.4.07

Azñar, discriminador racial

No Diário Digital de hoje podem-se ler as destravadas declarações do ex-primeiro ministro de Espanha, Azñar e que são reproduzidas no Diário de Notícias. Ou é de mim ou vai acabar a arrumar carros em Madrid dado que vai ser considerado um perigoso nazi/fascista/franquista/racista e xenófobo ao levantar a questão do multiculturalismo, dos perigos que a Europa corre e sobre os líderes lights de que foi um excelente exemplo! Leiam estes excertos:

«Dizem que o multiculturalismo é o exemplo máximo de tolerância. Não é assim. Haver uma lei igual para todos é que é tolerância», afirmou Aznar, numa conferência promovida pela sociedade de consultores de comunicação Cunha Vaz & Associados e pela Associação Comercial do Porto.
Para o antigo presidente do governo espanhol, Bento XVI proferiu «a frase mais inteligente» ao afirmar que «a Europa está condenada a ser inexistente».
«A primeira preocupação de um líder europeu deve ser a catástrofe demográfica da Europa», sublinhou Aznar, manifestando-se céptico na resolução deste problema «apenas com políticas de imigração».
«Como é que se pode formar a Europa, se no futuro não vai haver europeus? Uma Europa com 10 por cento de imigrantes é o mesmo que com 40 por cento?».
«O alargamento da União Europeia não pode ser uma coisa eterna, interminável», pelo que é necessário clarificar «quais são as fronteiras da Europa».
«Bento XVI definiu muito bem os males do Mundo: o fundamentalismo e o relativismo. O fundamentalismo é um dos grandes perigos do Mundo, mas também o relativismo, a ausência de valores, a ideia de que tudo é igual, que a responsabilidade é uma coisa sem sentido».
«Não gosto de líderes light, e o Mundo está cheio de líderes light. Sobram políticos dependentes de popularidade e faltam líderes preocupados com a responsabilidade», disse, afirmando que «um líder deve ter algum talento, ter sorte, saber aproveitar as oportunidades, ter determinação, uma ideia e um projecto, ter visão global e saber transmitir confiança».

Bons rapazes, estes jovens

O tal workshop dedicado à desobediência civil organizado pelo Bloco de Esquerda começa a dar os seus frutos.
Cerca de 150 canalhas esquerdóides, segundo fonte policial, festejaram ontem o 25 de Abril com as típicas arruaças do tempo do tristemente célebre PREC.
Está de volta a violência de rua da extrema-esquerda e ontem preparavam-se para atacar a sede do P.N.R. com as mais amplas liberdades e equipados de cocktails molotov, very-lights, barras de ferro, paus e pedras. No trajecto da manifestação ilegal partiram montras, roubaram lojas, pintaram paredes e a manta, insultaram e agrediram pessoas e atacaram a polícia.
Se fosse a extrema-direita nazi/fascista/racista/xenófoba a praticar tal barbárie a esta hora o país estava em estado de sítio, a imprensa jorrava reportagens e verborreia dos melhores democratas da nossa praça que a uma só voz condenariam o ataque, próprio de gente intolerante, anti-democrática e que havia que aplicar a pedagogia e a lei democrática, rapidamente e em força.
Por outras palavras, uma nova rusga policial seria decretada e exibida na TV para gáudio do Estado de Direito, das liberdades de opinião e de expressão, e dos direitos do homem.
Aguardam-se notícias referentes a estes vândalos da Baixa lisboeta. Provavelmente, chegar-se-à à conclusão que se trata de um pequeno número de excluídos da sociedade que exprimiam a sua liberdade de expressão e de pensamento com o desconhecimento das boas leis que gerem o Estado democrático e serão enviados em paz e em sossego para as suas casas.
A notícia teve repercussão nos jornais
Portugal Diário, Diário Digital, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, Sol e no Expresso que vão ter de estar mais atentos a esta gentuça tão sinistra.
Graças ao Expresso, aqui ficam umas imagens destes bons rapazes...

Salazar por Rodrigo Emílio


SALAZAR ENTREVISTO DO PAÍS DA INÉPCIA

Se no giro anual do tempo que passa há datas que ficam e que perduram — o 15 (e não o 11, nem tão-pouco o 16) de Março, o 27 e o 28 (e nunca por nunca o 25) de Abril são três dessas datas. O que significa que estão elas inscritas, de pedra e cal, e gravadas a caracteres inolvidáveis, no calendário de honra da nossa História. Pertencem, pois, e de pleno direito, ao número, extremamente dígito, dos dias permanecentes, e das efemérides nunca efémeras e sempre a assinalar, no eldorado temporal da Nação Portuguesa — do ponto em que fixam: uma delas, o aniversário da brutal eclosão do terrorismo armado antiportuguês, logo rechaçado «rapidamente e em força», a partir de Angola; e as outras, o nascimento humano de Salazar e o seu providencial nascimento político, respectivamente.
Já assim se compreende porque razão não pode a gente, em boa consciência transitar em claro ou deixar em branco essa tripla — e duradoura, e memorável — conjunção de marcos memoriais, nem tão-pouco passar por ela como gato por brasas, e muito menos como cão por vinha vindimada...
Quer-me entretanto parecer que a melhor maneira, que eu tenho, de consagratória e votivamente começar por manifestar-me, a respeito de Salazar, consiste em dar a conhecer o que sobre o mesmo Salazar se me ofereceu dizer, um anos depois da sua morte.
Em 1971, já eu, de facto, me não continha, que não fixasse, com tintas assaz carregadas e a traços bastantes sombrios — e, como pode ver-se, bastante proféticos — todo um avisado e preventivo perfil do grande estadista.
«Salazar — escrevia eu, por então que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo».
A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino.
Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram...
Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».
Hoje por hoje, estou realmente em crer que jamais a causa de um Povo, neste mundo de Cristo, terá sido advogada com tamanha lucidez e tamanha tenacidade, com tanta pertinência e tanta pertinácia, como a nossa o foi por Salazar. Cada vez mais disso me convenço. E, já agora, talvez convenha recordar, aos que andam mais esqueciditos, que foi com Salazar à frente que nós, portugueses, «subimos esforçadamente a encosta duma nova restauração», para, do alto dela, afinal, nos despenharmos, de novo — e de vez... Já assim se percebe de onde lhe vinha o medo, quando o glorioso Presidente outrora exprimia o seu «grande medo aos ideólogos que, afeitos às abstracções e concepções geométrica, pretendem refazer séculos de História nas suas mesas de trabalho».
Pretendem refazer século de História, e, as mais das vezes, acabam por desfazer séculos de História! Como se viu por cá...
Pela parte de leão que nesse calvário coube a Portugal, outros entretanto terão que responder — e nunca Salazar! Outros — que não ele... — faltaram à palavra dada aos mil juramentos feitos. Outros — que não ele... — foram vistos e achados nesta desalmada obra-prima de pulhíticos!...
Concretamente, e em última análise: é à negligência de algumas centenas de acéfalos e perjuros que há que assacar responsabilidades de primeiríssimo grau.
A exemplo de Salazar, é certo, também eu, pessoalmente, «creio (...) que a não integração efectiva da ideia imperial no conceito corrente da Nação Portuguesa encurtou a este País os horizontes a que deverá habituar-se e em que» devia «aspirar a viver». Pena foi, realmente, que cedo demais se tivesse banido, da nossa doutrinação de Defesa, a sempre exaltante defesa de Império: aquela mesma ideia de Império que, a seu tempo, «trouxe aos espíritos» — que como Salazar chegou de resto, a reconhecer — «uma noção de unidade e um sentimento optimista de grandeza, indispensáveis para estimular energias e arredar-nos da mornidão e tacanhez que», em seu mesmo entender, «ameaçavam continuar a estiolar» (e de facto, estiolaram mesmo...) «pensamento, planos e esforços».
Em todo o caso, e tal como alguém já um dia escreveu, uma coisa é certa e sabida: «Se, em 1961, o doutor Salazar se tivesse orientado no sentido do abandono do Ultramar, a oposição de então, hoje no Poder, e dita democrática, teria assumido, com galhardia, a defesa das ideias históricas da República, reclamando-se da sucessão do pensamento ultramarino de Afonso Costa e do general Norton de Matos. A decisão do doutor Salazar, «para Angola, rapidamente e em força», deu lugar a duas ordens de consequências: manteve as fronteiras portuguesas tradicionais e empurrou a oposição para uma situação antinacional, que para todo o sempre a há-de desautorizar, por mais instaladinha no Poder que possa estar...»
E daqui não há que sair — de quarenta em quarenta anos que seja!

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 57, pág. 10, 05~.05.1977.

Orgulhosamente Só por António José de Brito


ORGULHOSAMENTE SÓ

Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a abjecção são os traços dominantes, o que se censura, hoje, a Salazar é o que ele teve verdadeiramente de grande e elevado.
Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e a todas as diversas soluções políticas, que traduziam apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de Portugal, quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza: ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à outrance pela grandeza da Nação, que só existia esse meio de conservar o que era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o bem mais precioso de um povo, que é a sua honra. Porque sobrevive-se, enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.
Salazar foi proclamado um carrasco por ter ordenado às tropas estacionadas na Índia que se batessem sem esperança de vitória (ao contrário do que acontecia nos demais territórios, nalguns dos quais se conseguiu, consoante é o caso de Angola em Abril de 74, uma pacificação quase completa) e exclusivamente para honrar a bandeira das quinas, sob cujas dobras tantos prodígios de heroísmo se tinham desenrolado naquelas paragens.
Da indignação da Esquerda nem se fala. Mas também na chamada direita houve quem o reprovassse. Dum lado e doutro não havia sequer uma compreensão mínima daquilo que exigiam e obrigavam as normas elementares da ética militar e patriótica — dessa ética que levou Moscardó a não ceder no Alcazar ao ameaçarem-no com o fuzilamento do filho, que fez com que guarnições alemãs de cidades das costas normandas e bretãs, cercadas há meses, esmagadas por bombardeamentos, ainda resistissem no segundo trimestre de 45, que impeliu os Mas italianos, no momento em que foram descobertos na noite pelos projectores do porto de Malta, a lançarem-se para a frente, nenhum sobrevivendo, E, até, sem o estímulo do patriotismo, só para cumprirem a sua palavra de soldados, se fizeram imolar no México, em Camerone, os homens da Legião Estrangeira. Tudo isto, pelos vistos, não passava de absurdos, tolices, tontarias, demências. E nem um simples «baroud d`honneur», como o dos regimentos franceses de Madagascar, isolados e abandonados, na altura do desembarque inglês na ilha, foi considerado admissível. O que era louvável e de aplaudir era depor as armas sem tir-te nem guar-te, no instante em que o exército adversário avançava em som de peleja. A entrega pura e simples eis a solução. Salazar, que pensava de forma oposta, assumiu as proporções de um monstro.
A vergonha da Índia, perante a qual não houve um sobressalto, unânime ou quase, de dor e indignação, representou o teste, ou melhor, a provação decisiva.
António de Oliveira Salazar compreendeu-o. E, se fosse da fibra moral (ou imoral) dos que actualmente cospem injúrias sobre a sua memória, teria arrepiado caminho. Poderia desse modo conseguir pretorianos encantados da vida a protegê-lo e a louvá-lo, distribuir panem et circenses em abundância, captando frenéticos aplausos das multidões, obter apoios calorosos das potências dominantes, estar seguro de obter na história — escrita pelos vencedores — as parangonas de um libertador formidável, à Roosevelt ou à De Gaulle.
Não o quis, e, orgulhosamente só, preferiu manter-se ao leme apontando a mesma rota, que era a rota do dever.
Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que — admitia-se sem rebuço — viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos antepassados.
Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o dia de S. Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo — ou antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo —, para o que procedeu, desapiedamente, à destruição do que era um autêntico país — o nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um inviável e anárquico rectângulo peninsular. Em nome da liberdade, impôs-se a ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem, espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeito retroactivo, agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em nome da paz, centenas de milhares de brancos, pretos e mestiços tombaram vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia, estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhando-se o que nos resta.
Justo é que os autores dessa obra de aniquilamento total celebrem, com júbilo, a data em que lhe deram início. Os profissionais das batalhas, vocacionados pelo «appel des armes» de que falava Psichari, que juraram dar a vida pela pátria e, ao fim de três ou quatro comissões em Angola, Moçambique, ou Guiné, já estavam fatigados e o que queriam era retornar ao remanso dos quartéis.
Só achamos mau que quantos o tornaram cinza e nada persistam em falar em Portugal, no lugar de aludirem à admirável Abrilândia que edificaram entre gente não remota e sem perigos e guerras esforçados.
Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval, aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra sã, para além dos vermes e pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.
António José de Brito
In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 11.

25.4.07

Salazar: um poema de Alberto de Oliveira


SALAZAR


I

Tinhas de ser qual és, calado e triste,
Misterioso, ascético, tenaz,
Para reger um povo que da Paz
Há que tempos nem sabe se ela existe...

Já, com verbo fecundo e lança em riste,
Outros tentaram a missão falaz:
Mas, com promessas boas e obras más,
Maior caos nos fizeram, como viste.

Tu então, ao dilúvio das palavras
Opões barreira sólida, e entretanto
A gleba acordas, e em silêncio a lavras...

E eis logo o prado em flor, o oiro das messes!
Quem és tu, Salazar, ou mago ou santo,
Que assim nos ressuscitas e engrandeces?...

II

Na solitária cela, quantas vezes,
Em horas de incerteza natural,
A ti próprio dirás: Mas, afinal,
Que esperavam de mim os Portugueses?

Eram mudos e moles como reses
Passivos para o bem e para o mal,
Sem vontade, nem fé, nem ideal,
Sempre a temer desgraças e reveses...

Mas, de repente, alto clamor se eleva
No estagnado silêncio. É claridade,
Qual de Aleluia sucedendo à Treva.

São, renascentes da ancestral raiz,
Hostes da Legião, da Mocidade,
Novos cruzados com a cruz de Aviz!


III


Agora já se pode, já se deve,
Acreditar de novo em Portugal.
Deu-se o prodígio sobrenatural:
Outro sol derreteu a antiga neve!


É Deus que para nós direito escreve
Por árduas linhas, e que um Parsifal,
Puro, intangível, portador do Graal,
Manda a salvar-nos em futuro breve.

De tronco Salazar brotam milhares
De ignotos mas fecundos Salazares,
Cresce e floresce a Pátria ainda uma vez.

E, enjeitando as escuras profecias,
Digamos todos — como em longes dias —:
Que honra e glória nascer-se Português!


Alberto Oliveira
In «Poemas de Itália e outros poemas», págs.39/40/41, Empresa Nacional de Publicidade, 1939.

Manifesto de Fidelidade de Rodrigo Emílio



MANIFESTO DE FIDELIDADE

Salazar
— e quanto à memória removo,
— quanto cá dentro amotino!

(Horas e horas sem par
Na História de um Povo
A pino!)

Salazar
— por entre a sombra a rasgar
todo o luar de um destino!...

Tempo que ao tempo futura
continuidade há-de dar

(Mesmo apesar da moldura
Que configura
O lugar)

— Salazar
avulta, fulgura,

Estátua a toda a estatura,
Incessantemente a vibrar

A sua assinatura
— A sua assinatura
Solar!...

Rodrigo Emílio

Uma vítima de perseguição da (in)justiça democrática

Vem um meu amigo e camarada - de Pena e Espada - agradecer a todos os que se solidarizaram com ele neste momento em que aguarda a instauração de um processo do Estado de Direito à boa maneira soviética e moscovita.
Caríssimo, não tens que agradecer. Cumpri a minha obrigação de amigo e de camarada. Lamento que tenhas sido levado neste first round e que tenhas passado momentos verdadeiramente surrealistas - na presença da tua mulher e dos teus dois filhos - como o da apreensão do telefone fixo de tua casa ou o da tentativa de apreensão da PlayStation do teu filho, para já não falar da apreensões dos teus apontamentos de estudo para aulas, de alguns dos teus livros, do teu computador e do telemóvel.
Uma curiosidade: gostaria que dissesses que raio de PlayStation neonazi/fascista é essa pois não conheço essa série e estou a pensar comprar uma para o Natal.
Bem, para o Natal se antes disso não haver um second round ou até mesmo um third round, pois dá-me a ideia que os quadrilheiros não vão ficar por aqui.
Entretanto, vou tentar comprar O Triunfo dos Porcos que nunca fez parte da minha biblioteca. O George Orwell que me desculpe mas desconhecia essa versão nazi-fascista.


Preço: EUR 16,95
Editor:
Europa-América
Colecção: Grandes Classicos do Seculo X X
Ano de Edição: 1996
N.º de Páginas: 128

24.4.07

A Santa Inquisição por Walter Ventura

A Santa Inquisição

Por vezes, fico-me a matutar se não serei um racista. Chego a pensar-me um racista quase total. Porque já tive chatices, algumas duras, com brancos, pretos, amarelos e seus derivados das mais diversas tonalidades. O “quase” que não me permite considerar-me um racista perfeito vem do raio dos peles-vermelhas que azucrinavam a vida do Buffalo Bill e do John Wayne que frequentei na fase mais agreste da minha puberdade. Infelizmente nunca se me deparou um representante dessa raça, o que me impediu fazer o pleno racista.
Por essas e outras, quando ouvi pela primeira vez aquela gracinha saloia do “sou tão capaz de apertar a mão a um branco como o pescoço a um preto”, achei a fórmula catita. Só mais tarde – o que a vida nos ensina! – vim a descobrir que o mau feitio com que a Providência me dotou (e que eu acrisoladamente cultivo, porque acredito que devemos melhorar os dotes que o Céu nos deu), me fazia recusar sujar as minhas mãos em outras até mais brancas do que as minhas e não me importar de apertar fraternalmente muitos pescoços pretos retintos.
Mesmo assim, parece-me poder ser bem aceite entre a malta simpática dos “skinheads” que por aí pululam, poluindo um tanto ou quanto o ambiente urbano. Deitei contas à vida e descobri uma data de pontos de contacto. Desde logo tenho a cabeça ao léu, embora com um tufo que me vai de orelha a orelha, cobrindo toda a nuca. Nada que uma máquina-zero e uma navalha afiada não resolvam num ápice.
Depois, gosto de armas, embora hoje por hoje só tenha meia dúzia de canivetes que não dão para se considerarem colecção e uma faca-de-mato em petição de miséria que conservo por motivos sentimentais. Mas sempre são armas, segundo a novíssima e ultra-catita Lei das Armas que os nossos mimosos legisladores congeminaram com assinalável esforço e maior sabedoria, sendo de espantar terem esquecido as facas de cozinha e os alfinetes com mais de cinco centímetros de comprimento e meio milímetro de calibre.
E tenho livros que pelos vistos estão mal vistos, tanto assim que foram apreendidos por aplicados polícias que ao menos provaram saber ler o suficiente para detectarem os títulos suspeitos. Acontece que, além do detestado “Mein Kampf” – que, por acaso, tem pelos menos uma edição portuguesa, aparecida quando “este país” ressacava do Prec no prato, por obra e graça do já falecido Fernando Ribeiro de Melo, das edições Afrodite – e do “Triunfo dos Porcos” que por isto e mais aquilo se vendeu quase tanto como pão em vagas sucessivas do “Círculo dos Leitores” e companhia, tenho outras bombas que bem mereciam ser igualmente apreendidas. Tenho ainda os livros desse estranho Paul Rassinier que, sendo socialista, opositor à ocupação nazi e “cliente” de vários campos de concentração, escreveu obras a desmentir o holocausto tal como ele é contado às criancinhas nestes alegres sessenta anos. E outras que os doutos polícias e mais quem manda neles nem sonham existirem mas que bem mereceriam a fogueira purificadora. Os António Sardinha, os Alfredo Pimenta, os Pequito Rebelo e demais Integralistas que cometeram o pecado de serem nacionalistas e que chegaram a pregar contra o parlamentarismo e outras maravilhas da nossa era. Até tenho obras do professor doutor António José de Brito, um facínora afascistado que ficaria bem na prisão, entre os moços descabelados que este Estado mais providencial do que providência acabou de deter e cujos livros merecem lugar de destaque em qualquer “index” democrático que se preze. Bem sei que, cá por coisas, também tenho o “Capital” e mais uma punhado de livrinhos assaz bem vistos sobretudo por aqueles revolucionários de pacotilha que dificilmente conseguem juntar duas letras – a não ser as de crédito que, apesar de louvavelmente anticapitalistas – costumam usar à tripa forra, p’ró andarzinho, p’ró carrinho, p’rás feriazinhas lá fora, etc. e tal. Até tenho, vejam bem, os “Discursos” desse malandro do Salazar que limpou o concurso à D. Odete Santos e uns livritos do Benito, sim, o Mussolini!, para não falar de fascistas menores de um ou outro nazi empedernido. Hoje, pelos vistos, é “viver perigosamente”, como o Duce ensinava, sem sonhar o que estava para vir.
Por tudo isto e pelo que de momento não recordo, acho que a Santa Inquisição que ora ressurgiu – não sei se por não ter nada de mais útil e mais urgente para fazer, como sanear os Casais Ventosos que por aí florescem ou deitar mão à cáfila de malandros engravatados que nos cavam a ruína, se no esforço mais do que louvável de afastar as atenções mórbidas das histórias rocambolescas das Independentes e seus diplomas – não devia ter esquecido de me incluir na lista dos perigosos que meteu a ferros mai-las suas matracas e soqueiras e os livrinhos que, quase apostava, tinham em casa mas nunca chegaram a ler.
E já agora, mesmo não me considerando bufo, sempre quero dizer que muito democrata por aí deve andar que incorre nos mesmos pecadilhos e merece igual tratamento. O senhor Pacheco Pereira (bem sei que não é careca e não parecer dado a armas), aposto que tem na sua badaladíssima biblioteca um ror de livros tão ou mais perigosos do que estes que a Judite adregou apanhar em casa dos moços. E que dizer desse agora tão esquecido Mário Soares que tanto preza a sua biblioteca, a ponto de a atirar à cara dos adversários, como o fez naquele debate televisivo com Cavaco Silva? Já do senhor Zé Magalhães não digo nada. Não parece tipo para se armar nem com faca de cozinha nem com uma fisga e não me cheira muito dado a literatices, salvo talvez, dicionários de citações úteis e versões compactas tipo “readers-digest”. Mas, se a memória me não falha o homem sofria de queda de cabelo galopante, tanto assim que dizem as más línguas, teve de se sujeitar a dolorosos e caríssimos implantes capilares. Ora, cá para mim, é um “skin” e dos mais perigosos por andar disfarçado a fingir que o não é.
Falando mais a sério, como vocências talvez recordem, não gosto dessa malta que se diz de direita e apregoa o nacionalismo mas que tem um comportamento desviante que melhor merecia as atenções de psiquiatras do que de polícias. Ou, se calhar, bastaria que nos ríssemos nas suas caras para acabar com eles. Perigosos? Bem, talvez o sejam quando, em bando de mais de quinze, apanham um negro descuidado em viela escura e longe de socorro expedito. Para a Nação, mesmo para “este país”, não vejo que perigo possam representar. O nacionalismo deles leva-os a usar modas importadas de que só usam o exterior e até o nome que usam pertence a língua estranha. De direita, claro que não são; nem de esquerda, de resto. Deu-lhes para ali e, pronto.
Mais grave me parece a esforçada operação policial montada ainda não percebi por que bulas. O alvo, pareceu-me, não foram propriamente os “skinheads” e destes apenas os que eventualmente tenham cometidos delitos que a lei aponta – e nesses não está contemplada a posse dos livros apreendidos nem, quiçá, a posse de uma “Moca-de-Rio-Maior” que não passa de um “souvenir” de resto, pouco prático e menos eficiente para uso mais ou menos bélico. Quem me pareceu na mira das nossas estimadas autoridades foi o Partido Nacional Renovador que pode ter muitos defeitos – tem os suficientes para eu nele não me filiar – mas que não tem culpa dos erros dos seus militantes, simpatizantes ou eventuais votantes. Tanto assim é que, à mistura com os “skin”, creio terem sido outros militantes que o não eram.
Ora, o que se passa com o PNR e seu militantes, serve para demais partidos, onde aposto haver malta com armas legalizadas e vadias, leitores ou simples possuidores de livros que afectam o sono a agentes da Judiciária e a demais autoridades desta alegre democracia.
A menos que, claro, o PNR tenha armado ou mandado armar estes seus filiados e lhes ande a meter na cabeça macaquinhos que deviam estar no sótão do Júlio de Matos. Claro que há macaquinhos lá pela casa: desde logo a mania de não gostarem de “pretos” e seus derivados, de gente do “Leste” e demais emigrantes. Sobre isso, já aqui disse de minha justiça e não vale a pena repetir: eles não me ouvem nem eu tenho pachorra para o proselitismo. Quero lá saber...
Bem sei que há algumas razões que desculpam este “racismo” de capoeira. Como essoutro que os nossos políticos e jornalistas fingem não ver mas que assola os bairros da lata à volta das cidades portuguesas e que infecta a rapaziada negra, cigana e outras que lá habitam. Lembro-me de ver, em Berlim após a queda do Muro que o comunismo ergueu para não ser invadido pelos esfomeados do Ocidente (não foi, D. Odete?), bandos de desempregados preteridos pela mão de obra mais barata que chegava da Alemanha de Leste e da Polónia. Os mais novos deram em “skinheads” e desataram a malhar nos “turcos” e adjacentes, sendo adjacentes muitos portugueses que por lá viviam. Tudo se explica, como vêem, menos a estupidez que passa a ser mais grave quando patrocinada pelos que governam.
Por isso, aqui fico à espera que me venham prender, apreender os meus canivetes, passar revista às minhas estantes e deitar a unha suja aos meus livros. E, se não for pedir muito, que façam o mesmo aos filiados, militantes e simpatizantes de todos os partidos políticos, do amável bloquinho ao CDS, na certeza de aí também encontrarem tanta coisa proibida que a Judite será obrigada a alugar armazéns para albergar todo o espólio.
A não o fazerem, ficarei convencido que esta “operação” teve fins inconfessáveis e pouco dignos e que já não há em quem confiar.
O que, como vocências sabem, eu já fazia...

Walter Ventura
In «O Diabo», 24.04.2006, pág. 18.

Novo massacre escolar

Está em marcha um novo massacre escolar aos alunos portugueses.
Nada mais nada menos que uma nova forma de ensinar às crianças o que foi o 25 de Abril.
Ainda não perceberam que as crianças não querem nada com cravos nem espinhos?
E queixa-se o (des)governo da baixa taxa de aproveitamento dos alunos. Pudera a ter que levar com doses anti-fascistas e traumatizantes - qual lavagem cerebral - não há aluno que resista!
Não se admirem se começarem os massacres nas escolas!
Onde estão os Direitos da Criança?
Onde estão os direitos dos alunos?

Tribunal da História por Rodrigues Cavalheiro


O TRIBUNAL DA HISTÓRIA

Décadas e décadas passarão antes, que entre nós, de novo, se acumule sobre a cabeça de um grande homem um conjunto de circunstâncias semelhantes ao que tornou possível o aparecimento de Salazar na vida política nacional. Mas não foi apenas o condicionamento do momento que determinou a entrega plena do país, num acto de absoluta confiança, nas mãos do estadista redentor. Foram, acima de tudo, as excepcionalíssimas qualidades evidenciadas desde a primeira hora por quem, senhor do seu destino e do nosso, declarou logo que sabia muito bem o que queria e para onde ia. Desta forma, o instinto colectivo, que no decorrer do nosso já longo passado raras vezes se enganou, coincidiu por completo com a nova directriz que a Providência, servida por um governante autenticamente superior, ia imprimir à vida da Nação.
Para todos os bons portugueses, Salazar é hoje indiscutível — como o são Nun`Álvares, o Infante D. Henrique, D. João II e poucas mais figuras da História de Portugal. E o mais extraordinário é que ele atinge em plena força física e fulgor de espírito a altitude da máxima glória, que os seus pares só alcançaram depois de sobre eles terem descido as sombras justiceiras da morte e do passado.
Uma das maiores — senão a maior — realização de Salazar foi ter-nos restituído o orgulho de nos confessarmos portugueses — e de sabermos que Portugal vale, na hora que passa, o que valeu nos momentos mais gloriosos da sua História. Ser português da era de Salazar é o mesmo que ser português da época do Condestável ou do tempo dos Navegadores henriquinos.
Negar o génio e a obra de Salazar já não é só ingratidão para com Deus que no-lo revelou e para com o Homem que a realizou. É, principalmente, uma confissão descarada de inferioridade intelectual e moral, que haveria toda a vantagem em evitar, mesmo à força... por motivos imperiosos e salutares de decoro cívico e de higiene pública.
O que mais fascina na actuação de Salazar é a ascensão contínua do seu génio de governante e o esplendor cada vez mais lúcido da sua alma de português. Foi grande como regenerador das Finanças; maior como fomentador de riqueza, de progresso e de cultura; imenso como político e diplomata nas crises tremendas da guerra de Espanha e da segunda conflagração mundial. Com mais de meio mundo a querer-nos combater e roubar, pareceu-nos, então, dar toda a medida das suas extraordinárias virtualidades de homem de Estado e de patriota. Mas certamente ainda maior ele se nos apresentará no dia que se aproxima, pois já dealba no horizonte do futuro, em que o pesadelo que oprime a Nação se dissipar de encontro à constância da nossa vontade, à luz da verdade que se nos deve e ao imperativo da justiça que os povos que se dizem civilizados não deixarão, apesar de tudo, de nos reconhecer.
Quarenta anos nada são na vida dum povo — mas são muito na vida duma geração. E que a nossa tenha vivido a glória de Salazar, apoiando-se e colaborando entusiasticamente na sua obra de ressurgimento nacional, é um favor do Destino a que nunca poderemos ser suficientemente reconhecidos. Os poucos que se mostram ainda refractários a este dom divino com que cara poderão aparecer no tribunal da História?

Rodrigues Cavalheiro
In Política, n.º 14/15, 15/30.07.1971, pág. 10.

23.4.07

Salazar no caminho de Rodrigo Emílio


SALAZAR NO MEU CAMINHO

Quem hoje quiser saber por onde param os nossos mestres, dê uma volta pelos cemitérios. Assim se exprimia há anos — por estas mesmas palavras, ou por meio de outras equivalentes — um dos espíritos mais fascinantes da direita literária francesa: Antoine Blondin. E se me ocorre lembrar, aqui, asserto tão melancólico como esse, no dealbar deste trabalho que a veneração está a ditar em honra, memória e louvor do Presidente Salazar, e que se quer trabalho de rendida homenagem — mas de homenagem tributada tão-somente pelo estudo — à sua meritíssima acção de estadista (e mormente à que ele desenvolveu no capítulo da chamada política ultramarina), não é lá que eu esteja cem-por-cento de acordo com o amargo postulado de Blondin. E digo já porquê. A mim se me afigura, com efeito, que partir à descoberta, e marchar ao encontro, ou ao reencontro, de um mestre, do qual a morte já se tenha apoderado, não consiste só (nem consiste tanto) em ir de visita ao cemitério onde ele jaz; bem mais importante me parece tratar de empreender, à velocidade de cruzeiro, toda uma viagem de longo-curso à obra em que ele vive e revive, e mercê da qual a si próprio sobrevive. E foi isso o que fiz com Salazar.
Ainda assim, não deixa de assistir a Blondin boa dose de razão, quando sugere o que sugere àqueles de nós, que estejam porventura interessados em indagar o paradeiro de quantos guias e mestres viemos elegendo ao longo do caminho — e quando nesse sentido nos concita a ir em demanda deles, já só ao único sítio em que os mesmos podem receber visitas. Por isso nos convida a dar um giro pelos cemitérios. No do Vimieiro, tem a gente encontro marcado com alguém que nos foi mestre. Repousa ali um maiores preceptores de sempre do nosso destino histórico. Uma vez ao ano, quanto mais não seja, lá me reclino e ajoelho, à beira da campa-rasa onde ele descansa dos trabalhos e dos dias.
Não destoarão aqui, pensou eu, algumas páginas de memórias, relativamente pessoais. Assim...

***

...Quis o acaso que eu embarcasse para a Província de Moçambique, em missão de soberania, como alferes-miliciano do Corpo Expedicionário, exactamente no dia em que Salazar dava entrada no Hospital da Cruz Vermelha, a fim de se submeter à intervenção cirúrgica que viria a estar na origem do grave acidente cardiovascular, e da consequente hemiplegia, que ao depois o invalidariam. Foi, a bem dizer, à última hora, e já em pleno cais de Alcântara-Mar — momentos antes de ser chamado a escalar o portaló — que do facto tomei conhecimento. Quem mo segredou ao ouvido, uma única coisa me implorou, encarecidamente, logo ali, a troco de tão preocupante revelação: guardar, quanto a esta, rigoroso sigilo, do ponto em que a mesma estava longe de ser do domínio público.
Os dias transatlânticos que se seguiram — dezassete dias, ao todo — foram vividos, como é de calcular, no meio da mais arrasante e angustiada expectativa. Salazar debatia-se entre a vida e a morte — e os boletins noticiosos, que duas vezes ao dia, eram afixados a bordo, traziam o navio em peso suspenso das melhoras e das recaídas desconcertantes, que o estado clínico do Presidente alternadamente ia registando.
Estava entretanto escrito que eu haveria de arribar a terra firme, ainda antes de se proceder à rendição de Salazar na chefia do governo. Teria, quando muito, meia-dúzia de dias de Lourenço Marques — e encontrava-me, por sinal, episodicamente, numa das dependências do Notícias local — quando me foi dado escutar pela rádio o comunicado oficial atinente à sucessão.
Mais cinco meses, porém (e bem nevrálgicos...) haviam de passar, até que Salazar saísse da agonia — e o seus padecimentos, bem como o clima de sobressalto constante, que um pouco por todo o espaço português se respirava (e eu por Moçambique falo!), conhecessem, finalmente, algumas tréguas. Ao cabo de meses consecutivos às portas da morte, a lutar com ela corpo-a-corpo, a medir-se com ela de igual para igual, o augusto Presidente inscrevia-se, heróica e estoicamente, na linha da melhor têmpera lusíada: a que ensina a morrer, sim, mas devagar.
Ao longo desse tempo todo, Portugal inteiro foi com Salazar de uma abnegação insone; observou com ele uma vigília incessante. Por mim, posso atestar o extremo apego com que o Povo da Província, que me tocara pela porta servir e defender, permaneceu aferrado à cabeceira daquele, à cabeça do Império, verticalmente se tinha mantido, durante quarenta e dois anos de vigia e de cuidados. E quando Salazar, em Fevereiro de 69, teve alta da Cruz Vermelha, e a sua presença outra vez se fez sentir — conquanto fisicamente diminuída — na vetusta moldura de São Bento, então exultaram, radiantes, as gentes do Índico, como se um ressurgimento político se tratara e como se a ponte-de-comando da Nação já de novo estivesse entregue à capitania do velho estadista.
A realidade, no entanto, era bem outra: Salazar tinha os dias contados. Viria a morrer daí a ano e meio.
«Só os homens realmente simples e verdadeiramente grandes estão seguros de ter uma morte bem sua. Os outros por imitação», observou certo dia Jean Guéheno, com percutante pertinência. Salazar pertencia ao número dos primeiros: teve o que se chama uma morte bem sua. Ela sobreveio quase no termo da minha comissão militar.
Dois anos antes, embarcara em Lisboa sob o signo (e o mau augúrio) da sua doença. A Lisboa regressava agora, vergado ao peso e ao luto da sua morte, e ao vazio da sua ausência. Um generalizado sentimento de orfandade nacional já de tudo e de todos, então, se apossava. E de mim também.

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 54, pág. 10, 14.04.1977.

22.4.07

Rally Salazar

O Portugal Diário de hoje anuncia um novo escândalo com Salazar!
Os dois carros de Salazar estão a caminho da FIL, onde serão exibidos no próximo fim de semana.
Como é possível que a Brigada de Trânsito consinta que esses dois carros circulem?
Os carros de Salazar em marcha?
Isto não é o salazarismo em versão de quatro rodas?
Façam uma operação stop quanto antes!
Detenham os dois condutores, são da Pide!
Apreendam os carros por falta de selo, por falta de seguro e condenem o Museu do Caramulo!
O salazarismo está em marcha sobre Lisboa!

Um livro perigoso: Salazar - agora, na hora da sua morte

Segundo o Jornal de Notícias de hoje, o livro "Salazar - agora, na hora da sua morte", da co-autoria de João Paulo Cotrim (argumento) e Miguel Rocha (desenhos) e editado pela Parceria A. M. Pereira, venceu os prémios para melhor álbum e desenho nacionais, perdendo o prémio de melhor argumento dos V Troféus Central Comics, de Banda Desenhada.
Aqui está mais uma vitória de Salazar, o Grande Português, com votos e tudo!
Convém investigar se os votantes não serão uns perigosos nazis/fascistas/salazaristas e analisar o conteúdo da banda desenhada para se ver se faz apologia do salazarismo e do fascismo.
Estejam alerta, cá para mim, é um livro perigoso.

Tentativa de proibição da romagem a Santa Comba Dão

No Diário de Notícias de hoje!
A sanha e a insânia continua! Parece-me natural que o sr. Presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, eleito pela lista do PS, não goste deste tipo de manifestações. São questões de (des)gosto.
Agora, tentar que a decisão passe para a GNR e fazer com que a decisão se torne um caso de polícia é mais um claro indício dos vários casos clínicos que assolam os grandes democratas e a superioridade moral dos mesmos!
Ora se o pedido foi feito a tempo e horas e dentro do prazo legal no Governo Civil de Viseu quer o sr. Presidente da Câmara estar fora da lei? Depois de a Polícia ter conseguido anular a organização da conferência internacional organizada pela Juventude Nacionalista do P.N.R. com o pretexto dos participantes serem "perigosos", só faltava mais esta!

Libertem a memória

20.4.07

20 de Abril de 1889 - 2007


Hitler não é um conquistador, é um edificador de espíritos, um construtor de vontades. E no interior das almas que o seu Nacional‑Socialismo parece ter construído a sua catedral germânica; e é por isso que ele se dirigiu às forças profundas do amor e da fé, sem ter menos prezado os direitos da razão ou de lhe ter, na prática, diminuído a importância...
É necessário ter suficiente conhecimento humano para o revelar e coragem para entender esse homem excepcional cujo espírito não conduz as suas ideias nas regiões frias do ambiente da habilidade política, mas em direcção a um amor profundo e à própria disciplina — que os profissionais da manha e da pulhice desconhecem completamente.
A revolução nacional-socialista não partiu da política, partiu do homem. Foi um florescimento. Tornada mais clara, mais consciente no coração de Hitler, mais pura, talvez, cresceu em potência mais ou menos responsável... Esta será, para começar, um das explicações do ascendente ganho por Adolf Hitler sobre as massas: a humanidade encontrava‑se a si própria neste primeiro amanhecer, nesta aurora de sangue, em que dobravam os sinos da velha potência criadora dos homens da antiga cultura. A substância da humanidade necessitava, para dar o seu fruto mais sábio, de certos homens de una certa têmpera, não nascidos de maneirismos do espírito, mas de homens novos, sem ódio. O que ele fez, o que constituiu o seu triunfo, foi galvanizar à sua volta todas as cabeças novas, ígneas, onde, por si mesmos, pelo ardor do sangue e pela qualidade da luz, inscrevia em letras de fogo o preceito: «A Força maior encontra‑se na incomparável alegria de viver, que realiza aquele que sacrifica tudo a algo que lhe é superior».
Eis o que está na base do Nacional‑Socialismo. Não haveria Nacional‑Socialismo sem este princípio!
Hitler é menos o herói de excepção que aquele que prefigura o homem de amanhã. Nasceu quando ouviu o nosso grito de desespero e as convulsões da nossa agonia.
Alphonse de Chateaubriant