«... De pé, olhos bem abertos, face ao Inimigo, unidos em bloco firme, os dentes cerrados, resistir, combater até à morte, na defesa do Património sagrado que herdamos, para, ao menos, salvarmos a honra do nosso nome. Descer as pontes da fortaleza - jamais!» Alfredo Pimenta, in Em Defesa da Portugalidade, p. 29, 1947.
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6.9.14
27.8.14
Moçambique, 7 de Setembro. Memórias da Revolução
260 páginas, incluindo 6 de fotografias
Dimensões: 152 x 225 mm
Preço do lançamento: 20 €
PVP nas livrarias: 23 €
24.4.14
Reciprocamente obrigados. Magnífico texto de Helena Matos
O País descobriu agora que para manifestar o seu agradecimento aos militares de Abril (vaguíssima definição já em 1974 e que quarenta anos depois muito mais vaga se tornou) a Associação 25 de Abril deveria poder falar na Assembleia da República.
Estranho que não tenham sentido esse apelo noutros aniversários mas a minha questão é outra: onde e quando manifestarão os militares o seu agradecimento ao País? Porque não é apenas o País que está em dívida para com os militares.
Os militares também estão em dívida para com o País. E não lhe devem pouco. Não, não falo das reformas, das comissões e de questões materiais. Falo de honra, coisa sem preço e que os militares não podem dispensar. Durante estes quarenta anos os civis têm sido o conveniente bode expiatório da forma como as Forças Armadas Portuguesas (ou parte delas) conseguiram impor que se saísse de África e de Timor: abandonando as populações, prendendo líderes de partidos não conformes aos movimentos que os militares portugueses tinham definido como interlocutores, entregando cidadãos portugueses a alguns desses movimentos, transferindo informações militares classificadas para os grupos que pretendiam favorecer (nesta última matéria vale sempre a pena ouvir e ler os depoimentos provenientes de Cuba)…
Por mais levianas que tenham sido (e foram!) algumas das declarações e iniciativas dos políticos, nomeadamente de Mário Soares enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, a verdade é que nenhuma equipa de negociadores consegue negociar o que quer que seja quando do outro lado da mesa lhe explicam, como fez o PAIGC em Argel, em Junho de 1974, que independentemente daquilo que as delegações portuguesas declarassem e daquilo que o Governo e o Presidente da República decidissem, o PAIGC receberia num curto prazo o poder pois quanto mais não fosse o MFA da Guiné tal imporia a Lisboa. E o que fazer quando, como aconteceu em Lusaka, o chefe da delegação portuguesa, Mário Soares, enquanto insiste com a delegação da Frelimo que antes de tudo – e o tudo era a exigência por parte da Frelimo de ser reconhecida como único interlocutor nas negociações com vista à independência – havia que obter um cessar-fogo, ouve o militar que Spínola enviara para o acompanhar nestas negociações, Otelo Saraiva de Carvalho, dizer diante de todos: “Não insista, dr. Soares, as nossas tropas e as da FRELIMO já estão a confraternizar em vários teatros de operações!” Aquilo que Otelo define como “confraternizar em vários teatros de operações!” levou no Verão de 1974 o País a um dilema entre defender os interesses do País ou defender as suas Forças Armadas.
Em boa verdade o país não tinha escolha: havia que defender as Forças Armadas. De quem? Delas mesmas. Mesmo que tal implicasse pactuar com quem atacava os interesses do País e desdenhava das suas populações mais frágeis, os civis residentes nos territórios africanos. Desfeita a hierarquia de comando nas FAP, só os sectores esquerdistas pareciam capazes de garantir um mínimo de ordem e salvar as aparências entre as tropas estacionadas em África.
Daí chegavam histórias que o País não podia conhecer a bem já não da nação mas sim das suas Forças Armadas. Comandantes que por iniciativa e ideologia próprias resolviam confraternizar ou dialogar com os mesmos que combatiam na véspera e que levaram as suas companhias a cair emboscadas com mortos, feridos e sequestrados (Bambandica, Guiné). Tropas portuguesas feitas reféns e tratadas de forma humilhante pelos seus captores (Omar, Moçambique; Nova Lisboa, Angola). Histórias de soldados portugueses capturados e obrigados a desfilar em cuecas diante de movimentos independentistas aterrorizam no Verão de 1974 as chefias militares em Lisboa. Verdadeiras ou não essas histórias terão sido usadas para pressionar os negociadores portugueses, nomeadamente aqueles que em Dar-es-Salam negociavam a independência de Moçambique encafuados em quartos de hotel tão bem ou mal escolhidos (depende do ponto de vista!) que os negociadores portugueses, entre os quais se contava Melo Antunes, não só não conseguem comunicar com Lisboa como nem sequer conseguiam comunicar entre si. Aos militares tem sido fácil desculparem-se com os civis.
As histriónicas manifestações onde se gritava “Nem mais um soldado para as colónias” fazem sempre o papel de radical útil. Afinal sempre é mais fácil invocar os MRPP’s aos gritos (MRPP’s que os mesmos militares não tiveram problema algum em prender meses depois numa fase bem mais complicada) do que referir os telegramas que eram enviados dos quartéis de Angola, Moçambique e Guiné para Lisboa para pressionar Spínola e os negociadores a aceitarem como seus únicos interlocutores no processo a que chamava e chama descolonização, o PAIGC, a FRELIMO, o MPLA, a FNLA e a UNITA, telegramas esses em que se lia: “Ou assinam os acordos de paz, ou rendemo-nos todos.” Os militares portugueses devem ao País terem conseguido sair de forma honrada de um dos momentos mais tenebrosos da sua história – a forma como impuseram a saída de África e de Timor – e devem-lhe também poderem manter a mentira conveniente de que em Abril estavam unidos. Não é verdade: estiveram unidos na guerra. Mas dividiram-se criminosa e perigosamente na hora de negociar a paz. Por isso ainda hoje se sentem mais à vontade a falar da ditadura e da guerra do que da democracia e dos países independentes.
17.4.12
12.3.12
Marcelo Caetano e Mário Soares
«Passaram os meses. O ano de 1968 foi desfilando, até que em Setembro aconteceram grandes novidades. Enormes novidades. O Dr. Salazar teve um grave acidente vascular e, só veio a saber-se mais tarde, ficou inutilizado, a notícia correu célere, embora os dignatários do regime tenham inicialmente procurado fazer supor que era um acidente menor a que se seguiria a recuperação. Eram os seus desejos que não encontraram eco na realidade. Em breve começaram a correr os boatos de que o Professor Marcelo Caetano iria assumir as funções de presidente do Conselho de Ministros. Daí que o Dr. Mário Soares tenha ficado bastante agitado, na expectativa do se seguiria. E tinha muito boas e bem fundadas razões para essa agitação.Tinha na sua posse uma carta recente de Marcelo Caetano, em que este lhe conferiu que não concordava com o exílio a que o tinham forçado e que, se estivesse na sua mão, o faria regressar com a possível brevidade. Estava lá escrito, preto no branco.
(…) Marcelo Caetano assumiu a presidência do Conselho de Ministros e em curto prazo cumpriu o prometido. Prontamente decidiu o fim do exílio de Mário Soares, o qual regressou pouco depois a Portugal. Foi um gesto grande e generoso, para além de ter certamente outras finalidades politicamente interesseiras, para ajudar a construir um ambiente de boas expectativas em relação à nova situação política. Mas nessa altura, Marcelo Caetano não podia nem sequer imaginar que passados alguns anos, em 1974, chegaria a sua vez de ir para o exílio. Só que a revolução não foi tão prontamente generosa com o Professor Marcelo Caetano, quanto ele havia sido com Mário Soares uns anos atrás.» (Pp. 136/137)
7.3.12
Traição na Índia Portuguesa
«Havia um núcleo de oficiais de Pangim, que se estava a alargar rapidamente (estaria?), que se propunha pura e simplesmente destituir o Governador, tomar conta da situação e entrar pelos meios mais directos em contacto com o comando indiano, para negociar desde já uma rendição. Mas precisavam do apoio das tropas e em especial dos esquadrões de cavalaria, porque eram as unidades mais fortes e melhor disciplinadas.Boa parte do que ele nos vinha dizer era verdade, calava fundo e tinha um certo fundamento. Mas, o que nos vinha dizer propor era traição pura e simples. Além de que os oficiais que dizia representar não tinham qualquer prestígio.» (Pp. 57/58)
15.12.11
Traição em Moçambique - IV
«(…) O que Jorge Jardim desejava era que o novo Governo tivesse metade de elementos da Frelimo e que a outra metade fosse constituída por elementos por si escolhidos entre as forças vivas de Moçambique que nele acreditavam. Fiquei espantado com a sua aceitação dos elementos que tinham aterrorizado populações indefesas durante os últimos dez anos.» (P. 211)«Mais tarde jantámos com o capitão Vítor Caldeira e pela sua conversa fiquei esclarecido. Tinha-se transformado em mais um apoiante das doutrinas do MFA para Moçambique. Tal como centenas de outros oficiais, apoiava a entrega incondicional do território exclusivamente à Frelimo. Isto podia ser descrito como uma típica atitude dos portugueses. Em determinadas ocasiões revelava-se um povo estranho. Estava preparado para aceitar ideias teóricas sem tomar em consideração as implicações práticas. Os portugueses estavam preparados para se desfazer incondicionalmente de parte do seu país.» (P. 214)
«Enquanto os “libertadores” da Frelimo eram aliciados a avançar em todas as frentes para acelerar a retirada das tropas portuguesas, os seus compagnons de route do MFA, infiltrados nas Forças Armadas, conseguiam desmotivar ainda mais os militares de todas as unidades de tropa “macaca” e mesmo alguns, felizmente que poucos, das tropas especiais. Já era normal os soldados partirem de licença e não regressarem às suas unidades. (…)
Entretanto, os soldados recém-chegados de Lisboa recusavam-se a ir para Zonas Operacionais e chegavam mesmo a coagir os militares de recrutamento local que entravam em “estado de choque”. Muitos deste, de forma desordenada, entregaram armas e restante equipamento militar de maneira a regressarem às suas povoações ou cidades.» «Havia desertores que até regressavam a Lisboa por contra própria! Era o caos completo. O pessoal estava confuso, desorientado, sentia-se traído e, sobretudo, tinha medo do futuro. Os que tinham vindo de Portugal não viam necessidade da sua presença em África. A “temperatura” estava a subir rapidamente e permanecer em Moçambique podia significar uma bala…(Pp. 222/223)
12.12.11
Traição em Moçambique - III
«(…) No dia anterior estivera em Nampula, com o colega Bruce Loudon do Daily Telegraph de Londres. “É um jornalista muito especial”, disse o Luiz. “Tinha uma ligação bem conhecida com muitos políticos e militares antes do 25 de Abril”. Perguntei-lhe qual seria, agora, o seu relacionamento com o MFA.- Tens de te lembrar, Giancarlo, que em 1973, quando o Jorge Jardim e os zambianos jogaram a cartada de “Wiriamu”, foi o Bruce Loudon e o fotógrafo francês Patricke “qualquer coisa” que apoiou o plano deles. Lixaram o coronel Videira e outros oficiais superiores mas, mais importante, forçaram o Jaime Neves a colaborar com os revoltosos por este ter sido ameaçado com um Conselho de Guerra no futuro.
- Sim, compreendo. Mas agora o que está o Jorge Jardim a fazer? – perguntei.
- Está no seu ocaso… mas espera um pouco… Toma isto. Trouxe-te alguns papéis “interessantes” para o teu livro.
Era a formação do Gabinete do MFA junto do Comando-Chefe (CC) em Nampula. Dei uma olhadela às cópias que Luiz me entregou. Estava escrito:
A. FUNCIONAMENTO
1. O Gabinete do MFA junto do CC trabalha paralelamente com o CCP (Comissão Coordenadora do Programa)-MFA em íntima coordenação com este e está orientado essencialmente para assuntos de natureza militar.
2. A constituição do Gabinete é a seguinte:
Cap. ten. Rui Pereira Cruz
Ten. Cor. Nuno Alexandra Lousada
Maj. Mário Tomé
Maj. Nuno Mira Vaz
Cap. Aniceto Afonso
3. O Gabinete funciona em regime permanente no Gab. Plan. CCM (…) Nota: o regime permanente é assegurado pela presença de pelo menos um elemento do Gab. (…)
4. Todos os militares podem e devem apresentar sugestões (…)
Assim, na prática, o documento dizia que quem mandava na “guerra” era o MFA.» (Pp. 148/149)
«Durante o jantar, o Luiz compartilhou connosco muitas “novidades quentes”! Disse-nos que os primeiros grupos armados da Frelimo estavam a ser introduzidos por elementos portugueses em muitas localidades isoladas para evitar o receio por parte das populações. Por outro lado, muitos militares portugueses estavam a ir ao mato buscar guerrilheiros que depois transportavam para as pequenas vilas e cidades onde seriam recebidos como heróis da libertação. As Forças Armadas Portuguesas (com excepção das Forças Especiais que se mantiveram em total estado de alerta) deixaram de combater logo em Maio. Pelo contrário, a Frelimo ordenou aos seus combatentes que redobrassem os esforços de continuar a guerra e não aceitassem um cessar-fogo antes do colapso total dos portugueses. Para tentar integrar todas as unidades no “comboio da paz”, a Força Aérea Portuguesa tinha gasto dezenas de horas de voo com a “Operação Panfleto”, deitando milhares de folhetos de papel, montados e impressos pela 5.ª Repartição do QG em Nampula. Nesses folhetos era aclamado o fim da guerra e apoiadas todas as iniciativas de contacto que viessem a estabelecer um clima de paz entre a Frelimo e as Forças Armadas. Havia a esperança que a “guerra do folheto” ajudasse a desmobilizar os combatentes da Frelimo, sendo que a maior quantidade destes impressos fora lançada sobre as chamadas “zonas livres” ou fora de controlo das autoridades administrativas portuguesas. Existiam também rumores de que os aviões utilizados tinham sido abonados com o fogo das anti-aéreas do “ex-inimigo” e que até um dos aviões tivera de fazer uma aterragem de emergência… As principais vítimas deste “ataque” de propaganda eram os próprios militares portugueses, muitos dos quais foram aliciados a deixar-se fotografar ao lado dos frelimos, para benefício dos Serviços de Imprensa e Informações Militares. Os elementos que se apresentavam como representantes da Frelimo pareciam mais modelos de revista de moda quando comparados com os seus irmãos que viviam no mato. Todos eles pareciam ter saído da recepção de um hotel de luxo e vestidos com equipamento nunca antes utilizado e uniformes camuflados de estilo chinês. Tudo polido e a brilhar!
Em Lisboa, os novos chefes da guerra estavam sem dúvida alguma muito contentes com tudo isto! A Frelimo preparava-se para receber as rédeas do país e como tal, devia dar a impressão de estar em condições de o vir a fazer. Do ponto de vista puramente militar, Moçambique estava agora completamente perdido para Portugal.» (Pp 198/199)
Em Lisboa, os novos chefes da guerra estavam sem dúvida alguma muito contentes com tudo isto! A Frelimo preparava-se para receber as rédeas do país e como tal, devia dar a impressão de estar em condições de o vir a fazer. Do ponto de vista puramente militar, Moçambique estava agora completamente perdido para Portugal.» (Pp 198/199)
9.12.11
Traição em Moçambique - II
«Ainda estava a tentar esquecer-me do cônsul e da carta do Luiz quando um conjunto de fotografias foi reproduzido na primeira página do jornal Notícias de Lourenço Marques do dia 20 de Junho. Na folha laurentina via-se o que se dizia serem “soldados” da Frelimo vindos do mato para apertar a mão aos militares portugueses. Eu tinha conhecimento de que a 5.ª Repartição do QG em Nampula estava directamente envolvida na reprodução das fotografias destes encontros entre pseudo-adversários. Os alferes milicianos do coronel Passos, responsável da APSIC, a Acção Psicológica, estavam eufóricos com este golpe publicitário. Tudo era pré-combinado e envolvia alguns ex-Frelimo que os agentes da DGS diziam ser “guerrilheiros em part time ou “recuperados”. A verdade é que nem mesmo a Frelimo autorizara estes encontros e, além disso, nenhum verdadeiro guerrilheiro se deixaria fotografar com tanta facilidade. Tal seria um salvo-conduto para a sua própria morte!Esta farsa tão bem montada que, antes de serem apresentados à frente das objectivas, os “pseudofrelos”, como os alferes da APSIC os chamavam, eram devidamente preparados para poderem representar os mais ferozes combatentes do mundo, sorrindo condescentemente para as fotografias tiradas de diferentes ângulos. Sabe-se que a 5.ª Rep. aproveitou várias destas imagens e que depois as espalhou por todas as zonas de combate. Uma coisa era certa: com esta acção de marketing masoquista tinha sido possível desmobilizar muitos dos melhores combatentes. A excepção, dentro dos Comandos, foi a actuação do Mota, que se prestara a tirar as fotografias e que por isso terá sido duramente punido, até com conhecimento do general Costa Gomes mas sem a aprovação consensual da Junta em Lisboa. Porquê Costa Gomes? Sabia-se que em Maio ele tinha enviado a todas as unidades uma nota do CEMGFA que dizia: “Considero todos os militares integrados doravante no Movimento das Forças Armadas”. Poucos notaram que esta inteligente e astuta decisão do general terá sido para diluir a força dos revoltosos. Se todos eram doravante membros do MFA, não havia diferença entre aqueles que, no dia do golpe, estavam ou não estavam com os revolucionários.» (P. 148)
«Falando com alguns doentes, maioritariamente soldados pretos, cheguei à conclusão de que muitos apoiantes da Frelimo não tinham uma opinião precisa sobre o 25 de Abril, muito menos tinham conhecimento do “programa” do MFA ou sequer sabiam quem eram os membros do movimento entre os militares estacionados em Moçambique. Aqui não havia nem bons nem maus. Os militares faziam todos parte da máquina do adversário. O interessante era que enquanto os portugueses iniciavam o “desmoronamento” das suas defesas, Samora Machel incitava os seus homens a levarem a guerra até à “derrota total do inimigo”. Três dias depois das fotografias serem publicadas no Notícias (Domingo, 23 de Junho), Samora Machel repetiu em Dar-es-Salam que o seu objectivo era a independência total de Moçambique; até esta ser conseguida dizia, “a guerra não iria parar”. Claro que a Frelimo nunca aceitaria parar a guerra e ir a votos ou a referendo, como se propunha em Portugal. Os seus dirigentes não eram parvos e queriam receber de bandeja o futuro Governo. Tudo fariam para correrem com os portugueses de Moçambique. “Paz” e “cessar-fogo” foram palavras nunca mencionadas pela liderança da Frelimo nos contactos efectuados com o MFA. Luiz disse-me muitas vezes que quanto menos portugueses ficassem em Moçambique, mais fácil seria para a “escumalha” branca e os comunistas tomarem conta do Governo.
(…) Três meses mais tarde, em Lusaka, o MFA e os governantes de Lisboa desistiram de negociar o que quer que fosse e aceitaram todas as condições impostas pela Frelimo que incluíam um acordo autónomo para Cabora Bassa e um outro, de carácter militar, que exigia que a defesa e segurança de Moçambique fossem asseguradas por Portugal até ao dia marcado para a data da independência, 25 de Junho de 1975! O acordo principal, assinado entre as duas partes na capital da Zâmbia, foi tornado público mas os outros dois, considerados “reservados”, ficaram no segredo dos deuses. Na prática, Machel disse aos portugueses: “Foram vocês que fizeram aquele muro (Cabora Bassa). É vosso, fiquem com ele”. O acordo militar que criou a Comissão Militar Mista foi apenas parcialmente divulgado. Nele, as Forças Armadas Portuguesas eram obrigadas a defender as fronteiras terrestres e marítima moçambicanas de qualquer invasão ou incursão por parte de forças “hostis” à Frelimo. Em mente tinha-se as agressões vindas da África do Sul e da Rodésia. Os acordos “reservados” ditavam que também a segurança interna de Moçambique seria uma responsabilidade de Lisboa.
Até hoje, ninguém foi capaz de compreender como é que o orgulho lusitano se deixou envolver nesta armadilha que, por ironia política, obrigava os portugueses a proteger o antigo inimigo? Na altura em que os Acordos de Lusaka foram firmados era ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal o Dr. Mário Soares. A sua sombra do MFA era o major Ernesto Melo Antunes. Do team faziam também parte: Almeida Santos, Victor Crespo, Almeida Costa e Casanova Ferreira. De Moçambique vieram Antero Sobral, representando o “Governo” e o coronel Nuno Alexandre Lousada, delegado do MFA do QG de Nampula. Todos eles, debaixo dos flashes da imprensa internacional, assinaram por Portugal. Pela Frelimo, “bastou” a assinatura de Samora Machel!» (Pp. 150/151)
5.12.11
Traição em Moçambique - I
«Nos últimos dias de Maio, a situação em Moçambique agravou-se. Muitos militares recusavam-se a sair para o mato. Não queriam fazer operações ofensivas para não provocar feridos e mortos. Não poucos homens das milícias desertavam com armas ao mesmo tempo que as populações fugiam ao controle das autoridades coloniais. Dezenas de colonos começavam a abandonar Moçambique. A maioria deles fugia para a Rodésia.Um mês depois do golpe, os soldados pediam à Frelimo para cessar-fogo, sobretudo nas zonas de maior actividade operacional. O poder colonial português estava em derrocada.
Os serviços de informação e de propaganda já não podiam “tapar o sol com a peneira”. Ao mesmo tempo, Aquino de Bragança, conselheiro pessoal de Samora Machel, andava por Lisboa. Aí foi apresentado à figura-chave do golpe: o major Ernesto Melo Antunes. Oficial “anti-colonialista” desde o início dos anos sessenta. Melo Antunes era o poder por detrás do trono e o verdadeiro “cérebro” do golpe. Melo Antunes sabia que era a altura para Portugal acabar com as guerras africanas. Tinha o apoio de muitos… incluindo do general Costa Gomes. Tinha de facto muito mais peso na nova administração portuguesa do que muitos julgavam, e prometeu ao Aquino de Bragança que o Exército não iria mais combater a Frelimo. (…) Na prática, o objectivo era permitir o avanço da Frelimo, dando assim a impressão de que já controlava todo o país. Esta era a razão porque o QG em Nampula tinha dado ordem para as Forças Armadas não abrirem fogo contra as guerrilhas a não ser em caso de legítima defesa. Assim, pode considerar-se que todo o sangue dos soldados mortos depois de Maio, mancham as mãos dos “golpistas”… que nunca dão a cara.» (P. 91)
«Inicialmente, militares como o major Freitas não queriam acreditar na hipótese do general Spínola ser desautorizado por elementos do MFA com ligações ao PCP, o Partido Comunista Português. Mas, em finais de Maio, quando os chefes do Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas transmitiram ordens, pouco apropriadas para o momento que se vivia na metrópole e nas províncias ultramarinas, tiveram que aceitar que se tinham enganado redondamente.
As ordens de serviço foram despachadas logo a seguir à partida de Portugal do major Artur Freitas. Embora estas fossem secretas, a maior parte dos oficiais superiores tinha conhecimento do seu teor.
A primeira era a de que as Forças Portuguesas se deviam abater de tomar a iniciativa de ataque à Frelimo. Todos os patrulhamentos dentro das zonas de que eram responsáveis deviam assim cessar. As patrulhas só deviam acontecer por força de uma deslocação dos pontos A para B e com uma missão superiormente pré-definida. As únicas reacções justificadas seriam as baseadas no factor defesa pessoal. Por outras palavras, a Frelimo teria que abrir fogo primeiro para que fossem autorizados a defenderem-se!
As razões por detrás deste volte-face nas instruções dadas eram claras. Para começar, o Governo em Lisboa tinha decidido que a guerra contra a Frelimo iria terminar. Isto acontece menos de um mês após o golpe. Sendo este o caso, os guerrilheiros da Frelimo deviam ser autorizados a penetrar onde desejassem fazê-lo.
Com uma boa dose de apoio na retaguarda em Lisboa, a Frelimo tinha deixado repentinamente de ser o inimigo; era agora o bem-vindo herói da libertação. Havia três importantes políticos que desejavam que Moçambique fosse entregue apenas à Frelimo: Mário Soares, líder dos socialistas; Almeida Santos, ex-laurentino e “socialista independente”, e Álvaro Cunhal, o mais pró-moscovita líder comunista europeu.
Era um dado adquirido que o chefe máximo do comunismo em Lisboa só fazia o que os soviéticos lhe ordenassem. O objectivo dele era retirar Portugal da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e transformar o país num ponto para os soviéticos no flanco ocidental da Europa.
Esta troika lisboeta desejava entregar as colónias aos movimentos nacionalistas pró-soviéticos o mais rapidamente possível e transformar Portugal num servil aliado.» (P. 101/102)
29.11.11
20.11.11
Mais dados sobre a traição de Jorge Jardim em Moçambique
«(…) O que Jorge Jardim desejava era que o novo Governo tivesse metade de elementos da Frelimo e que a outra metade fosse constituída por elementos por si escolhidos entre as forças vivas de Moçambique que nele acreditavam. Fiquei espantado com a sua aceitação dos elementos que tinham aterrorizado populações indefesas durante os últimos dez anos.» (P. 211)«(…) No dia anterior estivera em Nampula, com o colega Bruce Loudon do Daily Telegraph de Londres. “É um jornalista muito especial”, disse o Luiz. “Tinha uma ligação bem conhecida com muitos políticos e militares antes do 25 de Abril”. Perguntei-lhe qual seria, agora, o seu relacionamento com o MFA.
- Tens de te lembrar, Giancarlo, que em 1973, quando o Jorge Jardim e os zambianos jogaram a cartada de “Wiriamu”, foi o Bruce Loudon e o fotógrafo francês Patricke “qualquer coisa” que apoiou o plano deles. Lixaram o coronel Videira e outros oficiais superiores mas, mais importante, forçaram o Jaime Neves a colaborar com os revoltosos por este ter sido ameaçado com um Conselho de Guerra no futuro.» (P. 149)
- Tens de te lembrar, Giancarlo, que em 1973, quando o Jorge Jardim e os zambianos jogaram a cartada de “Wiriamu”, foi o Bruce Loudon e o fotógrafo francês Patricke “qualquer coisa” que apoiou o plano deles. Lixaram o coronel Videira e outros oficiais superiores mas, mais importante, forçaram o Jaime Neves a colaborar com os revoltosos por este ter sido ameaçado com um Conselho de Guerra no futuro.» (P. 149)
Livro: A Cauda do Escorpião. Giancarlo Coccia


A Dinalivro editou em Junho deste ano este testemunho do jornalista italiano Giancarlo Coccia, "A Cauda do Escorpião - O Adeus a Moçambique", sobre os vergonhosos acontecimentos da traição e do abandono da província ultramarina de Moçambique pelos abrileiros que em Lisboa conspiravam a favor dos planos mundialistas e soviéticos a troco de... salvarem a pele por meia dúzia de escudos!
N.º de páginas - 376
P.V.P. - 24€.
N.º de páginas - 376
P.V.P. - 24€.
25.4.11
E esta, hein?
Otelo Saraiva de Carvalho: "Precisávamos de um homem com a inteligência e a honestidade do ponto de vista de Salazar".
Oh, Salazar não te deixam em paz!
Oh, Salazar não te deixam em paz!
9.3.11
Livro: Descolonização e independência em Moçambique - Factos e Argumentos de Henrique Terreiro Galha


A Esfera do Caos editou em Janeiro passado, Descolonização e independência em Moçambique - Factos e Argumentos, um testemunho histórico sobre os trágicos momentos descolonizadores em Moçambique, como os casos do calvário dos portugueses brancos, da repressão frelimista, dos crimes frelimistas, do mau papel da Igreja Católica (casos dos Padres Brancos, Padres de Burgos, Igreja do Macuti, do bispo de Nampula), a guerrilha da Frelimo, o Acordo de Lusaca, Cabora Bassa, a dívida de Moçambique a Portugal...
Número de páginas - 276 pgs.
PVP - 18,90€.
Número de páginas - 276 pgs.
PVP - 18,90€.
2.3.11
Salazar: em cheio!
Na estreia do novo director, Duarte Branquinho, O Diabo, dá notícia nas páginas centrais do último livro sobre Salazar e cita um dos trechos do livro "António de Oliveira Salazar, Uma Cronologia" da autoria do Embaixador Fernando de Castro Brandão e acabado de vir a público pela Prefácio Editora.
«É em 20 de Fevereiro de 1962 que Salazar começa a manifestar desejo de se afastar do poder. Nesse dia, confessa a Franco Nogueira: "Estou com pressa de me ir embora. Não me dou com a nova mentalidade. Isto é só para safados".
E em 17 de Abril do mesmo ano, comentando as revoltas académicas, vaticina: "Se nada fizermos, antes de dez anos eles estarão sentados a esta mesa."»
E em 17 de Abril do mesmo ano, comentando as revoltas académicas, vaticina: "Se nada fizermos, antes de dez anos eles estarão sentados a esta mesa."»
A verdade é que os safados começaram a sentar-se, logo!, a 27 de Setembro de 1968, com Marcelo Caetano e a (mal)dita primavera marcelista para abancarem a 25 de Abril de 1974... até hoje!
Em 2008, Fernando Castro Brandão editou Estado Novo, Uma Cronologia na Livros Horizonte.
Prefácio Editora
R. Pinheiro Chagas 19 – 1º - 1050-174 Lisboa
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