22.4.08

Lisboa já tem memorial judaico/católico

O sempre bem informado, nestas matérias, jornal "Público" noticia na sua edição de hoje, na página 13, a inauguração deste memorial.
Para um melhor aprofundamento desta e outras questões sugiro a leitura deste magnífico livro:

Paço Ducal de Guimarães - VIII

21.4.08

O Papa anti-nazi e anti-racista

No Público de ontem, e no último dia da visita papal aos States, o Papa Bento XVI «recordou como foi obrigado a integrar a juventude hitleriana, como os seus pais eram anti-nazi e como fez serviço militar numa companhia anti-aérea e foi preso por tropas norte-americanas.“
Foram anos governados por um regime sinistro, estes da minha juventude. Regime que pensava que tinha resposta para tudo à medida que a sua influência crescia, contaminando as escolas, a política e até a religião. Até que o mundo viu o monstro que se agigantava”, disse o Papa enquanto aconselhava os jovens a desfrutar da sua liberdade e a respeitar quem a possibilita, mas a ter muito cuidado para não cair na escuridão.»
Por seu lado, a
Agência Ecclesia noticia que «O Papa apresentou uma reflexão sobre liberdade e o sentido da verdade no mundo de hoje, pedindo-lhes que erradiquem males como a pobreza, a droga ou o racismo.
Partindo da experiência que teve durante o regime nazi, Bento XVI deixou votos de que esse “monstro” não volte a ensombrar a vida das pessoas e os jovens consigam eliminar a escuridão nos nossos dias.
Mesmo na liberdade oferecida pela democracia, alertou, “continua a haver o poder de destruir”.
O nazismo, referiu, “baniu Deus” e por isso ignorou tudo o que fosse bom e verdadeiro. Hoje, disse o Papa, males como a toxicodependência, a pobreza, o racismo, a violência e a degradação das mulheres resultam também do tratamento das pessoas como objectos e da negação da dignidade humana dada por Deus.
Para Bento XVI, a manipulação da verdade é “particularmente sinistra”. “Quando a liberdade não tem em conta a verdade absoluta, relegando-a para a esfera privada do indivíduo, o relativismo toma conta de tudo”, observou.»

Interessante a reflexão sobre a manipulação da verdade vinda de quem tem o dom da Infabilidade. Logo, condena o nazismo e o racismo tornando-se um defensor anti-nazi e anti-racista fervoroso!
É este o representante de Deus na Terra...
Deus nos valha!

Paço Ducal de Guimarães - VII


20.4.08

Adolf Hitler e Eva Braun

Hitler pintor








Leitura semanal

Dragoscópio
6, esse número mágico...

Fascismo em rede
Criar imprensa nacionalista

Jantar das Quartas
Holocausto em Angola

Manlius
Nós continuaremos...
Um dia depois...
O senhor Bensaúde e o rolha
A anedota de décadas

Mote para Motim
José Aguiar Branco: o senhor que se segue
DN: «Há que passar pelo crivo Bilderberg»

Pena e Espada
Rosa Coutinho no Holocausto em Angola
Delito de opinião

Sexo dos Anjos
Holocausto em Angola

Um Homem das Cidades
História contada por burlões e traficantes


Revisionismo em linha

Sobre o centenário de Afonso Lopes Ribeiro:
Afinidades Electivas
Alma Pátria-Pátria Alma
Caceteiro
Eternas Saudades do Futuro
Jantar das Quartas

Jantar das Quartas (2)
Manlius
Nova Frente
Odisseia
O Jansenista
O Povo

O Povo (2)
Porta do Vento
Reverentia
Voz Portalegrense
Diário de Notícias
Jornal de Notícias

Charles Maurras: 20.04.1868 - 16.11.1952


20.04.1868 - 16.11.1952

18.4.08

Cinemateca Portuguesa

A Cinemateca Portuguesa passou no passado dia 3 pelas 19:30, o filme de Jorge Brum do Canto, CHAIMITE, com duração de 157 minutos, realizado em 1953.
Resumo do argumento da Lisvendas: «A população de Lourenço Marques, em 1894, sobre os frequentes ataques iniciais da campanha africana, por António Ennes e seus colaboradores. As façanhas de Caldas Xavier, Aires de Ornelas, Eduardo Costa, Paiva Couceiro, Freire de Andrade e, mais tarde, Galhardo e Mouzinho de Albuquerque para libertarem Moçambique. Grandes jornadas de guerra: Marracuene, Magul, Coolela, incêndio de Manjacaze, Chaimite (rapto de Gungunhana), Macontene... Paralelamente, o amor de dois soldados pela mesma rapariga.»

Como bem refere o
Eurico de Barros a Cinemateca vai homenagear António Lopes Ribeiro com um ciclo de filmes em Setembro. Bem, mais vale tarde do que nunca. Sempre à boa maneira portuga...

17.4.08

Futuro Presente n.º 63: Salazar

Acabei de ler o último número da Futuro Presente dedicada a Salazar. Dos seus artigos destaco:
- "Filme de Guerra - o cinema português e a guerra de Espanha", por José Luís Andrade;
- "Ultramar - o Estado Novo e as campanhas de afirmação da soberania em África: uma visão militar" de Francisco Garcia;
- "A Vida dos Outros", crítica do filme feita por Miguel Freitas da Costa;
- "Como sobreviver à infância", entrevista feita por Alexandra Martins ao escritor tolkieano Ricardo Pinto;
- "O momento salazariano - a propósito de um concurso de televisão.", o texto de fundo da revista, da autoria de Jaime Nogueira Pinto.
Deste texto, sublinho duas interessantes passagens.
A que revela e denuncia as reacções dos campeões da tolerância face ao resultado esmagador da vitória de Salazar (41%) no concurso "Os grandes portugueses":
"As reacções à vitória de Salazar no concurso ilustraram essa intolerância real dos tolerantes «oficiais». Já antes essa possibilidade causava uma notória apreensão, sobretudo quando foi observado que as coisas não corriam de feição e tudo, efectivamente, foi apresentado como remédio preventivo para a tão perigosa «ressurreição» do fascismo que implicaria Salazar ganhar. Vitória que, entretanto, depois, se quis minimizar. A estratégia da «tolerância» teve várias fases:
Primeiro: antes de mais, proibir «Salazar» de participar, quer dizer não incluir o seu nome nas listas dos candidatos.
Segundo: depois de «incluído» ou melhor «engolido» arranjar-lhe uma biografia tenebrosa, só divertida, porque comparada com a de Cunhal, demonstrava o facciosismo «burro» dos autores.
Terceiro: o segredo guardado como «segredo de Estado» da classificação relativa dos «dez mais» seleccionados para a final.
Quarto: a coligação «negativa» articulada na noite da finalíssima, e os actos de clara hostilidade à escolha dos votantes - dos «portugueses» - como diria a Teresa Guilherme.
Quinto: a patética invenção de uma «sondagem» que antecedeu o anúncio dos resultados da finalíssima e a pretensão de contrapôr o carácter «científico» da amostra de menos de 1000 inquiridos ao carácter «pouco científico» da amostra de mais de 200.000 que votaram na finalíssima.
Sexto: a própria noite da «finalíssima» em que, com duas excepções - Rosado Fernandes e José Miguel Júdice - todos os intervenientes e parte das «claques» se sentiram obrigados, mais que defender o seu candidato, a directa ou indirectamente fazerem a sua guerra a Salazar. Assistimos assim, até ao «branqueamento» em termos de «direitos humanos» (como grande defensor da população muçulmana de Lisboa conquistada) de D. Afonso Henriques. E vimos o Dr. João Soares a sustentar o «humanismo» do Marquês de Pombal!
Porque a correcção política mandava que naquela noite, o mau da festa tinha que ser Salazar! E só ele!
A seguir ao programa, houve algumas explosões de escândalo «incontido» - logo ali na própria RTP a magnífica lição de civismo e cultura democrática de Odete Santos. Depois de alguns comentários apocalípticos de conhecidos antifascistas, mudou completamente a toada: foi a «desvalorização" - que não passava de um concurso (o que eu disse na noite da vitória) - e que os estudos «científicos» - as sondagens ad hoc - davam outro resultado.
Mas nelas, Salazar continuava à frente de todos os contemporâneos, isto é, dos «grandes portugueses» do século XX.» (págs. 20/21)

A outra passagem é esta:
«Em 1961, começa a guerra em África, em Angola. Salazar entende do interesse nacional de defender o Império porque nele sempre viu a base de massa crítica e da diferença nacional, isto é um sine qua non da própria independência do país. Deste modo, e graças a um clima de patriotismo e reacção nacional aos ataques da UPA-FNLA no Norte de Angola, ordena a mobilização das tropas. Depois de vencer a conspiração de Júlio Botelho Moniz, ministro da Defesa. Em 1963 a guerra começa na Guiné e em 1964 em Moçambique. Esta "questão do Ultramar", ou "colonial", é hoje o ponto principal dos seus críticos. Podia ter feito outra coisa? Post res perditae, é sempre mais fácil racionalizarmos o acontecido. Ou seja se se perdeu era para perder. Pessoalmente, eu que fui um defensor na época, e muito jovem, dessa unidade para sempre, dou-me conta de que independentemente da bondade da situação, realisticamente, um médio ou pequeno-médio poder não pode, indefinidamente, lutar contra a História e a ordem internacional.
E mais: a minha observação da África pós-independência leva-me a concluir que não era tão impossível uma manutenção de interesses - culturais e económicos e até de influência política - sem a soberania." (Pág. 25)

Pois é. Penso que o senhor Jaime Nogueira Pinto, hoje uma pessoa amadurecida, evoluída, sem aquelas ideias "anarco-fascistas" típicas de um jovem, prefere uma manutenção de interesses sem a Soberania.
Compreendo-o perfeitamente. Como Portugal já não existe, terminou com a traição do 25 de Abril e com a "integração europeia", a soberania portuguesa já não existe mais. O que existe é, sim, "uma manutenção de interesses" e ninguém melhor do que o próprio para defender tal tese tendo em atenção a sua "manutenção de interesses" na barragem moçambicana de Cabora Bossa bem como em Angola, primeiro com a Unita e agora com o MPLA.
Por mero acaso e coincidência lembro aqui as palavras de
António Barreto:
"Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa. Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?»
Aqui temos um típico representante da direita dos interesses, a direita muito direitinha é a tal que só interessa à esquerda e com ela (con)vive! É a direita das negociatas que se está a marimbar para a Pátria, para a Soberania, para o Povo! Essa, a direita do sistema económico-financeiro que tudo vende e troca por meia dúzia de tostões, quero dizer, dólares!

16.4.08

Centenário de António Lopes Ribeiro

Faria hoje cem anos de vida um Senhor da Cultura Portuguesa, de seu nome António Filipe Lopes Ribeiro.
Sobre a sua vida e obra é de consulta obrigatória o texto da autoria de João Marchante, na Alameda Digital: "Preparando um centenário" bem como este surpreendente texto publicado pelo Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões na Universidade de Hamburgo, na Alemanha e não esquecendo os textos de Lopes Ribeiro, o Senhor Cinema assinado por Eurico de Barros bem como o de Ana Vitória intitulado "António Lopes Ribeiro nasceu há cem anos".
Fez parte de uma lista de candidatos Independentes de Direita integrados na lista do PDC às eleições intercalares de 3 de Dezembro de 1979, onde concorreu como o n.º 3 da lista de Leiria.

Dessa célebre lista de Independentes de Direita constavam: Manuel Maria Múrias (1.º na lista de Lisboa), Gilberto Santos e Castro (1.º na lista de Leiria), Fernando Jasmins Pereira (2.º da lista de Leiria), António Manuel Couto Viana e Maria Valentina da Silveira Machado (1.º e 2.º da lista de Viana de Castelo), da qual obtiveram uma votação de 70 mil votos.
Foi também candidato por Lisboa da coligação PDC-MIRN-FN que concorrou às eleições legislativas de 5 de Outubro de 1980 e cujo resultado viria a significar o desmembramento de toda a Direita nacionalista graças à vitória da AD, já que a direita inteligente, abrangente, evoluída, a tal direita direitinha votou na coligação democrática convencida que ao dar a vitória à AD acabaria com o PS em Portugal. Trágicas ingenuidades...


Pela minha parte, deixo aqui este seu poema sobre a "descolonização exemplar".

REQUIEM NOS CAIS DE LISBOA

Desde Belém ao Beato,
Descarregados de botes,
Empilham-se ao desbarato
Muitos milhares de caixotes.

Numa larga, extensa linha,
Ocupam lados e centro
Do cais; mas não se adivinha
O que contêm lá dentro.

— O que será? — perguntei
A dois ou três empregados.
Respondeu um: — P`lo que sei,
É tudo dos retornados.

Exclamei: - Senhor! Senhor!
(E comecei aos pinotes)
Tanta coisa de valor
Metida à força em caixotes!

Onde estão, que descaminho
Levaram (sabe-se lá!)
As estátuas de Mouzinho
E de Correia de Sá?

Quantas camas, quanto berço
Transformado num caixão?
E não há quem reze o terço,
Quem murmure uma oração?...

Desceu a noite. No escuro,
Perguntei, sem ver mais nada:
— E qual será o futuro
Dessa gente atraiçoada?...

Sem consultar um oráculo,
Eu contemplei, indignado,
O pavoroso espectáculo
Dum império encaixotado.

António Lopes Ribeiro

In «Resistência», n.º 128, 15.06.1976, pág. 6.

Humor

15.4.08

Livro: Angola 1960/1965: Surpresa - Guerra - Recuperação


Da autoria de Manuel Graça e Costa, "Angola 1960/1965 – Surpresa, Guerra e Recuperação", edição do Autor no ano de 1998, com 223 páginas, 268 fotografias e pelo preço de 15€.
É um livro/álbum fotográfico extraordinário onde o repórter-fotográfico através da sua máquina fotográfica mostra-nos o terrorismo praticado pelos turras na Província Ultramarina de Angola.
A ler e ver de dentes cerrados!

O livro deve ser pedido a:
Manuel Graça
Rua da Abelheira, n.º 3, R/C-Dt.º
2735-013 Agualva - Cacém

Fala quem sabe e do que sabe...

"Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa".

Alberto João Jardim

14.4.08

Livro: Holocausto em Angola


Finalmente, a Verdade começa a vir ao de cima.
Era uma questão de tempo.
Demasiado tarde, na minha opinião, pois Portugal já não existe! Agora, é West Coast of Europe!!! E Angola, está despedaçada pela pata do colonialismo americano.Eis mais um livro sobre a descolonização exemplar ou, como dizem agora, a descolonização possível.
A traição está consumada e os responsáveis ficaram impunes face à justiça democrática! Mas, que não se esqueçam que acima da justiça humana está a Justiça Divina!
Como não creio quer em Léon Bloy que afirmava que Deus estava de braços cruzados, nos confins do céu; quer em Nietzsche que dizia que Deus tinha morrido, acredito, sim, em
Céline que asseverava que Deus está em reparação!
Após um silêncio editorial de quase trinta anos - sim, porque muito livro entre 1975 e 1980 foi publicado. A lista é extensa para ser divulgada, mas um dia fá-lo-ei - a editora Prefácio começou a publicar livros sobre a descolonização, como os da autoria do General Silva Cardoso ("
Angola, Anatomia de uma tragédia" (editado pela Oficina do Livro) e "25 de Abril de 1974, a revolução da perfídia"), do tenente-coronel António Lopes Pires Nunes ("Angola 1961 - Da baixa do Cassange a Nambuango"), do coronel Manuel Amaro Bernardo ("Combater em Moçambique (1974-1975)", "Memórias da Revolução (1974-1975)", é dado agora à estampa pelas Edições Vega, "Holocausto em Angola -Memórias de entre o cárcere e o cemitério", de Américo Cardoso Botelho, (v. Público, de 13.04.2008):

«Angola é nossa!
Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: "Memórias de entre o cárcere e o cemitério". O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que "já sabiam". Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.
O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam "julgamentos populares", perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores.
A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: "Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela".
Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado. Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados.
Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona. Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa.
Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?

António Barreto»

P.S. - Pilhado com a devida vénia d`O Sexo dos Anjos.
Um reparo às afirmações de António Barreto: "Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam."
Assim é, na realidade, mas essa direita a que se refere, a direita muito direitinha é a tal que só interessa à esquerda e com ela (con)vive! É a direita das negociatas que se está a marimbar para a Pátria, para a Soberania, para o Povo! Essa, a direita do sistema económico-financeiro que tudo vende e troca por meia dúzia de tostões, quero dizer, dólares!

13.4.08

A dúvida do Manlius

Anda o meu bom amigo e camarada Manlius intrigado com Freitas do Amaral por causa do livro "Viriato» ter sido apreendido a Mário Machado, e que faz parte das provas do Ministério Público no processo em que Mário Machado é alvo da justiça democrática.
Caro Manlius, isso já eu sei há muito ano e vou revelar aqui e agora como e porque o sei!
Há poucos anos, andava eu nas minhas incursões pelos alfarrabistas quando encontro o livro «Os nossos Mestres», da autoria de Fernando Campos. Como se sabe, é um livro raro de se encontrar e pedi ao alfarrabista que mo reservasse. Dito e feito.
Passados uns dias, fui buscar o livro para o pagar quando o alfarrabista me diz: «Sabe, teve sorte! Pouco tempo depois de sair daqui, telefonou o dr. Freitas do Amaral a perguntar se ainda tinha o livro à venda. Disse-lhe que estava reservado para um cliente habitual, mas que se desistisse o livro seria para o Professor.»
Esta história é verídica e comprova o que o Ministério Público deverá pensar sobre o ex-presidente do CDS, membro do Conselho de Estado e assinante da entrega da Província Ultramarina de Cabo Verde ao PAIGC!
Imagina se vão a casa de Freitas do Amaral, deve ser um fartote de livros apreendidos...