30.4.07

Abril... Prisões Mil!

Finalmente um sítio sobre as prisões, sobre os mandatos de busca assinados e não assinados, sobre a repressão e a demência revolucionária do 25 de Abril.
Um sítio dedicado às vítimas das "mais amplas liberdades democráticas" e da "aurora democrática libertadora" e para todos aqueles que juram a pés juntos que depois da abrilada de 1974 nunca houve presos políticos!
Um espaço de leitura e de consulta obrigatória.

A descoberta do BOS

Está de volta, após um périplo europeu, o BOS. Bendito regresso e a sua descoberta reveladora da verdadeira razão que levou a canalha esquerdóide assaltar sede do PNR.
Afinal, não era falta de tomates, dado terem ficado numa caixa diante do cartaz do Marquês de Pombal apreendidos pela Polícia, mas sim a falta de... limões!

No Mneme: Manipulação da História

Voltando à mentira sobre o mito de Guernica chamo a atenção para dois textos do Mneme:
Manipulação da História: Guernica e a morte do toureiro e para o anexo.

29.4.07

No Sexo dos Anjos: o caso Guernica

O Manuel Azinhal desmonta a tese falsa e propagandista do quadro, de Picasso, "Guernica".
A verdade verdadinha é que foi, é e será sempre um quadro dedicado à tourada com o nome inicial de "Lamento en la muerte del torero Joselito".
Um exercício: vejam lá se não descobrem um cavalo e um touro?

1.º de Maio, Dia do Trabalho Nacional


Manifestação do 1º de Maio, Dia do Trabalho Nacional, às 16 horas, no Largo do Rato, seguida de desfile até ao Marquês de Pombal, em Lisboa.

28.4.07

Santa Comba Dão

A SIC em directo de Santa Comba Dão

Respirar Portugalidade

Cerca de trezentas pessoas estiveram hoje presentes na concentração promovida pela T.I.R., a favor da construção do Museu Salazar em Santa Comba Dão. A boa e sã população beirã recebeu os manifestantes de forma simpática e cordata, aplaudindo entusiasticamente os discursos de Álvaro Fernandes e de António Soares, dirigentes da T.I.R., bem como as declarações do Sr. coronel Agostinho Dias e do marmorista, Sr. António Lopes. Não se ouviu uma única palavra de protesto ou de discordância, o que a juntar à recepção da população fez com que toda a gente se sentisse na nossa terra. Em Santa Comba Dão respira-se Portugalidade! Eis o filme da reportagem em directo da SIC, oiçam as duas entrevistas em directo pela TSF, vejam a reportagem fotográfica no Admirável Mundo Novo e façam o vosso juízo sobre a vontade popular.

Um reparo. Lamentável foi a atitude nada profissional e educada dos fotógrafos no cemitério do Vimieiro que fotografavam tudo o que se fizesse junto da campa de Salazar, O Grande Português. As pessoas colocavam flores; eram fotografadas duas e três vezes. As pessoas acendiam velas; eram fotografadas duas e três vezes. As pessoas rezavam e tinham momento de recolhimento aos pés da campa; eram fotografadas duas e três vezes. Um verdadeiro stress fotográfico! Haja respeito num campo santo!

Hoje no Manlius

O Manlius publicou estes postais que são de leitura obrigatória:
Estou desiludido ou agora já nem se sabe ser bufo
Saudades de Goulart Nogueira
A Marcelíada
Um pouco de gozo, como o Goulart gosta

Benito Mussolini - 28 de Abril de 1945 - 2007

Il Duce, Benito Mussolini, foi assassinado a 28 de Abril de 1945 por dois agentes secretos ingleses às ordens de Churchill como prova Giorgio Pisanò no livro "Gli ultimi cinque secondi di Mussolini". The british way of death...
Mussolini, Presente!

Sobre Mussolini e o Fascismo, sugiro a consulta dos sítios Il Duce Net, Il Ventennio Fascista e Storia del Fascismo.

Salazar Permanecente


SALAZAR PERMANECENTE

Salazar pertence ao número dos mortos que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele (aqui há um ano) os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo». A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino. Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram... Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».

Rodrigo Emílio

In Política, n.º 37, 15.07.1971, pág. 1.

27.4.07

No Mas o rei vai nu!: Notícia de última hora!

Graças ao nosso engenheiro sempre bem informado, Mas o rei vai nu! publica esta notícia de última hora:

«Forças policiais lançaram hoje uma operação em larga escala, detendo, para interrogatório, dezenas de militantes anarquistas e comunistas do Bloco de Esquerda que no passado dia 25 vandalizaram Igrejas e lojas da zona do Chiado, tendo chegado inclusivamente a tentar assaltar a sede do PNR. Foram apreendidas largas dezenas de doses de heroína, anfetaminas, ecstasy e haxixe (embrulhadas em folhas do Jornal de Letras), mocas, barras de ferro, boxers (punhos de ferro), cocktails Molotov, very-lights e livros. Destes, destacou a Polícia, o Livro Negro do Anarquismo, o Manual do Guerrilheiro, o catálogo da Façonable e o Triunfo dos Porcos(!?). De acordo com fontes bem informadas, na sequência de denúncias relativas a incitamento ao ódio e à violência e à discriminação política e religiosa o MP está a ponderar a emissão de um mandado de busca para revistar a sede do PSR.
Aguardam-se mais pormenores a qualquer momento.»

Já vou ver e ouvir as notícias no canal Fantástico & Incrível...

LOTRO: O Senhor dos Anéis online!

O Senhor dos Anéis online!
J. R. R. Tolkien chegou à internet em forma de jogo com o nome de
LOTRO (Lord of The Rings Online).
Um acontecimento multimédia.

A actualidade de Salazar por Silva Resende


A ACTUALIDADE DE SALAZAR

(...) Ora quando nestas colunas se fala em Salazar não é para lhe ressuscitar a governo nem para matar uma sau­dade irremediável. Salazar, se fosse vivo, ele próprio tomaria as opções políticas da hora que passa — mu­dando certamente sem se contradizer, reformando sem perder o fito histórico e a sua luminosa consciência de sábio.
Mas felizmente para todos (e abei­ramo‑nos do tempo das grandes conversões) Salazar, sem querer, deixou a única obra de filosofia política digna desse nome à escala mundial. Como refere Ploncard d`Assac, é obra de um filósofo que teve a poderosa intuição da perenidade do pensamento. Até de pequenas circunstâncias históricas (e o governante português tinha como ninguém o sentido da grandeza do Estado e a noção das proporções) Salazar deixou sempre o traslado das frases que não envelhecem e o segredo das soluções que desafiam o tempo.
O seu conceito de democracia orgânica abisma no vazio e na inutili­dade prática esta partidocracia que se perde em discussões estéreis, em erros condenados pela História, e em guer­ras que consomem inutilmente as energias da nação.
Decerto que o corporativismo não era perfeito e não resultou em toda a linha nem pôde ser aplicado na totali­dade da lógica do seu sistema. O Portugal que foi entregue a Salazar para o arrancar à descrença, ao con­formismo e desordem mortal, era um mosaico de traições à História, uma satânica renegação do seu destino. Não dispondo de outro apoio senão o do seu génio de govemante e o da sua integridade e autoridade moral, Salazar teve de parar algumas vezes no tra­jecto histórica diante dos abencerragens dos erros passados. Com razão se diz que a sua tarefa espantosa de manter Portugal neutro durante a Guerra foi mais difícil em relação aos seus inimi­gos de dentro do que relativamente aos beligerantes. Nomeadamente, o embaixador em Londres, conspirando junto do Govemo britânico, deu mais trabalho e dores de cabeça a Salazar do que as vicissitudes do conflito e as flutuações da sorte da guerra.
Ora os discursos do político portu­guês oferecem hoje a mais fecunda e admirável lição. E também a mais ac­tual. Nele se reflecte a essência do pensamento das encíclicas para a questão social, a construção de uma cidade em que os homens hão‑de conviver na paz e no equilíbrio, o valor imprescindível da autoridade para garantia da liberdade, as constantes do nosso destino eterno como inspi­ração das instituições basilares da sociedade.
A tudo isto, que nos surge vasado em trechos de antologia, juntou Salazar a previsão dos acontecimentos, de modo que se pode sustentar que foi, em vida e em sentido vulgar, o único profeta dos estranhos caminhos do Homem neste século e nos mais próximos vin­douros.
Último grande europeu, no sentido civilizacional, combateu até ao último sopro de vida as ideologias que pre­cipitaram a Europa no negativismo mais torpe e no mais cruel despotismo de que há memória. Os acontecimentos viriam a dar‑lhe, contra a expectativa dos seus adversários e a generalidade dos contemporâneos enlouquecidos por ideologias condenadas e mitos passageiros, aquilo que imortaliza um ser humano: a plena razão dos seus juizos sobre o futuro.
A Direita reivindica em exclusivo essa honra de ter razão. E de ser o caminho da restituição do sentido divino da História. Salazar deixou-lhe a mais lídima e fecunda das heranças — a de um progresso verdadeiro, baseado na ideia de reforma que só os verdadeiros conservadores possuem.

Silva Resende
In O Dia, 14.05.1994

26.4.07

Azñar, discriminador racial

No Diário Digital de hoje podem-se ler as destravadas declarações do ex-primeiro ministro de Espanha, Azñar e que são reproduzidas no Diário de Notícias. Ou é de mim ou vai acabar a arrumar carros em Madrid dado que vai ser considerado um perigoso nazi/fascista/franquista/racista e xenófobo ao levantar a questão do multiculturalismo, dos perigos que a Europa corre e sobre os líderes lights de que foi um excelente exemplo! Leiam estes excertos:

«Dizem que o multiculturalismo é o exemplo máximo de tolerância. Não é assim. Haver uma lei igual para todos é que é tolerância», afirmou Aznar, numa conferência promovida pela sociedade de consultores de comunicação Cunha Vaz & Associados e pela Associação Comercial do Porto.
Para o antigo presidente do governo espanhol, Bento XVI proferiu «a frase mais inteligente» ao afirmar que «a Europa está condenada a ser inexistente».
«A primeira preocupação de um líder europeu deve ser a catástrofe demográfica da Europa», sublinhou Aznar, manifestando-se céptico na resolução deste problema «apenas com políticas de imigração».
«Como é que se pode formar a Europa, se no futuro não vai haver europeus? Uma Europa com 10 por cento de imigrantes é o mesmo que com 40 por cento?».
«O alargamento da União Europeia não pode ser uma coisa eterna, interminável», pelo que é necessário clarificar «quais são as fronteiras da Europa».
«Bento XVI definiu muito bem os males do Mundo: o fundamentalismo e o relativismo. O fundamentalismo é um dos grandes perigos do Mundo, mas também o relativismo, a ausência de valores, a ideia de que tudo é igual, que a responsabilidade é uma coisa sem sentido».
«Não gosto de líderes light, e o Mundo está cheio de líderes light. Sobram políticos dependentes de popularidade e faltam líderes preocupados com a responsabilidade», disse, afirmando que «um líder deve ter algum talento, ter sorte, saber aproveitar as oportunidades, ter determinação, uma ideia e um projecto, ter visão global e saber transmitir confiança».

Bons rapazes, estes jovens

O tal workshop dedicado à desobediência civil organizado pelo Bloco de Esquerda começa a dar os seus frutos.
Cerca de 150 canalhas esquerdóides, segundo fonte policial, festejaram ontem o 25 de Abril com as típicas arruaças do tempo do tristemente célebre PREC.
Está de volta a violência de rua da extrema-esquerda e ontem preparavam-se para atacar a sede do P.N.R. com as mais amplas liberdades e equipados de cocktails molotov, very-lights, barras de ferro, paus e pedras. No trajecto da manifestação ilegal partiram montras, roubaram lojas, pintaram paredes e a manta, insultaram e agrediram pessoas e atacaram a polícia.
Se fosse a extrema-direita nazi/fascista/racista/xenófoba a praticar tal barbárie a esta hora o país estava em estado de sítio, a imprensa jorrava reportagens e verborreia dos melhores democratas da nossa praça que a uma só voz condenariam o ataque, próprio de gente intolerante, anti-democrática e que havia que aplicar a pedagogia e a lei democrática, rapidamente e em força.
Por outras palavras, uma nova rusga policial seria decretada e exibida na TV para gáudio do Estado de Direito, das liberdades de opinião e de expressão, e dos direitos do homem.
Aguardam-se notícias referentes a estes vândalos da Baixa lisboeta. Provavelmente, chegar-se-à à conclusão que se trata de um pequeno número de excluídos da sociedade que exprimiam a sua liberdade de expressão e de pensamento com o desconhecimento das boas leis que gerem o Estado democrático e serão enviados em paz e em sossego para as suas casas.
A notícia teve repercussão nos jornais
Portugal Diário, Diário Digital, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, Sol e no Expresso que vão ter de estar mais atentos a esta gentuça tão sinistra.
Graças ao Expresso, aqui ficam umas imagens destes bons rapazes...

Salazar por Rodrigo Emílio


SALAZAR ENTREVISTO DO PAÍS DA INÉPCIA

Se no giro anual do tempo que passa há datas que ficam e que perduram — o 15 (e não o 11, nem tão-pouco o 16) de Março, o 27 e o 28 (e nunca por nunca o 25) de Abril são três dessas datas. O que significa que estão elas inscritas, de pedra e cal, e gravadas a caracteres inolvidáveis, no calendário de honra da nossa História. Pertencem, pois, e de pleno direito, ao número, extremamente dígito, dos dias permanecentes, e das efemérides nunca efémeras e sempre a assinalar, no eldorado temporal da Nação Portuguesa — do ponto em que fixam: uma delas, o aniversário da brutal eclosão do terrorismo armado antiportuguês, logo rechaçado «rapidamente e em força», a partir de Angola; e as outras, o nascimento humano de Salazar e o seu providencial nascimento político, respectivamente.
Já assim se compreende porque razão não pode a gente, em boa consciência transitar em claro ou deixar em branco essa tripla — e duradoura, e memorável — conjunção de marcos memoriais, nem tão-pouco passar por ela como gato por brasas, e muito menos como cão por vinha vindimada...
Quer-me entretanto parecer que a melhor maneira, que eu tenho, de consagratória e votivamente começar por manifestar-me, a respeito de Salazar, consiste em dar a conhecer o que sobre o mesmo Salazar se me ofereceu dizer, um anos depois da sua morte.
Em 1971, já eu, de facto, me não continha, que não fixasse, com tintas assaz carregadas e a traços bastantes sombrios — e, como pode ver-se, bastante proféticos — todo um avisado e preventivo perfil do grande estadista.
«Salazar — escrevia eu, por então que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo».
A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino.
Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram...
Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».
Hoje por hoje, estou realmente em crer que jamais a causa de um Povo, neste mundo de Cristo, terá sido advogada com tamanha lucidez e tamanha tenacidade, com tanta pertinência e tanta pertinácia, como a nossa o foi por Salazar. Cada vez mais disso me convenço. E, já agora, talvez convenha recordar, aos que andam mais esqueciditos, que foi com Salazar à frente que nós, portugueses, «subimos esforçadamente a encosta duma nova restauração», para, do alto dela, afinal, nos despenharmos, de novo — e de vez... Já assim se percebe de onde lhe vinha o medo, quando o glorioso Presidente outrora exprimia o seu «grande medo aos ideólogos que, afeitos às abstracções e concepções geométrica, pretendem refazer séculos de História nas suas mesas de trabalho».
Pretendem refazer século de História, e, as mais das vezes, acabam por desfazer séculos de História! Como se viu por cá...
Pela parte de leão que nesse calvário coube a Portugal, outros entretanto terão que responder — e nunca Salazar! Outros — que não ele... — faltaram à palavra dada aos mil juramentos feitos. Outros — que não ele... — foram vistos e achados nesta desalmada obra-prima de pulhíticos!...
Concretamente, e em última análise: é à negligência de algumas centenas de acéfalos e perjuros que há que assacar responsabilidades de primeiríssimo grau.
A exemplo de Salazar, é certo, também eu, pessoalmente, «creio (...) que a não integração efectiva da ideia imperial no conceito corrente da Nação Portuguesa encurtou a este País os horizontes a que deverá habituar-se e em que» devia «aspirar a viver». Pena foi, realmente, que cedo demais se tivesse banido, da nossa doutrinação de Defesa, a sempre exaltante defesa de Império: aquela mesma ideia de Império que, a seu tempo, «trouxe aos espíritos» — que como Salazar chegou de resto, a reconhecer — «uma noção de unidade e um sentimento optimista de grandeza, indispensáveis para estimular energias e arredar-nos da mornidão e tacanhez que», em seu mesmo entender, «ameaçavam continuar a estiolar» (e de facto, estiolaram mesmo...) «pensamento, planos e esforços».
Em todo o caso, e tal como alguém já um dia escreveu, uma coisa é certa e sabida: «Se, em 1961, o doutor Salazar se tivesse orientado no sentido do abandono do Ultramar, a oposição de então, hoje no Poder, e dita democrática, teria assumido, com galhardia, a defesa das ideias históricas da República, reclamando-se da sucessão do pensamento ultramarino de Afonso Costa e do general Norton de Matos. A decisão do doutor Salazar, «para Angola, rapidamente e em força», deu lugar a duas ordens de consequências: manteve as fronteiras portuguesas tradicionais e empurrou a oposição para uma situação antinacional, que para todo o sempre a há-de desautorizar, por mais instaladinha no Poder que possa estar...»
E daqui não há que sair — de quarenta em quarenta anos que seja!

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 57, pág. 10, 05~.05.1977.

Orgulhosamente Só por António José de Brito


ORGULHOSAMENTE SÓ

Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a abjecção são os traços dominantes, o que se censura, hoje, a Salazar é o que ele teve verdadeiramente de grande e elevado.
Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e a todas as diversas soluções políticas, que traduziam apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de Portugal, quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza: ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à outrance pela grandeza da Nação, que só existia esse meio de conservar o que era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o bem mais precioso de um povo, que é a sua honra. Porque sobrevive-se, enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.
Salazar foi proclamado um carrasco por ter ordenado às tropas estacionadas na Índia que se batessem sem esperança de vitória (ao contrário do que acontecia nos demais territórios, nalguns dos quais se conseguiu, consoante é o caso de Angola em Abril de 74, uma pacificação quase completa) e exclusivamente para honrar a bandeira das quinas, sob cujas dobras tantos prodígios de heroísmo se tinham desenrolado naquelas paragens.
Da indignação da Esquerda nem se fala. Mas também na chamada direita houve quem o reprovassse. Dum lado e doutro não havia sequer uma compreensão mínima daquilo que exigiam e obrigavam as normas elementares da ética militar e patriótica — dessa ética que levou Moscardó a não ceder no Alcazar ao ameaçarem-no com o fuzilamento do filho, que fez com que guarnições alemãs de cidades das costas normandas e bretãs, cercadas há meses, esmagadas por bombardeamentos, ainda resistissem no segundo trimestre de 45, que impeliu os Mas italianos, no momento em que foram descobertos na noite pelos projectores do porto de Malta, a lançarem-se para a frente, nenhum sobrevivendo, E, até, sem o estímulo do patriotismo, só para cumprirem a sua palavra de soldados, se fizeram imolar no México, em Camerone, os homens da Legião Estrangeira. Tudo isto, pelos vistos, não passava de absurdos, tolices, tontarias, demências. E nem um simples «baroud d`honneur», como o dos regimentos franceses de Madagascar, isolados e abandonados, na altura do desembarque inglês na ilha, foi considerado admissível. O que era louvável e de aplaudir era depor as armas sem tir-te nem guar-te, no instante em que o exército adversário avançava em som de peleja. A entrega pura e simples eis a solução. Salazar, que pensava de forma oposta, assumiu as proporções de um monstro.
A vergonha da Índia, perante a qual não houve um sobressalto, unânime ou quase, de dor e indignação, representou o teste, ou melhor, a provação decisiva.
António de Oliveira Salazar compreendeu-o. E, se fosse da fibra moral (ou imoral) dos que actualmente cospem injúrias sobre a sua memória, teria arrepiado caminho. Poderia desse modo conseguir pretorianos encantados da vida a protegê-lo e a louvá-lo, distribuir panem et circenses em abundância, captando frenéticos aplausos das multidões, obter apoios calorosos das potências dominantes, estar seguro de obter na história — escrita pelos vencedores — as parangonas de um libertador formidável, à Roosevelt ou à De Gaulle.
Não o quis, e, orgulhosamente só, preferiu manter-se ao leme apontando a mesma rota, que era a rota do dever.
Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que — admitia-se sem rebuço — viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos antepassados.
Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o dia de S. Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo — ou antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo —, para o que procedeu, desapiedamente, à destruição do que era um autêntico país — o nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um inviável e anárquico rectângulo peninsular. Em nome da liberdade, impôs-se a ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem, espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeito retroactivo, agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em nome da paz, centenas de milhares de brancos, pretos e mestiços tombaram vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia, estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhando-se o que nos resta.
Justo é que os autores dessa obra de aniquilamento total celebrem, com júbilo, a data em que lhe deram início. Os profissionais das batalhas, vocacionados pelo «appel des armes» de que falava Psichari, que juraram dar a vida pela pátria e, ao fim de três ou quatro comissões em Angola, Moçambique, ou Guiné, já estavam fatigados e o que queriam era retornar ao remanso dos quartéis.
Só achamos mau que quantos o tornaram cinza e nada persistam em falar em Portugal, no lugar de aludirem à admirável Abrilândia que edificaram entre gente não remota e sem perigos e guerras esforçados.
Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval, aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra sã, para além dos vermes e pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.
António José de Brito
In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 11.

25.4.07

Salazar: um poema de Alberto de Oliveira


SALAZAR


I

Tinhas de ser qual és, calado e triste,
Misterioso, ascético, tenaz,
Para reger um povo que da Paz
Há que tempos nem sabe se ela existe...

Já, com verbo fecundo e lança em riste,
Outros tentaram a missão falaz:
Mas, com promessas boas e obras más,
Maior caos nos fizeram, como viste.

Tu então, ao dilúvio das palavras
Opões barreira sólida, e entretanto
A gleba acordas, e em silêncio a lavras...

E eis logo o prado em flor, o oiro das messes!
Quem és tu, Salazar, ou mago ou santo,
Que assim nos ressuscitas e engrandeces?...

II

Na solitária cela, quantas vezes,
Em horas de incerteza natural,
A ti próprio dirás: Mas, afinal,
Que esperavam de mim os Portugueses?

Eram mudos e moles como reses
Passivos para o bem e para o mal,
Sem vontade, nem fé, nem ideal,
Sempre a temer desgraças e reveses...

Mas, de repente, alto clamor se eleva
No estagnado silêncio. É claridade,
Qual de Aleluia sucedendo à Treva.

São, renascentes da ancestral raiz,
Hostes da Legião, da Mocidade,
Novos cruzados com a cruz de Aviz!


III


Agora já se pode, já se deve,
Acreditar de novo em Portugal.
Deu-se o prodígio sobrenatural:
Outro sol derreteu a antiga neve!


É Deus que para nós direito escreve
Por árduas linhas, e que um Parsifal,
Puro, intangível, portador do Graal,
Manda a salvar-nos em futuro breve.

De tronco Salazar brotam milhares
De ignotos mas fecundos Salazares,
Cresce e floresce a Pátria ainda uma vez.

E, enjeitando as escuras profecias,
Digamos todos — como em longes dias —:
Que honra e glória nascer-se Português!


Alberto Oliveira
In «Poemas de Itália e outros poemas», págs.39/40/41, Empresa Nacional de Publicidade, 1939.

Manifesto de Fidelidade de Rodrigo Emílio



MANIFESTO DE FIDELIDADE

Salazar
— e quanto à memória removo,
— quanto cá dentro amotino!

(Horas e horas sem par
Na História de um Povo
A pino!)

Salazar
— por entre a sombra a rasgar
todo o luar de um destino!...

Tempo que ao tempo futura
continuidade há-de dar

(Mesmo apesar da moldura
Que configura
O lugar)

— Salazar
avulta, fulgura,

Estátua a toda a estatura,
Incessantemente a vibrar

A sua assinatura
— A sua assinatura
Solar!...

Rodrigo Emílio