9.10.07

Petição por S.A.R. Rei D. Carlos I e Príncipe D. Luís Filipe

«A 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17:20 horas, no Terreiro do Paço junto à esquina com a Rua do Arsenal, foram assassinados o Rei Dom Carlos I e o Príncipe Real Dom Luís Filipe.
Este acontecimento trágico, geralmente reconhecido como um dos mais marcantes da História de Portugal, merece bem ser evocado com a imparcialidade e a clarividência que a distância de um século já permitem.
Sem menosprezo das legítimas opiniões pessoais de cada um dos Portugueses acerca do regime actualmente vigente, consideramos importante e oportuno assinalar o centenário do Regicídio.

Na verdade, trata-se de condenar um acto de terrorismo contra um Chefe de Estado legitimamente empossado e contra o seu sucessor constitucionalmente consagrado, acto planeado e perpetrado sem manifestação de vontade ou participação da esmagadora maioria de um Povo de índole pacífica e tolerante.
Assim, ao abrigo do artigo 52º da Constituição da República Portuguesa e nos termos da Lei n.º43/90, de 10 de Agosto, vêm os signatários solicitar a V.ª Ex.ª o seguinte:
1 - que o dia 1 de Fevereiro de 2008, centenário do Regicídio, seja decretado dia de Luto Nacional;
2 - que às 17:20 horas desse dia seja cumprido um minuto de silêncio, em homenagem a um dos maiores Chefes de Estado de Portugal e ao seu sucessor constitucionalmente consagrado.»


El-Rei D. Carlos com o Seu Estado-Maior
Pintura do Mestre Carlos Reis

P.S. Recebido por email.

Mestre Lima de Freitas - XXI

Cegadas nas ruínas do Carmo

Acrílico sobre madeira. 1986.

Alameda Digital n.º 9



Já está online o n.º9 sobre o tema "Ideologias: passado, presente e futuro."
Eu já li e recomendo. Façam o mesmo!

7.10.07

Mestre Lima de Freitas - XX

Jardim das Hespérides

Acrílico sobre tela. 1986.

Leitura semanal

A Voz Portalegrense:
Revisonismo

Dragoscópio:
Dos pigmeus aos homúnculos
República da bandalheira
Não são contas do nosso rosário


Linha do Horizonte:
Israel e os terroristas
As ajudas dos EUA a Israel

Manlius:
Brasillach e a sua obra - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8.
Documento para a História
Erros nossos, má fortuna

Mneme:
História

Alerta do SOS Racismo sobre o terror nazi-fascista

O SOS Racismo alertou para o perigo de miúdos (não são jovens!) em idade escolar entre os 14 e 15 anos de idade andarem a espalhar o terror nas escolas da Margem Sul - o tal deserto descoberto pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino - com t-shirt`s com a imagem de Hitler.
Gostava de conhecer essa t-shirt para analisar a imagem do Führer a ver se a imagem é simpática ou antipática. Passo a explicar, a questão da imagem é importante porque se mostrar um Hitler histérico, com cara de anormal ou coisa do género, a abrir as portas das câmaras de gás ou os fornos crematórios com uma lata de Ziklon B nas mãos, julgo que essa t-shirt poderá ser vendida sem qualquer problema e até ser promovida em larga escala a sua venda.
Agora se a imagem for simpática, isto é, mostrar momentos com a HitlerJugend ou com a BDM aí, sim, deverá ser proibida e apreendida.
Sugiro que o SOS Racismo promova uma campanha de oferta de uma t-shirt vermelha com a estrela comunista e a imagem do Che Guevara a fumar um puro habano.
Realmente, é falta de gosto que alunos em idade escolar façam demonstrações de terror no deserto linesco e que com este frio vistam t-shirts nazis. É urgente uma campanha desnazificadora junto desses rapazinhos bastando para isso umas sessões da Lista de Schindler, do Shoah e outros grandes filmes desnazificadores!
P.S. - Será que o SOS Racismo pensou em oferecer camisinhas em vez das t-shirts?

4.10.07

Tratado Europeu: o embuste ocultado

O meu amigo e camarada Humberto Nuno Oliveira dará uma conferência no próximo sábado sobre a Eurolândia que está a ser "cozinhada" pelos eurocratas. A não perder!

3.10.07

Mestre Lima de Freitas - XIX

O milagre das rosas.
Acrílico sobre madeira. 1987.

A PROPÓSITO DE «A PROTO-HISTÓRIA DA GUERRA DE ESPANHA

Recebi cerca de duas dezenas de mensagens via e-mail perguntando-me pela polémica de Rodrigo Emílio com o Dr. Júdice, pois tinham lido os links referentes à "Proto-História da Guerra de Espanha" e a crítica do ex-nacional-revolucionário e defensor de Sousa Mendes. Perguntavam-me se havia alguma resposta de Rodrigo Emílio a essa crítica e onde a podiam ler.
Pois, meus caros amigos leitores, aqui fica a réplica do Rodrigo ao seu jovem e radical primo.

«A PROPÓSITO DE "A PROTO-HISTÓRIA DA GUERRA DE ESPANHA"
— Réplica a José Miguel Júdice —

Meu caro José Miguel Júdice:

Só mesmo o José Miguel — a quem me ligam estreitos lagos de camaradagem ideológica, e até de sangue, para já não falar do apreço intelectual em que o tenho — me determinaria a alinhar este dialogal acerto de razões por carta aberta. De contrário, declinaria a solicitação; e decliná-la-ia, porque sempre me repugnou afinar por figurinos de expressão, que eu reputo apanágio das esquerdas, e mormente das esquerdas tecnocráticas, que deles se apossaram em primeira mão, fazendo jus, ao seu exclusivo. Cartas abertas (ou entreabertas), mesas-redondas —, mais — ou — menos redundantes, colóquios-em-círculo-vicioso-e-viciado, são exteriorizações que se prendem com um mundanismo bem-pensante, de patente, ou matriz, eminentemente esquerdista. Ora eu — até utilizar aqui uma expressão felicíssima do José Rebordão — não quero ser apanhado a copiar as esquerdas, absolutamente em nada. O José Miguel veja nisto um fenómeno de rejeição, e nada mais. De resto, não atino porque razão havemos de andar permanentemente a reboque do que fazem (ou não fazem) as esquerdas!. . .
Movido por uma boa-fé invulgarmente sadia nos dias que correm, e por uma transparência de espírito, cujo grau de candura chega a meter-me inveja, o meu bom amigo, logo no dealbar da carta, trata de basear — em termos que pedem exorcismo mediato — a necessidade, e até mesmo a importância, de também nós, nacionais-revolucionários, nos passarmos a entender em muita coisa, através de diálogo-por-carta-aberta. Diz, textualmente, o José Miguel: "...escrevo porque não tenho dúvidas sobre as vantagens de nos debruçarmos criticamente sobre os textos de pessoas com as quais ideologicamente temos muitos pontos de contacto". E, logo a seguir, adita, ao modo de quem brande argumento edificante, de proveito e bom exemplo: "A intelectualidade marxista nisso — como em muitas outras coisas — até aí a revelar bem a importância do diálogo — que exige uma plataforma comum."
Ora bem. As dúvidas que o José Miguel não tem (sobre a vantagem de nos entregarmos a exercícios-de-cotejo–crítico-à-moda-dos-marxistas) tenho-as eu. Ou por outra: as dúvidas que tenho, valem por certezas, quanto à inanidade das receitas aviadas ao balcão da fancaria intelectual do comunismo (e não só!) Decididamente, não me está na massa do sangue aceitar, e acatar, como decisiva, imprescindível ou palpitante, a ideia de navegar nas mesmas turvas águas da tripulação marxista!... Porque não se iluda, meu caro: razões há — e muitíssimo corticais — para que todo o intelectual da esquerda goste assim tanto de chegar à fala, por via de tudo e de nada, com os seus correligionários. Creia-me: não é lá pelo desejo exemplar de funcionarem, ideologicamente, uns com os outros, no mesmo comprimento de onda: por outras palavras, não é com o louvável desígnio de afeiçoarem entre si pequenos pontos de discordância, e de catarem a doutrina até ao último pormenor — que os marxistas se avistam por escrito com tanta frequência. O caso é bem outro. Suas excelências pelam-se, muito simplesmente, por fazer grand état de ses connaissances, a pretexto disto ou daquilo. Como diria o Pessoa, concita-os a necessidade de serem inteligentes para entre a família. E, para o efeito, tudo Ihes serve. É esta a verdadeira motivação das manifestações dialogais a que temos tido ensejo de assistir. E o que já hoje mais há por aí (— Viva a carta-aberta!), é quem vá tirando cursos de formação ideológica por correspondência!...
Em face do que fica exposto, já se deixa ver que é, pois, com inteira relutância, que eu me presto a tomar parte neste jogo epistolar, a que o José Miguel me desafiou. Mas, por vir de quem vem, não rejeito o convite. Aceito o repto. E aqui me tem, a responder-lhe. Será uma vez sem exemplo. Mas, desde já na certeza de que é perfeitamente inglório estarmos para aqui a dar tinta à prosa (ou a dar prosa à tinta), com o fito de chegarmos a um acordo total. Sobre isto, não tenho veleidades, e lavro, já de caminho, uma moção de desconfiança quanto ao êxito desta operação de permuta de ideias administradas por via polémica. Porque bem vê: ao cabo desta amistosa confrontação por escrito, é certo e sabido que o José Miguel teimara na sua, e eu porfiarei na minha, e que esta nossa incursão, aos meandros da guerra de Espanha, não nos conduzirá, praticamente, a nada. Mais valia dialogarmos de viva voz; até do ponto em que o seu estudo introdutório à Antologia do José António, sendo trabalho que eu reputo notável a muitos títulos, também ele ficou a merecer-me algumas reservas e reparos, que pessoalmente gostaria de precisar. Mas cara a cara. Frente a frente, e sem exibicionismos de caneta pública...
De resto, devo dizer-lhe que as objecções que o meu artigo suscitou no seu espírito (e à sua pena), me parecem de uma fragilidade, tudo quanto há de mais facilmente rebatível. E isto, porque a sua carta — toda a sua carta José Miguel — enferma de um erro de perspectiva, de todo o tamanho! O meu bom amigo — tomado, decerto, pela necessidade catártica de se libertar da aversão que tem a Franco — perdeu inteiramente de vista, qual o objecto do meu artigo. Por isso mesmo, sinto-me na obrigação de Ihe lembrar que o texto (e, para tanto, basta ter presente o título que eu Ihe pus) se reporta apenas à "Proto-História da Guerra de Espanha", e não, nunca, jamais à "História da Guerra" ou "Do Após-Guerra" ou "Do Franquismo" tão-pouco. Quero com isto dizer que, ao escrever o que escrevi, tive em mente, única e exclusivamente, os factos ou fenómenos ocorridos até 18 de Julho de 1936, e com directa implicação no concerto da guerra, propriamente dita. Agora, lá se o franquismo foi ou não foi, tem ou não tem sido, uma traição aos princípios, como o José Miguel pretende, é questão que extravasa do âmbito do meu articulado, parecendo-me fora de todo o propósito a sua formulação, uma vez que nunca isso esteve em causa no texto visado, desde o primeiro ao último período. Demais a mais, acontece que também eu não morro propriamente de amores por Franco, enquanto estadista. Venero-o, isso sim, como militar; e não me cansarei de enaltecer e glorificar a sua espantosa acção de cabo-de-guerra, no que não sou sequer original, dado que mesmo os mais sectários dos seus inimigos (a começar por Indalécio Prieto) Ihe tributaram, como tal, rasgadíssimo elogio.
Só que o José Miguel — volto a dizê-lo — esqueceu de todo que o meu texto, antes de mais e depois de tudo, é uma proto-história, e mais precisamente, a proto-história de uma guerra.
Daí que tanto o tenha escandalizado a esquematização a que eu procedi e por meio da qual mais não fiz, afinal, que definir e demarcar as (duas grandes) partes em presença, extremando campos que a guerra, ao depois, se encarregaria de extremar com divisionária nitidez, separando o trigo (ou Frente Nacional) do joio (ou Frente Popular), apartados cada um para seu lado, com prevalência do todo sobre as partes ideológicas componentes.
Ora, quando eu digo que "as direitas em peso tratam (...) de fundir, em denominador comum, todo um leque de formações partidárias" (em que cabem os Falangistas das Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista, os Carlistas da Comunhão Tradicionalista Espanhola e os militantes da Renovación Espanola e da Acción Popular Católica, etc.), é só em função da conjuntura da guerra que eu tal coisa afirmo. Pois não é verdade que a Falange, logo desde as primeiras horas, e mesmo antes, deu o seu aval ao Alzamiento? Ou acha o José Miguel que, aos falangistas, era inteiramente indiferente a sorte, ou o desfecho, da luta que se adivinhava iminente?!... E a ser assim, como se entende que Franco, antes de seguir para Santa Cruz de Tenerife, se tivesse avistado, pessoalmente com José António, e que este tenha indicado, desde logo, ao General, os elementos falangistas com os quais a U.M.E. («União Militar Española,») podia contar, tanto em Madrid como nas províncias?... E como se compreende, então, que já em Março de 1936 (em Março, veja você...) o tenente-coronel Segui, do Estado-Maior, e os grupos falangistas de Melilla, tivessem contactado entre si, a fim de assentarem ideias quanto à forma de melhor contrabaterem pelas armas o crescente perigo marxista? E não foi, por sinal, esse mesmo Segui, quem, mais tarde, mandou armar inúmeros quadros falangistas?... Mais: como explica o José Miguel que falangistas, requétés, monárquicos de Calvo Sotelo, juventudes da C. E. D. A. e da R. E., etc., tenham combatido e morrido, do mesmo lado da barricada, em Valladolid, Málaga, Sevilha, Saragoça, Oviedo, Gijon, Barcelona, Toledo, Madrid (mormente em Somossierra), etc., e até, inclusive, no próprio protectorado marroquino?!...
Assim, pergunto: em que se baseia o meu caro contraditor, quando (palavras suas) considera "nula, a actuação unitária" entre Falange e Carlistas? Por mim, creio que o espírito de corpo, que uns e outros revelaram no contexto da guerra-guerra, chega e sobra para desmentir, categoricamente, as observações em contrário, que o José Miguel me dirigiu. E quem diz Falange e Carlistas, diz Falange e agrários, Falange e C. E. D. A., Falange e monárquicos de Calvo Sotelo: até porque Sotelo — o José Miguel deve saber isso tão bem como eu, embora pareça apostado em ignorá-lo —, a breve trecho, foi designado e aceite, não como sendo, meramente, o chefe de um dado alinhamento político, mas como o próprio líder civil da sublevação que se gizava, da mesma forma que a Sanjurjo estava cometido o papel de seu líder militar.
Diferenças ideológicas mais ou menos acentuadas, é certo que as havia, entre todas as facções do bloco nacionalista; e sou eu o primeiro a reconhecer isso mesmo, quando, no meu artigo, as caracterizo uma a uma, e sobretudo, quando por lá aludo (palavras textuais) a «um leque de formações partidárias, matizado nas ideias» (repito: matizado nas ideias), "mas convergente nos propósitos" nos propósitos imediatos, bem entendido, e não só — «e solidário nas intenções» — intenções imediatas, também, e não só...
Ora, o José Miguel, ao negar que propósitos e intenções fossem comuns, está cerrando os olhos à realidade dos factos, os quais nos dizem que, no âmbito do conflito, todas as diferenciações ideológicas se esbateram e todos os antagonismos de ideário foram postos de parte, diante de um inimigo comum que importava conjurar prontamente e rechaçar sem comiseração. Logo que tocou a reunir, deu-se a aglutinação conjugada das direitas numa Frente Nacional. E se insisto na adopção desta expressão, que o José Miguel reputou inadequada, e porque, sinceramente, a acho ajustada à circunstância histórica em apreço. (De resto, tanto Brasillach e Bardèche, como Gaxotte e Domminique, foram unânimes neste ponto. E eu tenho a pecha de me orientar pelos autores que amo...)
Ainda em abono do seu ponto de vista, faz notar o meu bom amigo "que a Falange se apresentou às eleições solitária, não aderindo à Frente anti-revolucionária". É certo que sim. Mas do que não há dúvida também, é de que a Falange não observou semelhante procedimento, quando se tratou de combater os rojos pelas armas. E, longe de se quedar à margem da confrontação, irmanou-se, como já vimos, ao Exército, e fez corpo de guerra com os partidos já mencionados.
Porque, uma coisa é velar, e zelar, pela pureza teórica do Nacional-Sindicalismo, à luz do após-guerra e do franquismo; outra coisa, é entrever, fixar e analisar a posição da Falange, na moldura da guerra.
Por último, insurge-se o José Miguel contra o teor do parágrafo final do meu texto, levando a mal que aí se celebre a vitória franquista, em termos de algum modo prospectivos. Isso não significa, todavia, que eu não esteja ciente da incompletude que caracterizou a situação política surta da guerra. Bem sei: há que não desconhecer os perigos decorrentes de um grande triunfo; e admito que Franco os ignorou em grande parte. Mas isso — que já pertence, aliás, à História do Após-Guerra — não invalida, porém, tudo o que de positivo procede, afinal, da Proto-História da Guerra, e da guerra propriamente dita. E foi a Proto-História da Guerra (e com os olhos particularmente assestados a guerra que se ganhou), que eu, sobretudo, quis cingir-me, e também eu, a pensar nos dias de hoje...
Quanto a imprecisão, de ordem factual, que me aponta, sempre quero dizer-lhe que a inexactidão não é minha: é sua.
Posto isto, aceite o abraço admirador que daqui lhe envia o seu "antiguíssimo e idêntico",

Rodrigo Emílio»
In «Política», n.º 24/25 de 15.01/15.02.1974, págs. 25/26/40.

2.10.07

Mestre Lima de Freitas - XVIII

A montanha da lua.

Acrílico sobre madeira. 1988.

As desventuras fascistas do Dr. Júdice

Diz o meu amigo e camarada Walter Ventura - no postal anterior - que o Rodrigo Emílio tinha acertado ao dizer que o Dr. Júdice (Zé Miguel para os amigos e camaradas) "jamais poria os pés no nosso antro". Julgo que o Rodrigo quereria referir-se ao MAP pois o Dr. Júdice - defensor de Aristides de Sousa Mendes no concurso "Grandes Portugueses" - teve um devaneio militante e diletante pela Cooperativa Cidadela coimbrã onde faria editar, em 1972, na "Colecção Antologias Cidadela" - sob a sábia e sabedora direcção de Goulart Nogueira - este livro, de 268 páginas, sobre os pensamentos de José António Primo de Rivera e que lhe valeu uma estadia "reeducacional" de um mês em Caxias.
Felizmente, dirá o ex-bastonário da Ordem dos Advogados e militante laranjinha do PSD, pois entrou fascista e saiu democrata. É um verdadeiro case study para a reabilitação prisional portuguesa. Um sucesso único e ímpar!
Há, também, a não esquecer a polémica que teve com Rodrigo Emílio na revista "Política" sobre a "Proto-História da Guerra de Espanha", em finais de 1973 e inícios de 1974, onde levou uma grande, paciente e apostolada ensaboadela doutrinária do Rodrigo Emílio.

Pecados juvenis de José Miguel Júdice

«(...) Pior, muito pior, andou esta semana o senhor José Miguel Júdice que até já foi bastonário. Talvez para fazer esquecer ter andado, menino e moço, nas tenebrosas hostes fascistas, chegando a fazer uma recolha de textos de José António Primo de Rivera que entendeu prefaciar um tanto com os pés mai-los tempos pós-Prec em que colaborava gostosamente neste “Diabo”, como se sabe tenebrosamente “fachista”, achou por bem sublinhar ao “DN” os seus pergaminhos antifascistas ou lá o que são. E vai daí, ei-lo a contar as suas alegrias naquela leda madrugada aprilina que, como está à vista, tanto de bom nos trouxeram. Tanta foi a alegria que logo ali, com um amigo, abriu uma garrafa de um “bom Porto” que, parece, tinha à mão.
Fez bem, gabo-lhe o gesto e só lamento que, ao bom e nacionalíssimo Porto, não tenha preferido uma garrafa de vodka ou uns copázios de, também adequada cuba-livre.
Mas há coincidências do arco-da-velha. Imaginem vocências que, uns dois dias antes, em amena tertúlia com amigos de antanho, já não sei a que despropósito, o Zé Manel recorda um telefonema de Miguel Júdice para a sede do MAP – Movimento de Acção Portuguesa – oferecendo a sua adesão.
Convém aqui lembrar – acho que já contei esta “aventura” – o MAP morreu à nascença por decisão evidentemente democrática do MFA e similares.
Na madrugada de 27 de Setembro, fomos assaltados por um bando de tipos mal lavados, alguns com uma peça ou outra de fardamento a enfeitar os trajes civis.
Sumariamente, sem papeladas nem outras burocracias fastidiosas – mesmo antes de inventado o “Simplex” – passaram a sede a pente fino, partiram umas coisas e levaram outras e amontoaram-nos com todas as comodidades numa “Berliet” que seguiu para o Ralis. Mais tarde, fomos metidos em Caxias, onde passámos longos meses sem quaisquer formalidades.
Dias mais tarde, os jornais contavam que, entre outras malfeitorias, nos preparávamos para matar o admirável Vasco Gonçalves, alvejando-o de uma janela da nossa sede. Como somos estúpidos, tivéramos a ideia peregrina de partir a vidraça assassina uns dias antes o que, evidentemente, alertara a “vigilância popular” e a rapaziada das barreirinhas, etc. e tal.
A inventona caiu por terra quando apareceu um senhor arquitecto, verdadeiro proprietário da janela em questão, a reivindicar a posse da mesma e a jurar que jamais em tempo algum se meteria em tais assados, até porque era democrata da primeira hora e no seu atelier funcionava até uma célula a atirar para comunista.
Por acaso, fui eu quem atendeu o telefone de Miguel Júdice. Apresentou-se, num breve currículo em que, provavelmente por acaso, não mencionou o tal prefácio espúrio e disse-se primo do Rodrigo Emílio. Disse-lhe que seria bem-vindo e que bastava aparecer. Mais tarde, o Rodrigo, a quem transmiti a “adesão”, riu-se e garantiu que o “Zé Miguel”, jamais poria os pés no nosso antro.
Acertou.

Walter Ventura»
In O Diabo, pág. 17, 02.10.2007

29.9.07

Profanações

Dizia o nosso Amigo, Camarada e Mestre Rodrigo Emílio que não o preocupava que os skins usassem a cabeça rapada por fora. Era uma questão de estética, dizia o Rodrigo. O que o preocupava e muito eram aqueles que tinham a cabeça rapada por dentro. Sem querer fazer um diagnóstico, este último caso parece-me ser o exemplo acabado dos dois "nacionalistas" que, ao que parece, foram profanar o cemitério judaico de Lisboa. Digo ao que parece, porque lembro as falsas profanações do cemitério de Carpentras para incriminar camaradas franceses.
Faço notar que a imprensa nunca disse tratar-se de "jovens" - pois essa categoria pertence aos esquerdóides e demais ralé - . Disse logo, rapidamente e em força: "nacionalistas" e "nazis".
Pergunto o que esses dois tontos têm a ver com o Nacionalismo e com o Nacional-Socialismo. Relativamente, ao Nacional-Socialismo estão prontos a ensinar Joseph Goebbels, ministro da Propaganda, que nunca incitou à profanação de cemitérios judaicos na Alemanha!
Lembro a Noite de Cristal - cujo rastilho foi o assassinato de Von Rath, o Terceiro Secretário da Embaixada alemã em Paris - que foi pronta e violentamente criticada por Goebbels e Hitler, sendo afirmado que nessa noite os inimigos da Alemanha e do NacionalSocialismo ganharam apoios e que este tinha perdido parte da sua boa imagem devido à atitude de alguns energúmenos que tinham andado a partir montras de lojas judaicas. Mais de uma centena desses energúmenos foram condenados pela Justiça alemã.

28.9.07

Suástica fora de moda

A empresa multinacional espanhola Zara colocou à venda esta mala de senhora cujo preço desconheço. Este produto é "made in India" e provocou os mais acérrimos protestos "humanitários" da comunidade israelita espanhola levando a Zara a retirar o produto de venda ao público.
Estaremos perante um boicote à indústria indiana? Talvez não, pois reconhecemos que o símbolo milenar e tradicional da suástica faz parte da herança cultural europeia e indoeuropeia.
Pela minha parte, fico-me que é uma questão de moda. Todos sabemos que a suástica está fora de moda desde 1945!

26.9.07

Conferência: Batalha Cultural

A "Batalha Cultural" pelo Saber e pela Inteligência do meu amigo e camarada Bruno Oliveira Santos. A não perder!
Quem perde a batalha cultural perde o combate político.

Revista dos Centenários

O primeiro número da magnífica colecção "A Revista dos Centenários" de 31 de Janeiro de 1939. O último número (n.º 24) é de 31 de Dezembro de 1940.
Foi a revista que serviu de propaganda, de informação, de arquivo da efeméride centenária de 1140 e de 1940 com a chancela do Secretariado da Propaganda Nacional (S.P.N.)
Como escreveu o Presidente da Comissão Executiva:
"Integrada no quadro de serviços da nossa secção de Propaganda, em que brilhantemente superintende o sr. António Ferro, na sua dupla qualidade de secretário geral da Comissão e de director do Secretariado da Propaganda Nacional, a «Revista dos Centenários» será o instrumento de informação de que nos serviremos para dar a conhecer ao País o estado dos nossos trabalhos, a marcha das nossas iniciativas e a contribuição do nosso esforço para a realização do alto pensamento de Sua Ex.ª o Presidente do Conselho.
Esta função informadora é indispensável. torna-se necessário, não só esclarecer a opinião pública acerca dos projectos dos projectos em curso, dos programas em execução, dos métodos que addoptámos e das questões que ao nosso espírito se suscitam, mas ainda ouvir essa mesma opinião nas suas mais elevadas expressões, entrevistando individualidades ilustres e elementos representativos de todas as actividades, a fim de que a Comissão, na execução da obra que lhe foi confiada, seja - tanto quanto o pode ser - intérprete da vontade colectiva e do sentimento nacional. Para que a Nação sinta essa obra é preciso que, desde a primeira hora, a acompanhe.
A «Revista dos Centenários» exerce, também, a função de arquivo. Nela se publicarão os projectos, estudos, plantas, pareceres, relatórios, investigações, pesquisas, e outros trabalhos relevantes que, pelos seus organismos, a Comissão fôr produzindo; nela terão o seu lugar próprio, em reprodução, súmula ou simples referência, as espécies mais valiosas que a vasta mobilização documental a que procedemos nos revelar, mormente no que respeita aos monumentos históricos e peças de arte portuguesas, ou de interesse para Portugal, existentes em Bibliotecas, Arquivos e Museus de países estrangeiros; nas suas páginas, enfim, hão-de recolher-se e registar-se todos os elementos que documentarão amanhã a acção da Comissão Executiva no desempenho da honrosa missão de traduzir, senão de criar, o estado de vibração da consciência de um povo que celebra os seus oito séculos de história.

Além das funções de informação e de arquivo, procurará a «Revista dos Centenários» realizar a necessária acção coordenadora de todos os esforços, iniciativas e actividades que se inspirem no propósito patriótico de comemorar a fundação e a restauração da nacionalidade. Em 1940 não se efectuam apenas os actos e solenidades descritas no programa das festas oficiais; hão-de realizar-se outros, de carácter local e de iniciativa privada, que, embora estranhos à responsabilidade da Comissão Executiva, se subordinam ao mesmo pensamento das grandes festas nacionais e devem ser, na medida do possível, acompanhados pelo nosso interesse e orientados pelo conhecimento da nossa própria acção. Não nos limitaremos a contribuir para o êxito oficial das comemorações de 1940; vamos procurar, quanto em nós caiba, assegurar a unidade da sua expressão nacional.
Finalmente, a «Revista dos Centenários» realizará a propaganda externa e interna das festas, chamando para elas, e para a alta significação dos acontecimentos históricos que se comemoram a atenção de portugueses e de estrangeiros. Será um cartaz de larga expansão e de considerável mobilidade. Esforçar-nos-emos por torná-lo sugestivo e atraente.



Júlio Dantas"

24.9.07

Pintura de Eduardo Malta: Dom Afonso Henriques

Dom Afonso Henriques

Pintura de Eduardo Malta

Carlos Eduardo de Soveral: evocação de Artur Nunes da Silva

Falar e escrever sobre Carlos Eduardo de Soveral nunca é de mais. É todo o contrário, sempre muito pouco. Aqui vos deixo o testemunho de um seu amigo e camarada, Artur Nunes da Silva.

«Desculpe... cheguei atrasado!

Era habitual...
Muito mais que um hábito, era um ritual...
Nas suas vindas ao Porto..., encontrar-me com o Prof. Soveral.
As horas passavam rápidas...
Infringindo o limite de velocidade, o relógio acelerava...
Os nossos sentidos alerta...
Ouvíamos, víamos, sentíamos, degustávamos as suas palavras...
Eu e o Nonas!
Não as conseguíamos gravar... reter na nossa memória...
Sentia-me culpado...! Porque não levava um gravador de bolso?
Poderia assim digerir mais tarde... nos dias e semanas seguintes, todo aquele caudal de Cultura pura...!
Não sei se por ser meu Amigo... fazia-me lembrar, por vezes, outro vulto que admirei: Vitorino Nemésio e o seu monólogo “Se bem me lembro...”, mas pra melhor!
Não! Não era monólogo... muito menos conversa... aqueles encontros em casa da Rô, sua filha. Discurso..., discurso também não! Aula... sim, aula era o mais próximo daquilo que constituía para mim aquelas reuniões a três.
Antes de entrarmos, de tocarmos à porta, eu e o Nonas tínhamos de acertar a hora a que inexoravelmente nos levantaríamos para sair. Se o não fizéssemos, concerteza que dali sairámos directamente para o trabalho.
Não era fácil interromper aquelas “viagens mágicas”, às quais o tempo e o espaço não opunham barreiras.
No seu infinito saber, o nosso Carlos Eduardo Soveral dissertava...
Sobre tudo ele dissertava com uma profundidade de conhecimentos, de compreensão e análise crítica, que faziam dele um Homem ímpar da nossa Cultura contemporânea.
Naturalmente, passava da análise da negra e sombria realidade actual à empenhada vivência pessoal no tempo do Estado Novo, das agruras do forçado exílio ao elogio dos intérpretes da cultura espanhola que tanto admirava, da França do pré-guerra à Grécia antiga, de Esparta à Roma imperial...
Não é verdade, querido Prof. Soveral, que eu e o Nonas éramos “as suas vitaminas”?...
Orgulháva-nos esse e muitos outros elogios... com que, na sua enorme bondade, nos presenteava.
A sua amizade seria então, para nós, uma injecção intra-venosa de nobreza de sentimentos, de fé em Deus, de fidelidade aos ideais, de descrença no “homus democraticus”, de cultura e saber, de resistência ao ostracismo democrático.
Dos antigos colegas, amigos e camaradas quase ninguém sobrava ao Prof. Soveral: muitos tinham morrido outros tinham traído os ideais intemporais de uma época de sonhos partilhados...
Era como se já tivessem morrido em vida...
Adoptou o auto-exílio como forma de se não conspurcar na porcaria democrática.
“Meu filho, para não conspurcar o ar, o nome do gordo de Belém não se pronuncia nesta casa”!
Tenho de terminar o texto...
O espaço de publicação é limitado...!
É difícil parar...
As vivências são tantas...
A saudade imensa...
Há tanta coisa para dizer... tanto por contar...
Vou, inevitavelmente, cometer a injustiça de não conseguir transmitir a quem não conheceu o Prof. Carlos Soveral, a sua magnitude de Homem completo e por inteiro...
Não aludo, nestas simples palavras de homenagem e recordação, à sua obra e ao caminho percorrido... Há quem o possa e saiba fazer melhor do que eu.
Depois de quase um ano sem o ver (telefonicamente falávamos amiúde), decido ir a Lisboa receber aquele abraço e aquele carinho retemperadores e simultâneamente tentar animá-lo um pouco, pois sabia estar doente, pela sua zelosa e extremosa mulher, a Ex.ma Sra D. Leonor -- “A minha querida Nô... sempre o meu braço direito e agora também o meu auxiliar de memória”, como dizia constantemente o Prof Soveral.
Telefono então a comunicar que “na próxima segunda-feira” iria visitá-lo... quando recebo a infausta notícia que o meu querido amigo tinha partido há poucas horas para a terra dos grandes prados verdejantes...
Desculpe Sr. Prof. Soveral... cheguei atrasado ao último encontro...
Espero, no entanto, se o merecer perante Deus, encontrá-lo de novo...
E aí sim!... teremos tempo... todo o tempo... a eternidade... para conversar... para o poder ouvir...
Só mais uma coisa... Sr. Prof., o “nosso Grosse Friederich” manda-lhe um grande abraço.

Artur Nunes da Silva»