28.6.08

Descoberta sensacional

O jornal Público noticia hoje, na página 16, que uma empresa alemã que serviu os nazis tem estado a imprimir dinheiro para Mugabe.
Em 1941, a dita empresa alemã teve de recorrer à impressão de dinheiro a pedido de Himmler tendo esta sido obrigada a recorrer aos prisioneiros dos campos de concentração para a satisfação do pedido.
O que o Público não diz e acho incrível e injusto é que esse trabalho foi feito por judeus, gente especializada na matéria e que a empresa alemã é hoje uma empresa cripto-neo-nazi, sendo as reuniões dos mais altos cargos da empresa feita com estes vestidos com a farda das SS, recriada pela celebérrima rede Odessa.
Bem digo e não acreditam: a Internacional Negra está em todo o lado!

Adeptos croatas nazis, racistas e anti-semitas

O Público de hoje, na página 36, denuncia o comportamento racista, nazi e anti-semita com referências ao movimento Ustacha, movimento nacionalista croata de carácter fascista.
A UEFA já a está a investigar. Podem ficar descansados...
São nazis por todo o lado!!!

27.6.08

Ex-combatente chama vigarista a Mário Soares em Barcelos - 11/12/2005

Espanha 1936 - 2008

Em especial para o Humberto Nuno Oliveira e para o Pedro Guedes.

Livro: Estado Novo, uma cronologia. Fernando Castro Brandão


Obra editada, em Abril deste ano, por Livros Horizonte e que medeia entre o início a 11 de Abril de 1933 e o fim a 25 de Abril de 1974. O dia a dia, mês a mês, ano a ano em cerca de 480 páginas que incluem um índice remissivo para uma consulta rápida.
Uma obra de fôlego que deve constar em qualquer biblioteca que se preze pelo estudo do Estado Novo.

26.6.08

O Benfica e a extrema-direita

O Orelhas contratou para o Benfica Balboa do... Real Madrid!
Balboa recusou ofertas super-milionárias do Manchester United, do Chelsea e do Inter de Milão para vir para o Benfica sem o conhecimento de Pinto de Costa!
Oficialmente, vai ocupar a extrema-direita havendo a possibilidade de exercer a posição de segurança.
Que será à família do Rocky Balboa?
Agora é que o Vale e Azevedo não volta pelo seu pé ao Benfica para cobrar o que lhe devem!

Angola, os dias do desespero de Horácio Caio

Angola, os dias do desespero - o livro de Horácio Caio integralmente disponível online. São cerca de centena e meia de páginas onde o autor, repórter da RTP, relata os cinco primeiros meses em Angola, entre 14 de Março de 1961 e 8 de Julho de 1961, do eclodir do terrorismo provocado pelos turras da UPA/FNLA no norte de Angola, no antigo Congo português.
São as suas impressões e relatos dos factos verdadeiramente impressionantes e impressionáveis mas - infelizmente - verdadeiros e reais.

25.6.08

Tutu, Mugabe e Frankenstein

O protesto de Alfredo Pimenta contra o filme Camões

O MEU PROTESTO CONTRA O FILME «CAMÕES»


Sinto-me no dever indeclinável de o lavrar - para que conste, no presente e no futuro, tanto mais formal e público, quanto é certo que o facto que ele visa obteve (nem sei como o conte!) a sanção oficial.
É inacreditável, mas é assim mesmo.
Estava na Madre Deus, quando se estreou no cinema de S. Luís, o filme intitulado Camões. Não tiveram descanso, os badalos de todos os sinos, sinetas e campaínhas, a aclamar, como glória suprema do cinema português, esse filme.
Conheço em demasia os cordelinhos destas manifestações apoteóticas - e por isso não me convenci. E fiquei à espera de ocasião oportuna para ver e julgar.
Fui ontem ver o filme.
Não sou cinéfilo, nem percebo nada da gíria dos cinéfilos. Quer dizer: não sou técnico. Sou muito simplesmente o homem da rua que contempla o que se exibe no quadro branco, e julga, consoante a natureza do que viu, e à luz do seu critério.
Se me oferecem uma fita ciêntifica, como só o cinema alemão sabia convenientemente apresentar, aprecio-a como fita cientifica; se se trata de fita sentimental ou sadiamente sentimental, vejo-a desse ângulo; se se trata de fita policial ou de aventuras cowboyescas, observo-a desse plano; se me dão fita que seja a biografia de personagem célebre, exijo que não ma deformem, não ma falsifiquem, portanto, que não me intrujem.
Li outro dia que o Cinema não é História. É deturpação?
O Cinema é o instrumento mais poderoso de educação ou perversão. Muito mais do que o livro, o jornal ou o teatro. Atinge as camadas mais ínfimas da sociedade; apanha, na sua rede, as crianças.
O homem, o espectador, pode ser pervertido nos seus sentimentos ou na sua inteligência, quer dizer, nos seus costumes ou nos seus juízos, se lhe fornecem, respectivamente, espectáculos de devassidão ou espectáculos deformadores das realidades.
Se o Cinema é instrumento de Educação e Cultura, e se, por outro lado, não é História, devem ser implacavelmente proibidos os filmes históricos, ou que abordem assuntos históricos, ou que descrevam biografias de personagens históricos.
A não ser que os autores destes filmes se documentem escrupulosamente, e se cinjam fielmente às realidades indiscutíveis.
É preferível deixar na paz dos túmulos, na sombra espessa do esquecimento, as grandes figuras da História, a arrastá-las numa publicidade mentirosa e caluniosa, levando as multidões a juízos errados a seu respeito. E quando essas figuras são nossas, maior cuidado deve ser o nosso.
Ora o filme que se chama Camões é uma deplorável mistificação. Mais: é um ultraje imperdoável à verdade, que não exalta, não dignifica, não impõe o Poeta, e suja indelevelmente a Infanta, filha d`El-Rei D. Manuel, Grande Senhora, em tudo.
Historicamente, é uma mentira. Moralmente, uma abjecção. Sacodem, os autores, a água do seu capote, alegando que se encostaram ao parecer de Afonso Lopes Vieira. Era escusado declará-lo: aquela galinha que apareceu no quarto dos estudantes em Coimbra deve ser uma das que Lopes Vieira exibia nos seus salões da Costa do Castelo, para espantar os palermas...
Mas que autoridade tinha o poeta do Náufrago, em tal matéria? Absolutamente nenhuma. Ele podia depor sobre a beleza ou incorrecção, a elegância ou a grosseria de um verso. Nada mais. Porque não sabia absolutamente nada dos problemas camonianos, como de qualquer outro. Famas não lhe faltaram, em vida, e depois da morte. Mas de famas está o mundo cheio. Tomou à sua conta o Gil Vicente; mas quem quer conhecer o poeta dos Autos, não lê Lopes Vieira: lê Carolina Michaelis, lê Anselmo Braancamp, lê Brito Rebelo, lê Aubrey Bell, lê Menendez y Pelayo, lê Paulo Quintela. Serviu-se do Amadis - mas quem conhecer os problemas que o Amadis levanta, lê toda a gente, em Portugal e fora de Portugal, menos Lopes Vieira. Serviu-se da Diana de Montemor, mas não escreveu uma linha crítica sobre o Autor, ou sobre a obra. Finalmente, serviu-se de Camões, de braço dado com José Maria Rodrigues - mas não nos deixou um estudo, grande ou pequeno, do problema camoniano. De sorte que bater-lhe à porta para o consultar sobre o filme Camões só podia lembrar a pessoas completamente ignorantes do assunto.
Pois está aí vivo, são e escorreito, quem, com saber, critério e honestidade, podia informá-las, guiá-las e aconselhá-las: o prof. da Universidade de Coimbra, Costa Pimpão.
Eu compreendo que, em filme histórico, nem tudo seja rigorosamente exacto, e haja, algumas vezes, necessidade de se recorrer a inferências ou à ficção. Mas isso, em pormenores secundários; digamos: nas falhas, para se construir o edificio.
Mas as paredes mestras, os pontos essenciais de apoio, os alicerces, esses devem ser rigorosamente exactos.
No filme Camões que é fundamental? Os amores do Poeta e da Infanta. Quase se pode dizer que tudo gira à volta dessa mentira, com pormenores que ultrapassam a própria inverosimilhança.
Ontem, era, segundo o cartaz, a sétima semana que tal monstruosidade se exibia. Há quarenta e nove dias ou, melhor, pois que há espectáculos de tarde e à noite, há noventa e oito dias que milhares de pessoas aprendem a mais escandalosa deturpação da vida de Camões.
Crianças, moços e velhos; cultos e incultos; inteligentes e estúpidos, há noventa e oito dias que recebem aquela lição de mentira que é o filme Camões. E isto, com aplauso e sanção do Estado!
No filme, há coisas belas, e inofensivas: paisagens interiores - cenários e música; algumas caras das actrizes. Há pormenores bem achados, como esse do ferimento de Camões, em Ceuta, quando erguia a bandeira de Portugal.
A vida do Poeta em Coimbra passa, se fecharmos os olhos ao recitativo do Leonor vai para a fonte que é ridículo até mais não ser, o que é singular, porque o dizer do Não sei se me engana Helena, embora nada autorize a que se tivesse efectuado naquela ocasião, tem graça e beleza.
A vida do Poeta em Ceuta não desperta reparo de maior. E até é lindíssimo aquele bocadinho em que ele, na fortaleza, canta a xácara A dor que a minha alma sente.
A gente perdoa a fantasia do ferimento, por, como já disse, bem achada.
Mas tudo o que se passa em Lisboa merece pateada, e pateado geral. Porque não se trata de fantasias desculpáveis: trata-se de mentiras escandalosas que se acumulam de instante a instante.
Já não falo daquela pastuquíssima entrada de Camões em Lisboa, em que ele nos aparece, salvo o devido respeito, com cara de parvo. Mas que me dizem à ordem escrita do Rei expulsando Camões de Lisboa, e mandando-o a ares para o Ribatejo? Quem autorizou os autores a essa falsificação criminosa? O problema dos desterros é um dos grandes enigmas da vida de Camões. Não há o mais pequeno vestígio documental de que tivesse sido desterrado. Como é que se exibe a ordem régia escrita?
Que me dizem ao golpe verdadeiramente apáchica da Má-Fortuna, quando mete um suposto bilhete da Infanta D. Maria, que ela forjou, dentro de um livro que a mesma Senhora mandara entregar a Camões? Quem se atreveria a tal ignomínia que, descoberta, só a morte pagaria? E em que estado se encontravam as relações do Poeta com a Infanta, para que ele acreditasse em tão estapafúrdio convite? Mas se eram grandes as revelações entre os dois, não conhecia Luís de Camões a letra da Infanta? Ou era a Má-Fortuna tão sabida, que imitava a caligrafia da Grande Senhora?
E que me dizem à cena repugnante e revoltante da Varanda das Galés, em que Luís de Camões, em precursos do Dâmaso Salcede, se atira à Infanta D. Maria? Autêntico sistema do atracão que Dâmaso Salcede proclamaria, três séculos depois, ser o seu sistema!
E isto com a Infanta D. Maria!
Mau olhado teve aquela Côrte da famosa Senhora. Um arrasta Luísa Sigêa ao pelourinho das maiores vergonhas, dando-a como autora das páginas mais pornográficas; agora, vêm os actores do filme Camões, guiado por Afonso Lopes Vieira, transformar a impecável Princesa em objecto consentido da paixão atrevida dum poeta brigão e arruaceiro, frequentador do Mal-Cozinhado!
Vá lá! Os autores do filme não chegaram à infâmia de um tal francês que não hesitou em apresentar-nos a Infanta a entregar-se a Luís de Camões, nos jardins do seu Palácio! Os actores do filme no atracão...
É falso, tal como o descreve o filme, o incidente do dia de Corpus Christi. Os factos foram pouco mais ou menos assim: levantou-se desordem no Largo de S. Domingos. Nessa desordem figuravam amigos de Camões. Este interveio, e feriu um dos contendores, Gaspar Borges. Mas fosse como fosse, ninguém autorizou os autores do filme a darem ao público o espectáculo de Camões proceder à caça ao homem, com este a esgueirar-se, como quem pretende fugir a castigo - entre as gargalhadas alvares do público.
Para remate da monstruosidade cinematográfica, vem a cena da leitura dos Lusíadas, na Penha Longa, a D. Sebastião!
O Poeta, de pé, diante duma estante, lê o Poema. O Rei, com galgo deitado, ouve...
O leitor ponha na sua ideia esta coisa absolutamente inepta de um homem, precocemente envelhecido, como, dada a vida que vivera, devia ser Camões, aguentar, a pé firme, a declamação, durante horas, sem fim, dos dez cantos dos Lusíadas, com mil e oitocentas estâncias, ou oito mil e oitocentos versos!
A admitir-se a possibilidade de se manter sempre o mesmo ritmo, se Camões gastasse meio minuto a ler cada oitava, consumiria a recitar todo o Poema, nove horas e um quarto! Só se fosse de ferro. E não haveria Rei, por mais Rei que fosse, e por mais galgos que trouxesse na sua companhia, que aturasse nove horas de declamação, sem, pelo menos, quatro ou cinco sonos regalados...
A historieta inventou-a Garret - e esse mesmo, para ter coragem de a levar até o fim, não deixa de intercalar, no recitativo, a entrada em cena de «moços de pellote», a trazer aos circunstantes, «Em ricas salvas d`ouro alto-lavradas», a merenda reconfortante. Chama-lhe ele «refeição leve»; não digo que não; mas por mais leve que fosse, merenda de Rei no século XVI, não devia ser coisa somenos, e indigna de se exibir no filme...
Que me dizem os srs. àquelas patacoadas que os autores põem na boca do Rei D. Sebastião - tipicamente acaciais? Pobre Rei! Não lhe bastou ter morrido no sacrifício cruento de Alcácer. Era-lhe preciso ainda ser trazido para o pano branco do Cinema, a proferir palavras idiotas que o Conselheiro desdenharia!
Portanto, as pinceladas fundamentais da tela cinematográfica são todas mentira. Os desterros - mentira; a ordem do Rei a desterrar o Poeta - mentira; o ferimento em Ceuta, no alto dos muros da fortaleza - mentira; o incidente do dia do Corpo de Deus, com o Poeta a correr atrás de Gaspar Borges - mentira; as relações com a Infanta D. Maria, desde o bilhete apócrifo ao atracão, na Varanda das Galés - mentira; a leitura dos Lusíadas, em Sintra - mentira; até a morte é morte.
Alega-se, em defesa desta maneira de educar as camadas da população, a necessidade dos efeitos, e invoca-se a impossibilidade de uma obediência estricta à verdade histórica. De acordo. Mas ninguém é obrigado a tratar assuntos que não se prestam às realidades. Ninguém é obrigado a explorar figuras históricas, da grandeza de Camões ou da Infanta D. Maria.
Se daqui a dois séculos, alguém se lembrasse de compor uma fita chamada Os autores do filme Camões, e nela aparecessem estes a furtar carteiras no Rossio ou a abraçar passageiros nos eléctricos, ou a andar às cabriolas de palhaços pelas ruas, quem desculparia ou justificaria ou aplaudiria tal atrevimento? Se, amanhã, alguém se lembrar de compor um filme sobre o Marquês de Pombal, e exibir este vestido de jesuita a roubar conventos ou a comandar salteadores, acham bem? Se se trouxer D. João II ou D. João I, D. Leonor ou D. Filipa para o cinema, apresentando-os como vadios ou regateiras, escrocs elegantes ou vamps de alfurja - acham bem? Se alguém se lembrasse de exibir no cinema a Jeanne d`Arc de Voltaire, achavam bem? Se alguém ousasse exibir no cinema a figura de Jesus tal como sai dos trabalhos pseudo-científico de Binet-Sanglé, achavam bem?
Sabe-se muito pouco da vida de Camões; mas o pouco que se sabe pode-se aproveitar eficazmente, sem haver necessidade de recorrer ao escândalo mentiroso, e à mentira escandalosa. Porque se não aproveitou, para efeitos dramáticos ou cénicos, a Dinamene, realidade averiguada, e se foi sujar a Infanta D. Maria, caluniando-a?
Além de tudo o mais, o filme Camões é uma detestável lição fornecida ao público. Escrevendo este artigo, quero deixar bem patente o meu protesto, para que não se diga, um dia, que toda a gente se prestou a ser cúmplice dessa lição perniciosa.

17.11.1946.

Alfredo Pimenta.
In «A Nação», nº 41, págs. 1/10, 30.11.1946.


Dedicado aos cinéfilos João Marchante e Eurico de Barros.

Sarkozy declara apoio incondicional a Israel

Durante a visita oficial a Israel, o presidente francês Nicolas Sarkozy assegurou no Knesset (parlamento israelita) que «o povo francês estará sempre ao lado de Israel caso a sua segurança seja ameaçada»
O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert, pelo seu lado, elogiou a linha dura adoptada pela França em relação à «ameaça nuclear» iraniana.
«Damos-lhe o reconhecimento pela declaração na qual afirmava que a segurança de Israel não pode ser objecto de negociações e pela posição firme e decidida frente ao perigo nuclear iraniano», disse Olmert.
Ao lembrar que a partir de Julho a França vai assumir a presidência temporária da União Europeia, Olmert acrescentou: «estou certo de que esta será uma ocasião excelente para pressionar a União Europeia para uma posição unida e disposta a comprometer-se frente à ameaça nuclear do Irão»

24.6.08

A Descolonização em Angola vista por Nogueira Carvalho

«Militarmente a guerra e aqui refiro-me a Angola onde me encontrava em 1974, estava ganha. O domínio territorial era absoluto.
O desenvolvimento económico em Angola era uma realidade indesmentível pelo que o peso da guerra do Ultramar diminuía na economia Portuguesa.» (P. 33).

«Combatendo contribui para a garantia da ordem e da lei e para segurança das populações locais, tendo a nossa acção, a dos militares em África, sido profundamente patriótica, humana e humanitária.
E se hoje me perguntarem se esse esforço e se esse sacrifício se justificou, responderei com a tranquilidade de quem cumpriu um sagrado dever, e com o exemplo resultante em que se transformaram os novos Países Africanos que portugueses foram. Estes estão totalmente destroçados pelos massacres étnicos, pelas guerras civis, pelas ditaduras tribais bem mais terríveis que quaisquer outras, pela corrupção e alguns dos seus dirigentes, tendo sido negada às populações que hoje mais sofrem que nunca, se Portugueses queriam continuar a ser.» (P. 38).

«Este o resultado duma descolonização em que os responsáveis pela mesma dizem ter sido a possível, talvez na tentativa de lavagem das suas consciências. Nós pela primeira vez e contrariando todos os manuais de guerrilha, tínhamos a guerra ganha e total domínio do território, e aqui refiro-me a Angola onde me encontrava em 1974.» (P. 39).

«Em 1974 estavam completamente derrotados no campo militar, pelas Forças Armadas Portuguesas e outras forças especiais militarizadas das quais destaco os Flechas, que com elas colaboravam.
Estas tinham conseguido o seu aniquilamento, a ponto das superpotências que apoiavam os movimentos, se interrogarem se deveriam continuar a prestar-lhes auxílio.
Foi então que surge a insurreição do 25 de Abril de 1974 (rebelião não inocente para alguns), cujos mentores da acção, decidem para espanto de alguns camaradas de armas e de alguns movimentos, entregar-lhes sem período de transição, as nossas ex-Províncias Ultramarinas, permitindo-lhes ainda a expulsão e perseguição dos brancos que lá se encontravam.» Pág. 52

«Toda esta gente viria a ser abandonada em 1974, atraiçoada e apelidada contudo de usurpadora e exploradora. Não pelos negros que tinham defendido e aos quais tinham incutido perspectivas de esperança e segurança despreocupada, mas por aqueles que se auto apelidaram de libertadores sem sequer ouvir os nativos, que dizem ter libertado, para um destino de miséria e violência.» Pág. 87

Livro: Era tempo de morrer em África de Nogueira e Carvalho

“Era tempo de morrer em África”, foi editado em 2004, pela Prefácio Editora, na sua colecção Memórias de guerra”, da autoria de Nogueira e Carvalho, prefaciado por José Pinheiro da Silva e com um comentário do General - Governador-geral de Angola (1962-1966 e 1974-1975) - Silvino Silvério Marques.
É um testemunho apaixonante da experiência do combatente que viveu e combateu em Angola e Moçambique e que dá um contributo para esclarecer os motivos que originaram a guerra em Angola, desde 4 de Fevereiro de 1961 até 11 de Novembro de 1975, data da independência.
O seu autor, José Victor de Brito Nogueira e Carvalho foi Capitão Miliciano de Infantaria, Inspector da DGS em Angola, funcionário superior da Polícia de Informação Militar e do Gabinete Especial de Informações Militares do Comando-Chefe das Forças Armadas em Angola.
As suas duas comissões militares efectuadas em Angola e Moçambique, foram sempre em zonas operacionais e não na “rectaguarda do ar condicionado”.

Foi um dos impulsionadores dos “Flechas” (comandos especiais africanos negros) que eram recrutados e treinados pela DGS, muitos deles oriundos das forças inimigas e que seriam «abatidos a sangue frio, e cujo único crime foi o de defenderem os interesses da Nação Portuguesa» (P. 205).
Foi um dos Comandos Especiais que participou sob as ordens do Tenente-Coronel Gilberto Santos e Castro na tentativa de assalto militar a Luanda - antes da data da proclamação da independência, 11 de Novembro de 1975 -, com as forças da FNLA e da África do Sul mas acabou vítima da traição sul-africana que, à última da hora, recuaram para a fronteira – por ordem e pela voz americana de Henry Kissinger - sem antes tirarem os dispositivos de tiro e as culatras dos canhões deixando assim abandonados à sua sorte os Comandos Especiais e a FNLA.
Diz:
«À FNLA e a nós, só restava a retirada.
A guerra e os sonhos duma terra prometida estavam perdidos.
Nada mais havia a fazer.
Dias depois com as lágrimas nos olhos, dirigi-me ao avião que de Kinshasa me traria de volta a Portugal.
Sabia que jamais iria voltar.
Lembrei-me de todos os amigos e camaradas de armas que tinham tombado.
Lembrei-me daqueles que ficavam, e que em mim tinham confiado, acreditando na esperança que lhes tinha incutido.
Era uma sensação de desconforto, como que de traição e conivência com a covardia, já que a coragem não tinha de ficar, e com eles encarar a morte que se antevia e avizinhava.
Como era possível apregoar-se a liberdade, a defesa dos oprimidos, e cantar-se a ignomínia, a falsidade e a traição.
O avião levanta voo.
Tinha-se gorado a última tentativa.» (P. 230).

Um livro a ler com muito interesse.
Pena é que o autor se fique apenas pelas 244 páginas do livro, na certeza que - graças à sua acção como Inspector da DGS em Angola, funcionário superior da Polícia de Informação Militar e do Gabinete Especial de Informações Militares do Comando-Chefe das Forças Armadas em Angola - muito ficou por dizer.
Aliás, o próprio o confirma na nota de rodapé da página 230:
“Este capítulo é apenas um resumo muito sucinto do que foi a guerra a caminho de Luanda. Descrevê-la em pormenor, com os seus altos e baixos, as esperanças e as desilusões, os actos de bravura e de heroísmo, constituiria por si só matéria para um livro.”

Talvez um dia se venha a saber toda a Verdade.

23.6.08

Nietzsche: Vida, pensamento e obra



Editado hoje pelo Público e pelo preço de 12,90, com uma selecção antológica de textos de "O Crepúsculo dos Ídolos", "A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos", "Ecce Homo" e "O Anti-Cristo".