«... De pé, olhos bem abertos, face ao Inimigo, unidos em bloco firme, os dentes cerrados, resistir, combater até à morte, na defesa do Património sagrado que herdamos, para, ao menos, salvarmos a honra do nosso nome. Descer as pontes da fortaleza - jamais!» Alfredo Pimenta, in Em Defesa da Portugalidade, p. 29, 1947.
9.7.08
8.7.08
Hitler regressa a Berlim - I
Os sempre bem informados jornais 24 Horas e o gratuito Global Notícias (pág. 15) de hoje anunciam que Hitler prepara novo regresso ao bunker do Museu Madame Tussauds de Berlim após ter perdido a cabeça com um enfermeiro apostador de 41 anos.É natural que este enfermeiro tenha feito perder a cabeça a Hitler porque a crise dos 40 já se revelou de um forma verdadeiramente decepadora.
Graças a Deus que este alemão, nascido pacifista e democrata do ventro materno, fez isto ao Führer após ter feito uma aposta com amigos numa cervejaria numa febre de sexta-feira à noite e cumpriu com a sua palavra. Aborrecido foi que tivesse agredido dois funcionários que tentaram impedi-lo de um gesto humanitário, verdadeiro exemplo dos direitos humanos, da tolerância democrática.
Não há direito que esses dois funcionários - não serão dois criptos das SS ou da Gestapo? - tentassem impedi-lo de manifestar e expressar livremente a sua vontade e gesto.
Espero que esses dois funcionários sejam condenados e que ao enfermeiro seja entregue o Prémio da Nobel da Paz pelas mãos da senhora Merkel e que esta faça um discurso apologético do acto e da liberdade de expressão metade em alemão e a outra metade em hebreu.
É mais que justo!
Lamentável é que o nome do enfermeiro apostador permaneça em segredo contra a vontade do mesmo e dos seus amigos apostadores! Uma infâmia! Censurar o nome ao rapaz!
Alguém viu...?
Alguém viu o Zorro com uma "chama inquieta"?
Dão-se alvíssaras a quem souber.
Rosa Coutinho visto por Holden Roberto (FNLA)
O jornal A Província de Angola publicou, em 15 de Maio de 1975, um artigo de Holden Roberto onde este define o almirante vermelho:In Telémaco A. Pissarro, Memórias - 1951-1975, pág.19.
Rosa Coutinho, o incendiário
"Uma carta do almirante Rosa Coutinho, quando era presidente da Junta Governativa de Angola, está a provocar polémica em Angola. A carta, em papel timbrado do gabinete do Governo-Geral e com a assinatura de Rosa Coutinho, era dirigida a Agostinho Neto e nela se pode ler: «Após a última reunião secreta com os camaradas do PCP resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à 2ª fase do plano.(...) Dê por isso instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando a fim de provocar a sua debandada de Angola». Holden Roberto, presidente da FNLA, que cedeu uma cópia da carta ao EXPRESSO, garantiu a sua autenticidade, acrescentando: «Um homem que escreveu uma carta destas é um criminoso». Rosa Coutinho, reconhece a veracidade da assinatura. Entretanto, a polémica prossegue em Angola, com o MPLA a dizer que a carta «nunca existiu e foi forjada pelos serviços secretos portugueses ou pela própria FNLA, que a divulgou» e Holden Roberto, da FNLA, a agitar o documento".»
In Telémaco A. Pissarro, Memórias - 1951-1975, pág. 20.

6.7.08
Leitura semanal
Em Berlim...
O Estado Novo explicado às crianças, aos jovens e aos cidadãos em geral
Alma Pátria-Pátria Alma
Ainda a ajuda à família Reynouard
Inquérito
Demokratia
Socialismo de horário nobre
Boas notícias para a Pátria Portuguesa
Dragoscópio
O Todo que pulsa em cada qual
Acriomancia - I. 13 de Novembro de 1966
Acriomancia - II. 17 de Setembro de 1964
Acriomancia - III. 10 de Abril de 1965
Acriomancia - IV. 28 de Março de 1974
Acriomancia - V. A eterna juventude
Legião Vertical
Eu tinha um camarada
Manlius
Cristeros - a guerra desconhecida
100 anos do 5 de Outubro
Trapalhices do joão do sião
Os dias do fim
Erguendo os Padrões abrilinos
Início das Comemorações dos 100 anos da rês pública
O Pasquim da Reacção
Explicação necessária
Monomanias e outros defeitos
O Sexo dos Anjos
Ezra Pound
Canto XLV (with Usura)
Música e Poesia
Histoire de Tintin
Pela Vida
A Ordem dos Médicos e o aborto
Um Homem das Cidades
Anti-semitismo: Hitler versus Churchill, Eisenhower e de Gaulle
Inconformista
Pt-No Media
Revisionismo em Linha
Inquérito sobre o Museu Salazar
Concorda com a instalação de um museu dedicado à figura de António Oliveira Salazar em Santa Comba Dão? Decapitar é com eles!
A tradição ainda é o que era!Seguindo o bom exemplo da Revolução "Francesa", da depuração, da desnazificação, do democrático e revolucionário PREC em que decapitaram a estátua de Salazar em Santa Comba Dão, chegou outro democrático e tolerante exemplo de Berlim em que um jovem democrata de 41 anos decapitou heroicamente a figura de cera de Adolf Hitler, na inauguração da filial berlinense, na Alemanha, do Museu Tussauds.
Estou em crer que este gesto heróico será devidamente premiado por Angela Merkel, por Israel, pelo Yad Vashem e provavelmente será galardoardo com o Prémio Nobel da Paz!
5.7.08
Carta do General Silvino Silvério Marques para o General Gonçalves Ribeiro - II
«Acabei de ler o seu importante livro que constitui um documento histórico de valor.No que se refere a IV - Os Retornados/Desalojados trata-se de um verdadeiro e minucioso relato da notável acção que concebeu, dirigiu e levou a bom termo pela qual merece o respeito e a gratidão não só dos beneficiários directos da mesma mas de todos os portugueses conscientes. Tem o meu e a minha. A sua formação profundamente humanista de que dá notável testemunho nesta complexa, delicada e prolongada acção fora já revelada, como também refere, no seu magnífico apoio a populações africanas. A par da devotada vontade que tudo enfrenta para, com coragem, iniciativa e persistência, obter soluções, no cumprimento de uma missão a si próprio atribuída, evidencia uma capacidade organizadora rara entre nós.
Isto é independente dos reparos que fiz a respeito de III-7 e também de um outro que lhe junto agora.
Muito me impressiona que militares bem formados e inteligentes, como o Senhor, convivendo dia a dia com a evolução que o processo da chamada “descolonização” ia sofrendo e com a intervenção nele dos respectivos mandantes, conseguiram manter, em relação a ela, neutralidade, alheamento e mesmo acomodação... E, mais, como é possível manter tal neutralidade, com raras excepções (a mais recente e de todas a mais importante terá sido a do nosso camarada Silva Cardoso) quando responsáveis directos por tal evolução se pavoneiam entre o nosso povo como heróis da “nossa” Pátria!
Como um “assim não!” teria sido importante!
Estou a lembrar-me que no meu curto Governo fui insistido para correr com a vereação da C. M. de Luanda, como estavam fazendo com ocupações no Portugal europeu. Não deixei. Só após eleições que estavam prometidas.
E não estou a esquecer a sua atitude quando sentado, como réu, em frente de um grupo de mfas, marcou uma posição, a qual, pelo que julgo ter entendido, foi depois essencialmente a de alheamento e de neutralidade que conserva relativamente a eles.
Certamente pensavam os militares sérios e competentes que embora o poder estivesse a revelar-se destruidor, era nos termos democráticos apregoados, não revolucionário, mas legítimo, e acomodavam-se visando evitar o pior. O pior que assim acabou por acontecer causando destruições sem par, vítimas aos milhares, lá e cá a tragédia que foi confessada!
A ocupação pelo MPLA da C. M. de Luanda logo se verificou com a chegada do Alm. Rosa Coutinho! E deve ter sido importante para ajudar o MPLA a manejar meios humanos e materiais para... a sua (do MPLA) “descolonização”de Luanda.»
Nota: Nas páginas do livro, encontram-se vários erros históricos, omissões de factos e relatos inexactos como o do assalto ao Palácio do Governador, no qual o autor repete a versão posta a circular logo nessa noite em Luanda.
Lembro que face ao Acordo de Paris, o governo português estava obrigado a que os «colonos deveriam ser repatriados a expensas de Portugal.» — Liquidação do Ultramar, Jornal Português de Economia e Finanças, 1980.
Ora, foi ao general Gonçalves Ribeiro que tocou pôr em prática essa exigência. E, sobre o tema do eufemístico "repatriamento" dos mal chamados "retornados" (léxico abrileiro), quando na realidade, se tratava de Deslocados, Exilados, Desterrados, Refugiados, Espoliados nacionais do território português, nem vale a pena falar. Dava pano para mangas e milhares de páginas sobre uma nova tragédia vivida por esses milhares de portugueses expulsos da sua terra portuguesa. O IARN, os dinheiros do IARN, enfim, uma festa!
Finalmente, ao longo do livro o gen. Gonçalves Ribeiro fala em Portugal como, por exemplo, "Em Portugal" (p. 478) ou "expulso para Portugal" (p. 224).
Caro senhor Gonçalves Ribeiro: Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Estado da Índia, Macau, Timor eram províncias portuguesas ultramarinas! Eram território português! Eram Portugal!
As Províncias Ultramarinas não eram de Portugal! Eram Portugal!
Carta do General Silvino Silvério Marques para o General Gonçalves Ribeiro - I
Recebi do Senhor General Silvino Silvério Marques, - Governador de Cabo Verde, Governador-Geral de Angola, 2.º Comandante da Região Militar de Moçambique e galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos com Palma, duas medalhas Militares de Prata de Serviços Distintos, a Medalha de Ouro Comemorativa das Campanhas de Moçambique (1971-1972-1973), e a Medalha comemorativa do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, entre outras, - duas cartas que o Senhor General enviou ao gen. Gonçalves Ribeiro relativas à publicação do livro "A Vertigem da Descolonização" e que as recebi com a sua devida e honrosa autorização para as editar.«Estou a ler com muito interesse o seu livro “A Vertigem da Descolonização” em cujo lançamento não pude, com pena, estar presente.
Vou praticamente a meio da leitura que estou fazendo, pausadamente, com atenção. Mas não quero deixar passar mais tempo sem lhe dar conta de reparos que merece o Cap. 7 que me diz respeito, reparos que historicamente se me afiguram de interesse.
Cheguei a Luanda a 15 de Junho de 1974 sem relações com o MFA. Os contactos que me haviam levado a Angola haviam sido com o Gen. Spínola e o Dr. Almeida Santos, por iniciativa, não minha, mas de ambos. Não conhecia os raros oficiais do MFA com que me encontrei em Angola.
Na convocação que fiz do primeiro Conselho Provincial de Defesa fui perguntado pelo seu secretário, o hoje general Igrejas, quem devia estar presente. Disse-lhe que o Comandante-Chefe e os Generais dos Ramos que o constituíam, e apenas mais os Cmtes. da PSPA e da OPVDCA , pois desejava ouvi-los. Fiquei surpreendido quando, chegado à Fortaleza, o Comandante-Chefe me informou estarem já instalados na sala do Conselho seis oficiais representantes do MFA, dois por cada um dos Ramos. Nada me ter sido falado e pedido, o facto consumado, contrariando a indicação do Presidente do Conselho, representou evidente deslealdade para com o mesmo.
Não pude deixar de verberar a situação criada em termos que me pareceram adequados, entre militares. Parece que os representantes do MFA não tiveram consciência do agravo que haviam provocado mas ativeram daquele que mereceram.
O Dr. Savimbi declarou suspender as hostilidades na altura da minha chegada a Luanda. Passado tempo recebi do Dr. Almeida Santos a informação de que um oficial se deslocaria a Angola para contactar o Dr. Savimbi. Pedi-lhe que o oficial passasse pelo meu Gabinete pois desejava que um dos meus Secretários-Adjuntos o acompanhasse para lhe apresentar um convite meu. Queria que o Dr. Savimbi se fizesse representar no meu Governo com um Secretário-Adjunto e estava tentando, através o Arcebispo de Luanda, convencer o hoje Cardeal Nascimento, que eu tinha como simpatizante e influente no MFA, a aceitar outro lugar de Secretário-Adjunto (o governo de Angola esteve , creio que por mais de uma vez, entregue a altas figuras da Igreja). O oficial enviado de Lisboa, então Maj.(?) Charais que eu conhecia por ter despachado comigo, algumas vezes, no EME, compareceu certo dia no meu Gabinete onde nos encontrámos ambos com o meu Secretário-Adjunto, Dr Pinheiro da Silva. Conversámos sobre a sua missão e ficou combinado que o Dr. Pinheiro da Silva o acompanharia no encontro com o Dr. Savimbi para lhe fazer o convite em que eu estava interessado. O Major despediu-se e nunca mais, nem o Dr. Pinheiro da Silva nem eu, soubemos dele. Ninguém teve a atenção de uma palavra ao Governador. Novo facto consumado, nova deslealdade.
Mais tarde, uma reunião do MFA resolveu atribuir as culpas do que vinha acontecendo desde o 25 de Abril esse tornara mais grave com a crise Palma Carlos, o exemplo da desordem no Portugal europeu e, sobretudo, a soltura de presos de delito comum e o encerramento do Posto de S. Nicolau, ao novo Governador. E sem uma palavra a o Governador que somente teve conhecimento da reunião em Lisboa, o próprio Comandante-Chefe, com quem o Governador comunicava praticamente todos os dias, escreveu para Lisboa num sentido semelhante, sem qualquer explicação prévia ao camarada .
Pode o Senhor ter a opinião que entender a meu respeito, mas referir uma conflitualidade “entre o novo Governador” e o o MFA local não me parece correcto. Que fiz eu para tal conflitualidade? “Entre” ou “do” MFA (e não só) para o novo Governador?
Há lapso sério quando conta que na 2.ª quinzena de Junho se dão fugas e solturas de reclusos. Não houve qualquer intervenção do meu Governo em tais ocorrências que se devem ter processado antes da minha chegada, como aconteceu com o encerramento do Posto de S. Nicolau onde, a partir do Gen. Deslandes, se fixava residência a prisioneiros entregues pelas Forças Armadas à Polícia Internacional e a revolucionários detidos pela mesma Polícia. Como há lapso ao deixar a dúvida se o motim de reclusos teve lugar na referida 2ª quinzena de Junho. É a primeira vez que tomo conhecimento de ter havido tal motim. Há também lapso quando se inclui o assassinato do enfermeiro Benge no meu tempo. Os jornais de Lisboa anunciaram-no alguns dias antes da minha ida para Luanda.
Ao referir a sua opinião sobre a acção da PSPA, teria sido natural e correcto chamar a atenção para o facto dela ter passado, após visita, tempos atrás, do Gen. Costa Gomes a Luanda, a depender do Comando-Chefe e não do Governo-Geral, como seria normal, circunstância a que não fora dado conhecimento a este. E não seria pedir-lhe demais que acrescentasse que o Governo-Geral não só ficara praticamente sem meios para accionar a ordem pública, como sem informações atempadas sobre a sua evolução...
Tenho dúvidas se a minha nomeação foi “outro equívoco”, como o Senhor, com certa deselegância opina, ou se em Angola o grande e criminoso equívoco não foi a subordinação acobardada de militares sérios e competentes a uma rapaziada de formação comunista, ou ansiosa de se branquear de tropelias feitas, que acabou por ajudar a trazer a subversão a Luanda e a outras cidades e a dar origem à tragédia reconhecida pelo ideólogo do MFA.»
4.7.08
O "herói" Rosa Coutinho pelo general Gonçalves Ribeiro
A população branca expulsa de um daqueles muceques, o Cazenga, concentra-se no Comando da Polícia bramindo por protecção e reforço da segurança. Outros se lhes juntam. Exaltados, organizam uma coluna automóvel que percorre as ruas de Luanda, buzinando sem parar.
Convergem para o Palácio do Governo, onde eu me encontrava.
E dei por eles.
O meu gabinete de trabalho dispunha de um duplo acesso, abrindo uma das portas para um extenso corredor que começava numa das entradas do edifício e terminava num varandim, logo sem qualquer outra saída. Era já o fim da tarde de uma terça-feira, 5 de Agosto. Aguardara aquela altura do dia, em que as solicitações exteriores já eram menos frequentes, para me debruçar sobre um determinado dossier. Mas um ruído estranho, anormal, começou a fazer-se ouvir no corredor, aumentando progressivamente. Levantei-me, abri a porta, olhei para o lado da entrada e, de imediato, atónito, assisti, é o termo, a um desfile que nunca pensaria ver naquele preciso local. Uma autêntica turbamulta de gente exaltada, suada, vociferadora, muitos com os botões da camisa abertos até à cintura, engolfava-se num espaço apertado e sem saída. À procura de quê ou de quem? E disse, assisti, porque me mantive impávido à porta do gabinete, sem que alguém me dirigisse a palavra ou forçasse a entrada. Ao contrário do que aconteceu no gabinete imediatamente a seguir, onde entraram e, pelo ruído provocado, terão derrubado cadeiras e materiais diversos existentes sobre as secretárias. Subitamente, algo lhes terá chamado a atenção. O sentido do movimento alterou-se no imediato para convergir, sob pressão dos que atrás se encontravam, num outro gabinete sensivelmente na frente do meu. E lá dentro os berros aumentavam numa monumental cacofonia. Fui ver. Afastando um a um os que se encontravam no corredor, consegui, embora com dificuldade, penetrar naquele gabinete, deparando-se-me um espectáculo inolvidável. Sobre o tampo de uma secretária, o Almirante Rosa Coutinho, à paisana, perorava, tentando fazer-se ouvir e, sobretudo, ganhar ascendente, sobre uma assembleia descontrolada, ululante que lhe fazia queixas e exigia protecção e segurança.
A oportuna chegada de uma força de fuzileiros contribuiu decisivamente para acalmar os ânimos e, sem recurso a qualquer tipo de violência, lá conseguiu pôr toda aquela gente na rua." (p. 98)
Senhor general, essa é uma boa versão para Hollywood!
"Centenas de pessoas dirigiram-se ao Palácio do Governador para pedir protecção e ajuda da tropa fandanga portuguesa face aos acontecimentos que se estavam a viver na capital angolana. Foram recebidos pela guarda que lhes impediu a entrada. Então, a "turbamulta de gente exaltada, suada, vociferadora" protestou contra a "recepção de boa vindas" que de armas apontadas e a tiritarem de coragem, acabou por provocar uma reacção das centenas de pessoas que começou por arrancar o gradeamento do jardim do Palácio, invadindo o edifício pelas janelas e arrombando a porta da entrada vindo a encontrar, numa das várias e grandes salas do Palácio, Rosa Coutinho que - inicialmente - os afrontou -. Um dos invasores, uma mulher avança para o almirante vermelho, chegando a deitar-lhe a mão ao pescoço.
Que fez o heróico marinheiro? Tremendo de medo e quase em pânico, saltou para cima de uma mesa e exigiu protecção da sua guarda pretoriana que já tinha pedido reforços de uma força de fuzileiros, logo que se deu a concentração em frente ao Palácio e, então, a rápida e "oportuna chegada de uma força de fuzileiros que cercou e contribuiu decisivamente para" a fuga de Rosa Coutinho por uma das janelas traseiras do edifício. As centenas de pessoas que invadiram o edifício viram-se ameaçadas de morte e com ordem para abandonar rapidamente o Palácio, o que fizeram relutantemente.
3.7.08
As estátuas de Luanda e o General Gonçalves Ribeiro
Senhor general, as estátuas estão como diz na Fortaleza de S. Miguel, mais concretamente no jardim da Fortaleza. Não estão “primorosamente conservadas” como assevera porque a maior parte estão destruídas e partidas e outras foram “remendadas” para darem a ideia de uma primorosa conservação. Portanto, a prevenção da "sua indesejável vandalização" não é verdadeira!
O senhor omite o que foi feito à extraordinária obra de arte arquitectónica e escultural que era a estátua do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, no largo Maria da Fonte. Foi dinamitada e substituída por um tanque soviético!!! Mais tarde, foi colocada uma estátua à rainha Rainha Nginga ou Nzinga!
Livro: A vertigem da Descolonização - I
Quatrocentos kms a leste de Luanda, nas cercanias de Malange e mais concretamente na área do Duque de Bragança (povoação que retirara o nome das célebres quedas do rio Luando), o clima de insegurança generalizada havia-se igualmente instalado, a partir dos finais de Outubro. Na ausência de uma acção esclarecida e endoutrinadora por elementos credenciados dos movimentos de libertação, notou-se que… «marginais ou agitadores de última hora, explorando ressentimentos ou ódios velhos, conduziram parte da população africana a cometer violências e pilhagens que se estenderam progressivamente a toda a região do Duque de Bragança. O saque e a instabilidade instalaram-se pouco a pouco em todo o vasto sector, de forma que se aproxima do incontrolável.
Vítimas, por agora, apenas ou quase, fazendeiros e comerciantes europeus: mais de dezasseis fazendas pilhadas ou incendiadas pura e simplesmente na área do Duque, gado abatido no Cota, a povoação do Duque assaltada por uma multidão em fúria que destroe e saqueia rapidamente mais de dois terços das casas comerciais. As poucas fazendas da área ainda incólumes encontram-se actualmente abandonadas, com toda a maquinaria retirada e recolhida no Duque. Duas casas comerciais apenas abertas ainda no Cota, sob a vigilância da tropa, algumas do Duque, onde a tragédia sangrenta foi evitada pelo bom senso e pela calma de um jovem alferes que conseguiu conter a tempo os seus soldados, enfrentando desarmado a multidão incontrolada.
Lá, como em Luanda, o problema maior parece ser a ausência ou incapacidade que esperamos passageira, de um controlo efectivo das massas populacionais por parte dos movimentos de libertação.
Sem isto, as populações parecem estar sendo instrumentalizadas por agitadores marginais, cujo objectivo único é a pilhagem. Só a eles serve a desordem.
Com o desaparecimento gradual de casas e povoações comerciais esboroam-se lentamente os circuitos de comercialização de produtos essenciais à população africana. O abandono de fazendas terá consequências fáceis de prever a curto prazo. E nesse momento sofrerá toda a economia da região e, seguramente em primeiro lugar, a própria população africana.»” (p. 132/133)
“Este clima generalizado de insegurança e de perturbação não era, no entanto, motivo bastante para suscitar na vasta maioria da população branca, nascida ou radicada em Angola, o intento de abandonar o território. É verdade que o quotidiano de violência e bem assim as carências ou o agravamento de preços de muitos bens de primeira necessidade, inclusive de produtos alimentares, haviam contribuído para o regresso definitivo à metrópole de muitos milhares de portugueses, cansados e traumatizados pelo efeito paralisante das greves em muitos serviços, empresas e actividades essenciais – portuárias e piscatórias. Outro factor extremamente negativo era a falta de segurança nas estradas, onde, com frequência, camionistas eram assaltados e agredidos, e as cargas que o transportavam saqueadas, daqui resultando consequências funestas para o vital fluxo de mercadorias, desde há muitos anos assegurado por aqueles profissionais, entre o litoral e o interior, e vice-versa.” (p. 134)
Livro: A vertigem da Descolonização do general Gonçalves Ribeiro
O general Gonçalves Ribeiro, seguindo o exemplo do seu colega Silva Cardoso, deu-se ao trabalho de escrever 450 páginas onde tenta de uma maneira inteligente contar a sua versão da Traição da Descolonização no livro “A vertigem da Descolonização – da agonia do exôdo à cidadania plena”, que a Editorial Inquérito deu à estampa em 2002.É curioso como passados tantos anos, surgem os militares da traição abrileira de 1974 a escreverem e reescreverem os factos que a História julgará. Será o PDI (Peso da Idade) ou o PDC (Peso da Consciência) que os atormenta ou será mais uma forma de ganhar mais uns dinheiritos? Seja o que for, factos são factos e este livro do general Gonçalves Ribeiro é um facto, se bem com pouca relevância histórica.
O então tenente-coronel Gonçalves Ribeiro fez a comissão militar no Comando-Chefe das Forças Armadas, entre Agosto de 1972 e Agosto de 1974 em Angola.
Entre Agosto de 1974 e Janeiro de 1975, foi secretário de Estado da Administração Territorial, no governo provisório de Angola.
Fez parte da delegação “portuguesa” nas negociações do Acordo do Alvor, em Janeiro de 1975.
Desde os fins de Janeiro até 10 de Novembro de 1975, foi secretário-geral do Alto-Comissariado e nessa função coordenou e dinamizou a chamada Ponte Aérea, finalizada em 31 de Outubro, prolongando-se até 3 de Novembro bem como a Ponte Marítima concluída a 9 de Novembro.
No seu regresso a Portugal Continental, em meados de 1976, exerceu o cargo de Alto-Comissão para os Desalojados entre Setembro de 1976 e Julho de 1979, mês da sua extinção.
Ora, o sr. general esteve entre Agosto de 1972 e meados de 1976, isto é, durante quatro anos em cargos de responsabilidade político-militar e nada fez para alterar o rumo da traição, do crime de lesa-Pátria, do crime da descolonização e vem ao fim de 26 anos conta a sua “experiência” em que tenta manter-se numa posição ambígua, apoiando Deus e o Diabo.
Deixo aqui as transcrições que considero relevantes e condenadoras do processo da Descolonização em que o próprio colaborou na qualidade de secretário de Estado da Administração Territorial, no governo provisório de Angola e integrando a delegação “portuguesa” nas negociações do Acordo do Alvor, em Janeiro de 1975.
“Sem a acção desagregadora de Portugal, no concreto contexto histórico em que se desenvolveu, acompanhada por um imenso esforço militar, missionário, científico e diplomático, ao longo de séculos, não existiriam de todo nem Angola, nem Guiné, nem Moçambique, nem Timor… nem o Brasil, bem como Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.” (p. 25)
“A situação militar encontrava-se controlada, sendo notória uma real diminuição de actividade da FNLA no norte e muito esporádicas as infiltrações do MPLA em Cabinda, a partir do Congo ex-francês (Brazzaville). No leste, constava-se não só uma sistemática redução de acções de guerrilha do MPLA, como também a inexistência de quaisquer confrontos com a UNITA.
A actividade económica, por seu lado, encontrava-se em forte expansão, fomentada e sustentada pelo entusiasmo e pela confiança dos agentes económicos quer internos, quer externos.
A estratégia da contra-subversão, de natureza global, contemplando áreas diversas – económica, diplomática, psicológica e militar – estava tendo franco sucesso em Angola, para o que muito havia contribuído não só o desafogo económico do território e o espectacular desenvolvimento da rede viária, mas também a adequação e a eficácia da manobra militar de contra-guerrilha, oportuna e sistematicamente reajustada desde Julho de 1961 (retoma de Nambuangongo). Não menos importante foi persistente e endémica hostilidade entre o MPLA, a FNLA e a UNITA, nomeadamente no leste, e bem assim a redefinição da orgânica da contra-subversão em 1971” (pp. 33/34)
“A população portuguesa de raiz europeia ou os seus descendentes vivia na convicção de que qualquer um daqueles territórios era também a sua casa, sentimento ainda reforçado pela política ultramarina prosseguida desde sempre pelo regime deposto em 25 de Abril de 1974, e, muito especialmente, pelo teor do texto constitucional de 1933.
Um outro factor de extrema importância condicionava, porém, tudo e todos: o colossal esforço de guerra que vinha persistindo desde 1961, logo arrastando-se por 13 longos anos.
Este colossal esforço de guerra distribuído pelas suas principais vertentes – enorme complexidade logística, vasta e sensível administração de pessoal e diversificada actividade operacional – ainda hoje causa admiração e perplexidade a nível internacional (…)”(pp. 76/77)
“Relativamente aos 13 anos de guerra – que se estenderam a 14 anos por, em 1975, ainda terem morrido soldados portugueses em Angola – uma tão longa duração, verdadeiramente singular na história das guerras modernas, estava-se constituindo como um fardo penoso, insuportável e trágico para inúmeras famílias portuguesas.
Apenas nos 3 Teatros de Operações – em Angola, desde Maio de 1961, na Guiné, a partir de Maio de 1963, e em Moçambique com início em Novembro de 1964 – estiveram empenhados 1.400.000 militares, dos quais cerca de 800.000 mobilizados na então metrópole (Portugal), na sua grande maioria soldados ou sargentos e oficiais milicianos.
De 1961 a 1975, registaram-se 8.831 mortos, sendo 4.280 em combate e 4.551 por outros motivos, e cerca de 30.000 feridos, dos quais perto de metade em combate e os restantes em acidentes.” (p. 53)
“Sob o ponto de vista militar, a actividade conduzida pelo MPLA no leste de Angola era praticamente nula e as incursões em Cabinda, a partir do Congo-Brazzaville, não suscitavam preocupações de maior. Apanhado de surpresa pelo 25 de Abril, aliás como a FNLA e a UNITA, o MPLA dirigido por Agostinho Neto passou a utilizar as armas que estavam ao seu alcance, as bem conhecidas técnicas de Agit-Prop (Agitação e Propaganda) de qualquer partido comunista, contando naturalmente com a solidariedade internacionalista dos partidos irmãos espalhados pelo mundo, em especial o PCP/Partido Comunista Português, o PCUS/Partido Comunista da União Soviética e o Partido Comunista de Fidel de Castro.” (p. 59)
“A orgânica final da contra-subversão veio a ser aprovada em reunião de Conselho Provincial de Contra-Subversão, a 19 de Agosto de 1971, sendo o Comandante-Chefe o General Costa Gomes” (p. 34)
“Na área militar, começaram a definir-se e a implantar-se as estruturas locais do MFA. Estas eram preenchidas por representantes eleitos desde as unidades até aos órgãos de chefia e direcção, segundo uma metodologia que, francamente, me escapou. A vasta maioria de tais representantes era composta por capitães e majores, incluindo também alguns oficiais milicianos.
As sessões de esclarecimento nos diversos níveis do aparelho militar passaram a ser frequentes.
No ínterim, chegava a Luanda, em 5 de Maio, de onde regressou a Lisboa, dois dias depois, o General Costa Gomes.
(…) Participei na reunião do Comando-Chefe, onde afirmou que a missão das Forças Armadas Portuguesas em Angola se mantinha inalterada e proferiu declarações peremptórias de que a luta prosseguiria até ao momento em que os guerrilheiros depusessem as armas e aceitassem transformar-se em partidos políticos e ainda que em parte alguma, de Cabo Verde a Timor, se aceitaria que grupos ou raças impusessem soluções para os problemas políticos emergentes do 25 de Abril fora do jogo democrático.
Adicionalmente e como que a recordar-se da sua experiência de Comandante-Chefe, comentou que os guerrilheiros não dispunham do apoio das populações ao contrário do que se dizia e era propalado.” (pp. 54/55)
“Segue-se uma vaga de prisões arbitrárias de civis e militares, sem culpa formada nem julgamento, decidida pelas estruturas mais radicais do MFA, publicamente apoiada por toda a esquerda comunista e extrema-esquerda, levada a efeito por militares do COPCON (Comando Operacional do Continente) comandado por Otelo Saraiva de Carvalho, com a aquiescência (senão intervenção directa) do Primeiro Ministro e a tácita concordância do General Costa Gomes, tudo no pressuposto, veiculado por alguma comunicação social, de que a manifestação da maioria silenciosa encobriria o ensaio de um golpe de Estado previsto para meados de Setembro.
Em Angola senti da parte do Almirante Rosa Coutinho uma evidente satisfação por tudo o que acontecera em Portugal, dando a ideia de se libertar de um indesejável e incómodo colete de forças. Aquele sentimento, com laivos de euforia, deu origem, num prazo curtíssimo, a ordens preparadas pelas estruturas locais do MFA, logo com a óbvia aquiescência do Presidente da Junta Governativa, que levaram à detenção e envio para Portugal de um número indeterminado de civis e militares. Na mesma altura, começou a circular uma misteriosa lista contendo nomes de personalidades angolanas que eram acusadas, entre outros delitos, de sabotagem económica, de forças da reacção, de subversão do processo de descolonização etc., etc… Soube-se que muitos nem detidos foram porque, amedrontados, desconfiados ou precavidos abandonaram o território.” (p. 117)
“Em Luanda e no Palácio do Governo tornou-se mais evidente a já endémica crispação que existia no seio da Junta Governativa, posicionando-se em campos opostos, por defenderem projectos não conciliáveis, de um lado o Almirante Rosa Coutinho, acompanhado pela eminência parda Major Emílio da Silva, e, do outro, a dupla General Altino de Magalhães/Brigadeiro Silva Cardoso, surgindo a meia distância entre as duas correntes o Comodoro Leonel Cardoso (estes três últimos oficiais haviam entretanto sido graduados nos postos imediatos).
Igualmente a notória foi a progressiva influência de um núcleo duro constituído à volta do Almirante Rosa Coutinho, aglutinando o próprio Emílio da Silva e o seu misterioso staff, o qual indiciava conotações de cariz político-partidário com uma qualquer central da esquerda comunista ou da extrema-esquerda de Lisboa, mais o Comandante Correia Jesuíno, patrão da Comunicação Social nomeadamente em Luanda, e também o Major Pezarat Correia que presidia à Comissão Coordenadora do MFA de Angola. Este grupo batia-se, sem sombra de dúvida, por um projecto de descolonização em que o principal protagonista seria o MPLA (…)”(p. 119/120)
2.7.08
Portugal, país rosa
Se bem me lembro, a subida foi de 19% para 21%. Já ninguém se lembra disso por ser um ligeiríssimo pormenor.
Um verdadeiro gesto de caridade cristã, caridade capitalista e anti-colonialista!
A confirmar-se esta última notícia estão de parabéns os meus amigos sócios/acionistas (segundo o Novo Acordo Ortográfico): Bruno Oliveira Santos, Duarte Branquinho, Humberto Nuno Oliveira, João Marchante, Mário Martins, Paulo Cunha P e Rodrigo Nunes que vão passar as férias juntos.
1.7.08
Livro: O Exitus de Delgado e as eleições de 1958

A apresentação esteve a cargo do Dr. Jorge Rangel.






