12.1.09

Estados Unidos vs Israel

No Jornal de Notícias:
Bush recusou ajudar Israel a atacar central nuclear iraniana mas prometeu que iria desenvolver a partilha de informações com Israel das operações secretas para sabotagem do programa nuclear iraniano.

Pintura de Richard Klein: O despertar

O despertar. 1937
Richard Klein
Pintor alemão - 1890-1967

10.1.09

80 anos de Tintim

A primeira reportagem de Tintim
Tintin partiu há 80 anos para o País dos Sovietes
Tintim chega em boa forma aos 80 anos
Tintin faz 80 anos
O repórter aventureiro que não envelhece faz 80 anos

A primeira reportagem de Tintim por Eurico de Barros


Faz amanhã 80 anos que um jovem repórter chamado Tintim partiu para a Rússia soviética. Começava a publicação de 'Tintim no País dos Sovietes', a primeira aventura do herói de Hergé, no 'Le Petit Vingtième', suplemento para crianças do diário belga 'Le Vingtième Siècle'.
Herói não voltou mais a escrever
No dia 10 de Janeiro de 1929, faz amanhã 80 anos, partia da gare da estação de comboios de Bruxelas, para a Rússia soviética, em serviço do Le Petit Vingtième, o suplemento infanto-juvenil do diário católico e conservador Le Vingtième Siècle, "um dos seus melhores repórteres", Tintim, acompanhado por Milu, o seu fiel fox-terrier branco.
Trajando sobretudo, calças à golfe e casaco de padrão escocês, e com um boné na cabeça, Tintim prometia enviar "postais, caviar e vodka" aos camaradas e amigos que se tinham ido despedir dele, enquanto o seu redactor-chefe dizia: "Boa viagem! Seja prudente e mantenha-nos ao corrente de tudo."
Começava assim a primeira prancha de Tintim no País dos Sovietes, desenhada a preto e branco por um jovem ilustrador chamado Hergé (pseudónimo de Georges Rémi). Começava também a fazer-se história da banda desenhada (BD), pois esta seria a primeira aventura daquele que se tornaria no maior, mais popular e mais universal herói da Nona Arte.
Tintim nasceu porque o recém-criado Le Petit Vingtième precisava de ter um herói-âncora a protagonizar uma história de longa duração que apaixonasse os pequenos leitores deste suplemento infanto-juvenil.
Hergé criou-o em poucos dias, indo buscar o escuteiro Totor, que tinha criado antes para uma revista escuta, Le Boy-Scout Belge, modificando-o e dando-lhe a companhia de Milu. Tintim permite-lhe também escapar à corveia que é desenhar Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette e Cochonnet, que não entrará para a história da BD...
O desenhador tinha o fascínio dos Estados Unidos, mas o abade Norbert Wallez, director do Le Vingtième Siècle, e criador do Le Petit Vingtiéme, anticomunista fervoroso, decidiu orientar a primeira reportagem de Tintim para a União Soviética, então a viver "numa espécie de caos mais ou menos organizado", como escreveu Michael Farr em Tintin, le rêve et la realité (Moulinsart). Tinham passado apenas 12 anos sobre a Revolução de Outubro, e o mundo estava cada vez mais temeroso dos seus efeitos.
Recordou Hergé: "Fui assim inspirado pelo ambiente que se respirava no jornal mas também por um livro intitulado Moscou sans voiles, de Joseph Douillet [1928], ex-cônsul da Bélgica em Rostov-sobre-o-Don, que denunciava com veemência os vícios e as infâmias do regime". No futuro, Hergé documentar-se-á cuidadosamente antes de desenhar os álbuns de Tintim.
Como escreve Pol Vandromme em Le Monde de Tintin, para este jovem repórter com espírito de escoteiro, "a Rússia leninista é uma invenção infernal", e a história de estreia da personagem, que já não é Totor mas ainda não é bem Tintim, "ilustra uma Rússia de pesadelo. Mais exactamente: uma Rússia que não é senão um pesadelo viscoso e sangrento".
Cento e trinta e seis pranchas de sátira anticomunista e peripécias depois, Tintim regressou triunfalmente à Gare du Nord de Bruxelas. No papel como na vida real, uma multidão acorreu a acolhê-lo. Seria a sua primeira e única reportagem.»
Eurico de Barros
In Diário de Notícias, 09.01.2009.

Afinal, a tropa dos eleitos "enganou-se" e quis enganar-nos

Militares israelitas admitiram que não foram feitos disparos a partir da escola de Jabaliya, atingida terça-feira por morteiros de artilharia, que mataram 42 palestinianos que ali se encontravam refugiados, revelou a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNWRA), responsável pelo estabelecimento.
O ataque à escola Jabaliya, a acção mais sangrenta depois do primeiro dia de bombardeamentos israelitas, a 27 de Dezembro, gerou uma onda de protestos internacionais e da própria ONU, que garantiu que o local estava identificado com as bandeiras da organização.
“Eles admitiram que os disparos a que as Forças de Defesa Israelitas [IDF] estavam a responder não eram oriundos da escola”, afirmou o porta-voz da UNWRA, referindo-se a uma comunicação feita por “oficiais seniores israelitas a diplomatas estrangeiros. “A IDF admitiu nesse ‘briefing’ que o ataque ao edifício da ONU não foi intencional”, acrescentou Chris Gunness, em declarações ao jornal israelita “Haaretz”.
As declarações de Gunness contrariam a versão oficial do Exército israelita, que na quarta-feira divulgou um vídeo mostrando activistas palestinianos a disparar “rockets” a partir daquele local. No entanto, o responsável garante que o vídeo datava de 2007, aquando dos confrontos entre as facções palestinianas, da Fatah e do Hamas. “Não eram imagens actuais”, garantiu: “Em 2007 tivemos que abandonar o local e foi só então que os militantes o tomaram”.
Perante estes dados, a UNWRA exige agora uma investigação objectiva ao incidente, para apurar se o bombardeamento da escola constitui uma violação da lei humanitária internacional e, caso isso se confirme, levar os responsáveis a tribunal, adianta o “Haaretz”.
Gunness revelou ainda que um palestiniano que trabalhava para a agência foi morto ontem, por um disparo de um blindado quando conduzia um camião com ajuda humanitária, junto ao posto fronteiriço de Erez. A UNWRA sustenta que o camião estava bem identificado com as insígnias da organização e que o ataque ocorreu durante a trégua humanitária de três horas que Israel se comprometeu a respeitar diariamente. Perante estes incidentes, a agência para os refugiados palestinianos anunciou ontem a suspensão da sua actividade na Faixa de Gaza, por falta de condições de segurança, deixando sem assistência metade da população daquele território que depende dela para conseguir a alimentação básica.

Cruz Vermelha acusa Israel de não prestar socorro aos feridos


A Cruz Vermelha acusou hoje Israel de não estar a ajudar os feridos de Gaza. Funcionários do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que estão na região detectaram, nas últimas horas, uma situação particularmente “chocante”: pelo menos quatro crianças pequenas foram deixadas sem auxílio junto aos cadáveres das suas mães, na cidade de Zeitun, indica a BBC.
O Exército israelita ainda não respondeu a esta acusação específica, mas indicou que tem estado a trabalhar em estreita colaboração com grupos de auxílio, de modo a que os civis possam receber assistência.
Esta acusação do CICV acontece no mesmo dia em que se registou o disparo de “rockets” contra Israel a partir do Líbano, temendo-se que o conflito possa alastrar àquele país vizinho. Pelo menos três “rockets” foram disparados hoje cedo em direcção a Israel, levando Israel a contra-atacar, fazendo uso da sua artilharia pesada.
Este incidente acontece no dia em que se registaram os bombardeamentos mais pesados sobre Gaza, após duas semanas de conflito, com a aviação israelita a levar a cabo pelo menos 60 ataques aéreos, alvejando posições do Hamas.
As forças israelitas estão, porém, a observar a pausa diária de três horas para fins humanitários. As pausas entraram ontem em vigor, o que permitiu às agências humanitárias entrarem no território pela primeira vez em vários dias.
Crianças esperavam junto aos corpos das mães
O CICV acusa Israel de não estar a cumprir as suas obrigações humanitárias depois de alguns dos seus funcionários terem assistido a cenas “chocantes”. Um médico encontrou 12 cadáveres numa casa atingida pelos confrontos. Junto aos corpos, estavam quatro crianças, demasiado frágeis para conseguirem andar, que esperavam sentadas junto aos cadáveres das respectivas mães, indicou o CICV.Os funcionários da Cruz Vermelha na região estiveram impossibilitados de aceder aos locais atingidos durante vários dias.
“É um episódio chocante”, disse em comunicado Pierre Wettach, chefe do CICV para Israel e para os territórios palestinianos. “Os militares israelitas deviam estar a par da situação, mas não fizeram nada para ajudar os feridos. E também não tornaram possível a nossa ajuda, ou a ajuda do Crescente Vermelho”, indicou Wettach, citado pela BBC.
Alguns analistas já indicaram que estas críticas são particularmente pesadas por parte de uma agência considerada isenta e neutra.O Exército israelita disse, porém, à Reuters que quaisquer alegações graves de negligência na assistência aos feridos seriam devidamente investigadas, uma vez apresentada uma queixa formal.
Paralelamente, a Amnistia Internacional acusou ambas as partes de usarem civis como escudos humanos. “Soldados israelitas entraram e tomaram posições em diversas casas palestinianas, forçando as famílias a ficarem numa sala do rés-do-chão, enquanto usam o resto da sala como base militar ou para posições estratégicas para os atiradores furtivos”, indicou a AI em comunicado.

ONU está desiludida com Israel e critica ataque a refúgio civil


O secretário-geral da ONUM, Ban Ki-moon, disse, hoje, em Nova Iorque (EUA), que transmitiu ao primeiro-ministro de Israel a sua desilusão por não ter sido acatado a resolução do Conselho de Segurança para um cessar-fogo em Gaza. As Nações Unidas revelaram, ainda, que o exército israelita matou, num bombardeamento no passado dia 5, 30 civis que faziam parte de um grupo de 110 palestinianos que se reefugiou numa casa de Gaza.
"De acordo com várias testemunhas, a 4 de Janeiro os soldados colocaram 110 palestinianos numa só casa em Zeitoun (metade deles eram crianças) ordenando-lhes que aí permanecessem. Vinte e quatro horas depois, as forças israelitas bombardearam várias vezes a casa, matando cerca de 30", afirmou um comunicado do Serviço da ONU para a coordenação humanitária (OCHA).
Os ataques israelitas na Faixa de Gaza e os tiros de foguetes contra Israel prosseguiram, hoje, apesar da resolução do Conselho Segurança da ONU que apelou ao fim imediato dos combates, segundo testemunhas e fontes militares.
A aviação israelita efectuou vários raids no território palestiniano após os ataques nocturnos que provocaram 12 mortos, segundo testemunhas e fontes médicas palestinas.
O exército israelita assinalou o disparo de seis foguetes contra o Sul de Israel, a partir da Faixa de Gaza, num ataque que provocou um ferido ligeiro.
Adoptada durante a noite por 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança (os Estados Unidos abstiveram-se), a resolução 1860 "apela a um cessar-fogo imediato, duradouro e plenamente respeitado, com a retirada completa das forças israelitas de Gaza".
A resolução "condena qualquer violência e hostilidade dirigidas contra civis e qualquer acto de terrorismo", sem designar explicitamente os tiros de foguetes do Hamas contra o Sul do Israel.
O Conselho de Segurança apela "ao fornecimento sem obstruções (...) da ajuda humanitária".
O texto apela também aos Estados que favoreçam a criação em Gaza de dispositivos que garantam que o cessar-fogo é aplicado, nomeadamente "impedindo o contrabando" de armas e "assegurando a reabertura dos pontos de passagem" para Gaza.
Ban Ki-moon telefonou a Ehud Olmert para lhe dar conta da desilusão face à posição do governo israelita de prosseguir a ofensiva. "Exprimiu desilusão por a violência continuar no terreno em desrespeito pela resolução do Conselho de Segurança", disse a porta-voz Michele Montas, citando o comunicado do secretário-geral.

ONU: Israel abriga palestinos em casa e depois atira contra ela

Do Yahoo Notícias do Brasil:


JERUSALÉM (Reuters) - Trinta palestinos foram mortos nesta semana, segundo a Organização das Nações Unidas, depois de serem abrigados pelo Exército israelense em uma casa posteriormente atacada com um tanque.
Um relatório do Escritório do Coordenador de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) disse que, no dia 4 de janeiro, soldados israelenses levaram 110 palestinos para uma casa na área de Zeitoun, no centro de Gaza, dizendo a eles para não saírem dali.
Citando testemunhas, o relatório disse que, depois, a casa foi atingida por bombas, que mataram 30 pessoas.
O Exército israelense disse que está investigando o incidente.
Médicos palestinos disseram que, no dia 5 de janeiro, receberam 12 corpos de uma mesma família numa casa atingida pela artilharia israelense. Segundo eles, o número total de mortos subiu para 30, já que mais corpos foram retirados dos escombros.
Eles identificaram a maioria dos mortos como membros de uma família de sobrenome Samouni.
A Ocha disse que, entre os mortos, há três crianças feridas que não resistiram.

7.1.09

Continua a matança

Não olhando a nada o genocida e terrorista exército judeu bombardeou duas escolas sob a supervisão da ONU foram noticiadas na imprensa nacional Expresso, Correio da Manhã, Jornal de Notícias. Destaco e transcrevo as do Público e do Sol:
Do Público:
"O Exército israelita admitiu ter disparado morteiros contra uma escola na Faixa de Gaza, onde pelo menos 30 palestinianos foram mortos, mas alega que os seus soldados se limitaram a responder a disparos efectuados a partir do local. As Nações Unidas garantem que a escola estava claramente identificada com bandeiras da organização.
“Investigações iniciais revelam que foram disparados morteiros contra as forças israelitas de dentro da escola”, declarou um porta-voz militar, depois de as agências internacionais terem noticiado o ataque. “Na resposta, as nossas forças dispararam várias rondas de morteiros contra aquela área”, adiantou a mesma fonte, dizendo desconhecer o número de mortos resultantes deste ataque.
Os serviços de emergência palestinianos referem que 43 pessoas morreram e perto de uma centena foram feridas ao serem atingidas pelos estilhaços, enquanto as Nações Unidas falam em 30 mortos e 55 feridos.
Mark Regev, porta-voz do Governo israelita disse, por seu lado, que as explosões que se registaram no local “não tem equivalência nas munições de artilharia usada”, dando a entender que o local poderia estar a ser usado como esconderijo de explosivos – uma acusação frequentemente feita por Israel.
Testemunhas citadas pela Reuters adiantam que dois a três morteiros atingiram o recreio da escola Al-Fakhoura, um estabelecimento de ensino na cidade de Jabaliya, no Norte da Faixa de Gaza, gerida pela agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês). Na altura, encontravam-se na escola cerca de 350 pessoas que fugiram das suas casas, acreditando que o local estaria a salvo dos bombardeamentos israelitas contra a região.
ONU diz que Israel conhecia escola
Reagindo a este ataque, John Ging, director de operações da UNRWA em Gaza, garantiu que a escola estava claramente identificada com bandeiras das Nações Unidas e que os seus serviços fornecem regularmente as coordenadas exactas das suas instalações. O responsável recordou que o estabelecimento se situa numa área densamente povoada “pelo que é inevitável um elevado número de mortos em caso de disparos de artilharia”.
Ging explicou que a área de Jabalya tem sido palco de intensos confrontos, o que prova “uma forte actividade de militares e militantes”, mas sublinhou que os funcionários das Nações Unidas controlam as entradas dos civis que procuram refúgio nas suas instalações, para evitar que sejam usadas por grupos armados. “Até ao momento não há registo de que os militantes tenham invadido as nossas instalações”, acrescentou.
Horas antes deste ataque, três palestinianos morreram num raide aéreo israelita contra uma outra escola gerida pela ONU, no campo de refugiados de Chati, nos arredores da cidade de Gaza. Segundo a AFP, as vítimas eram três primos, de 19, 20 e 21 anos, que tinham fugido pouco antes da zona de Beit Lahya, palco nas últimas horas de confrontos entre os soldados israelitas e militantes do Hamas. No momento do ataque, estavam refugiadas 450 pessoas naquela escola, identificada com bandeiras das Nações Unidas.
Onze dias depois do início dos bombardeamentos aéreos israelitas e quatro dias após a entrada das forças terrestres na Faixa de Gaza, o chefe dos serviços de emergência calcula em 660 palestinianos o número de palestinianos mortos e em 2950 o número de feridos – um número muito acima das capacidades de resposta dos hospitais da região.
Do outro lado da fronteira, onde apesar da ofensiva continuam diariamente a cair "rockets", quatro civis foram mortos na última semana e meia e perto de 40 ficaram feridos.
Seis militares morreram desde o início da incursão terrestre, três dos quais atingidos por engano por disparos da artilharia israelita."

No Sol:
"Fontes médicas palestinianas afirmam que pelo menos 30 pessoas morreram no segundo ataque aéreo israelita a uma escola das Nações Unidas na Faixa de Gaza.
Este é o segundo ataque israelita que atinge uma escola da ONU só nas últimas horas, provocando 30 mortos.
O porta-voz das autoridades de saúde da Palestina, Said Joudeh, confirmou o número de mortes resultante do ataque aéreo na cidade de Jebaliya, no Norte de Gaza.
O porta-voz afirmou ainda que a escola se tinha transformado num abrigo para desalojados resultantes da ofensiva de Israel contra militantes do Hamas.
Mais de 500 pessoas já foram mortas ao 11.º dia de operações, incluindo dezenas de civis. As autoridades israelitas não cimentaram ainda este ataque. Mas já acusaram o Hamas de usar escolas, mesquitas e áreas residenciais para se proteger."

Até agora ainda não se ouviu uma vozinha da ONU a condenar mais um acto bárbaro o que demonstra o seu fair-play apesar de todos os cuidados humanitários das tropas judaicas.
Ora, tomem lá!

A "libertação da Bélgica e a "Depuração" belga

Repressão democrática contra os Belgas

A «libertação» que, na França, produziu um total estimado de 318.671 mortos(1), não produziu na Bélgica um número comparável de vítimas, mas, no que se refere a sanções, multas, perseguições, etc., ficou em bom lugar entre os depuradores. Criou-se uma figura jurídica, o «incívico», atribuído a todo aquele que tivesse sido germanófilo, partidário da amizade com a Alemanha ou, simplesmente, anti-comunista. Uma lei especial chamada 123 Sexies permitia impôr aos «incívicos» todas as restrições sociais: impedi-los de ter um emprego ou exercer as profissões de administrador de empresa, advogado, jornalista, médico, actor ou director de teatro ou de cinema, locutor de rádio, professor, escritor, conferencista e inclusive... preparador de trabalho e apontador. Em 19 de Janeiro de 1945 o Auditor Militar de Bruxelas dava conhecimento à população de que qualquer ajuda prestada a um «incívico» acarretava ipso facto uma pena de prisão entre 15 e 20 anos. O Estado belga ordenou entretanto a detenção de 28.000 empresários (quase a totalidade existente no país) sob a acusação de «colaboração económica» com a Alemanha. As pessoas assassinadas ascenderam a cerca de 51.000. Os «incívicos» cifraram-se em 231.000, mas outros 70.000 vieram a ser presos(2). Abriram-se 75.391 processos jurídicos por colaboração.
No final de Maio de 1945 regressavam à Bélgica cerca 3.000 assalariados belgas que tinham trabalhado na Alemanha como voluntários. Vinham num navio belga que os trazia de Odessa, na Ucrânia. Esses operários imaginavam estar a regressar do exílio. Mas nem tiveram tempo de desembarcar: a multidão, em Ostende, apoderou-se deles e atirou-os à água. Os que nadaram para a margem foram repelidos de novo pela chusma. Todos se afogaram(3).
A repressão contra os voluntários flamengos e valões que combateram na Rússia contra o bolchevismo foi particularmente odiosa e de um sadismo medonho. Tendo lutado de armas na mão e tendo-se oposto ao comunismo, foram considerados traidores à Bélgica e internados em campos de concentração (melhor dito: campos de morte), alguns deles ao ar livre e sem o mais pequeno abrigo no verão ou no inverno(4).
Léon Degrelle conseguiu chegar a Espanha em Abril de 1945 e, apesar dos pedidos insistentes de extradição formulados pelo governo belga, o governo de Franco negou-se ceder. Léon Degrelle fora condenado à morte in absentia nos finais de 1944. A condenação baseava-se num «delito de opinião», dadas as suas qualidades de chefe do REX e de voluntário na Frente do Leste. O processo foi grotesco. Degrelle sempre se dispusera a regressar à sua pátria na condição de poder defender-se com liberdade, de ter um julgamento regular, equitativo e imparcial e de os debates poderem ser difundidos. A «Justiça» belga não aceitou a proposta. Caberia perguntar porquê, se não soubéssemos de sobra...
Assim, Léon Degrelle permaneceu em Espanha. E, como a infâmia tem braços compridos, ao não ter conseguido alcançar Degrelle, encarcerou os seus pais, apesar de pessoas muito idosas, e pelo único delito de serem seus pais. Outros réus do mesmo delito de parentesco, foram também encarcerados: um cunhado seu, as suas irmãs, a sua mulher e até a filha de 9 meses de idade. Para terminar esta girândola de patifarias, os libertadores, em 8 de Julho de 1944, assassinaram com cinco balas nas costas e uma na nuca, o seu irmão, Edouard, pacífico farmacêutico da cidade de Bouillon, a dois metros de distância das suas filhas pequenas!

Nuno de Ataíde
In Último Reduto, n.º 12, Setembro de 1994, p. 50.

Notas:
1 - Enciclopédia Larousse
2 - Robert Poulet.
3 - Le Monde, Paris, 28.5.1945
4 - Fernand Kaisergruber, Nous n'irons pas à Touapse.

6.1.09

Livro: Hergé, filho de Tintim de Benoît Peeters

Hergé, filho de Tintim é uma biografia da autoria de Benoît Peeters, escritor e argumentista de banda desenhada e autor de "Le Monde de Hergé" editada pela Editorial Verbo em 2007 devido ao centenário do nascimento do desenhador belga. Cheia de interesse ao longo das 432 páginas, nas quais o autor faz uma análise à vida de Georges Rémi, bem como ao próprio Tintim, dando-nos a conhecer as estórias e as inspirações pelas diversas figuras criadas pelo desenhador belga. No entanto, três ressalvas há a fazer. Uma, a preocupada atenção do biógrafo de Hergé em desmentir a história Degrelle/Tintim segundo a qual, Tintim seria uma criação hergeniana com base na figura extraordinária do chefe rexista belga e general SS, León Degrelle. Sabendo-se hoje que a marca Tintim é uma marca empresarial há que desmentir a todo o custo a influência de Degrelle. Outra, são as páginas referentes à “Libertação” e à “Depuração” na Bélgica e finalmente, a censura e o reescrever segundo a cartilha do politicamente correcto das várias obras de Hergé.

Sobre a “Libertação”/“Depuração” na Bélgica "libertada" e "depurada" através de assassinatos e prisões em nome da justiça, da democracia e dos direitos do homem:

«Logo a 3 de Setembro, por volta da meia-noite, justiceiros improvisados querem prender este George Remi, de quem pouco sabem; apresentam-se à sua porta, mas rapidamente se vão embora. A 7, o desenhador é interrogado e depois libertado. Dois dias mais tarde, a Segurança do Estado faz uma busca a sua casa, onde não encontra nada de comprometedor, e leva-o depois para o comando central da polícia de Bruxelas, alcunhado Amigo, como o hotel mesmo em frente. Hergé cruza-se aí com Robert Poulet com quem troca “um sorriso valente como se impunha”. (Robert Poulet, «Adieu, Georges», em Rivarol, 18 de Março de 1983.). Passa apenas uma noite na prisão, juntamente com uma dezenas de outros proscritos, entre os quais Paul Herten, o director do Nouveau Journal, que será fuzilado pouco depois.
Tal como Hergé conta depois a Nobert Wallez, que também tem a sua conta de aborrecimentos:
“Depois de ter sido interrogado, fui libertado; no dia seguinte vieram prender-me, a PJ desta vez. Interrogado. Posto em liberdade. Três dias mais tarde, os MNB, metralhadora em punho, cercaram a casa. Interrogado, posto em liberdade. Dois dias depois, apareceram as FFI. Interrogado, posto em liberdade. Desde então, mais nada. Como existem agora uma dez organizações semelhantes, pensava que iam aparecer à vez para me prender, mas não, acabou assim, sem motivo aparente, e desde então deixaram-me em paz, moralmente diga-se. trabalho, como de costume, e isolo-me cada vez mais, ajudado por Germaine, esta companheira admirável cuja coragem, lucidez e nobreza foram para mim um verdadeiro apoio no meio de todas estas vilanias.” (Carta de Hergé ao padre Nobert Wallez, Setembro de 1944.).

«Entretanto, os legítimos proprietários reapossaram-se dos jornais e promulgaram medidas contra os colaboracionistas. A 7 de Setembro são expostas as decisões do Alto Comando Aliado: qualquer pessoa “que tenha contribuído para a redacção de um jornal durante a Ocupação, independentemente da rubrica a que tenha estado afecta, encontra-se momentaneamente interdita do exercício da sua profissão. Os repórteres fotográficos são objecto da mesma medida.” (Le Soir, 8 de Setembro de 1944.).» (pp.191/192)
«Tinha amigos jornalistas que ainda hoje acredito que eram completamente puros e nunca estiveram a soldo do inimigo. E quando vi algumas dessas pessoas minhas conhecidas, cujo patriotismo pressuroso também conhecia, serem condenadas à morte e algumas mesmo fuziladas, deixei de perceber tudo de tudo. Foi uma experiência de intolerância absoluta. Foi terrível, terrível!» (p. 194)
«Uma coisa é certa: os tempos são de justiça célere. Na Bélgica, mais de seiscentas mil pessoas foram incomodadas durante os anos que se seguiram à Libertação; no fim, os tribunais condenarão um pouco mais de quarenta mil por “incivismo”, palavra que na Bélgica designa os colaboracionistas. O pior são as denúncias arbitrárias e as vinganças pessoais, tantas como durante a Ocupação. É por temer os excessos causados pelo ódio que o auditor-geral, Walter Ganshof van der Meersch, “arquitecto e coordenador da política de repressão”, fez questão em confiar a Depuração oficial apenas aos tribunais militares.» (p. 196)
«Agora que a revista Tintim existia, outras manigâncias tentavam impedi-la de continuar. (…) Em 1946, a União dos Jornalistas era extremamente poderosa. Conseguia fazer reinar um ostracismo inimaginável sobre todos os que tinham publicado durante a guerra. O comunista Fernand Demany é um dos ferrabrás mais regulares dos jornalistas clandestinos. Segundo ele, a criação da revista Tintim “despertará penosas recordações em todos os que se lembrarem do Le Soir roubado para o qual Hergé contribuiu com o seu incontestável talento”. Mas não é o único a indignar-se. A revista católica La Cité Nouvelle não é menos virulenta. É manifesto que Hergé perdera parte dos seus apoiantes tradicionais:
“Não apenas o desenhador boche não foi incriminado, como é hoje autorizado a publicar um Tintim reabilitado, com o contingente de papel oficial. Incívico, este traidor que serviu os desígnios do inimigo por quantias substanciais, pode retomar livremente no seu lápis e repor no comércio a sua pequena brigada de Hitlerjugend… Será necessário que os filhos dos fuzilados e dos prisioneiros políticos venham ensinar alguma decência a este indivíduo que não hesitou em utilizar em benefício do inimigo o divertimento inocente das crianças? M. Tintim e a sua Hitlerjugend, o lugar do vosso patrão é na prisão de Saint-Gilles.”» (pp. 209/210)

Sobre a censura/politicamente correcto:

«É preciso que se diga que os ataques contra Hergé nunca pararam: o sucesso cada vez maior dos seus álbuns tem tendência a acirrá-los. Uma das críticas mais virulentas, e mais injustas, é publicada em 1962 na revista Jeune Afrique, assinada apenas com as iniciais G.R.:
“Na secção dos livros, os dezanove álbuns de Hergé foram reis e senhores. Traduzidos em seis línguas, excepto um, o primeiro da colecção, Tintim no País dos Sovietes, que os tintinólofos vão consultar à biblioteca nacional e que não será nunca (como é óbvio) reeditado. Nele, o autor manifesta nitidamente tendências que lhe valeram ser interditado por colaboracionismo, até 1947.
Moderou-se depois disso, mas uma pequena chamada de atenção continua a aparecer sub-repticiamente.
O nome dos “Maus” é só revelador: Salomon Goldstein, Rastapopoulos, o xeque Babe l Ehr, o marechal Plekszy-Gladz; o aspecto físico a mesma coisa; nariz encurvado de uns, tez colorida dos outros (aqueles a quem o capitão Haddock chama «colocíntida cor de antracite), faces mongóis dos terceiros. Quanto aos temas abordados, estes cantam as aventuras de Tintim, menos repórter que justiceiro, que detective, que super-homem”.
O autor esforça-se de seguida por provar, não sem má-fé, que os álbuns de Tintim são completamente reaccionários. Até a denúncia do regime borduro, em O Caso Girassol, se torna motivo de acusação…
Este artigo, se bem que um dos mais agressivos, está longe de ser o único. Pouco tempo antes, Le Canard enchaîné incitava os pais a desconfiarem de “«este herói” para quem os Brancos são todos brancos e os Pretos, todos pretos. Se os vossos filhos devem ser sensatos como as imagens, evitem que estas sejam do desenhador Hergé».
Na Casterman, assustam-se: estes ataques arriscam-se a penalizar a série, sobretudo junto dos pedagogos e dos bibliotecários. Desde o início de 1969 que Tintim no Congo, o álbum mais “sensível”, atravessa um longo período de desgraça: o livro não é proibido, mas o editor não o reimprime apesar dos pedidos constantes de Hergé. Esta censura que não se assume irrita-o profundamente. Tanto mais que este “pecado de juventude” parece-lhe muito venial: aquando da colorização em 1946, o álbum foi retocado e os pormenores escandalosamente colonialistas foram eliminados. Tintim já não dá aulas de geografia sobre “o vosso país, a Bélgica”; contenta-se com a neutralidade de aula de aritmética.» (p. 358/359)
«Sempre sob a pressão de Casterman, Hergé revê vários dos outros álbuns para os tornar “politicamente correctos” antes do tempo. Entre duas tiragens de Carvão no Porão, modifica o estilo demasiado trapalhão de uma carta do emir Ben Kalish Ezab e elimina “petit nègre” dos desgraçados negros destinados à escravatura. Doravante exprimir-se-ão da mesma maneira que nos romances traduzidos do americano, os de Chester Himes, por exemplo: dizem “M`sieur” em lugar de “Missié”. Tal como Hergé explica a um dos seus correspondentes: “Cedi aos insistentes pedidos dos meus editores, preocupados em gerir as susceptibilidades das gentes do terceiro mundo, e mais ainda dos seus defensores em Paris e em Bruxelas.» (Carta de Hergé a Jacques Langlois, 6 de Junho de 1969.).
«Revê Tintim no País do Ouro Negro de forma muito mais profunda. Na perspectiva da tradução inglesa, Hergé “curto-circuita os terroristas judeus e os ocupantes ingleses para deixar em campo apenas um emir e o seu rival”. Para evitar mal-entendidos, diz ele: na altura em que esta história apareceu em Inglaterra, em 1971, os jovens leitores já não sabiam que o exército inglês tinha ocupado a Palestina e lutado contra os grupos sionistas.
“Então, modifiquei o álbum. E creio sinceramente que ganhou em clareza, (…) porque se torna mais intemporal. Pode sempre existir uma rivalidade entre dois emires, enquanto, na primeira versão, a ocupação britânica da Palestina era muito localizada no tempo. Não é portanto para evitar a política, é para que se compreenda melhor: mais uma vez a preocupação da legibilidade.”
Diga Hergé o que disser, fazer desaparecer de Tintim no País do Ouro Negro qualquer alusão aos judeus (anti-semitismo), é como que uma tentativa ingénua e desastrada de limpar a Estrela Misteriosa. Mas é, fundamentalmente, também o sinal de uma perda de identidade. Tudo se passa como se o autor tivesse passado a ignorar um dos aspectos essenciais da su obra: enquanto nos anos 30 As Aventuras de Tintim tinham sido concebidas sob pressão da actualidade (a ponto de Hergé fazer disso, na sua carta a Leblanc de 1952, uma das causas do seu sucesso), agora eliminam-se as marcas demasiado explícitas da historicidade.» (p. 361)

5.1.09

Valquíria coitadinha


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Uma recriação ficcional: A Solução Final de Hitler: a Conferência de Wannsee

A Cinemateca vai exibir este mês o filme “A Solução Final de Hitler: a Conferência de Wannsee” (Die WansseKonferenz) e na introdução que faz ao filme dislata a torto e a direito.

“Em 1942, o regime nazi convocou a conferência de Wannsee para discutir o que apelidaram de “solução final”, ou seja, os processos de implementação daquele que viria a ser o extermínio em massa de mais de seis milhões de judeus. Num interessante exercício de evocação histórica, que dura só o tempo real da conferência, Heinz Schirk recria ficcionalmente o planeamento desse genocídio. Filmado em registo de cinema verité, DIE WANNSEEKONFERENZ subsiste como uma das mais sugestivas memórias de impassibilidade da morte em tempo de guerra.”

Ora o ignorante que escreveu estas linhas ainda não sabe que não houve mais de seis milhões de judeus mortos.
Deveria consultar Yehuda Bauer, um dos teóricos exterministas/genocidas, quando afirmou a respeito do número de mortos em Auschwitz era de 1,1 milhão, “um número realista”, e não os célebres 4 milhões que constavam e depois retiraram da placa que está em Auschwitz. Esta revisão e diminuição numerária ocorreu em 1992.
A conferência de Wannsee teve lugar em Berlim a 20 de Janeiro de 1942 e tratou sobre a emigração judaica e de fomentar por todos os meios estando prevista a evacuação de um milhão de judeus para a Rússia.
Os teóricos exterministas/genocidas passaram - à falta de melhor e de provas irrefutáveis - a defender que as palavras “evacuação”, “deslocamento” e “emigração” eram palavras-senhas (!!!) para o extermínio dado que as actas da conferência só mencionam estes termos.
E assim se criou o conto que a “solução final” era o extermínio dos judeus na Europa!
Espera-se que a recriação ficcional da conferência seja um êxito mormente com o aparecimento do papel – o tal que nunca apareceu - onde “ficou escrito” que era o extermínio judaico.

4.1.09

Violência urbana na Trofa

Jovens trofenses desesperados lançaram ataques fatais como foi o caso do jovem desconhecido, Reguila (ex-Hamas) que numa contra-ofensiva abateu com um míssil a ave Vitória acabando assim com a lanterna vermelha e esfumando a pouca luz lampiónica.
Já o Prof. Silva tinha avisado: "ilusões que se pagam caras"!

Leitura semanal

Alma Pátria-Pátria Alma
Se Gaza cair, Cisjordânia cairá depois

Dragoscópio
Cachorros-quentes kosher
Cortina de fumo

Manlius
Porque ainda estamos no Natal...
O eleito do "povo eleito"

Mente Vertical
António José de Brito sobre António Sardinha

Inconformista
Pt No Media
Pt NovoPress
Revisionismo em Linha