4.5.13

Declarações de João Ferreira do Amaral ao jornal “i”


«Aquilo que devia ser feito, não quero dizer que possa ser feito, não tenho grandes ilusões em relação às elites portuguesas, era decidir a saída a um nível muito restrito para manter o segredo e depois, no dia em que fosse anunciado o período transitório, em que seriam tomadas medidas de excepção, tomadas essas medidas a decisão devia ser ratificada pelo parlamento. Para mim não está em causa que tenhamos de sair do euro, de uma forma ou outra vamos ter de sair, a não ser que aconteça um milagre de iluminação na zona euro. O que está em causa é a forma de sair. Ou preparamos a saída ou seremos forçados a fazê-lo com custos muito maiores para a população.»

«Penso que sim, podemos assistir a uma ruptura política grave. Vai ser um choque muito grande as pessoas perceberem que esta situação está para durar. Prometeram-lhes que se cumpríssemos este programa as coisas iam mudar e os resultados não aparecem, nem podem aparecer, porque estes programas estão mal concebidos.»

«Houve uma acumulação de erros. Não tínhamos nada que antecipar a destruição de parte do sector agrícola, houve erros graves, mas a moeda única ultrapassou-os a todos. Não tínhamos de pôr o país numa trajectória que era insustentável. Se fizermos uma lista da forma como encaramos o processo de integração europeia, verificamos que houve erros bastante graves, por exemplo a forma como encarámos a adesão dos países de Leste em 2004. A Comissão Europeia, que fez o estudo do impacto do alargamento nos outros países mostrou que a economia portuguesa era das mais afectadas, mas isso não impediu as autoridades portuguesas de dizerem alegremente que estavam muito satisfeitas com o alargamento a Leste, e quando muito terem exigido meia dúzia de patacos de compensação. Não íamos bloquear o alargamento, mas poderíamos ter exigido condições muito diferentes para poder compensar o impacto negativo.»

17.4.13

Mazagan (Tant qu’il nous reste de l’eau). Letra de Rui Falcão de Campos e música de José Campos e Sousa



Mazagan (Tant qu’il nous reste de l’eau)


«Malgré la poudre dans l’air
Et malgré nos vies en jeu
Nous nous faisons des mémoires
Rage au cœur et ventre creux.

Qu’est-ce que deux doigts de foudre
Qu’est-ce qu’un petit doigt de feu
Et qu’est-ce que la mer à boire
Lorsqu’on n’a pas froid aux yeux?

Nous restons unis et fiers
Et nous le prenons d’en haut
Tant qu’il nous reste de l’air
Tant qu’il nous reste de l’eau

Car l’espérance et l’enfer
Nous sont deux frères jumeauxi
Tant qu’il nous reste de l’air
Tant qu’il nous reste de l’eau

Parmi les flammes et le sang
Parmi les deuils et la cendre
Au mépris des convenances
Hors de question de nous rendre

C’est que nous n'avons qu’une âme
C’est à laisser ou à prendre
C’est une question de confiance
Les maures devront attendre.

Nous ne crierons pas misère
La foi nous tiendra au chaud
Tant qu’il nous reste de l’air
Tant qu’il nous reste de l’eau

Nous restons unis et fiers
Et nous le prenons d’en haut
Tant qu’il nous reste de l’air
Tant qu’il nous reste de l’eau»



(Entre 1559 et 1769, sept générations de portugais ont enduré le cercle de la citadelle de Mazagan par les sultans du Maroc.
Ce poème rappelle ce fait d’armes sans égal dans l’histoire militaire.
La résistance indomptable de 210 années consécutives s’est terminée par la signature d’un traité de paix.
La garnison invaincue est partie avec armes et bagages en direction du Brésil, pour y établir la ville de Nova Mazagão).