15.4.08

Livro: Angola 1960/1965: Surpresa - Guerra - Recuperação


Da autoria de Manuel Graça e Costa, "Angola 1960/1965 – Surpresa, Guerra e Recuperação", edição do Autor no ano de 1998, com 223 páginas, 268 fotografias e pelo preço de 15€.
É um livro/álbum fotográfico extraordinário onde o repórter-fotográfico através da sua máquina fotográfica mostra-nos o terrorismo praticado pelos turras na Província Ultramarina de Angola.
A ler e ver de dentes cerrados!

O livro deve ser pedido a:
Manuel Graça
Rua da Abelheira, n.º 3, R/C-Dt.º
2735-013 Agualva - Cacém

Fala quem sabe e do que sabe...

"Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa".

Alberto João Jardim

14.4.08

Livro: Holocausto em Angola


Finalmente, a Verdade começa a vir ao de cima.
Era uma questão de tempo.
Demasiado tarde, na minha opinião, pois Portugal já não existe! Agora, é West Coast of Europe!!! E Angola, está despedaçada pela pata do colonialismo americano.Eis mais um livro sobre a descolonização exemplar ou, como dizem agora, a descolonização possível.
A traição está consumada e os responsáveis ficaram impunes face à justiça democrática! Mas, que não se esqueçam que acima da justiça humana está a Justiça Divina!
Como não creio quer em Léon Bloy que afirmava que Deus estava de braços cruzados, nos confins do céu; quer em Nietzsche que dizia que Deus tinha morrido, acredito, sim, em
Céline que asseverava que Deus está em reparação!
Após um silêncio editorial de quase trinta anos - sim, porque muito livro entre 1975 e 1980 foi publicado. A lista é extensa para ser divulgada, mas um dia fá-lo-ei - a editora Prefácio começou a publicar livros sobre a descolonização, como os da autoria do General Silva Cardoso ("
Angola, Anatomia de uma tragédia" (editado pela Oficina do Livro) e "25 de Abril de 1974, a revolução da perfídia"), do tenente-coronel António Lopes Pires Nunes ("Angola 1961 - Da baixa do Cassange a Nambuango"), do coronel Manuel Amaro Bernardo ("Combater em Moçambique (1974-1975)", "Memórias da Revolução (1974-1975)", é dado agora à estampa pelas Edições Vega, "Holocausto em Angola -Memórias de entre o cárcere e o cemitério", de Américo Cardoso Botelho, (v. Público, de 13.04.2008):

«Angola é nossa!
Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: "Memórias de entre o cárcere e o cemitério". O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que "já sabiam". Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.
O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam "julgamentos populares", perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores.
A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: "Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela".
Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado. Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados.
Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona. Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa.
Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?

António Barreto»

P.S. - Pilhado com a devida vénia d`O Sexo dos Anjos.
Um reparo às afirmações de António Barreto: "Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam."
Assim é, na realidade, mas essa direita a que se refere, a direita muito direitinha é a tal que só interessa à esquerda e com ela (con)vive! É a direita das negociatas que se está a marimbar para a Pátria, para a Soberania, para o Povo! Essa, a direita do sistema económico-financeiro que tudo vende e troca por meia dúzia de tostões, quero dizer, dólares!

13.4.08

A dúvida do Manlius

Anda o meu bom amigo e camarada Manlius intrigado com Freitas do Amaral por causa do livro "Viriato» ter sido apreendido a Mário Machado, e que faz parte das provas do Ministério Público no processo em que Mário Machado é alvo da justiça democrática.
Caro Manlius, isso já eu sei há muito ano e vou revelar aqui e agora como e porque o sei!
Há poucos anos, andava eu nas minhas incursões pelos alfarrabistas quando encontro o livro «Os nossos Mestres», da autoria de Fernando Campos. Como se sabe, é um livro raro de se encontrar e pedi ao alfarrabista que mo reservasse. Dito e feito.
Passados uns dias, fui buscar o livro para o pagar quando o alfarrabista me diz: «Sabe, teve sorte! Pouco tempo depois de sair daqui, telefonou o dr. Freitas do Amaral a perguntar se ainda tinha o livro à venda. Disse-lhe que estava reservado para um cliente habitual, mas que se desistisse o livro seria para o Professor.»
Esta história é verídica e comprova o que o Ministério Público deverá pensar sobre o ex-presidente do CDS, membro do Conselho de Estado e assinante da entrega da Província Ultramarina de Cabo Verde ao PAIGC!
Imagina se vão a casa de Freitas do Amaral, deve ser um fartote de livros apreendidos...

Leitura semanal

Arqueofuturista
Vicente Risco, o homem e a obra

Manlius
Logo agora...
Meu Deus, como está a nossa Universidade
E o Freitas do Amaral também?

Assim se vê a força deles...

Mais senhor Littell
Bons tempos em que os eleitores eram consultados
Estou cheio de medo!

Nova Frente
Imoral e impolítico
El Moita
Sentença na hora

Pena e Espada

Dos 7 aos 77 anos
Faça-se justiça!
XII Objectos do itinerário de Mário Saa


Último Reduto
Filhos de um Deus menor

Revisionismo em linha

10.4.08

Em Canto e Ana Vidal

No dia 19 de Abril, às 20h30m, na Quinta de São João do Marco, na Castanheira do Ribatejo (EN1, km 29). A inscrição no valor de 35€ deverá ser feita até ao dia 15 de Abril para a Exma. Sr.ª D. Maria Bobone Mira: telem - 91 909 50 90 ou para o email mbobonemira@yahoo.com.br.

9.4.08

Livro: Angola 1961 - Da Baixa do Cassange a Nambuangongo



A Prefácio Editora edita mais um interessante livro da colecção "Guerras e Combates". Com 180 págs. e ilustrado trata dos trágicos acontecimentos e massacres no norte de Angola perpretados pelos terroristas da UPA a 4 de Fevereiro e a 15 de Março de 1961.
O autor aborda a ligação internacional do pseudo pan-africanismo, fruto das descolonizações europeias, passa pelo assalto pirata do paquete "Santa Maria" chefiada pelo traidor Henrique Galvão, à heróica resistência de Mucaba, entre outros episódios.
Um livro a ler com atenção.
António Pires Nunes foi autor do livro "Angola: 1966-1974. Vitória militar no leste" editado pela Tribuna da História, em 2002, para a colecção "Batalhas de Portugal".

Há a destacar, também, a colecção "Estudos e Documentos" com livros interessantes como os da autoria de coronel Manuel Amaro Bernardo ("Memórias da Revolução (1974-1975)", "Combater em Moçambique - Guerra e Descolonização (1964-1975)" "Guerra, Paz e Fuzilamentos dos Guerreiros - Guiné, 1970-1980".

Prefácio Editora
R. Pinheiro Chagas 19 – 1º - 1050-174 Lisboa
tel.: 21-314 33 78
fax: 21-314 33 80
email:
editora.prefacio@mail.telepac.pt

Robert Mugabe, é assim mesmo!

Segundo o Jornal de Notícias, o presidente do Zimbabué (antiga Rodésia) mandou prender vários técnicos e funcionários da Comissão Eleitoral.
É bem feito, ninguém os manda armarem-se em especialistas eleiçoeiros!

8.4.08

Maçonaria pede explicações a Durão Barroso

Segundo o Diário de Notícias, o ex-primeiro ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, reune-se hoje com a maçonaria "europeia".
Cá para mim, vai levar com o maço em cima, com régua e esquadro!

Mircea Eliade: novos livros

Edição da Editora Bico de Pena, este livro pretende ser uma autobiografia na qual, o realizador de cinema, Francis Ford Coppola se baseou para fazer o filme "Youth without Youth".



A Cavalo de Ferro, publicou o primeiro volume das novelas completas de Mircea Eliade.
Uma boa notícia e que tenham sucesso na edição completa.

4.4.08

Hitler: A Maior Luta da História

A Padrões Culturais Editora editou agora em opúsculo o discurso de Hitler, "A Maior Luta da História".

Eis a primeira edição em português pelo Serviço de Informação da Legação Alemã.

1.4.08

Filme: Excalibur

“… As idades obscuras… A terra estava dividida e sem Rei. No meio deste tempo perdido começou a lenda do Mago Merlin e a chegada de um Rei, de uma espada poderosa: Excalibur”
“Entrámos na garganta do Dragão…”. Achamo-nos, sem dúvida, ante um mito que foi plasticamente modelado para chegar a um público desejoso de novidades e originalidades. E ainda assim, queira-se ou não, constata-se um facto muito importante: Este filme inspira e desperta os mais nobres anseios de muitos jovens. Como algo que acorda desde os tempos mais remotos e imemoriais, surge como um impacto no nosso interior adormecido, na Lembrança Espiritual do nosso Sangue.
As personagens desta maravilha de arte cinematográfica, encarnam de forma inultrapassável o papel que lhes foi atribuído. Muitos somos os que ficamos absorvidos por essa figura cheia de Sabedoria e simpatia que é Merlin, essa Nobreza, símbolo da Amizade, que é Lancelote, esse constante afã por manter a Paz e a Justiça, que é Artur, ou essa Juventude inocente com ânsia de aventura e auto-superação que é Percival.
Cada personagem conquista-nos profundamente, harmonizando o seu aspecto exterior com o espírito que irradia desde o seu coração em cada gesto, em cada olhar, em cada palavra. Curiosamente, todos são actores quase desconhecidos, como se viessem expressamente do mundo da lenda, do além dos tempos, para despertar uma lembrança que permaneceu adormecida durante séculos.
Qual foi a intenção do director? É muito difícil sabê-lo. É possível que seja totalmente inconsciente da sua obra. É possível que no seu afã de alcançar uma novidade radical, tenha obtido este resultado. Não podemos negar que no filme não existe rigorosidade quanto ao seguimento da lenda, o que não é nem mais nem menos do que o que fazem todos os directores quando querem fazer algo demasiado grande.
Existe uma concessão à morbosidade do grande público? É possível… porém, esse “enorme dispêndio” de sangue que tanto se lhe aponta, ou a famosa cena do corvo comendo um olho, não fazem mais que dar um acento mais cru que nos aproxima minimamente às dramáticas circunstâncias que as personagens estão a viver. A partir destes toques de crueza e exagero, o espectador faz-se participante desse mundo em luta. Indubitavelmente, não tem nada que ver com os clássicos filmes de índios nos quais o espectador passa o tempo ou pouco mais, e onde o imperante é a carência de toda a Transcendência.
O “leitmotiv” deste filme reside no valor do Sangue e tudo o que isto significa: Nobreza, Honra, Amizade, Amor… e também a aceitação das debilidades, como a traição que, apesar de tudo, são superadas e redimidas através da Fidelidade e da Nobreza, ou seja, também pela força superadora que habita no Sangue. O “valor do Sangue” apresenta-se nesta obra por cima de toda a crença ou religião. Por um lado aparece a religião, sem credos, sem dogmas, que só é acessível através da comunhão com a Natureza e, sobretudo, com o grande Céu que cada herói porta nas suas veias e que deve conquistar. Esta sabedoria é representada por Merlim, que instrui ao homem para que, afinal, quando o momento chegar, fique só e saiba ser um verdadeiro Rei. “Uma Terra, um Rei…”, este é o Segredo do Graal. O esquecimento destas palavras provocou a decadência, a pobreza da terra, as enfermidades e a fome das gentes. Que grande similitude com a actualidade! A Magia reside, precisamente, na recordação de umas palavras, nem mais nem menos, porque “a perdição do homem é o Esquecimento…”. A terra, o povo, o Rei, devem ser uma mesma coisa. Mais uma vez, a união do Homem com a Natureza, a união do Sangue e do Solo: “Uma Terra, um Rei…”.Por outro lado, uma magia negativa, a do ódio, a do rancor e da vingança, a que hoje impera no mundo; a magia que foi roubada por aqueles que não a mereceram, o Mundo de Morgana e de Sião.
Merlin é a estrela do filme. As suas frases vivem por si: “quando um homem mente, mata uma parte da Humanidade…”; “Lembra: há sempre alguém mais esperto do que tu….”; “O mal e o Bem; dificilmente existe um sem o outro…”; e sobretudo “Chegou a hora dos homens e dos seus costumes…”. O homem, hoje, nestes blocos de cimento, vive de costumes novos ou velhos, pouco importa, mas em definitivo ninguém sabe ver o que há para além do seu nariz. Hoje, o mais “nobre” dos homens é um ser retorcido, rancoroso, intolerante, que se crê possuidor da única verdade. É um fruto deste mundo de costumes mecanizados. Os “bons” contentam-se em ter um bom pensamento cada dia, para capitalizar essa segurança social do “Além” que chamam céu.
Na procura do Graal morrem todos os guerreiros, só sobrevive um, e ele vence por todos. E como vence Percival? No filme isso reflecte-se bastante bem: Vinte anos de luta, vagabundeando, buscando, para dar-se conta de que nada exterior tinha importância, no fundo tudo é um sonho pelo que não nos devemos deixar arrastar. Afinal, despoja-se de todo o atributo, de toda a vestimenta e, mais uma vez, praticamente nu e com a única coisa que lhe restava, a Esperança, a Fé, responde ante o grande Segredo para descobrir o que foi na origem: “Uma terra, um Rei…”. Nada era mais importante do que estas palavras. Ele, sozinho, nu, com o seu corpo, com a sua Esperança, com a sua Fé, e com o seu Rei, tudo era uma mesma Unidade, e nenhuma outra coisa tinha importância. É a Suprema Singeleza, revelada em palavras tão grandes como Fidelidade, Honra, Amizade… e revelada também num caminho cruel marcado pela luta e o Desapego.
Surpreende que, quem isto escreve, possa ver, num filme como este, todo o contrário do que alguma outra pessoa pudesse interpretar. E não deixa de ser surpreendente que alguns até realizaram uma autêntica perseguição intelectual totalmente obsessiva contra este filme. Cumpre saber que quem possua a Verdade não deveria ter medo de perdê-la.
Qualquer aspecto do filme poderia ter uma interpretação na Luta Eterna da nossa Raça, girando tudo em torno à tão mítica Sabedoria Perdida, representada pelo mundo de Merlin, como parte humanizada do Grande Dragão, símbolo de tal Sabedoria. Muito significativo é o facto de que, depois de ter desaparecido materialmente e depois do triunfo na Procura do Graal, o Mago volta, e, por que volta? Primeiro, foi derrotado pelo Inimigo, que lhe rouba a magia, falseando a Sabedoria, e depois, quando os guerreiros emendam a involução, reconquistando o Segredo Perdido, renasce dentro deles: Merlím passa a fazer parte deles, vive o que ele chama “O Mundo dos Sonhos”, “Sonho para uns, pesadelo para outros”. Sendo esta a grande consequência do triunfo: o Conhecimento volta ao homem, o homem converte-se por sua vez em Mago, ou seja, é Sacerdote-Guerreiro, no sentido mais elevado da palavra. Merlin e Artur são um mesmo e, a partir desta Reconquista, o Inimigo acha o seu fim, a Obscuridade começa a dissipar-se.
E veja-se o grande paralelismo, mais uma vez, com a nossa luta: o derradeiro encontro de Morgana com Merlin. O Inimigo, na sua obsessão e no seu ódio, converteu-o num sonho, trágico para Ele, ainda que esperançoso para o Novo Mundo que nascerá regenerado. Merlin foi derrotado e agora não tem nada a perder, e por isso aparece a Morgana de forma invulnerável, porque os Cavaleiros do Graal fizeram-no Eterno.
O Derradeiro Batalhão, que tanto tempo esteve aguardando, derrota por fim o Inimigo. Desta forma fecha-se um ciclo na Humanidade: a Espada volta ao lago, e Artur viaja à Ilha da Imortalidade, acompanhado da wagneriana “Marcha Fúnebre de Siegfried”; pouco tem de morto e muito de Eternidade. Estas foram as suas derradeiras palavras: “Um dia chegará um Rei e a Espada ressurgirá das Águas”.
Eternamente repete-se o Mito, eternamente volta o Rei Artur e o Mago Merlin, porque vivem no interior dessas Águas que são o nosso Sangue, que é o Mundo da nossa Raça.
Vai este artigo para aqueles que viram neste filme algo verdadeiramente superior, sem rancor para os que tenham rancor, sem ódio para os que tenham ódio, porque apreendemos algo mais: Artur, Merlin, Lancelote, Percival, somos nós próprios, a maior verdade que possuímos é o valor do Sangue que corre pelas nossas veias, o nosso escudo é a nossa Fé, e tudo isto é o que além de todos os tempos forja a nossa espada: EXCALIBUR!
Anál natchrach, orth´ bháis bethad, do chél denmha.

Francesc Sánchez-Bas


Adaptado de Frederico Traspedra, na Terra e Povo - Galiza e pilhado ao Fogo da Vontade.