21.4.09

CTT: Selo Nuno Álvares Pereira

Correio da Manhã, pág. 41

Nun`Álvares por Carlos Eduardo de Soveral

«São Portugal em ser»
o definiu Pessoa.
Mas ora aquele de quem a devoção
do clero e de fiéis bem infiéis
— e não à toa.... —
refuge desde há muito,
pois se não vê, não sente nem entende
o amor da Pátria assimilado
— e ordenado —
com o de Deus Senhor. (...)
Devoção que nem mesmo tem por alvo
o santo e pobre monge
em quem
o grão Conde de Ourém,
o `spantoso vencedor,
humílimo ficou,
e o nome de Maria,
ao de Nuno bem ligado,
como tanto, tanto, qu`ria,
enfim, tomou.

Quem à Pátria, agreste, não venera
e, antes, abomina,
há de ao seu campião desatender e mal julgar,
em cega e surda sina.

Carlos Eduardo de Soveral
Alto da Castelhana, Janeiro de 1999.


Ocorre o passo da Crónica do Condestabre de Portugal (Cap. XIX): «E porem sua palaura nem largas promessas prestaram pouco: ca por cousa que dissesse nuca pode mudar Nunalvarez seu filho de sua bõa tençom, ante cõtrariaua a sua madre dizendo — «q Deos nom quixesse que por dadiuas e largas promessas elle fosse cõtra a terra q o criara: mas q antes despederia seus dias e aspargeria seu sangue por emparo della» (...)» (Itálico nosso.) E também este do folheto do Conde d`Aurora, Anti-Nun`Alvarismo, Porto, 1960: «Mas é visível, não necessita [de] nenhuns óculos de ver ao longe, é visível a olho nu e a todos, essa constante, essa linha de força (e de que força!) — actuando contra Nun`Álvares! E porquê? Essencialmente porque é Santo! Porque, para as forças do mal, essa simbiose de Heroi Nacional e de Santo da Igreja — é duplo alvo de atacar, suprimir, anular.» [...] «Fez o milagre máximo da raça — sobrevivemos graças à sua indómita coragem e valor — deu-nos [uma] multissecular independência, deu-nos a possibilidade do Portugal das cinco partes do mundo [...] — e deixámo-lo cair no esquecimento, desafervorando o seu culto, esfriando gradualmente a veneração ao Santo Condestabre: permitindo que alguns historiadores de nomeada o abocanhem e minimizem! E não recorremos à sua protecção milagrosa! Como há-de fazer milagres se lhos não pedimos!»
Nun`Álvares, como Condestável e como Fr. Nuno de Santa Maria, constitui a mais juvenil, santa e formidável acusação às tibieza e insensibilidade, nenhum patriotismo, dum clero que, desrespeitando a vontade do Senhor, que em Portugal o implantou, não ama a Pátria e a Justiça que se lhe deve.
C.E.S.

Livro: O Condestável de Marcelino da Conceição

Correio da Manhã: Antes não mexi e depois não li

Achado: Funcionário conta como descobriu correspondência de Salazar
“Antes não mexi e depois não li”
“Antes não mexi e depois não li”
Desde 2005 que a Torre do Tombo sabe dos documentos inéditos de Salazar que estão há mais de 30 anos a ganhar pó num armazém de Pendão, em Queluz. Quem o afirma é o homem que os salvou do esquecimento e da degradação: Agostinho Torrado, 58 anos, operário principal da Secretaria de Estado dos Transportes.
Já lá vão 39 anos desde que começou a pôr ordem na desordem de um espaço que esteve para ser mercado mas foi arrendado ao Gabinete para os Meios da Comunicação Social da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, funcionando como depósito temporário de várias secretarias de Estado.
"Passa tudo por aqui: publicações, mobiliário, artesanato... Andava um dia a arrumar pastas quando dei com essas muito antigas e muito diferentes de todas as que já me passaram pelas mãos. As lombadas e os topos de madeira, forradas a cartão e a cores, verde e vermelho, eram únicas. Fiquei curioso e comuniquei à secretaria-geral", recordou ontem ao CM.
Os inéditos de Salazar agora divulgados estavam em trânsito do Palácio Foz para a Torre do Tombo no meio do espólio do extinto Secretariado Nacional de Informação. Em 2005 estava tudo a monte.
"Veio cá a directora de Documentação, dra. Maria José Fidalgo, com quem vi tudo pela primeira vez. Foi quando me disse que separasse estas das que estavam no arquivo oficial, pois eram correspondência pessoal do dr. Salazar", conta.
Adora o que faz e não quer outra coisa mas, apesar de curioso, não tem a tentação da cobiça: "Não é da minha natureza mexer no que não me pertence. Antes não mexi e depois não li." Não acredita em mais surpresas e questiona a real importância do achado, uma vez que só ao seu segundo alerta conseguiu a atenção da Torre do Tombo.

TRÊS MIL PASTAS COM DUAS DÉCADAS DE ESTADO NOVO
São quase três mil pastas as que agora se juntam ao Arquivo de Salazar à guarda da Torre do Tombo e cujo director, Silvestre Lacerda, se prepara para revelar já no próximo dia 29, segundo o mesmo avançou ao ‘Público’. "Pelas inscrições e pelas capas vi logo que pertenciam à Presidência do Conselho de Ministros", disse o responsável a esse jornal, após identificar o guardião das pastas que refazem a História do Estado Novo de 1938 a 1957. "Estava a falar com o senhor Agostinho quando ele disse: ‘Ali em cima está qualquer coisa do Salazar.’"

PERFIL
Agostinho Torrado, 58 anos, natural de Barrancos, é casado e tem duas filhas e dois netos. Trabalha para o Estado há 39 anos. Começou tarefeiro, hoje é operário principal.

DETALHES
UMA VIDA NA MESMA RUA
O homem que encontrou os documentos de Oliveira Salazar mudou-se para Pendão, Queluz, em 1964 e instalou-se com os pais na mesma rua onde ainda hoje vive e trabalha desde 1968.

QUESTÃO DE SEGURANÇA
Decidido a trocar a instabilidade do trabalho fabril pela segurança do Estado, começou como tarefeiro da então Secretaria de Estado da Informação e Turismo mas só em 1975 passou aos quadros.

Dina Gusmão
In Correio da Manhã, p. 39, 21.04.2009

Parabéns, Presidente Ahmadinejad!

O meu aplauso ao Presidente do Irão pela coragem, clareza e pontaria do seu discurso.
Denunciando, de forma certeira e acertada, o racista Estado de Israel na conferência anti-racista, pomposamente intitulada Conferência de Revisão sobre o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Forma Conexas de Intolerância, promovida pela ONU, em Genebra, provocando a ira de cerca de 40 diplomatas ouropeus presentes que em nome da tolerância, da liberdade de expressão cumpriram as ordens dos (des)governos para se retirarem caso houvesse algum ataque “anti-semita” a Israel.
“Israel foi criado com o pretexto do sofrimento judeu durante a II Guerra Mundial”, “o racismo na Europa ajudou a criar o mais racista e cruel de todos os regimes na Palestina” e acusou as potências representadas no Conselho de Segurança de “apoiaram um Estado ocupante, dando-lhe liberdade para continuar os seus crimes”.
Antecipando e promovendo o boicote, Estados Unidos, Itália, Austrália, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Polónia, Canadá e Israel já tinham anunciado que não iriam participar.
O encontro coincide com o Dia da Recordação do Holocausto, curiosamente no dia de nascimento de Hitler!
Exemplar exemplo de tolerância foi o caso da França através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, que já tinha avisado:
"Será preciso ser muito claro. Não toleraremos nenhuma derrapagem. Se o presidente (Mahmoud) Ahmadinejad quiser reabrir o texto dificilmente acordado ou se proferir acusações racistas ou anti-semitas, abandonaremos a sala imediatamente", afirmou Bernard Kouchner à rádio
France Info.
Antes de partir para Genebra, onde participará na Conferência Durban II, organizada pela ONU, o presidente iraniano afirmou no domingo que "a ideologia e o regime sionista são os porta-estandarte do racismo", reforçando assim os receios de incidentes durante os debates.
"Se for inteligente, não repetirá isso na sala. Se o repetir na sala, todos os embaixadores europeus se levantarão e sairão", advertiu o ministro francês.
Por seu lado, Israel criticou o Vaticano por ter enviado uma delegação para participar na conferência e chamou hoje para consultas o seu embaixador em Berna, após um encontro, domingo à noite, entre o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, e o seu homólogo iraniano, Mahmud Ahmadinejad, à margem da conferência. "Não se trata de uma rotura, mas de uma expressão de descontentamento de Israel pela atitude da laxismo da Suíça em relação ao Irão", assinalou uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.
Um belíssimo par de puxão de orelhas ao Vaticano e à Suíça, dois estados soberanos!

Moral da história: a ver vamos se o Irão não será bombardeado nas suas centrais nucleares graças a mais estas destemidas palavras do presidente iraniano.

20.4.09

20 de Abril: Linz, 1944

20 de Abril: Adolf Hitler



Leilão: Auto-retrato e outras aguarelas de Hitler vão ser vendidas

Público, 17.04.2009, p. 20

Londres, 25 mar (EFE).- Treze quadros de Adolf Hitler, pintados em seus anos de aspirante a artista, serão leiloados na Inglaterra depois de serem encontrados em uma garagem.
Os quadros, a maioria paisagens, fazem parte de uma coleção de documentos históricos que será leiloada no dia 23 de abril em Shropshire (oeste da Inglaterra).
A casa de leilões Mullocks's, com sede em Shropshire, informou hoje que entre os trabalhos que serão leiloados há um autorretrato do ditador nazista assinado.
Segundo os cálculos dos leiloeiros, os quadros do "Führer" podem render milhares de libras.
Hitler se dedicou à pintura durante sua juventude, quando vivia na Áustria, mas nunca atingiu muito sucesso na vida artística. Quando se mudou para Munique, o "Führer" sobreviveu por algum tempo vendendo quadros pelas ruas e restaurantes da cidade.
"O vendedor (dos quadros), um grande colecionador da Segunda Guerra Mundial, comprou as pinturas de um soldado inglês que lutou contra os nazistas", explicou o funcionário da Mullock's Richard Westwood-Brookes.
Aparentemente, esse colecionador vendeu algumas das obras e esqueceu as outras em que sua garagem. Elas foram encontradas casualmente há pouco mais de um mês.
Para Westwood-Brookes, é difícil encontrar uma relação entre os quadros pintados por Hitler e seus atos como líder nazista.
"As pessoas esperam que suas pinturas reflitam imagens agressivas, temas militares, batalhas e gente sendo assassinada, mas não há nada em sua produção que sugira isso", disse. EFE

19.4.09

Leitura semanal

A Cidade do Sossego
Viriato
Não discutimos a Pátria

A Voz Portalegrense
Desabafos
D. Nuno Álvares Pereira

Alma Pátria - Pátria Alma
Viva o 26 de Abril

Eternas Saudades do Futuro
À atenção dos meninos betinhos que se dizem monárquicos porque acham giro ser-se
Sem Rei nem Lei

Manlius
Notícias do cão de água português
Notícias do cão de água português - 2

Nova Frente
Vara para o rebanho

Um Homem das Cidades
Ilan Pappe - o levantamento completo da futura propriedade do estado judeu

Inconformista
Pt No Media
Pt NovoPress
Revisionismo em Linha

O Condestável no Passado, no Presente e no Futuro Zuzarte de Mendonça


O CONDESTÁVEL
NO PASSADO, NO PRESENTE E NO FUTURO


«(...) É a figura excelsa, a glória máxima desta Raça predestinada para os grandes cometimentos e para as surpreendentes audácias.
(...) Só as nações incultas desconhecem os seus homens ilustres.
O nosso povo, desgraçadamente, é um povo analfabeto. E, para o castigo ser mais rude, propagandas dissolventes, de procedências várias e com diversos fins, têm-no batido com insistência, durante largos anos, consecutivamente. Houve quem cerrasse os olhos a essa tarefa anti-portuguesa e anti-social. Houve quem aparentasse não se aperceber dos seus perigos, sabendo muito bem a sua gravidade. E foram-se esquecendo as nobres figuras, os edificantes exemplos e as lições prodigiosas do Passado, que é sempre uma escola, quer para os indivíduos, quer para as colectividades. Quem é hoje, fora do círculo apertado dos estudiosos, que conhece, e devidamente compreende, a personalidade eminente de Nun`Álvares? Quem sabe as suas glórias, os seus heroísmos, os seus rasgos, as páginas edificantes e comoventes da sua vida modelar, toda ela consagrada, sem um desfalecimento, sem uma hesitação, sem uma incoerência, ao amor de Deus e ao serviço da Terra-Mãe?
Pois nós queremos contribuir, quanto em nossas forças caiba, para divulgar essa vida e essa obra. Cumprimos apenas um dever, que nos é gratíssimo, se bem que, e não o ignoramos, a tarefa seja árdua, pelas responsabilidades que nos impõe.
Mas não importa. A boa vontade pode muito, e como escrevemos para o grande público, e não estamos fazendo história, mas recordando-a, queremos crer que não será perdido este esforço.
Vamos, portanto, dizer, quem foi o Santo Condestável — enumerar os seus feitos, segui-lo, desde a infância, quando se inspirava em Galaaz, até à morte do justo, na cela do convento de Nossa Senhora do Carmo, que ele edificara com a sua vontade de bronze. Mais ainda: vamos mostrar, com eloquência dos factos, contados em linguagem simples, que todos entendam, quanto lhe devemos em vida, quanto lhe estamos devendo depois de morto. Como a sua influência pode ser salutar, e até decisiva, nos destinos de Portugal, se soubermos bem meditar e compreender a sua vida. Esta secção será, ao mesmo tempo, uma evocação e um estímulo. Lembrar-nos-á o Passado e apontar-nos-á um Futuro que o não desmereça. Fará história, que o povo perceba. — Será uma cartilha de civismo, para que as multidões se eduquem no amor à terra em que nasceram. Reproduzirá documentos, dará trechos de crónica, dirá quem se tem ocupado de Nun`Álvares, como os nossos escritores o têm encarado, quais os nossos poetas que o têm cantado na sua lira...
A secção dividir-se-á em três grandes partes: no passado — no presente — no futuro. E como estamos firmemente convencidos de que será ilusório todo o trabalho ou todo o sacrifício, para salvar Portugal, que não assente os seus alicerces nas virtudes, cívicas e morais, do Herói excelso, empenhar-nos-emos sobretudo em abrir de novo, ao culto do Condestável e do Santo, a boa alma popular, tão desviada dos caminhos que percorreu sempre, com fortuna e honra, durante um tão largo período de tempo. Porque, se chorar os Mortos queridos, é já indício de boas qualidades, e revela amizade ou gratidão, imitar os seus exemplos, adoptar a mesma norma de vida, honrar e pondo em prática os seus ensinamentos, essa é a melhor e a mais proveitosa homenagem, e a mais inteligente. Os Heróis e os Santos não querem outra.
Nós vivemos numa época que exige, como nenhuma outra, talvez, o conhecimento dos grandes homens dos tempos idos. Para os chorar? Para os admirar apenas? Principalmente, para os tomarmos como modelos. Para continuarmos a sua obra...
E Portugal salvar-se-á, de quantas crises o assoberbem, se não esquecer Nun`Álvares, se ouvir vozes e a lição do Santo Condestável...

Zuzarte de Mendonça
In Cruzada Nacional Nun`Álvares, Ano I, Novembro de 1922, pág. 17.

Livro: Vida e Obra de Dom Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável e O Clarim de Nuno toca a alvorada de Leslie Baker


18.4.09

Público: Arquivo perdido de Salazar foi descoberto em Queluz

Arquivo perdido de Salazar foi descoberto em Queluz

Documentos inéditos podem renovar a historiografia do Estado Novo

«Um alerta do contínuo de um armazém do Estado em Queluz deu origem a uma das mais importantes descobertas de documentos com valor histórico dos últimos anos. São, ao todo, 2827 pastas com milhares de documentos oficiais provenientes da Presidência do Conselho de Ministros entre 1938 e 1957 que prometem renovar a historiografia do Estado Novo. Os documentos, que abordam assuntos tão variados como o uso de "fatos de banho inconvenientes" ou a relação de bens alemães existentes em Portugal em 1946, encontram-se na "sala de higienização" da Torre do Tombo e estarão acessíveis no final do Verão. Perante a diversidade do conteúdo do arquivo - cartas, ofícios, relatórios, despachos (muitos deles manuscritos por Salazar), mapas, petições, álbuns fotográficos -, e atendendo ao facto de vir a complementar o actual Arquivo Salazar, que retrata apenas o período entre 1957 e 1974, Silvestre Lacerda, director do Instituto Nacional de Arquivos/Torre do Tombo, acredita que se poderá assistir a uma pequena revolução na historiografia do Estado Novo. "É provável que a complementaridade venha a confirmar ou a desmentir algumas coisas já publicadas".»

Arquivo perdido de Salazar foi descoberto por um contínuo

«São milhares de documentos da Presidência do Conselho de Ministros, de 1938 a 1957. É um dos mais importantes achados para a História Contemporânea

Não será excessivo afirmar que se trata de uma das mais importantes descobertas dos últimos anos - pela relevância da memória histórica e pela sua contribuição para a historiografia do Estado Novo. Em Outubro do ano passado, o director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Silvestre Lacerda, descobriu, por indicação do contínuo de um armazém do Estado (ver texto ao lado), perto de uma centena de caixas com documentação da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), referente ao período entre 1938 e 1957. Ninguém sabia da sua existência.
A descoberta deu-se num armazém tutelado pela Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros e situado no Pendão, em Queluz. Só após a transferência do conjunto para a Torre do Tombo foi possível aferir a sua real importância: os milhares de documentos originais guardados em 2827 pastas permitem reconstituir os processos de decisão política de António de Oliveira Salazar em períodos tão relevantes como os primeiros anos do Estado Novo, o fim da Guerra Civil de Espanha e a II Guerra Mundial. A diversidade da documentação confirma, de facto, a intervenção directa do então Presidente do Conselho nos mais variados assuntos - desde o uso de "fatos de banho inconvenientes" até à relação de bens alemães existentes em Portugal em 1946, passando pela alteração dos horários de trabalho da Função Pública.
Este achado não apenas complementa o Arquivo Oliveira Salazar, existente na Torre do Tombo, como também preenche uma lacuna, pois o fundo da PCM que é parte integrante daquele arquivo abrange somente os anos de 1957 a 1974. Silvestre Lacerda nota ainda que, "do ponto de vista da riqueza informativa, existem algumas pérolas que nos ajudam a perceber melhor a ambiência portuguesa durante a II Guerra Mundial", nomeadamente no que se refere às subsistências, contrabando, açambarcamento e especulação de preços. O facto de este fundo documental ter sido separado do arquivo que estava na residência oficial de São Bento (designado "arquivo da residência") pode ser explicado, diz Lacerda, por uma ordem de importância. "Provavelmente, Salazar daria mais importância ao arquivo de São Bento e quis distinguir a documentação que pertencia à PCM. Há aqui processos que indicam que foram transferidas pastas para o arquivo da residência", afirma o director da Torre do Tombo. Numa primeira abordagem, Lacerda percebeu de imediato que o novo acervo documental estava "muito bem organizado, com os processos devidamente identificados". "Havia um controlo efectivo do sistema de informação. Salazar tinha, de facto, uma noção da importância da organização dos sistemas de informação", acrescenta.
Consulta pública no Verão
Na "sala de higienização" da Torre do Tombo, onde o PÚBLICO consultou algumas das pastas, a documentação está acondicionada em 244 caixas, o que, em linguagem de arquivista, significam 50 metros lineares de documentação. Neste momento, o fundo está de quarentena - técnicos da Torre do Tombo procedem à limpeza e à inventariação dos documentos. Seguir-se-á o ciclo natural de todos os fundos: a fase de cotação e a eventual consulta na sala de leitura. Eventual porque toda a documentação estará submetida às normas do Regime Geral dos Arquivos e do Património Arquivístico - não poderão ser disponibilizados documentos que contenham dados pessoais, de carácter judicial, policial ou clínico, assim como informações que afectem a segurança pessoal, a honra ou a intimidade da vida privada e familiar. A não ser que, define a lei, tenham decorrido 50 anos sobre a morte da pessoa ou, desconhecendo-se esta data, 75 anos sobre o ano de origem dos documentos.
Silvestre Lacerda aponta que o arquivo recém-descoberto poderá estar acessível ao público já no final deste Verão. Mas este processo "depende dos meios mobilizados" para o trabalho que ainda resta fazer. Muito antes disso, haverá uma apresentação pública do fundo que irá enriquecer o Arquivo Oliveira Salazar. Numa cerimónia a realizar no próximo dia 29, às 16h30, na Torre do Tombo, Silvestre Lacerda irá anunciar a incorporação do novo acervo e serão expostos alguns documentos "para se perceber a riqueza informativa deste fundo". Nesta sessão, que contará com as presenças do secretário-geral da Presidência do Conselho de Ministros, José Maria Sousa Rego, do secretário de Estado da PCM, Jorge Lacão, e da secretária de Estado da Cultura, Paula Santos, será entregue à Torre do Tombo o acervo da PCM correspondente à década de 70 e que ainda estava sob a tutela da Secretaria-Geral.
Salazar e os judeus
Perante a diversidade do conteúdo das pastas - cartas, ofícios, relatórios, despachos (muitos deles manuscritos por Salazar), mapas, petições, telegramas, álbuns fotográficos - e atendendo ao importante período histórico que elas abrangem, Silvestre Lacerda acredita que se poderá assistir a uma pequena revolução na historiografia do Estado Novo. "É provável que a complementaridade venha a confirmar ou a desmentir algumas coisas já publicadas", diz. Mas isso só acontecerá, porventura, quando o arquivo estiver disponível para consulta pública.
Numa primeira leitura dos documentos, a historiadora Fátima Patriarca, que, a pedido de Silvestre Lacerda, fez uma avaliação sobre o interesse e o valor do fundo, explica que não pode avançar com a possibilidade de se reescreverem episódios da História da ditadura. "Mesmo que isso fosse possível, não deixariam de existir diversas teorias e interpretações." Mas a sua avaliação dos documentos confirma que há um conjunto de matérias que exige uma "maior investigação".
A investigadora emérita do Instituto de Ciências Sociais (ICS) exemplifica com a documentação que oferece novas interpretações sobre a relação entre Salazar e a comunidade judaica, nomeadamente os refugiados da II Guerra Mundial. "A relação é tida como ambígua, mas há documentos que vão obrigar alguns historiadores a proceder a novas investigações", diz, aludindo, a título de exemplo, a uma carta endereçada ao Presidente do Conselho pelo American Polish Relief Council, datada de Maio de 1944, em que é solicitada a intervenção de Salazar para apressar o transporte de conservas de peixe e frutos secos destinados aos prisioneiros de guerra. O historiador Fernando Rosas não tem dúvidas sobre a importância da descoberta desta nova documentação. Até porque, nota, "havia uma lacuna temporal no Arquivo Oliveira Salazar". Tendo apenas por base alguns dos processos consultados pelo PÚBLICO, Rosas crê que o fundo traduzirá os "hábitos centralistas" do regime: "É a nata da política que os ministros levam a Salazar para que ele tome decisões. Poder-se-á confirmar que nenhum ministro decidia por si só em matérias politicamente sensíveis", afirma. E lembra que, até à remodelação governamental de 1940, Salazar era também o titular de três pastas ministeriais: Guerra, Negócios Estrangeiros e Finanças, esta última a única de que viria a abdicar durante os anos da II Guerra Mundial. Também a historiadora Maria Dulce Freire admite que o acervo irá "provar como Salazar procurava ter informação e domínio sobre uma série de assuntos que pareciam ter uma importância menor". Para esta investigadora de pós-doutoramento no ICS, também especialista em História Económica, a documentação que será incorporada no Arquivo Salazar poderá fornecer o suporte de muitas decisões políticas tomadas entre 1938 e 1957. "É importante acompanhar os processos de decisão, as causas e as consequências. E em muitos casos não existe a documentação enviada e aquela que suporta as decisões políticas", diz.
José Maria Brandão de Brito, economista e historiador, aponta que a confirmação, dada por este fundo, de que a intervenção de Salazar fazia-se sentir em todos os domínios também tem "um reverso". Porque, "ao tentar controlar tudo, também controlava pouco. Sobretudo a partir do final da guerra, agarrou-se muito aos pormenores e não atentou em assuntos essenciais", explica. Brandão de Brito acredita, tal como Silvestre Lacerda, que a descoberta deste género de arquivos "obriga a reescrever a História". Com o acesso aos documentos originais, surge sempre a "sensação de que há a possibilidade de cobrir lacunas e substituir interpretações", afirma, exemplificando com a sua descoberta, nos anos 80, do arquivo do Condicionamento Industrial. "Depois de analisar esta documentação, percebi que toda a história da indústria portuguesa estava falseada e esse arquivo obrigou à reescrita da história industrial", afirma. Silvestre Lacerda percebeu na organização do arquivo como Salazar controlava toda a informação do Governo.»
«"Ali em cima há alguma coisa do Salazar"

Caixas foram ignoradas durante dezenas de anos. Estavam no meio de livros e arquivos diversos no armazém do Pendão, Queluz

Do piso térreo, só se vislumbrava meia dúzia de caixas empilhadas, ladeadas por livros embrulhados em papel. Quando Silvestre Lacerda, director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT), subiu ao primeiro patamar do gigantesco armazém do Pendão, deparou-se com quase uma centena de caixas similares. Bastou abrir uma delas para perceber que estava diante de uma espécie de tesouro perdido.
O propósito da visita de Lacerda e de alguns técnicos do IAN/TT ao Pendão, em Outubro do ano passado, prendia-se com a análise do arquivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, também ali recolhido. Este projecto de organização e de inventariação do arquivo histórico da FCT está a ser coordenado pela historiadora Maria Fernanda Rollo e pela arquivista Paula Meireles, do Instituto de História Contemporânea, com o apoio técnico da Direcção-Geral de Arquivos.
O armazém está arrendado ao Gabinete Para os Meios de Comunicação Social, entidade dependente da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, e acolhe milhares de metros de documentação. Para além de acervo contabilístico pertencente ao gabinete, existem também diversos lotes com arquivo administrativo proveniente da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), centenas de livros da antiga Comissão da Condição Feminina e algum mobiliário.
"Estava a falar com o senhor Agostinho [contínuo do armazém], quando ele disse: 'Ali em cima, está qualquer coisa do Salazar'", conta Silvestre Lacerda. "Sou um pouco curioso nestas coisas e decidi ver o que era, só para confirmar." A indicação do contínuo causava--lhe alguma estranheza. Até porque não existia qualquer referência à existência de caixas com documentação do arquivo de Oliveira Salazar. Mas, mal subiu ao primeiro piso, Lacerda não teve dúvidas: "Pelas inscrições e pela capas, vi logo que pertenciam à Presidência do Conselho de Ministros".
E, por trás da meia dúzia de caixas, estavam muitas mais, quase uma centena - e, dentro de cada uma delas, acondicionavam-se várias pastas vermelhas, cujas capas ostentavam listas dactilografadas referentes aos documentos no seu interior. "Era preciso fazer tudo para as recuperar", afirma Lacerda, notando que uma das primeiras medidas que tomou foi pedir à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros para proceder à limpeza das caixas. "Tinham mais de 30 anos de pó em cima, não estavam manuseáveis." A operação foi feita com celeridade e, poucos dias depois da sua descoberta, o conjunto foi transferido para a Torre do Tombo.»

«Do contrabando de volfrâmio à ilegalização do Movimento de Unidade Democrática

Nada escapava ao domínio de Oliveira Salazar. O PÚBLICO consultou alguns processos que atestam esse hábito centralista.

Em Janeiro de 1944 a PVDE envia para a Presidência do Conselho de Ministros (PCM) um relatório sobre o roubo de volfrâmio nas Minas da Borralha, no concelho de Montalegre. Nesse documento a polícia política informa a PCM que a maior parte da produção das minas destina-se à Grã-Bretanha. Mas logo a seguir cita uma queixa da Direcção-Geral das Minas da Borralha sobre o "desvio" do minério para "um couto ao lado", propriedade de alemães. Nota a PVDE que, depois de "desviado" para o "couto mineiro de Dornelas", o volfrâmio é transportado para Braga e para Vila Real, "coberto com guias de trânsito" e "vendido aos alemães". O roubo é feito com a colaboração do proprietário das minas, o francês Gilbert Max Regert. Este confessa isso mesmo à PVDE num interrogatório em que "chorou" e pediu a fixação da residência em Portugal - de preferência "numa praia, a Praia da Rocha". Salazar terá ficado sensibilizado com a situação de Regert e deferiu o pedido de residência do dono das minas. Desconhece-se, porém, se acedeu à escolha da Praia da Rocha.
Este é um dos processos que consta das 2827 pastas do arquivo da PCM e, apesar de se tratar de um assunto relevante para a época (período da II Guerra Mundial), demonstra que Salazar chamava a si todas as decisões. A documentação sobre os "fatos de banho inconvenientes" é um bom exemplo disso mesmo. Em Julho de 1940 chega à PCM uma carta do ministro da Marinha, Manuel Ortins de Bettencourt, em que este dá conta de queixas de atentados contra "a moral e o sentimento da maior parte dos portugueses" nas praias do país. Escreve o ministro que é necessário "fixar critérios quanto ao feitio dos fatos" de banho, uma vez que "muitos estrangeiros" que se refugiaram em Portugal "trouxeram os hábitos e o vestuário exageradamente livres, em uso nas suas terras". O caso mais flagrante acontece na Figueira da Foz, prossegue. Em anexo surge, porém, uma petição assinada por banhistas do Estoril que reivindicam o "uso do calção".
E algumas páginas adiante lá vem a decisão de Salazar: o presidente do Conselho concede poderes ao ministro do Interior, Mário Pais de Sousa, para uma "intervenção rápida e imediata". A saber: aumento do contingente de cabos do mar "com formação em línguas", intervenção da PSP e a proibição da venda de fatos de banho "não completos".
Neste arquivo que abrange 19 anos da história do Estado Novo há várias pastas que indicam processos sobre presos políticos e petições para amnistias para crimes políticos. Num deles verifica-se, através da leitura da carta do secretário do gabinete da PCM para a PIDE, que em Maio de 1952 o próprio Governo enviou para polícia política uma cópia de uma petição, assinada por familiares e amigos de presos políticos, a pedir uma amnistia para os detidos. "Não admira que existam seis milhões de fichas da PVDE e da PIDE", comenta Silvestre Lacerda.
Num outro processo, intitulado Amnistia por crimes políticos e pedido de indivíduos ligados ao PCP, encontra-se uma carta da PIDE para Salazar, datada de 12 de Dezembro de 1950. Nela, a polícia informa o presidente do Conselho sobre elementos da "associação secreta subversiva [PCP]" que andam a recolher assinaturas para pedir uma amnistia aos presos políticos, invocando a "quadra do Natal" e invocando os "sentimentos católicos e cristãos da gente portuguesa".
Nem todas as pastas que compõem o fundo são vermelhas. Também há castanhas e pertencem ao Ministério da Economia - que, de 1941 a 1942, remetia para a PCM mapas semanais sobre a actuação das "brigadas de repressão do comércio ilícito de mercadorias". Nestes mapas estão identificadas as zonas de acção das brigadas, os actos ilegais ("exportação ilícita", "açambarcamento", "especulação", "falta de etiquetas de preços dos géneros"), os infractores, a natureza dos produtos apreendidos e as coimas aplicadas.
Também uma parte do processo de ilegalização do Movimento de Unidade Democrática (MUD), em 1948, consta deste arquivo: estão lá o despacho original de Salazar, datado de 21 de Abril, no qual se ordena a entrega em tribunal de uma lista de filiados no PCP e em "outras organizações clandestinas" que faziam parte da direcção do MUD; a carta do chefe de gabinete da PCM, José Manuel Costa, a António Sérgio dando-lhe conta do despacho de Salazar; e ainda o abaixo-assinado original contra a ilegalização do MUD, assinado por Sérgio, Maria Lamas, Bento de Jesus Caraça, Mário Soares, Tito de Morais e Maria Isabel Aboim Inglez, entre outros.»

«Arquivos com paradeiro desconhecido

Recenseados 700 quilómetros de documentaçãoComo é que se explica que este acervo documental tenha estado tantos anos "perdido" num armazém em Queluz? Silvestre Lacerda, director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT), começa por responder que nem sequer se sabe como é que as caixas foram parar àquele armazém. Apenas se pode "especular" que o conjunto tenha estado depositado nalgum edifício da Presidência do Conselho de Ministros, tendo depois sido transferido para o Pendão juntamente com o mobiliário, por exemplo. Também a data desta eventual transferência é difícil de calcular. Embora Lacerda admita que, provavelmente, as caixas foram ali colocadas pouco depois do 25 de Abril. Este caso de arquivos cujo paradeiro é desconhecido não é único. "Não dominamos completamente o património arquivístico", afirma o director da Torre do Tombo. Para já, estão recenseados 700 quilómetros de documentação referente à Administração Pública só na área de Lisboa. Mas "é provável que existam mais que não se conhecem". Até porque, nota o responsável, após a II Guerra Mundial assistiu-se a um crescimento exponencial da documentação. "Após a guerra, a explosão da documentação é brutal. Porque os arquivos são o reflexo das organizações", explica. E sublinha: "Ao contrário das ideias feitas sobre o Estado e a Administração Pública, os arquivos nunca diminuem, aumentam sempre".»

Maria José Oliveira

In jornal Público, p. 1/2/3/4, 18 de Abril de 2009

Público: Convento de Cristo vai ter site para visita virtual

Convento de Cristo vai ter site para visita virtual

«O Convento de Cristo, em Tomar, vai ser o primeiro dos monumentos portugueses Património da Humanidade a poder ser objecto de uma visita virtual - o site, desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Tomar e pela INI-GraphicsNet, será apresentado oficialmente hoje no próprio convento, numa cerimónia que marcará o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, e na qual estarão presentes os ministros da Cultura e do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.
O projecto, que recebeu o nome Mil Anos de Sabedoria, da Idade Média ao Século XXI, será depois alargado aos restantes monumentos classificados pela UNESCO. "O Igespar [Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] está a preparar um programa, a rota do Património da Humanidade, que vai envolver Tomar, Batalha, Alcobaça e Lisboa", explicou ontem a secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos, numa conversa com os jornalistas no Panteão Nacional para apresentação do programa do Dia dos Monumentos. "Corresponde a uma preocupação em ter aquilo a que podemos chamar 'novos produtos'. Tivemos um ciclo de investimento no património em termos de edificado e agora temos que cuidar dos conteúdos, da animação, o contar a história dos monumentos, e é essa a lógica da rota. Pretende-se potenciar o mercado do turismo cultural, um segmento que está a crescer."
Este ano, o Dia dos Monumentos tem como tema Património e Ciência, e é em grande parte feito em colaboração com a Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, que irá lançar o projecto Património e Ciência, um conjunto de actividades que decorrerá aos fins-de-semana, de 18 de Abril a 18 de Junho.
Hoje haverá por todo o país 450 actividades ligadas ao património, de espectáculos a visitas temáticas, passando por observação de aves, das estrelas e visitas a laboratórios. O programa pode ser consultado em http://www.igespar.pt/. A.P.C.»


Público, P2, p. 14, 18.04.2009

Hoje, na SHIP: Tintin, a paixão da Aventura

Recital Nuno do Carmo e os Painéis dos Mestres

No passado sábado, 4 de Abril, estreou na Igreja do Montijo o recital Nuno do Carmo e os Painéis dos mestres.
É uma iniciativa conjunta do grupo Novos Universitários Católicos, NUCA, (FCT - Monte da Caparica) e do Vale de Acór, e surgiu por ocasião da Canonização do Santo Condestável no próximo dia 26 de Abril de 2009, em Roma.
O argumento resume os momentos históricos da vida de D. Nuno Álvares e é constituído por nove painéis alusivos à sua vida, às virtudes e qualidades do Santo: Biografia, A Honra, Pátria, A Liberdade, A Fé, A Caridade, A Pobreza, A Confiança, O Santo. Nestes painéis foram inseridas obras de vários mestres da literatura.
Os textos de Camões, Pessoa, Paul Claudel, Murilo Mendes e Dr. Cerejeira, e outros, foram interpretados por Adélia Nogueira Ramos, Bruno Couto, José Nogueira Ramos e Sara Ideias.
O recital foi acompanhado por vários momentos musicais de Guitarra Portuguesa tocada pelos jovens guitarristas David Matias, Diogo Faria e Domingos Mira.
As próximas actuações serão a 18 de Abril, no auditório da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Porto, a 9 de Maio na Sé de Lisboa.
Notícia daqui.

O Santo Condestável por Alfredo Pimenta

O SANTO CONDESTÁVEL

«Nesta longa e difícil guerra pela independência da terra portuguesa, ao lado do Rei, a acompanhá-lo incansavelmente, vemos a pessoa do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.
Filho bastardo do Prior do Hospital, D. Fr. Álvaro Gonçalves Pereira, filho bastardo, este, também, de D. Gonçalo Pereira, que foi, mais tarde, Arcebispo de Braga, e de Iria Gonçalves, Nuno Álvares, o Condestável do Rei de Portugal D. João I, nasceu a 24 de Junho de 1360, em Sernache do Bonjardim. É, talvez, a figura mais representativa, a figura mais exemplarmente típica do povo português, enquanto ideologias intrusas o não abastardaram e corromperam.
Ele trouxe sempre fundidos no seu coração o amor de Deus e o amor da Pátria. Foi Monge e foi Soldado; e foi Santo e foi Herói. Teve o duplo mistiscismo — o do Céu, e o da sua terra. Na hora mais aguda das batalhas, esquecido de tudo, ajoelhava e rezava. E, como os maiores místicos, possuía o sentido rectilíneo do equilíbrio e das realidades. Era um espírito positivo de patriota, animado pela fé mais viva da crença mais alta.
Sabia querer: e a sua vontade não conhecia, quando livre, embaraços. Sabia obedecer: e a sua obediência, na hora própria, não suportava reservas.
Nuno Álvares é a encarnação suprema da Pátria portuguesa: está nos altares, porque a Igreja o reconheceu merecedor de culto; e está nos corações dos portugueses fiéis que vêem nele o símbolo do seu amor pátrio.
Sem a sua espada vigorosa e sã, Portugal teria caído possivelmente na órbita de Castela, e tudo quanto fez em prol da Civilização andaria hoje escrito em língua estranha.
Riquíssimo de tudo — de honras, de bens e de glória, tudo trocou pelo hábito rude e áspero da estamenha de carmelita, quando viu que a sua Pátria já não precisava de que pusesse por ela «seu corpo em grandes aventuras», como dissera o Rei, no diploma em que lhe conferia o título de Conde de Barcelos.
O Convento do Carmo começou a edificá-lo, em Lisboa, em 1389. Lentamente, as obras prosseguiam. Os primeiros monges entrariam em 1397 — só portugueses. Nuno Álvares queria habitá-lo. Um elo ainda o prendia à vida: a filha. Mas esta, talvez em 1415, morre em Chaves. Dispõe-se a entrar no Carmo. Mas o Rei chama-o para Ceuta. E Nuno Álvares obedece.
No regresso, liberto já de quaisquer peias, o seu sonho corporiza-se. E em 15 de Agosto de 1423, a porta do convento fecha-se sobre a sua sombra: é Fr. Nuno de Santa Maria!»

Alfredo Pimenta
In Elementos de História de Portugal, E.N.P., Lisboa, 1935, págs. 112/115.

Livro: O Beato Frei Nuno de Santa Maria de Alberto Gonçalves

17.4.09

História do Cavaleiro D. Nuno

HistoriadocavaleiroDNuno

Lançamento do Livro: A Demanda do Mestre de Avis e a vida do Santo Condestável de Isabel Ricardo

Hoje é apresentada a obra "Nuno Álvares Pereira – A demanda do Mestre de Avis e a vida do Santo Condestável", da escritora Isabel Ricardo, na FNAC Chiado, às 19:00 horas.
N.º de Páginas - 406.
P.V.P. - 15€.





Exortação frente à estátua do Condestável na Batalha por Couto Viana

Exortação frente à estátua do Condestável na Batalha

Para Mário Saraiva
Cavalga no bronze da glória
À ilharga do túmulo real,
Aqui, onde ficou, em pedra e fé, memória
Da mais vital vitória
De Portugal.

E ergue a espada nua. (Em certo dia
Bastara meia espada
Para enfrentar a cobardia
E vencer a batalha antes de começada.)

E o peito ovante oculta, floreada,
A cruz do seu brasão:
Como a sua alma e coração (branca e encarnada),
É divina divisa devotada
Ao Mestre, ao Rei e ao Irmão.

E olha o céu, caminho seu, seguro,
Pois sabe que no céu tudo se escoa
E Deus é sempre o futuro,
O último senhor do ceptro e da coroa.

Ó português que passas, indiferente,
Frente à estátua do Santo, do Herói:
Não te dói o presente?
A tua pátria doente
Não te dói?

Não sentes o desejo, o ímpeto de orar
Àquele que nos foi o salvador;
Pedir-lhe para regressar,
Formar quadrado contra o agressor?

De ter de novo como Capitão,
Por Deus e Pátria e Rei, o Herói, o Santo?
E de poder dizer altivamente não,
Seguindo o seu pendão,
Onde arde a esperança que perdeste há tanto?

Ah, se não queres marchar, em som de guerra,
Tal como ele, por um ideal,
É que não vale a pena o sangue, a terra,
E morre Portugal.
António Manuel Couto Viana
In «Sou quem fui», Edições Ática, Lisboa, 2000, págs. 144/145.