24.4.07

Novo massacre escolar

Está em marcha um novo massacre escolar aos alunos portugueses.
Nada mais nada menos que uma nova forma de ensinar às crianças o que foi o 25 de Abril.
Ainda não perceberam que as crianças não querem nada com cravos nem espinhos?
E queixa-se o (des)governo da baixa taxa de aproveitamento dos alunos. Pudera a ter que levar com doses anti-fascistas e traumatizantes - qual lavagem cerebral - não há aluno que resista!
Não se admirem se começarem os massacres nas escolas!
Onde estão os Direitos da Criança?
Onde estão os direitos dos alunos?

Tribunal da História por Rodrigues Cavalheiro


O TRIBUNAL DA HISTÓRIA

Décadas e décadas passarão antes, que entre nós, de novo, se acumule sobre a cabeça de um grande homem um conjunto de circunstâncias semelhantes ao que tornou possível o aparecimento de Salazar na vida política nacional. Mas não foi apenas o condicionamento do momento que determinou a entrega plena do país, num acto de absoluta confiança, nas mãos do estadista redentor. Foram, acima de tudo, as excepcionalíssimas qualidades evidenciadas desde a primeira hora por quem, senhor do seu destino e do nosso, declarou logo que sabia muito bem o que queria e para onde ia. Desta forma, o instinto colectivo, que no decorrer do nosso já longo passado raras vezes se enganou, coincidiu por completo com a nova directriz que a Providência, servida por um governante autenticamente superior, ia imprimir à vida da Nação.
Para todos os bons portugueses, Salazar é hoje indiscutível — como o são Nun`Álvares, o Infante D. Henrique, D. João II e poucas mais figuras da História de Portugal. E o mais extraordinário é que ele atinge em plena força física e fulgor de espírito a altitude da máxima glória, que os seus pares só alcançaram depois de sobre eles terem descido as sombras justiceiras da morte e do passado.
Uma das maiores — senão a maior — realização de Salazar foi ter-nos restituído o orgulho de nos confessarmos portugueses — e de sabermos que Portugal vale, na hora que passa, o que valeu nos momentos mais gloriosos da sua História. Ser português da era de Salazar é o mesmo que ser português da época do Condestável ou do tempo dos Navegadores henriquinos.
Negar o génio e a obra de Salazar já não é só ingratidão para com Deus que no-lo revelou e para com o Homem que a realizou. É, principalmente, uma confissão descarada de inferioridade intelectual e moral, que haveria toda a vantagem em evitar, mesmo à força... por motivos imperiosos e salutares de decoro cívico e de higiene pública.
O que mais fascina na actuação de Salazar é a ascensão contínua do seu génio de governante e o esplendor cada vez mais lúcido da sua alma de português. Foi grande como regenerador das Finanças; maior como fomentador de riqueza, de progresso e de cultura; imenso como político e diplomata nas crises tremendas da guerra de Espanha e da segunda conflagração mundial. Com mais de meio mundo a querer-nos combater e roubar, pareceu-nos, então, dar toda a medida das suas extraordinárias virtualidades de homem de Estado e de patriota. Mas certamente ainda maior ele se nos apresentará no dia que se aproxima, pois já dealba no horizonte do futuro, em que o pesadelo que oprime a Nação se dissipar de encontro à constância da nossa vontade, à luz da verdade que se nos deve e ao imperativo da justiça que os povos que se dizem civilizados não deixarão, apesar de tudo, de nos reconhecer.
Quarenta anos nada são na vida dum povo — mas são muito na vida duma geração. E que a nossa tenha vivido a glória de Salazar, apoiando-se e colaborando entusiasticamente na sua obra de ressurgimento nacional, é um favor do Destino a que nunca poderemos ser suficientemente reconhecidos. Os poucos que se mostram ainda refractários a este dom divino com que cara poderão aparecer no tribunal da História?

Rodrigues Cavalheiro
In Política, n.º 14/15, 15/30.07.1971, pág. 10.

23.4.07

Salazar no caminho de Rodrigo Emílio


SALAZAR NO MEU CAMINHO

Quem hoje quiser saber por onde param os nossos mestres, dê uma volta pelos cemitérios. Assim se exprimia há anos — por estas mesmas palavras, ou por meio de outras equivalentes — um dos espíritos mais fascinantes da direita literária francesa: Antoine Blondin. E se me ocorre lembrar, aqui, asserto tão melancólico como esse, no dealbar deste trabalho que a veneração está a ditar em honra, memória e louvor do Presidente Salazar, e que se quer trabalho de rendida homenagem — mas de homenagem tributada tão-somente pelo estudo — à sua meritíssima acção de estadista (e mormente à que ele desenvolveu no capítulo da chamada política ultramarina), não é lá que eu esteja cem-por-cento de acordo com o amargo postulado de Blondin. E digo já porquê. A mim se me afigura, com efeito, que partir à descoberta, e marchar ao encontro, ou ao reencontro, de um mestre, do qual a morte já se tenha apoderado, não consiste só (nem consiste tanto) em ir de visita ao cemitério onde ele jaz; bem mais importante me parece tratar de empreender, à velocidade de cruzeiro, toda uma viagem de longo-curso à obra em que ele vive e revive, e mercê da qual a si próprio sobrevive. E foi isso o que fiz com Salazar.
Ainda assim, não deixa de assistir a Blondin boa dose de razão, quando sugere o que sugere àqueles de nós, que estejam porventura interessados em indagar o paradeiro de quantos guias e mestres viemos elegendo ao longo do caminho — e quando nesse sentido nos concita a ir em demanda deles, já só ao único sítio em que os mesmos podem receber visitas. Por isso nos convida a dar um giro pelos cemitérios. No do Vimieiro, tem a gente encontro marcado com alguém que nos foi mestre. Repousa ali um maiores preceptores de sempre do nosso destino histórico. Uma vez ao ano, quanto mais não seja, lá me reclino e ajoelho, à beira da campa-rasa onde ele descansa dos trabalhos e dos dias.
Não destoarão aqui, pensou eu, algumas páginas de memórias, relativamente pessoais. Assim...

***

...Quis o acaso que eu embarcasse para a Província de Moçambique, em missão de soberania, como alferes-miliciano do Corpo Expedicionário, exactamente no dia em que Salazar dava entrada no Hospital da Cruz Vermelha, a fim de se submeter à intervenção cirúrgica que viria a estar na origem do grave acidente cardiovascular, e da consequente hemiplegia, que ao depois o invalidariam. Foi, a bem dizer, à última hora, e já em pleno cais de Alcântara-Mar — momentos antes de ser chamado a escalar o portaló — que do facto tomei conhecimento. Quem mo segredou ao ouvido, uma única coisa me implorou, encarecidamente, logo ali, a troco de tão preocupante revelação: guardar, quanto a esta, rigoroso sigilo, do ponto em que a mesma estava longe de ser do domínio público.
Os dias transatlânticos que se seguiram — dezassete dias, ao todo — foram vividos, como é de calcular, no meio da mais arrasante e angustiada expectativa. Salazar debatia-se entre a vida e a morte — e os boletins noticiosos, que duas vezes ao dia, eram afixados a bordo, traziam o navio em peso suspenso das melhoras e das recaídas desconcertantes, que o estado clínico do Presidente alternadamente ia registando.
Estava entretanto escrito que eu haveria de arribar a terra firme, ainda antes de se proceder à rendição de Salazar na chefia do governo. Teria, quando muito, meia-dúzia de dias de Lourenço Marques — e encontrava-me, por sinal, episodicamente, numa das dependências do Notícias local — quando me foi dado escutar pela rádio o comunicado oficial atinente à sucessão.
Mais cinco meses, porém (e bem nevrálgicos...) haviam de passar, até que Salazar saísse da agonia — e o seus padecimentos, bem como o clima de sobressalto constante, que um pouco por todo o espaço português se respirava (e eu por Moçambique falo!), conhecessem, finalmente, algumas tréguas. Ao cabo de meses consecutivos às portas da morte, a lutar com ela corpo-a-corpo, a medir-se com ela de igual para igual, o augusto Presidente inscrevia-se, heróica e estoicamente, na linha da melhor têmpera lusíada: a que ensina a morrer, sim, mas devagar.
Ao longo desse tempo todo, Portugal inteiro foi com Salazar de uma abnegação insone; observou com ele uma vigília incessante. Por mim, posso atestar o extremo apego com que o Povo da Província, que me tocara pela porta servir e defender, permaneceu aferrado à cabeceira daquele, à cabeça do Império, verticalmente se tinha mantido, durante quarenta e dois anos de vigia e de cuidados. E quando Salazar, em Fevereiro de 69, teve alta da Cruz Vermelha, e a sua presença outra vez se fez sentir — conquanto fisicamente diminuída — na vetusta moldura de São Bento, então exultaram, radiantes, as gentes do Índico, como se um ressurgimento político se tratara e como se a ponte-de-comando da Nação já de novo estivesse entregue à capitania do velho estadista.
A realidade, no entanto, era bem outra: Salazar tinha os dias contados. Viria a morrer daí a ano e meio.
«Só os homens realmente simples e verdadeiramente grandes estão seguros de ter uma morte bem sua. Os outros por imitação», observou certo dia Jean Guéheno, com percutante pertinência. Salazar pertencia ao número dos primeiros: teve o que se chama uma morte bem sua. Ela sobreveio quase no termo da minha comissão militar.
Dois anos antes, embarcara em Lisboa sob o signo (e o mau augúrio) da sua doença. A Lisboa regressava agora, vergado ao peso e ao luto da sua morte, e ao vazio da sua ausência. Um generalizado sentimento de orfandade nacional já de tudo e de todos, então, se apossava. E de mim também.

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 54, pág. 10, 14.04.1977.

22.4.07

Rally Salazar

O Portugal Diário de hoje anuncia um novo escândalo com Salazar!
Os dois carros de Salazar estão a caminho da FIL, onde serão exibidos no próximo fim de semana.
Como é possível que a Brigada de Trânsito consinta que esses dois carros circulem?
Os carros de Salazar em marcha?
Isto não é o salazarismo em versão de quatro rodas?
Façam uma operação stop quanto antes!
Detenham os dois condutores, são da Pide!
Apreendam os carros por falta de selo, por falta de seguro e condenem o Museu do Caramulo!
O salazarismo está em marcha sobre Lisboa!

Um livro perigoso: Salazar - agora, na hora da sua morte

Segundo o Jornal de Notícias de hoje, o livro "Salazar - agora, na hora da sua morte", da co-autoria de João Paulo Cotrim (argumento) e Miguel Rocha (desenhos) e editado pela Parceria A. M. Pereira, venceu os prémios para melhor álbum e desenho nacionais, perdendo o prémio de melhor argumento dos V Troféus Central Comics, de Banda Desenhada.
Aqui está mais uma vitória de Salazar, o Grande Português, com votos e tudo!
Convém investigar se os votantes não serão uns perigosos nazis/fascistas/salazaristas e analisar o conteúdo da banda desenhada para se ver se faz apologia do salazarismo e do fascismo.
Estejam alerta, cá para mim, é um livro perigoso.

Tentativa de proibição da romagem a Santa Comba Dão

No Diário de Notícias de hoje!
A sanha e a insânia continua! Parece-me natural que o sr. Presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, eleito pela lista do PS, não goste deste tipo de manifestações. São questões de (des)gosto.
Agora, tentar que a decisão passe para a GNR e fazer com que a decisão se torne um caso de polícia é mais um claro indício dos vários casos clínicos que assolam os grandes democratas e a superioridade moral dos mesmos!
Ora se o pedido foi feito a tempo e horas e dentro do prazo legal no Governo Civil de Viseu quer o sr. Presidente da Câmara estar fora da lei? Depois de a Polícia ter conseguido anular a organização da conferência internacional organizada pela Juventude Nacionalista do P.N.R. com o pretexto dos participantes serem "perigosos", só faltava mais esta!

Libertem a memória

20.4.07

20 de Abril de 1889 - 2007


Hitler não é um conquistador, é um edificador de espíritos, um construtor de vontades. E no interior das almas que o seu Nacional‑Socialismo parece ter construído a sua catedral germânica; e é por isso que ele se dirigiu às forças profundas do amor e da fé, sem ter menos prezado os direitos da razão ou de lhe ter, na prática, diminuído a importância...
É necessário ter suficiente conhecimento humano para o revelar e coragem para entender esse homem excepcional cujo espírito não conduz as suas ideias nas regiões frias do ambiente da habilidade política, mas em direcção a um amor profundo e à própria disciplina — que os profissionais da manha e da pulhice desconhecem completamente.
A revolução nacional-socialista não partiu da política, partiu do homem. Foi um florescimento. Tornada mais clara, mais consciente no coração de Hitler, mais pura, talvez, cresceu em potência mais ou menos responsável... Esta será, para começar, um das explicações do ascendente ganho por Adolf Hitler sobre as massas: a humanidade encontrava‑se a si própria neste primeiro amanhecer, nesta aurora de sangue, em que dobravam os sinos da velha potência criadora dos homens da antiga cultura. A substância da humanidade necessitava, para dar o seu fruto mais sábio, de certos homens de una certa têmpera, não nascidos de maneirismos do espírito, mas de homens novos, sem ódio. O que ele fez, o que constituiu o seu triunfo, foi galvanizar à sua volta todas as cabeças novas, ígneas, onde, por si mesmos, pelo ardor do sangue e pela qualidade da luz, inscrevia em letras de fogo o preceito: «A Força maior encontra‑se na incomparável alegria de viver, que realiza aquele que sacrifica tudo a algo que lhe é superior».
Eis o que está na base do Nacional‑Socialismo. Não haveria Nacional‑Socialismo sem este princípio!
Hitler é menos o herói de excepção que aquele que prefigura o homem de amanhã. Nasceu quando ouviu o nosso grito de desespero e as convulsões da nossa agonia.
Alphonse de Chateaubriant

19.4.07

Reabertura da caça ao nazi-fascista

Pensava eu que ia resistir ao silêncio, continuar a série de postais sobre Salazar, o Grande Português e assim não cair na tentação de um comentário sobre esta sanha e insânia policial ao abrigo do Estado de Direito da reabertura da caça ao nazi-fascista.
Reparava no estado de delírio dos comentários dos comentadores de serviço e pensava com os meus botões que já tinha visto este filme aquando do processo do M.A.N.
Com a cobertura da imprensa dada ao P.N.R. através dos dois cartazes do Marquês do Pombal, com o anúncio do encontro nacionalista organizado pela J.N. para este fim de semana, com o anúncio da marcha do Dia de Trabalho Nacional convocada pelo P.N.R. para o 1.º de Maio, com o anúncio da manifestação da T.I.R. em Santa Comba Dão a favor da criação do Museu Salazar, com a vitória estrondosa de Salazar no concurso "Grandes Portugueses", tudo isto era demais para os campeões da liberdade de expressão e outras lérias.
Resumindo e abreviando, toda esta agitação nacionalista deixava esses campeões à beira de um esgotamento nervoso.
Mas o mais grave de tudo é que a imprensa não deixa o eng. Sócrates em paz com a sua licenciatura.
A receita é a de sempre: uma ofensiva policial intimidatória e persecutória sobre a extrema-direita com grande destaque na imprensa e tudo se resolve. Uma vez mais o tiro saiu pela culatra. Embora nas últimas 24 horas se tenha dado todo o relevo aos trinta neonazis/fascistas que foram detidos pela posse de armas em casa e de literatura perigosa, essa verdadeira incitadora de discriminação racial. Exemplo flagrante é o livro de George Orwell, O Triunfo dos Porcos, uma verdadeira bíblia nazi-fascista só comparável ao Mein Kampf. Dizia eu, que embora nas últimas 24 horas quase não se tenha falado no Eng. Sócrates nem na Universidade Independente, julgo que a imprensa não largará o osso - por razões e motivações que ainda não descobri.

Conversa rápida ao telefone com o BOS

Em conversa rápida ao telefone com o BOS, que está de viagem retive estas quatro ideias-mestras.
"A rusga de ontem configura um caso flagrante de perseguição política.
Political persecution em Inglês Técnico, se é que me estás a entender.

A alguns camaradas nossos, levaram-lhes de casa livros encaixotados como prova do crime.

Não temos grandes campeões de xadrez, mas os putins flã cá do sítio dão-nos tratamento de Kasparov.

Os mais esclarecidos toparam à légua a manobra de intimidação. É exemplar o postal do Engenheiro. Só não tem razão quando diz que o PNR se põe a jeito. É o argumento que se usava para justificar violações; a culpa era delas, que se punham sempre a jeito. O discurso e a prática do PNR são idênticos aos de outros partidos europeus congéneres, que têm inclusive assento no Parlamento Europeu."

Como se levanta um Estado - Salazar

António de Oliveira Salazar

Preço: EUR 16,80/ EUR 15,12 (10% de desconto)
Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 136
Atomic Books
Apartado 1479
1013-001 Lisboa.

"Este livro que agora editamos – e que é praticamente desconhecido do público português – constitui, a vários títulos, um “pequeno dicionário” da ideologia salazarista e da doutrina do Estado Novo. Nele, Salazar procede a uma análise dos factores que conduziram ao movimento militar de 28 de Maio de 1926 e à Ditadura. Enuncia a sua política de saneamento financeiro. Define as bases ideológicas do Estado Novo. Estabelece os parâmetros da actividade económica no novo regime. Teoriza sobre o papel da família, da educação, das forças armadas. Posiciona-se perante as grandes opções políticas do seu tempo e fixa a política externa."

Salazar visto por Alfredo Pimenta - II


«... No opúsculo que consagrei a opor ao António Sardinha lendário e mítico, o António Sardinha histórico e verdadeiro, com as suas qualidades e virtudes, e os seus defeitos e carências; numa palavra, no opúsculo em que opus ao António Sardinha, taumaturgo e mistificação, o António Sardinha carnal e humano — na altura em que aludia à existência doutros valores, escrevi estas palavras pesadas, medidas e pensadas: «E houve e há o Prof. Oliveira Salazar que, nos três volumes dos seus Discursos, se nos revelou um dos grandes Mestres do pensamento político português».
Já em Abril de 1935 -, precisamente em 20 de Abril de 1935 - há, portanto, nove anos, ao apreciar o primeiro volume dos Discursos então publicados, tive a ocasião de colocar a personalidade do seu autor no lugar devido, dentro do quadro da mentalidade portuguesa.
...Muitas vezes, ao ler os Discursos do Chefe do Governo, acodem ao meu espírito as páginas célebres do livro de Cícero, e as não menos famosas de Tácito. E do que um e outro dizem ou põem na boca das suas personagens, eu extraio a substância eterna: não é a Retórica ou a Oratória que faz o Orador; é este que faz aquela.
O Orador Oliveira Salazar escapa ao enquadramento que quem quer que seja deseje impôr-lhe. Não é orador forense, nem orador parlamentar, nem orador académico: é um orador político. Como orador político, não é orador de assembleias, ou tribunas comiciais. E não visa, em seus discursos, aquele objectivo que, segundo Cícero, é o da Eloquência: acalmar ou comover os ouvintes excitados ou frios - «aut sedandis aut excitandis».
Como orador político, o Chefe do Governo é o orador-pensador, o orador-professor que desenvolve, diante dos que o ouvem, os termos duma equação algébrica.
É um orador do seu tempo. É um orador da sua escola.
Não faz lembrar ninguém, porque é um orador pessoal, que expõe o seu pensamento, mediante expressões que são suas.
Como no orador de Tácito, há em Salazar os recursos «ex multa eruditione et plurimis artibus et omniem rerum scientia». Sem a muita literatura, a abundância dos conhecimentos, e a ciência geral, Salazar não poderia dar à expressão do seu pensamento, o geometrismo totalitário que a caracteriza.
Nos seus Discursos, debatem-se problemas de administração, apresentam-se ou justificam-se soluções de questões internas ou externas, esboçam-se directrizes a adoptar, vincam-se tendências a utilizar, etc. Está neles, a vida do Estado português na sua complexidade fundamental, na sua tessitura essencial, desde 1928 para cá.
E é por isso que, através de toda a paisagem multiforme que estas mil e duzentas páginas oferecem à Crítica, há, para além do que é episódico ou propriamente temporal, um pensamento político, uma filosofia política, uma doutrina política ¾ pensamento, filosofia e doutrina que colocam o Chefe do Governo português na primeira fila dos grandes Mestres do pensamento político português.
É possível, e devia fazê-lo quem tivesse vagar para tal, organizar-se uma espécie de Summa Política, com os pensamentos, conceitos, sentenças que Salazar espalhou pelas mil e duzentas páginas dos três volumes dos seus Discursos - em que se algumas vezes se limita a sintetizar, em fórmulas precisas, pensamentos vagos ou informes, errantes ou confusos, outras vezes cria ele próprio ideias, atitudes ou posições doutrinárias.
No conjunto difuso, por força da própria natureza das coisas, pela multiplicidade dos objectivos e pela variedade dos motivos - sobressaem, frutos de lapidação magistral, as sentenças, os conceitos, os pensamentos, que serão um dia, quando este País, vencido o temporal, regressar da crise moral e intelectual em que se debate, citados, lembrados, invocados como característicos desta época, e tomados como ponto de partida para elocubrações do Espírito.
Hoje, é cedo. Estamos todos a naufragar em vagas fundas da Mesquinhês, Inveja, Petulância, Rancor e Imbecilidade, pasmando a gente de que este homem sofreie a náusea que o ambiente lhe deve provocar, e encontre em si próprio estímulos ou pontos de apoio para se manter na tentativa de dar à hora que passa a aparência de grandeza e beleza ¾ contra a Mediocridade que rosna, o Despeito que calunia, a Estupidez que malsina, o Egoísmo que deforma, a Hipocrisia que envenena, a Impaciência que perturba, e a Ambição que corrompe. Porque é o Pensamento em Acção, e porque esta dispõe de elementos que o Pensamento, só por si, não possui, Salazar consegue fazer-se ouvir, e, às vezes, comentar. É porém tão forte esse Pensamento, tão carregado de substância, que ultrapassará o momento do encerramento da Acção, e constituirá, no futuro, não só o objecto de digressões históricas, mas também de investigações especulativas.
O que nós não sabemos ou não queremos fazer hoje - o Enchiridion do pensamento salazariano, outros o farão um dia, se não se subverter tudo com a catástrofe que paira sobre o mundo e está a destruir sistematicamente tudo o que conseguiu vencer a demolição lenta do Tempo, na sua acção multi-milenária - em nome da Civilização e da Liberdade dos Povos!
Sim. Contra todos os rancores impotentes e inquietos, o Pensamento Político de Salazar projectar-se-á, e será objecto de estudo profundo e sério, quando dos mistificadores ou bolas de sabão, das bexigas ou balões infantis, não houver mais do que vagas lembranças em ruínas.
Ele ficará, no geometrismo totalitário da sua expressão, na pureza translúcida da sua essência, e na fulguração estelante da sua força, como, na França, o pensamento dum Pascal ou dum Maurras, na Alemanha, o Pensamento dum Schopenhauer ou dum Nietzsche.
Essencialmente católico, essencialmente português, não o crestam os tufões da Revolução e da Enciclopédia, e por isso ele marca, no quadro da vida histórica de Portugal, o lugar único do Pensamento em Acção, e no grande panorama do Pensamento político português, um dos lugares primaciais dos seus Mestres.
Lugar único do Pensamento em Acção, porque ele foi o único, até agora, que levou para a Acção governativa o propósito de um Pensamento político puro. Entrou no Poder, não só para administrar, mas para doutrinar - realizando.
Livre de quaisquer compromissos, não tendo hipotecado a ninguém os seus passos, entrou no Poder, não para servir os interesses deste ou daquele, não para realizar o programa deste ou daquele, mas para pôr em acção o seu pensamento que pretende ser, paralelamente, e sendo-o de facto, o Pensamento de muitos outros, ou da sua época, nem por isso deixaria de ser o seu Pensamento, e só como seu seria tratado.
Tem-se sido propício o Poder, na consecução do seu projecto, na realização do seu objectivo?
Isso é outro problema.
Note-se que estou a referir-me ao seu Pensamento político, e não à sua acção administrativa. Neste último campo, tem tido colaboradores apreciáveis. Mas na efectivação do seu Pensamento político, tem sido - totus, solus at unus. Não discuto as razões. Verifico o facto.
Nestes três volumes dos Discursos, o que superiormente me interessa é precisamente a Filosofia política que os informa, ou a substância filosófica que os alimenta, porque é ela que consagra o seu autor, como um dos grandes Mestres do Pensamento político português. Não fosse ele um destes, e nunca se teriam celebrado os dois centenários - o da Fundação e o da Restauração do Estado português, com o Equilíbrio, a Superioridade espiritual e a compreensão portuguesa que caracteriza essa comemoração.
E é esse Mestre do Pensamento político português - um dos maiores que a nossa Literatura contém, que quero, neste momento, saudar e festejar.»

(In Os Discursos do Chefe do Governo, in «Esfera», n.º 89, p. 4. 1944.)

***
«... É um regalo excepcional para o meu espírito, ouvi-lo ou lê-lo. Subtil, sem ser incompreensível ou difícil; claro, tem de ser banal; castigado na forma de se exprimir, sem cair em requintes doentios — e depois, acima disso tudo, embebido numa doutrina que só não é perfeita por lhe faltar o fecho da abóbada — o espírito do sr. Presidente do Conselho é do mais formosos espíritos políticos da nossa História.
O infeliz Trindade Coelho tinha razão: fala europeu. Ao nacionalismo da sua linguagem corresponde o universalismo do seu pensamento.
Salvo raras excepções os governantes do Estado que a República revelou ou teve falavam pretoguês, e o seu pensamento era, quando muito, um pensamento de botequim ou de baiúca. Os melhores ainda chegavam ao pensamento de partido. Nenhum atingira o pensamento nacional: o sr. Presidente do Conselho Oliveira Salazar ultrapassa as fronteiras da Nação: é o pensamento europeu, no que este tem de mais profundo e mais sólido.
Voto, pois, em primeiro lugar, na Inteligência, que o sr. Presidente do Conselho representa.»

(In Eu voto! E porque voto?, in «A Voz», n.º 2811, pp. 1/6, 14.12.1934.)

18.4.07

Salazar visto por Alfredo Pimenta - I


«... Entre os títeres que representam o bloco ocidental, e o Neo-Czar um Homem, com H grande, que não é americano, nem russo, nem inglês, nem escandinavo, nem francês, nem abexim; um Homem que não dispõe de exércitos nem de esquadras, de bombas atómicas ou de vetos; um Homem que não anda turisticamente pelas salas das conferências, nem é chamado aos conclaves dos medíocres, porque os confundiria a todos. Esse homem é português, e dispõe tão só da sua Inteligência culta, da dialéctica honesta das suas razões sinceras, da profundeza e da substância das suas doutrinas sãs - chama-se Salazar.
A demência de uns, à inferioridade mental de outros, à ciganice destes, ao cinismo daqueles, só ele seria capaz de opor a verticalidade insuperável dos seus princípios, a inflexibilidade da sua ética, a serenidade impecável da sua austeridade, tudo o que, há perto de vinte anos, constitui o capital seguro da sua política.
Que falta a este Homem, para ser, na hora doente em que vivemos, guia previdente, conselheiro sensato, e Juiz severo? Para ser grande, não precisa de ser comparado aos Grandes reinantes. Compará-lo a eles é ofuscá-los, sumi-los, reduzi-los à sua natural insuficiência.
O que falta é apenas isto: ser governante de um Estado poderoso que, para se fazer ouvir e obedecer, tenha atrás de si, a apoiá-lo, as bocas dos canhões e as baionetas dos Exércitos.
No mundo materialista que é o nosso mundo, o que vale é a Força bruta - a força das Armas, ou a força dos Dollars.
Salazar fala em nome de um Estado que possui apenas uma História.
Representa uma Ideia, em um momento em que só os maquiavelismos pragmáticos valem; representa o Espírito, quando só a Matéria pesa; representa a Lealdade, quando só a Hipocrisia se impõe; representa a mão estendida e aberta, quando o punho cerrado se respeita e adora.
Há quase vinte anos, um Povo, caído na mais terrível das insolvências, entregou-se nas suas mãos. Esse homem pediu confiança, e só com ela, ergueu esse Povo, e fez desse Povo atribulado, escarnecido, desprezado, o único Povo da Europa que não precisa de esperar a esmola do pão que come, e que seria feliz se não fossem as desgraças dos outros.
Porque não se entrega o mundo, com fé, a esse Homem, em vez de andar atrás dos grandes pigmeus e dos seus planos mirabolantes que encalham aqui, e encalham acolá, e são manifestamente, indiscutivelmente, idiotas?
Digo isto sem sombra de cortezanismo ou de lisonja. Depois de mim, logo depois de mim, o primeiro que está certo de que sou incapaz de uma e outra coisa, é Salazar!
Não quis a Providência restituir-nos o Rei. Deus sabe com que mágoa o verifico!
Mas há perto de vinte anos que está à frente dos nossos destinos, para seu próprio sacrifício, e o nosso orgulho e o nosso bem, a Inteligência culta e o carácter nobre de Salazar.
Só Deus sabe com que satisfação o reconheço!
Vinte anos contínuos, se fizer a história verdadeira do mundo civilizado, e desta Paz de rancores e de inépcias, há-de confessar-se que só um Homem existiu que poderia evitar que essa Paz fosse rancorosa e inepta: Salazar. Não o ouviram, não o chamaram, que é da natureza das coisas que os medíocres e os sub-medíocres fechem os ouvidos às palavras clarividentes dos espíritos cultos, e fechem os olhos aos exemplos das consciências sinceras e rectas.»

(In Em Defesa da Portugalidade, pp.24/27, 1947.)

***
«... É, na verdade, uma hora nova, esta hora que estamos a viver.
Devemo-la, de modo especial, a um homem: a Salazar, encarnação de Princípios, de Ideias, de Doutrinas que o Portugal legal de há um século ignorou, embora no Portugal real não faltasse quem Ihas proclamasse.
Um dos grandes e imortais serviços prestados a Portugal por Salazar consiste numa coisa de que só os verdadeiros Homens de Estado são capazes: fazer das circunstâncias, instrumentos úteis das suas ideias.
Chamado ao poder para sanear as Finanças públicas, Salazar não se limitou à missão de que o tinham encarregado; foi muito mais além: meteu ombros à tarefa difícil de limpar a Nação das mazelas revolucionárias, restituindo a Nação à própria Nação. Nesse trabalho anda empenhado. Trabalho gigantesco, porque o peso morto das resistências passivas, dos egoismos interesseiros, do incivismo das chamadas elites, da incompreensão e da estupidez das massas, da influência deletéria das forças ocultas, é enorme, e bem poucos são os que vêem para além das fórmulas do presente, necessariamente transitórias, as bases estáveis que o Futuro reclama.
Dá-me Salazar a impressão da voz do que clama no deserto. À audácia silenciosa do seu pensamento, responde a cobardia, a timidez, o gaguismo dos que deviam acompanhá-lo, animá-lo, estimulá-lo e facilitar-lhe o terreno por onde tem que andar.»

(In Infantas de Portugal, in «Gil Vicente», vol. XVI, n.º 10/11/12, p. 222, Outubro/Novembro/Dezembro de 1940.)

16.4.07

A verdade sobre Aristides de Sousa Mendes

"Embaixador desmistifica «lenda» Sousa Mendes

Terceiro classificado por votação dos telespectadores no concurso promovido pela RTP «Os Grandes Portugueses», a figura de Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus no período da II Grande Guerra, continua envolta em muitos mistérios e alguma polémica.
Para uns, Sousa Mendes é recordado como um «homem bom e justo» que, em Junho de 1940, contrariando as ordens do Governo de Lisboa, emitiu vistos e passaportes e, nalguns casos, chegou mesmo a atribuir falsamente a identidade portuguesa a milhares de foragidos, sobretudo judeus, que pretendiam a todo o custo alcançar os lugares tidos por seguros. Como Portugal, que Salazar conseguiu manter neutral no conflito.
Para outros, o cônsul está longe de justificar o papel de «herói» que muitos lhe atribuem e, aqui e ali, tentam repor a verdade àquilo a que chamam «falsificação da História» e, através de factos, muitos deles documentados, desmistificam a «lenda» Sousa Mendes. Bastará uma pesquisa atenta no arquivo do MNE ao processo do antigo cônsul — apesar de muitas peças do seu dossier terem misteriosamente desaparecido, sem que até hoje ninguém tenha procurado investigar quem foi o autor (ou autores) do desvio — para que algumas pessoas «verdades» deixem de o ser.
Ao contrário do seu irmão gémeo César, que também fez carreira na diplomacia tendo alcançado o posto de Ministro Plenipotenciário de 2.ª classe, Aristides arrastou-se entre postos consulares de pequeno relevo, foi acumulando processos e mais processos disciplinares desde o longínquo ano de 1917, na I República, até 1940, tendo acabado por passar à disponibilidade e aguardar aposentação, mas continuando a auferir a totalidade do vencimento correspondente à sua categoria (1.595$30). O que desde logo «mata» a tese dos que teimam em acusar Salazar de ter «perseguido» o cônsul e de o ter «obrigado» a «morrer na miséria». Pelo contrário, o então Presidente do Conselho mostrou-se benevolente com Aristides em muitas alturas, nomeadamente quando, contrariando o parecer do Conselho Disciplinar do MNE que, na sequência de mais um processo disciplinar, propôs a pena de descida de categoria do cônsul, apenas determinou a sua inactividade por um ano, com vencimento de categoria reduzido, mas recebendo a totalidade do salário correspondente ao exercício.
Outra verdade que tem sido ocultada pelos defensores de Aristides Sousa Mendes: o cônsul condicionava a emissão de vistos e passaportes ao pagamento de verbas e à obrigatoriedade de contribuição para um estranho «fundo de caridade» por si próprio instituído e gerido, situação que viria a ser denunciada junto do MNE quer pelos serviços da embaixada britânica quer por muitos dos que beneficiaram das «facilidades» de Mendes.
Também esclarecedora para a verdade sobre Sousa Mendes é a carta que o Embaixador Carlos Fernandes(*) dirigiu, em Maio de 2004, a Maria Barroso Soares, presidente da entretanto criada «Fundação Aristides de Sousa Mendes», quando esta pretendeu promover uma homenagem nacional, custeada com dinheiros públicos, ao antigo cônsul.
O DIABO teve acesso à referida missiva, bem como a algumas «notas soltas» que o embaixador lhe juntou, que aqui publicamos na íntegra.

«Lisboa, 5/5/04

Senhora Dra. Maria Barroso Soares

Um antigo embaixador de Israel em Portugal, que foi «instrumental» na mistificação de Aristides de Sousa Mendes, publicou há dois dias no Diário de Notícias, a propósito do aniversário daquele antigo cônsul, um artigo de elogio a Sousa Mendes, reincidindo em duas mentiras que foram fundamentais para aquela mistificação:
a) que foi expulso da carreira diplomática;
b) que morreu na miséria (depreendendo-se que por ter sido expulso da carreira diplomática e sem vencimento).
Ora, tanto quanto eu pude averiguar, primeiro Sousa Mendes nunca foi da carreira diplomática, pertencendo sempre à carreira consular, que era diferente, e, em princípio, mais rendosa; depois, nunca dela foi expulso: como conclusão de um 5.º processo disciplinar, foi colocado na inactividade por um ano, com metade do vencimento de categorias e, depois desse tempo, aguardando aposentação com o vencimento da sua categoria (1.595$30 por mês) até morrer, sem nunca ter sido aposentado, situação mais favorável do que a aposentação.
Portanto, se morreu na miséria, ou pelo menos com grandes dificuldades financeiras, isso deve-se a outros factores que não à não recepção do seu vencimento mensal em Lisboa. Demais, A. Sousa Mendes viveu sempre com grandes dificuldades financeiras.
É óbvio que, quem tenha 14 filhos da mulher, uma amante e uma filha da amante não sairá nunca de grandes dificuldades financeiras, salvo se tiver outros rendimentos significativos, além do vencimento de cônsul.
Vi pelo artigo acima referido que a Sr.ª Dr.ª Maria Barroso é presidente da Fundação A. S. Mendes, e só por isso lhe escrevo esta carta e lhe remeto os elementos de informação anexos.
Eu escrevi sobre Sousa Mendes, de forma simpática, num livro publicado há dois anos (Recordando o caso Delgado e outros casos, Universitária Editora, Lisboa, 2002) de págs. 27 a 30, porque o conheci e tive ocasião de ajudar dois dos seus filhos, um em Lisboa e outro depois em Nova Iorque quando lá era cônsul.
Nada me move contra A. Sousa Mendes, antes o contrário, mas não posso pactuar com a mentira descarada e generalizada. Salazar é atacável por várias razões, mas não por ter «perseguido» A. Sousa Mendes, que, aliás teve problemas disciplinares em todos os regimes de 1917 a 1940.
Quando fui director dos Serviços Jurídicos e de Tratados do MNE, tive de estudar o último processo disciplinar de A. Sousa Mendes, de cuja pasta retiraram já muitas peças.
Por outro lado, o meu amigo Prof. Doutor Joaquim Pinto, sem eu saber, fez um estudo bastante completo sobre A. Sousa Mendes, e com notável imparcialidade.
Eu não pretendo vir a público atacar ou defender A. Sousa Mendes, e, por isso, nem penso rectificar o artigo do embaixador de Israel, mas em abono da verdade, e para seu conhecimento, entendo ser meu dever remeter-lhe uma cópia do estudo e notas em anexo, de que poderá fazer o uso que entender.
Com respeitosos cumprimentos,
Carlos Fernandes»"

In «O Diabo», n.º 1579, 03.04.2007, pág. 6

(*) Embaixador Carlos Augusto Fernandes, licenciado em Direito, com distinção, pela Faculdade de Direito de Lisboa. Entrou no MNE em Abril de 1948 como adido da Legação. Foi cônsul de Portugal em Nova Iorque e Encarregado de Negócios no Paquistão, Montevideu (Uruguai) e Venezuela. Foi conselheiro da Legação Portuguesa na NATO (Paris), Director Económico do MNE. Director dos Serviços Jurídicos e Tratados do MNE e Embaixador de Portugal no México, Holanda e Turquia.