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16.4.07

A verdade sobre Aristides de Sousa Mendes

"Embaixador desmistifica «lenda» Sousa Mendes

Terceiro classificado por votação dos telespectadores no concurso promovido pela RTP «Os Grandes Portugueses», a figura de Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus no período da II Grande Guerra, continua envolta em muitos mistérios e alguma polémica.
Para uns, Sousa Mendes é recordado como um «homem bom e justo» que, em Junho de 1940, contrariando as ordens do Governo de Lisboa, emitiu vistos e passaportes e, nalguns casos, chegou mesmo a atribuir falsamente a identidade portuguesa a milhares de foragidos, sobretudo judeus, que pretendiam a todo o custo alcançar os lugares tidos por seguros. Como Portugal, que Salazar conseguiu manter neutral no conflito.
Para outros, o cônsul está longe de justificar o papel de «herói» que muitos lhe atribuem e, aqui e ali, tentam repor a verdade àquilo a que chamam «falsificação da História» e, através de factos, muitos deles documentados, desmistificam a «lenda» Sousa Mendes. Bastará uma pesquisa atenta no arquivo do MNE ao processo do antigo cônsul — apesar de muitas peças do seu dossier terem misteriosamente desaparecido, sem que até hoje ninguém tenha procurado investigar quem foi o autor (ou autores) do desvio — para que algumas pessoas «verdades» deixem de o ser.
Ao contrário do seu irmão gémeo César, que também fez carreira na diplomacia tendo alcançado o posto de Ministro Plenipotenciário de 2.ª classe, Aristides arrastou-se entre postos consulares de pequeno relevo, foi acumulando processos e mais processos disciplinares desde o longínquo ano de 1917, na I República, até 1940, tendo acabado por passar à disponibilidade e aguardar aposentação, mas continuando a auferir a totalidade do vencimento correspondente à sua categoria (1.595$30). O que desde logo «mata» a tese dos que teimam em acusar Salazar de ter «perseguido» o cônsul e de o ter «obrigado» a «morrer na miséria». Pelo contrário, o então Presidente do Conselho mostrou-se benevolente com Aristides em muitas alturas, nomeadamente quando, contrariando o parecer do Conselho Disciplinar do MNE que, na sequência de mais um processo disciplinar, propôs a pena de descida de categoria do cônsul, apenas determinou a sua inactividade por um ano, com vencimento de categoria reduzido, mas recebendo a totalidade do salário correspondente ao exercício.
Outra verdade que tem sido ocultada pelos defensores de Aristides Sousa Mendes: o cônsul condicionava a emissão de vistos e passaportes ao pagamento de verbas e à obrigatoriedade de contribuição para um estranho «fundo de caridade» por si próprio instituído e gerido, situação que viria a ser denunciada junto do MNE quer pelos serviços da embaixada britânica quer por muitos dos que beneficiaram das «facilidades» de Mendes.
Também esclarecedora para a verdade sobre Sousa Mendes é a carta que o Embaixador Carlos Fernandes(*) dirigiu, em Maio de 2004, a Maria Barroso Soares, presidente da entretanto criada «Fundação Aristides de Sousa Mendes», quando esta pretendeu promover uma homenagem nacional, custeada com dinheiros públicos, ao antigo cônsul.
O DIABO teve acesso à referida missiva, bem como a algumas «notas soltas» que o embaixador lhe juntou, que aqui publicamos na íntegra.

«Lisboa, 5/5/04

Senhora Dra. Maria Barroso Soares

Um antigo embaixador de Israel em Portugal, que foi «instrumental» na mistificação de Aristides de Sousa Mendes, publicou há dois dias no Diário de Notícias, a propósito do aniversário daquele antigo cônsul, um artigo de elogio a Sousa Mendes, reincidindo em duas mentiras que foram fundamentais para aquela mistificação:
a) que foi expulso da carreira diplomática;
b) que morreu na miséria (depreendendo-se que por ter sido expulso da carreira diplomática e sem vencimento).
Ora, tanto quanto eu pude averiguar, primeiro Sousa Mendes nunca foi da carreira diplomática, pertencendo sempre à carreira consular, que era diferente, e, em princípio, mais rendosa; depois, nunca dela foi expulso: como conclusão de um 5.º processo disciplinar, foi colocado na inactividade por um ano, com metade do vencimento de categorias e, depois desse tempo, aguardando aposentação com o vencimento da sua categoria (1.595$30 por mês) até morrer, sem nunca ter sido aposentado, situação mais favorável do que a aposentação.
Portanto, se morreu na miséria, ou pelo menos com grandes dificuldades financeiras, isso deve-se a outros factores que não à não recepção do seu vencimento mensal em Lisboa. Demais, A. Sousa Mendes viveu sempre com grandes dificuldades financeiras.
É óbvio que, quem tenha 14 filhos da mulher, uma amante e uma filha da amante não sairá nunca de grandes dificuldades financeiras, salvo se tiver outros rendimentos significativos, além do vencimento de cônsul.
Vi pelo artigo acima referido que a Sr.ª Dr.ª Maria Barroso é presidente da Fundação A. S. Mendes, e só por isso lhe escrevo esta carta e lhe remeto os elementos de informação anexos.
Eu escrevi sobre Sousa Mendes, de forma simpática, num livro publicado há dois anos (Recordando o caso Delgado e outros casos, Universitária Editora, Lisboa, 2002) de págs. 27 a 30, porque o conheci e tive ocasião de ajudar dois dos seus filhos, um em Lisboa e outro depois em Nova Iorque quando lá era cônsul.
Nada me move contra A. Sousa Mendes, antes o contrário, mas não posso pactuar com a mentira descarada e generalizada. Salazar é atacável por várias razões, mas não por ter «perseguido» A. Sousa Mendes, que, aliás teve problemas disciplinares em todos os regimes de 1917 a 1940.
Quando fui director dos Serviços Jurídicos e de Tratados do MNE, tive de estudar o último processo disciplinar de A. Sousa Mendes, de cuja pasta retiraram já muitas peças.
Por outro lado, o meu amigo Prof. Doutor Joaquim Pinto, sem eu saber, fez um estudo bastante completo sobre A. Sousa Mendes, e com notável imparcialidade.
Eu não pretendo vir a público atacar ou defender A. Sousa Mendes, e, por isso, nem penso rectificar o artigo do embaixador de Israel, mas em abono da verdade, e para seu conhecimento, entendo ser meu dever remeter-lhe uma cópia do estudo e notas em anexo, de que poderá fazer o uso que entender.
Com respeitosos cumprimentos,
Carlos Fernandes»"

In «O Diabo», n.º 1579, 03.04.2007, pág. 6

(*) Embaixador Carlos Augusto Fernandes, licenciado em Direito, com distinção, pela Faculdade de Direito de Lisboa. Entrou no MNE em Abril de 1948 como adido da Legação. Foi cônsul de Portugal em Nova Iorque e Encarregado de Negócios no Paquistão, Montevideu (Uruguai) e Venezuela. Foi conselheiro da Legação Portuguesa na NATO (Paris), Director Económico do MNE. Director dos Serviços Jurídicos e Tratados do MNE e Embaixador de Portugal no México, Holanda e Turquia.


21.5.07

Voltando à lenda do Sousa Mendes

Enviaram-me o primeiro artigo sobre a lenda do Aristides de Sousa Mendes publicado no jornal "O Diabo", no dia 27 de Julho de 2004, na página 20. Embora não esteja assinado não invalida a sua importância.
Desconhecia que o Fascismo em rede já o tinha editado. Pois aqui está e reza assim:

«A lenda do Aristides

«Eram dois irmãos gémeos, de prosápia afidalgada, vindos de Cabanas de Viriato, onde tinham solar conhecido e onde nasceram a 18 de Julho de 1885. Ambos se formaram em Direito pela Universidade de Coimbra. E ambos ingressaram na carreira diplomática, um em Maio de 1910 e outro em Junho do mesmo ano. Um chamava-se Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, o outro César de Sousa Mendes do Amaral e Abranches.
Apesar da extrema igualdade de origem, rapidamente se distinguiram pela diversidade de qualidades, embora os dois fossem tidos por naturalmente bondosos, pacíficos, de bom trato e de formação familiar tradicional. Já em 1913 o César passara na carreira à frente do irmão, sendo promovido a 1.° secretário de Embaixada. E, em 1926, alcançou as plumas brancas dos diplomatas pela sua ascensão a Ministro Plenipotenciário de 2ª classe, tendo representado Portugal na chefia das Legações de Estocolmo, de Varsóvia, do México e de Berna. Numa breve passagem pela política, César de Sousa Mendes do Amaral e Abranches foi Ministro dos Negócios Estrangeiros, na última fase da Ditadura, em Governo já presidido por Oliveira Salazar. O irmão Aristides, porém, ia-se arrastando por postos consulares de minguado relevo, tendo falhado no concurso para conselheiro de Embaixada e acumulando processos disciplinares, porque, com frequência, as contas dos consulados por ele geridos... não andavam certas. Era bom homem, segundo se dizia. Mas também ganhara fama de limitados dotes intelectuais, tinha catorze filhos e, pelos postos por onde andara, constava ser propenso a aventuras dispendiosas, em proporção com os ganhos de que dispunha.
A guerra apanhou Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches no consulado de Bordéus. Aí choviam os pedidos de foragidos que pretendiam, a todo o custo, lhes fosse reconhecida a qualidade de portugueses e, com ela, passaportes que lhes permitissem alcançar lugares tidos por seguros. De harmonia com as instruções do Governo de Lisboa, o Aristides de Sousa Mendes, tal como os outros cônsules de Portugal naquela altura, foi largo na concessão de passaportes. Mesmo em casos em que,normalmente, essa concessão seria duvidosa, ou negada liminarmente. Porém, no caso do consulado em Bordéus, houve refugiados que, tendo beneficiado de tais facilidades, depois de servidos, se queixaram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros por a concessão de passaportes ter sido condicionada por contribuições para obras assistenciais patrocinadas pelo cônsul. Dessas queixas proveio a devassa, o inquérito e a passagem à disponibilidade, ou à situação de aguardar aposentação, para o cônsul Aristides, a quem sempre foi abonada a pensão respectiva. Aquele funcionário achava-se próximo do limite de idade e o seu passado não o abonava especialmente, o que, admissivelmente, terá contribuído para a solução adoptada, não obstante o ambiente favorável de que gozava o irmão César, sempre beneficiado pela amizade do Embaixador Teixeira de Sampayo, Secretário-Geral do Ministério, e pela simpatia de Oliveira Salazar. Naturalmente que se os rendimentos de cônsul no estrangeiro sempre se tinham mostrado insuficientes para as necessidades de Aristides de Sousa Mendes, essa insuficiência se tornou mais acentuada quando retirado para o seu solar em ruínas de Cabanas de Viriato. Mas tal situação, comum a muitos outros diplomatas, não deveria ser levada à conta de ajuste de contas políticas, ou castigo por desobediência a ordens superiores, que não se terá verificado.
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches foi, segundo dizem os que o conheceram, um homem bom, pouco dotado, talvez, para a carreira que seguiu, e infeliz nalguns passos da sua vida. Não merecia ser usado como joguete numa pseudo-glorificação que apenas visa, canhestramente, tentar demonstrar que Salazar não se mostrou favorável aos refugiados da guerra. Quem ainda se lembre das ruas de Lisboa, pejadas desses fugitivos da guerra e dos seus horrores, quem tenha colhido os depoimentos de muitos deles, sabe que isso não corresponde à verdade. Aristides de Sousa Mendes, sempre monárquico tradicionalista, fiel aos ideais do Estado Novo, nem sequer poderia enfeitar-se com os ouropéis de reviralhista e de revolucionário com que é costume ornar a memória de alguns. Realmente, não mereceu a especulação tecida em torno do seu nome. Esclarecedora quanto ao assunto parece ser a carta que o embaixador Carlos Fernandes recentemente dirigiu à Sra. D. Maria Barroso Soares. Tanto mais que o referido Embaixador sempre se mostrou afeiçoado ao Cônsul Aristides e compreensivo das dificuldades que ele experimentou em diversas ocasiões, só lhe repugnando as falsidades acumuladas e propaladas por motivo da constituição de uma "Fundação Aristides de Sousa Mendes" à qual aquela senhora preside. Realmente, o amor da verdade exige da gente de bem um particular empenhamento no desfazer de lendas mal engendradas.»

11.10.07

Sousa Mendes: e insistem, insistem...

Desgostosos com o vergonhoso terceiro lugar do concurso "Grandes Portugueses", uma data de fabianos persistem e insistem na farsa Sousa Mendes.
Primeiro, foi o livro, "A Injustiça - O caso Sousa Mendes". Agora, é a peça de teatro "
A Desobediência". Mas a coisa não fica por aí, vai ser criado um blogue e será levado a efeito um ciclo de conferências sobre o vendedor de passaportes mais conhecido neste país onde um dos conferentes fará a sua profissão de fé no holocausto, como será o caso do seu "defensor", o Dr. Júdice.
Toda esta encenação terá como palco o Teatro da Trindade, em Lisboa.
Sugestão: para garantir um êxito rotundo e tremendo peçam o patrocínio da Mac Donalds e assim despejam os alunos das nossas escolas no teatro, com bilhetes à borla, livro à borla e debaixo do braço, coca-cola e batatas fritas à borla.
Lembrem-se que andam pela Margem Sul uns rapazinhos em idade escolar com umas t-shirts com a imagem de Hitler e assim fazem "pedagogia democrática".

P.S. - Aqui estão os postais editados sobre este negociador de passaportes:

14.11.07

Micas, a herdeira de Salazar

«MICAS, A HERDEIRA DE SALAZAR

Maria da Conceição de Melo Rita desfia, em "Os meus 35 anos com Salazar", as memórias da convivência com o homem que a perfilhou aos seis anos. Não há nada de novo neste retrato de Oliveira Salazar na intimidade
Maria da Conceição de Melo Rita, a menina que, em 1938, surgiu na capa do jornal O Século, sentada numa cadeirinha, caderno no colo, sob o olhar atento de António de Oliveira Salazar, decidiu, aos 78 anos, deixar um "testemunho aos netos". Primeiro quebrou um silêncio de décadas quando foi entrevistada por Joaquim Vieira para o Expresso em 1988. Este ano aceitou um outro convite do jornalista para converter as suas memórias em livro - o resultado é Os meus 35 anos com Salazar (Esfera dos Livros), que será apresentado hoje, às 18h30, no restaurante da Estufa Real, Lisboa. Os historiadores José Hermano Saraiva e António Costa Pinto são os oradores convidados.
Ao longo de 200 páginas, Maria da Conceição, que viveu em casa de Salazar entre os seis e os 28 anos (1935-1957), não faz qualquer revelação sobre o homem que governou autoritariamente o país durante quase meio século - não há confidências nem segredos íntimos. Há, sim, o retrato de uma "família" (Salazar e a governanta, Maria de Jesus) que "perfilhou" Maria da Conceição aos seis anos, estava ela em Lisboa há meses, em casa do irmão José, a pedido da mãe, desesperada com mais sete filhos e sem sustento para todos na aldeia beirã da Lajeosa.
E há também a evocação de episódios domésticos que em nada contradizem aquilo que já foi escrito sobre Salazar na intimidade - que incutia o espírito da "poupança" em casa (a governanta fazia saias com o tecido das velhas calças do então Presidente do Conselho e aproveitava os antigos roupões para fazer vestidos para a criança); que ordenou à criada para fechar a sete chaves todos os pertences do Palácio de São Bento ("entendia que aquilo que era do Estado, não devia utilizar-se"); que Maria era "uma pessoa austera" e implacável com as criadas, recrutadas em orfanatos da província (transformou os jardins de São Bento num aviário cuja produção até dava para fornecer as despensas de alguns hotéis de Lisboa).
As casas (a da rua Bernardo Lima e a residência oficial) e o ambiente familiar eram um retrato, a uma escala reduzida, do país. Salazar governava a casa como governava o país - com mão de ferro, com o vício da poupança, monopolizando em si todas as decisões (com a excepção dos afazeres domésticos). Era afectuoso e "terno" com Maria da Conceição, a quem gostava de "aconchegar os cobertores à noite", e rigoroso com as matérias escolares: "Queria que eu soubesse tudo direitinho, desde a tabuada até à história e geografia", disse ao P2.
Contudo, a política era tema tabu dentro de portas. Pelo menos quando as mulheres da casa estavam presentes. A política nacional, na verdade, não "despertava" a curiosidade de Micas, como carinhosamente lhe chamava Salazar. Mas no livro, a pupila do ditador admite que se soubesse o que sabe hoje teria dado "outro rumo" aos diálogos com o seu tutor. "Nos passeios nocturnos que dávamos pelos jardins de São Bento, por vezes ele falava um pouco sobre política", lembrou, sentada na sala da sua moradia na Parede. "Eu até gostaria de ter falado mais, mas acho que não estava habilitada para perceber aqueles assuntos. Ele só me dizia que depois de morrer as nossas colónias em África tinham o tempo contado, porque estavam desejosas da independência. Mas considerava que aqueles povos não estavam preparados para isso."

Uma rapariga triste
Micas vivia ainda na casa da Rua Bernardo Lima quando foi confrontada com a ideia, ainda que vaga para uma criança de oito anos, de que existiam "homens maus" que queriam "fazer mal" ao seu pai adoptivo. Salazar escapou ao atentado anarquista de 1937 (uma bomba colocada numa caixa de esgoto) e quando chegou a casa, "o fato salpicado com areia", Micas agarrou-se a ele num pranto solto. "Eu não quero que o senhor doutor morra", recorda. "Não sabia por que é que lhe queriam mal..."
Ao longo dos anos, Maria da Conceição manteve-se sempre alheada das questões políticas. Era como se durante o Estado Novo tivesse vivido dentro de um casulo, sem comunicação com o exterior.
Não seguiu o liceu por iniciativa do pai adoptivo, que a encaminhou para o ensino comercial - "dizia que o curso comercial teria mais saídas no futuro das novas tecnologias" -, e o seu primeiro emprego foi no Instituto de Assistência a Menores. Não tinha tempo para divertimentos e no livro são escassas as referências a amizades. "Eu estava um pouco isolada", contou, "convivia pouco com as amigas, não frequentava a casa delas e elas também não iam a São Bento". Era infeliz? "Estava habituada. Fui criada assim desde pequena."
Em 1957, Micas casou com Manuel Rita no Palácio de São Bento, onde também se fez a boda. Um ano depois, nasceu António, cujos padrinhos foram Oliveira Salazar e Maria de Jesus, e Micas estava demasiado ocupada com a maternidade para atentar na política e na candidatura do general Humberto Delgado às eleições presidenciais.
O tumulto provocado no regime, com o candidato a percorrer o país perseguido por multidões de apoiantes, era inaudível na residência oficial. O eco das palavras do homem que ousou defrontar Salazar foi abafado e Micas diz que as eleições "passaram despercebidas" em São Bento. "Não discutíamos esse problema. O Humberto Delgado tinha os seus apoiantes, mas Salazar tinha mais."
Sete anos depois, Portugal foi confrontado com os assassinatos de Delgado e da sua secretária, Arajaryr Campos, pelas mãos de homens da PIDE. O Presidente do Conselho demarcou-se publicamente do acto. "Tenho a certeza absoluta de que ele não teve conhecimento prévio. Quando soube ficou muito aborrecido", garante.

O neto adoptivo
A partir dos últimos anos da década de 50, tornou-se quase impossível manter o silêncio, dentro de São Bento, em torno dos acontecimentos políticos. 1961 foi o ano em que, perante a sequência de episódios que abalam o regime, Salazar levou para casa as preocupações que o assaltavam. E eram muitas: Henrique Galvão desviou o paquete Santa Maria; deflagrou a guerra em Angola; deu-se a "ocupação" de Goa, Damão e Diu pela União Indiana; e Salazar deparou-se com a rebelião no interior do seu Executivo, quando o seu ministro da Defesa, Botelho Moniz, liderou um golpe de Estado que não passou da tentativa. "Nessa altura, ele já deixava transparecer uma certa preocupação", diz Micas.
Quando começou a guerra colonial, Micas já tinha dois filhos, António, que foi também "perfilhado" pelo padrinho, vivendo até aos 10 anos em São Bento, e Margarida. Maria da Conceição tem visto na RTP "um ou outro" episódio da série documental A Guerra, de Joaquim Furtado. Não tinha "tanta" consciência sobre a dimensão dos conflitos. "Sabia que as nossas possessões queriam a independência e que aquilo estava um bocado complicado." A guerra juntou-se, portanto, ao rol de temas que Salazar expurgava das suas conversas com Micas.
Sobre Marcello Caetano, porém, falou-lhe algumas vezes. "Gostava muito dele, dizia que era muito inteligente e responsável." Mas isso foi antes das "divergências que os separaram" e muito antes de Caetano assumir a Presidência do Conselho, em 1968, quando Oliveira Salazar julgava ainda ditar os destinos do país, como aqueles que o rodeavam lhe faziam crer. Micas não quis fazer parte desse jogo de fingimento (depois da queda da cadeira, Salazar continuou a viver em São Bento, com todas as regalias de outros tempos, sendo o protagonista involuntário de uma peça de teatro que se prolongou até à sua morte, em 1970). Ela visitava-o todos os dias, ritual, aliás, que começou no dia seguinte ao seu casamento. "Tinha certos momentos de lucidez, por vezes perguntava por um ou outro ministro, mas acho que ele tinha noção de que algo não estava a correr bem."
Quando acedeu ao convite de Joaquim Vieira para escrever Os meus 35 anos com Salazar, Maria da Conceição quis, em primeiro lugar, diluir os "retratos estereotipados" criados em torno de Salazar. "As pessoas desconhecem o homem excepcional que ele foi. É verdade que não gostava de se expor, que não gostava de multidões. Toda a gente julgava que ele era muito fechado mas, na verdade, era uma pessoa muito cativante." Por isso, Micas ficou "muito satisfeita" quando viu o "senhor doutor" ganhar o concurso televisivo Os Grandes Portugueses (mas não votou). "Ao pé dos outros finalistas, ele sobressaía em tudo." Se tivesse de escolher outro "grande português" quem seria? "Aristides de Sousa Mendes", responde logo. "Era uma figura muito simpática."
Maria da Conceição não herdou apenas os "afectos" de Salazar. Guarda vários objectos com que ele a presenteou ao longo dos anos e distingue dois: um retrato emoldurado de Salazar (que ela quer dar à "futura casa-museu" em Santa Comba Dão) e uma medalha em ouro com a imagem da Nossa Senhora de Lourdes, que traz ao peito, pendurada num fio, desde os 16 anos. "Foi como um pai. Tenho muitas saudades dos bocadinhos em que conversávamos à noite, nos jardins de São Bento."

Maria José Oliveira»
In Público, 14.11.2007, págs. 4/5.

8.11.12

A nódoa do Embaixador de Israel vista pelo Ten. Coronel Brandão Ferreira


O Embaixador de Israel em Lisboa foi à Fundação Gulbenkian ofender Portugal e os portugueses, gratuitamente.
Estamos seguros que a generalidade da comunidade judaica não se revê nas suas declarações.

Tal aconteceu, no passado dia 30 de Outubro, no âmbito da Conferência “Portugal e o Holocausto, aprender com o passado, ensinar para o futuro”, patrocinada pela embaixada dos EUA e pelas Fundação Luso-Americana e Gulbenkian.

Que disse então, S. Exª, que noutras épocas o teria colocado a uma ténue distância de ser considerada “persona non grata”?

Pois que:

Portugal foi o único país que colocou a bandeira a meia haste durante três dias, quando soube da morte de Adolf Hitler”, coisa que o Sr. Ehud Gol considera uma “nódoa”; criticou o facto da casa de Aristides Sousa Mendes – que considera um “justo” – em Cabanas de Viriato, não estar recuperada, dizendo para o portugueses não irem pedir “aos EUA ou a Israel para tratarem da casa”, “façam vocês algo para promoverem a imagem dos vossos justos” (e tece mais considerações sobre o antigo cônsul português em Bordéus; não entende o facto de Portugal ter apenas um observador na “Task Force internacional para a Educação, Memória e Investigação do Holocausto”,[1] afirmando que já deveríamos ser membro de parte inteira; quer que professores portugueses aprendam a ensinar o Holocausto, dando conta que pressionou o Ministro da Educação nesse sentido.

E confessou, no fim, que o culto da memória do Holocausto começou em Israel, porque os sobreviventes do mesmo, vestiam sempre de mangas compridas por “terem vergonha do número inscrito na pele”, e que eles – judeus da altura – “não tinham lutado o suficiente.[2]

Afirmo não ter em mim qualquer réstia de “anti-semitismo”, mas em atenção à verdade e tendo em mente a dignidade do Estado Português – que espero venha a ter uma reacção adequada – e dos portugueses, não posso deixar de dizer o que abaixo se transcreve.

Comecemos pelo fim das palavras do embaixador: pois lamento que tal se tenha passado da maneira que descreve mas, nós portugueses, não temos responsabilidade alguma em nada do que o senhor aponta.

E gostava de lembrar ao Sr. Embaixador que os judeus não foram os únicos povos perseguidos, ou maltratados no mundo. Creio, até, que não haja algum, que não tenha uma razão de queixa qualquer.

Já reparou, e por ex., nas vítimas de Tamerlão? Lembra-se das centenas de milhões de trucidados pelo comunismo? E quem defende os “Peles-Vermelhas”, praticamente extintos no século XIX, sendo os sobreviventes colocados em reservas?

Que dizer, enfim, das perseguições feitas no Império Romano aos cristãos, durante os primeiros três séculos do Cristianismo; será que devemos exigir aos actuais inquilinos do Quirinal, que peçam desculpa por isso?
Como vê pode considerar-se privilegiado por haver uma “organização intergovernamental” que trata do Holocausto!

Eu se estivesse no papel do Sr. Embaixador, estaria mais preocupado em perceber porque é que, dos 200 países existentes no mundo, só 31 façam parte de tão filantrópica organização, em vez de tentar morder a mão a quem, pela sua presença, dá lustre à iniciativa.

A arrogância com que se exprime assemelha-se a uma tentativa de apanhar moscas com… vinagre. Muito pouco diplomático, nada profissional.

Não consta, por outro lado, que tenham sido os alemães, os únicos a perseguirem os judeus (ou Sionistas?), ao longo da História. E resta ainda perceber porque tal aconteceu num país de gente evoluída, Pátria da Reforma e de grandes Filósofos e impulsionadora do racionalismo e da ciência.

Nada justifica a matança indiscriminada de pessoas, sejam eles quem forem, e seja por que for, mas convém ter uma visão global das coisas para se ajuizar os eventos na sua plenitude.

Lamentavelmente, os judeus foram perseguidos e expulsos de quase todos os lugares da Europa, alguma vez, nos últimos 1000 anos, E tal está longe de ter sido apenas por acção da Inquisição. Seguramente que houve muitas injustiças, mas estará o povo judaico isento de culpas?

Durante séculos houve o primado da questão religiosa, hoje confinada à teologia entre os cristãos – mas não entre os muçulmanos – mas tal tem que ser visto (como tudo o resto) à luz dos conceitos das diferentes épocas.

Também podemos concordar que os principais problemas dos Judeus derivam do facto da sua terra original ter começado a ser ocupada há 2500 anos, obrigando à sua diáspora. Mas nisso, também concordará, que ninguém hoje no mundo tem qualquer responsabilidade.

Os sucessivos ocupantes da “Terra Santa”, outrossim, passaram a ter direitos na sua ocupação, sem embargo de todos devermos reconhecer ao “Povo do Livro” serem o caso único na Humanidade, de se ter conseguido manter como Nação, durante dois milénios, sem governo nem território.

E deles temos a admirar a sua inteligência e empreendedorismo – não é por acaso que são judeus a maioria dos detentores do Prémio Nobel.

Todavia, meta a mão na consciência: não se isolaram? Não especularam? Não açambarcaram? Não se tornaram mestres na “arte” da usura?

Já reparou, o Sr. Gol, agora que vive em Lisboa que, na linguagem popular portuguesa, quando quer designar algo de mal se usa, por vezes, o termo “judiarias”? E que dizer do uso, por vezes racista, que representa o tratamento de “Goyim” para todos os que não pertencem à “tribo”? (Convém lembrar que só o filho de uma judia, independentemente do pai, é considerado judeu).

Será que é por se considerarem o “povo eleito” apesar de Javé os ter, aparentemente, condenado às mais duras penas – observe-se o termo “judeu-errante”, também da linguagem popular? Possuem ou perseguem algum desígnio de vingança permanente? Terá isso a ver com um hipotético domínio do mundo pela via financeira?

Insiste o Sr. Embaixador em que os professores portugueses ensinem o que foi o Holocausto – presume-se que por uma formula pré-estabelecida. Mas que despautério vem a ser este?

Será que teve, ao menos, a amabilidade de oferecer alguma contrapartida? Entenderá que o MNE inaugure um “guichet” onde os embaixadores, por cá acreditados, possam ir fazer as sugestões (ou será imposições?) que entendam que a escola lusa passe a ensinar sobre os respectivos países?

Será que o embaixador português em Jerusalém pode ir ao “Knesset” propôr que faça parte dos compêndios escolares, como o rei D. João II aceitou receber os Judeus expulsos de Espanha, em 1492?

Podemos exigir uma quota de exportação para alheiras, a fim de exemplificar como os seus hipotéticos antepassados que aqui viveram, tentavam passar por cristãos?

E que tal umas lições de História sobre o ramo Sefardita de modo a que os Ashkenazy se pudessem dar melhor com eles?

Ora, por favor!...

Cita o Sousa Mendes que a propaganda de alguns dos seus, de mãos dadas com os inimigos políticos do Professor Salazar, tentaram transformar num mito, que não tem nada a ver com a realidade. E chama-lhe “justo”, quando “justíssimo” foi o processo disciplinar que lhe foi instaurado (fora aqueles que já acumulara desde 1917) e, para a gravidade dos quesitos a que respondeu resultou, até, bastante benévolo!

Informe-se da verdadeira história e de tudo o que lhe está associado e depois falamos.

E, que se saiba, ninguém em Portugal, lhe pediu ajuda para reparar a casa do antigo cônsul que, se morreu na miséria, foi porque nunca soube administrar os seus bens, face à vida que levava.

Diz que em Israel só existem dois portugueses como “justos” entre os 25.000 nomes que lá figuram. Pois talvez devessem ponderar colocarem mais uns quantos, já que durante a II Guerra Mundial passaram por Portugal cerca de 70.000 refugiados judeus, que foram bem tratados e hospedados, facilitando-se o trânsito para os destinos que entendessem, ou a ficarem por cá, como muitos fizeram.

Resta a questão da bandeira a meia haste, aquando da morte de Hitler – a que um professor presente na sala lhe respondeu de forma infeliz, alegando viver-se, na altura, em ditadura, o que é irrelevante para o caso.

O que não é irrelevante é o facto do governo português – que era neutro, apesar da tardia “neutralidade colaborante”, com ingleses e americanos – ter cumprido, apenas, as normas protocolares em vigor quando morria um chefe de estado. Do mesmo modo que outros países neutrais também o fizeram, ao contrário do que afirmou. E nunca se apresentaram condolências.

Condolências que foram apresentadas, pessoalmente, pelo Presidente do Conselho à frente de todo o governo, na embaixada dos EUA, duas semanas antes, aquando do falecimento do Presidente Roosevelt.

Já agora recorda-se, não ter sido apenas Hitler a perseguir os judeus, mas todos os países ocupados ou aliados da Alemanha, em maior ou menor grau. Como, por ex., a França de Vichy.

Por tudo isto a “nódoa” de que nos acusa só existe na sua mente.

Se precisar de benzina, também se arranja.

Shalom."

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[1] Organização Internacional, criada em 1998 e de que são membros 31 países.
[2] Retirado de Artigo publicado no “Público Digital”, de 31/10/12, da autoria de Clara Viana.

10.5.07

Salazar ganhou e então? por Brandão Ferreira


Salazar ganhou e então?

Salazar ganhou. Foi apenas um concurso mal engendrado, mas ganhou. Porventura porque tudo à volta da “competição” foi feito para ele perder. Salazar ter ganho parece-me natural. É apenas um corolário lógico da sua obra e da sua vida. Salazar foi um ganhador e até ao fim dos seus dias, nunca saiu derrotado de qualquer um dos seus empreendimentos. Até antecipou, a propósito de quererem dar o seu nome à agora ponte 25 de Abril (por acaso inaugurada a 6 de Agosto…), o que fariam à sua memória, anos depois. Além disso a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima. É verdade que aboliu os partidos políticos – ou melhor tentou reuni-los todos em um, que tivesse “de jure” e “de facto” a Nação como referência primeira e última. Mas a verdade nua e crua é que a culpa foi dos partidos que tinham gerado perturbações gravíssimas nos cem anos anteriores. Os portugueses estavam fartos deles (como estão a ficar novamente…). Salazar apenas formalizou o acto. Foi mais longe e institucionalizou uma doutrina que o sustentasse. É certo que perseguiu os comunistas. Mas que podia ele fazer? O Partido Comunista era, naqueles tempos (e hoje não aparenta ser diferente na sua essência), um partido revolucionário, que defendia acções violentas. Eram mutuamente exclusivos. Ora entre os milhões mortos na Sibéria e as poucas dezenas que passaram pelo Tarrafal, parece-nos que a escolha era óbvia. Entre ser independente e patriota ou ser marioneta de Moscovo, a escolha também aparenta ser cristalina. No mais, e convém ser sintético, António de Oliveira Salazar fez tudo certinho: era integro, modesto, nunca prometeu nada que não cumprisse, dava o exemplo, exercia a autoridade com humanidade e não se lhe conhecem vícios nem vilanias. E como o Professor António José Saraiva, que chegou a ser comunista e se tornou um eminente homem de cultura, reconheceu, em artigo no Expresso, Salazar possuía a “rara virtude da recta intenção”. Ora foi sobre esta figura impoluta de estadista que nasceu pobre, viveu pobre e pobre morreu, depois de ocupar o Poder (que muitos erradamente julgam ter sido absoluto), durante 48 anos, jazendo por vontade própria em campa rasa junto a seus pais, que caiu o odioso da esmagadora maioria dos filhos d’algo deste destroçado país, que se têm aproveitado das condições de mudança, porventura bem intencionada, que um grupo de militares criou, em 25 de Abril de 1974. E apesar da propaganda contumaz dos últimos 30 anos; dos paupérrimos compêndios de História por que se passou a ensinar nas escolas e da acção deletéria da esmagadora maioria das manifestações artísticas, a figura de Salazar ganhou, pela segunda vez uma votação como figura já histórica. Na prática, sem grandes hipóteses de contraditório fazendo lembrar “censuras” que se dizem combater… Afinal alguma lembrança existe na memória colectiva da população. E, infelizmente, os exemplos que lhe têm sido servidos, só podem reforçar essa lembrança. E, no nosso entender, todas as iniciativas que intentaram denegri-lo revelaram uma falta de honestidade intelectual tão grande, que levou inúmeros cidadãos a votar em Salazar, o que de outra forma não fariam. Como exemplo temos a tentativa espúria de o excluir à partida do concurso; depois os convidados para as diferentes sessões que maioritariamente atacavam a sua figura; a muito pouco séria atitude da apresentadora, Maria Elisa, que transpirou parcialidade; o lançamento de um livro sobre as “vítimas antifascistas”, apresentado por Mário Soares; uma quantidade apreciável de artigos e programas de rádio e TV a baterem no “odioso ditador”, etc., provocaram, estamos crentes, uma reacção de repulsa em fatias consideráveis da população. Mais uns apontamentos apenas: Cunhal ficou em segundo, o que só abona a favor da disciplina dos seus seguidores. Mas ele está deslocado neste concurso. Cunhal pertence a outro campeonato, por exemplo, “dos heróis internacionalistas”; “do melhor comunista da História”; “do maior persistente e coerente no erro”, etc. Nunca no dos grandes portugueses. Um homem que defendeu sempre até morrer, objectivamente, os interesses de uma potência estrangeira (até mesmo depois desta desaparecer!), não pode ser considerado patriota. Ora um português que não é patriota, não pode caber sequer na categoria dos “pequenos portugueses”. A votação em Cunhal, foi pois um equívoco. Aristides Sousa Mendes é um epifenómeno sem qualquer razão de ser. Até ao concurso era uma figura desconhecida de 99% dos portugueses. De repente apareceu uma história mal contada e fabricaram um mito… com pés de barro. Foi um equívoco por desinformação. Quanto ao desconhecimento relativo a figuras históricas de peso (é até escandaloso como na lista dos 100 mais estão incluídos alguns nomes e outros ausentes!), devia merecer das autoridades competentes uma leitura atenta. Tal é fruto da acção de quantos por razões ideológicas têm maltratado a História Pátria; pela leitura marxista da História que põe o acento tónico nas lutas de classes, nos movimentos das massas, no domínio dos meios de produção, etc., e renega os Heróis, ou qualquer outro evento que não encaixe na sua doutrina e, finalmente, por causa da União Europeia, que pretende esbater toda e qualquer rivalidade histórica entre os seus membros. Salazar tem resistido a tudo isto. É mais um feito notável.

João José Brandão Ferreira

Nota: Pilhado com a devida vénia do Grifo.