30.4.07

Abril... Prisões Mil!

Finalmente um sítio sobre as prisões, sobre os mandatos de busca assinados e não assinados, sobre a repressão e a demência revolucionária do 25 de Abril.
Um sítio dedicado às vítimas das "mais amplas liberdades democráticas" e da "aurora democrática libertadora" e para todos aqueles que juram a pés juntos que depois da abrilada de 1974 nunca houve presos políticos!
Um espaço de leitura e de consulta obrigatória.

A descoberta do BOS

Está de volta, após um périplo europeu, o BOS. Bendito regresso e a sua descoberta reveladora da verdadeira razão que levou a canalha esquerdóide assaltar sede do PNR.
Afinal, não era falta de tomates, dado terem ficado numa caixa diante do cartaz do Marquês de Pombal apreendidos pela Polícia, mas sim a falta de... limões!

No Mneme: Manipulação da História

Voltando à mentira sobre o mito de Guernica chamo a atenção para dois textos do Mneme:
Manipulação da História: Guernica e a morte do toureiro e para o anexo.

29.4.07

No Sexo dos Anjos: o caso Guernica

O Manuel Azinhal desmonta a tese falsa e propagandista do quadro, de Picasso, "Guernica".
A verdade verdadinha é que foi, é e será sempre um quadro dedicado à tourada com o nome inicial de "Lamento en la muerte del torero Joselito".
Um exercício: vejam lá se não descobrem um cavalo e um touro?

1.º de Maio, Dia do Trabalho Nacional


Manifestação do 1º de Maio, Dia do Trabalho Nacional, às 16 horas, no Largo do Rato, seguida de desfile até ao Marquês de Pombal, em Lisboa.

28.4.07

Santa Comba Dão

A SIC em directo de Santa Comba Dão

Respirar Portugalidade

Cerca de trezentas pessoas estiveram hoje presentes na concentração promovida pela T.I.R., a favor da construção do Museu Salazar em Santa Comba Dão. A boa e sã população beirã recebeu os manifestantes de forma simpática e cordata, aplaudindo entusiasticamente os discursos de Álvaro Fernandes e de António Soares, dirigentes da T.I.R., bem como as declarações do Sr. coronel Agostinho Dias e do marmorista, Sr. António Lopes. Não se ouviu uma única palavra de protesto ou de discordância, o que a juntar à recepção da população fez com que toda a gente se sentisse na nossa terra. Em Santa Comba Dão respira-se Portugalidade! Eis o filme da reportagem em directo da SIC, oiçam as duas entrevistas em directo pela TSF, vejam a reportagem fotográfica no Admirável Mundo Novo e façam o vosso juízo sobre a vontade popular.

Um reparo. Lamentável foi a atitude nada profissional e educada dos fotógrafos no cemitério do Vimieiro que fotografavam tudo o que se fizesse junto da campa de Salazar, O Grande Português. As pessoas colocavam flores; eram fotografadas duas e três vezes. As pessoas acendiam velas; eram fotografadas duas e três vezes. As pessoas rezavam e tinham momento de recolhimento aos pés da campa; eram fotografadas duas e três vezes. Um verdadeiro stress fotográfico! Haja respeito num campo santo!

Hoje no Manlius

O Manlius publicou estes postais que são de leitura obrigatória:
Estou desiludido ou agora já nem se sabe ser bufo
Saudades de Goulart Nogueira
A Marcelíada
Um pouco de gozo, como o Goulart gosta

Benito Mussolini - 28 de Abril de 1945 - 2007

Il Duce, Benito Mussolini, foi assassinado a 28 de Abril de 1945 por dois agentes secretos ingleses às ordens de Churchill como prova Giorgio Pisanò no livro "Gli ultimi cinque secondi di Mussolini". The british way of death...
Mussolini, Presente!

Sobre Mussolini e o Fascismo, sugiro a consulta dos sítios Il Duce Net, Il Ventennio Fascista e Storia del Fascismo.

Salazar Permanecente


SALAZAR PERMANECENTE

Salazar pertence ao número dos mortos que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele (aqui há um ano) os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo». A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino. Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram... Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».

Rodrigo Emílio

In Política, n.º 37, 15.07.1971, pág. 1.

27.4.07

No Mas o rei vai nu!: Notícia de última hora!

Graças ao nosso engenheiro sempre bem informado, Mas o rei vai nu! publica esta notícia de última hora:

«Forças policiais lançaram hoje uma operação em larga escala, detendo, para interrogatório, dezenas de militantes anarquistas e comunistas do Bloco de Esquerda que no passado dia 25 vandalizaram Igrejas e lojas da zona do Chiado, tendo chegado inclusivamente a tentar assaltar a sede do PNR. Foram apreendidas largas dezenas de doses de heroína, anfetaminas, ecstasy e haxixe (embrulhadas em folhas do Jornal de Letras), mocas, barras de ferro, boxers (punhos de ferro), cocktails Molotov, very-lights e livros. Destes, destacou a Polícia, o Livro Negro do Anarquismo, o Manual do Guerrilheiro, o catálogo da Façonable e o Triunfo dos Porcos(!?). De acordo com fontes bem informadas, na sequência de denúncias relativas a incitamento ao ódio e à violência e à discriminação política e religiosa o MP está a ponderar a emissão de um mandado de busca para revistar a sede do PSR.
Aguardam-se mais pormenores a qualquer momento.»

Já vou ver e ouvir as notícias no canal Fantástico & Incrível...

LOTRO: O Senhor dos Anéis online!

O Senhor dos Anéis online!
J. R. R. Tolkien chegou à internet em forma de jogo com o nome de
LOTRO (Lord of The Rings Online).
Um acontecimento multimédia.

A actualidade de Salazar por Silva Resende


A ACTUALIDADE DE SALAZAR

(...) Ora quando nestas colunas se fala em Salazar não é para lhe ressuscitar a governo nem para matar uma sau­dade irremediável. Salazar, se fosse vivo, ele próprio tomaria as opções políticas da hora que passa — mu­dando certamente sem se contradizer, reformando sem perder o fito histórico e a sua luminosa consciência de sábio.
Mas felizmente para todos (e abei­ramo‑nos do tempo das grandes conversões) Salazar, sem querer, deixou a única obra de filosofia política digna desse nome à escala mundial. Como refere Ploncard d`Assac, é obra de um filósofo que teve a poderosa intuição da perenidade do pensamento. Até de pequenas circunstâncias históricas (e o governante português tinha como ninguém o sentido da grandeza do Estado e a noção das proporções) Salazar deixou sempre o traslado das frases que não envelhecem e o segredo das soluções que desafiam o tempo.
O seu conceito de democracia orgânica abisma no vazio e na inutili­dade prática esta partidocracia que se perde em discussões estéreis, em erros condenados pela História, e em guer­ras que consomem inutilmente as energias da nação.
Decerto que o corporativismo não era perfeito e não resultou em toda a linha nem pôde ser aplicado na totali­dade da lógica do seu sistema. O Portugal que foi entregue a Salazar para o arrancar à descrença, ao con­formismo e desordem mortal, era um mosaico de traições à História, uma satânica renegação do seu destino. Não dispondo de outro apoio senão o do seu génio de govemante e o da sua integridade e autoridade moral, Salazar teve de parar algumas vezes no tra­jecto histórica diante dos abencerragens dos erros passados. Com razão se diz que a sua tarefa espantosa de manter Portugal neutro durante a Guerra foi mais difícil em relação aos seus inimi­gos de dentro do que relativamente aos beligerantes. Nomeadamente, o embaixador em Londres, conspirando junto do Govemo britânico, deu mais trabalho e dores de cabeça a Salazar do que as vicissitudes do conflito e as flutuações da sorte da guerra.
Ora os discursos do político portu­guês oferecem hoje a mais fecunda e admirável lição. E também a mais ac­tual. Nele se reflecte a essência do pensamento das encíclicas para a questão social, a construção de uma cidade em que os homens hão‑de conviver na paz e no equilíbrio, o valor imprescindível da autoridade para garantia da liberdade, as constantes do nosso destino eterno como inspi­ração das instituições basilares da sociedade.
A tudo isto, que nos surge vasado em trechos de antologia, juntou Salazar a previsão dos acontecimentos, de modo que se pode sustentar que foi, em vida e em sentido vulgar, o único profeta dos estranhos caminhos do Homem neste século e nos mais próximos vin­douros.
Último grande europeu, no sentido civilizacional, combateu até ao último sopro de vida as ideologias que pre­cipitaram a Europa no negativismo mais torpe e no mais cruel despotismo de que há memória. Os acontecimentos viriam a dar‑lhe, contra a expectativa dos seus adversários e a generalidade dos contemporâneos enlouquecidos por ideologias condenadas e mitos passageiros, aquilo que imortaliza um ser humano: a plena razão dos seus juizos sobre o futuro.
A Direita reivindica em exclusivo essa honra de ter razão. E de ser o caminho da restituição do sentido divino da História. Salazar deixou-lhe a mais lídima e fecunda das heranças — a de um progresso verdadeiro, baseado na ideia de reforma que só os verdadeiros conservadores possuem.

Silva Resende
In O Dia, 14.05.1994

26.4.07

Azñar, discriminador racial

No Diário Digital de hoje podem-se ler as destravadas declarações do ex-primeiro ministro de Espanha, Azñar e que são reproduzidas no Diário de Notícias. Ou é de mim ou vai acabar a arrumar carros em Madrid dado que vai ser considerado um perigoso nazi/fascista/franquista/racista e xenófobo ao levantar a questão do multiculturalismo, dos perigos que a Europa corre e sobre os líderes lights de que foi um excelente exemplo! Leiam estes excertos:

«Dizem que o multiculturalismo é o exemplo máximo de tolerância. Não é assim. Haver uma lei igual para todos é que é tolerância», afirmou Aznar, numa conferência promovida pela sociedade de consultores de comunicação Cunha Vaz & Associados e pela Associação Comercial do Porto.
Para o antigo presidente do governo espanhol, Bento XVI proferiu «a frase mais inteligente» ao afirmar que «a Europa está condenada a ser inexistente».
«A primeira preocupação de um líder europeu deve ser a catástrofe demográfica da Europa», sublinhou Aznar, manifestando-se céptico na resolução deste problema «apenas com políticas de imigração».
«Como é que se pode formar a Europa, se no futuro não vai haver europeus? Uma Europa com 10 por cento de imigrantes é o mesmo que com 40 por cento?».
«O alargamento da União Europeia não pode ser uma coisa eterna, interminável», pelo que é necessário clarificar «quais são as fronteiras da Europa».
«Bento XVI definiu muito bem os males do Mundo: o fundamentalismo e o relativismo. O fundamentalismo é um dos grandes perigos do Mundo, mas também o relativismo, a ausência de valores, a ideia de que tudo é igual, que a responsabilidade é uma coisa sem sentido».
«Não gosto de líderes light, e o Mundo está cheio de líderes light. Sobram políticos dependentes de popularidade e faltam líderes preocupados com a responsabilidade», disse, afirmando que «um líder deve ter algum talento, ter sorte, saber aproveitar as oportunidades, ter determinação, uma ideia e um projecto, ter visão global e saber transmitir confiança».

Bons rapazes, estes jovens

O tal workshop dedicado à desobediência civil organizado pelo Bloco de Esquerda começa a dar os seus frutos.
Cerca de 150 canalhas esquerdóides, segundo fonte policial, festejaram ontem o 25 de Abril com as típicas arruaças do tempo do tristemente célebre PREC.
Está de volta a violência de rua da extrema-esquerda e ontem preparavam-se para atacar a sede do P.N.R. com as mais amplas liberdades e equipados de cocktails molotov, very-lights, barras de ferro, paus e pedras. No trajecto da manifestação ilegal partiram montras, roubaram lojas, pintaram paredes e a manta, insultaram e agrediram pessoas e atacaram a polícia.
Se fosse a extrema-direita nazi/fascista/racista/xenófoba a praticar tal barbárie a esta hora o país estava em estado de sítio, a imprensa jorrava reportagens e verborreia dos melhores democratas da nossa praça que a uma só voz condenariam o ataque, próprio de gente intolerante, anti-democrática e que havia que aplicar a pedagogia e a lei democrática, rapidamente e em força.
Por outras palavras, uma nova rusga policial seria decretada e exibida na TV para gáudio do Estado de Direito, das liberdades de opinião e de expressão, e dos direitos do homem.
Aguardam-se notícias referentes a estes vândalos da Baixa lisboeta. Provavelmente, chegar-se-à à conclusão que se trata de um pequeno número de excluídos da sociedade que exprimiam a sua liberdade de expressão e de pensamento com o desconhecimento das boas leis que gerem o Estado democrático e serão enviados em paz e em sossego para as suas casas.
A notícia teve repercussão nos jornais
Portugal Diário, Diário Digital, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, Sol e no Expresso que vão ter de estar mais atentos a esta gentuça tão sinistra.
Graças ao Expresso, aqui ficam umas imagens destes bons rapazes...

Salazar por Rodrigo Emílio


SALAZAR ENTREVISTO DO PAÍS DA INÉPCIA

Se no giro anual do tempo que passa há datas que ficam e que perduram — o 15 (e não o 11, nem tão-pouco o 16) de Março, o 27 e o 28 (e nunca por nunca o 25) de Abril são três dessas datas. O que significa que estão elas inscritas, de pedra e cal, e gravadas a caracteres inolvidáveis, no calendário de honra da nossa História. Pertencem, pois, e de pleno direito, ao número, extremamente dígito, dos dias permanecentes, e das efemérides nunca efémeras e sempre a assinalar, no eldorado temporal da Nação Portuguesa — do ponto em que fixam: uma delas, o aniversário da brutal eclosão do terrorismo armado antiportuguês, logo rechaçado «rapidamente e em força», a partir de Angola; e as outras, o nascimento humano de Salazar e o seu providencial nascimento político, respectivamente.
Já assim se compreende porque razão não pode a gente, em boa consciência transitar em claro ou deixar em branco essa tripla — e duradoura, e memorável — conjunção de marcos memoriais, nem tão-pouco passar por ela como gato por brasas, e muito menos como cão por vinha vindimada...
Quer-me entretanto parecer que a melhor maneira, que eu tenho, de consagratória e votivamente começar por manifestar-me, a respeito de Salazar, consiste em dar a conhecer o que sobre o mesmo Salazar se me ofereceu dizer, um anos depois da sua morte.
Em 1971, já eu, de facto, me não continha, que não fixasse, com tintas assaz carregadas e a traços bastantes sombrios — e, como pode ver-se, bastante proféticos — todo um avisado e preventivo perfil do grande estadista.
«Salazar — escrevia eu, por então que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo».
A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino.
Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram...
Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».
Hoje por hoje, estou realmente em crer que jamais a causa de um Povo, neste mundo de Cristo, terá sido advogada com tamanha lucidez e tamanha tenacidade, com tanta pertinência e tanta pertinácia, como a nossa o foi por Salazar. Cada vez mais disso me convenço. E, já agora, talvez convenha recordar, aos que andam mais esqueciditos, que foi com Salazar à frente que nós, portugueses, «subimos esforçadamente a encosta duma nova restauração», para, do alto dela, afinal, nos despenharmos, de novo — e de vez... Já assim se percebe de onde lhe vinha o medo, quando o glorioso Presidente outrora exprimia o seu «grande medo aos ideólogos que, afeitos às abstracções e concepções geométrica, pretendem refazer séculos de História nas suas mesas de trabalho».
Pretendem refazer século de História, e, as mais das vezes, acabam por desfazer séculos de História! Como se viu por cá...
Pela parte de leão que nesse calvário coube a Portugal, outros entretanto terão que responder — e nunca Salazar! Outros — que não ele... — faltaram à palavra dada aos mil juramentos feitos. Outros — que não ele... — foram vistos e achados nesta desalmada obra-prima de pulhíticos!...
Concretamente, e em última análise: é à negligência de algumas centenas de acéfalos e perjuros que há que assacar responsabilidades de primeiríssimo grau.
A exemplo de Salazar, é certo, também eu, pessoalmente, «creio (...) que a não integração efectiva da ideia imperial no conceito corrente da Nação Portuguesa encurtou a este País os horizontes a que deverá habituar-se e em que» devia «aspirar a viver». Pena foi, realmente, que cedo demais se tivesse banido, da nossa doutrinação de Defesa, a sempre exaltante defesa de Império: aquela mesma ideia de Império que, a seu tempo, «trouxe aos espíritos» — que como Salazar chegou de resto, a reconhecer — «uma noção de unidade e um sentimento optimista de grandeza, indispensáveis para estimular energias e arredar-nos da mornidão e tacanhez que», em seu mesmo entender, «ameaçavam continuar a estiolar» (e de facto, estiolaram mesmo...) «pensamento, planos e esforços».
Em todo o caso, e tal como alguém já um dia escreveu, uma coisa é certa e sabida: «Se, em 1961, o doutor Salazar se tivesse orientado no sentido do abandono do Ultramar, a oposição de então, hoje no Poder, e dita democrática, teria assumido, com galhardia, a defesa das ideias históricas da República, reclamando-se da sucessão do pensamento ultramarino de Afonso Costa e do general Norton de Matos. A decisão do doutor Salazar, «para Angola, rapidamente e em força», deu lugar a duas ordens de consequências: manteve as fronteiras portuguesas tradicionais e empurrou a oposição para uma situação antinacional, que para todo o sempre a há-de desautorizar, por mais instaladinha no Poder que possa estar...»
E daqui não há que sair — de quarenta em quarenta anos que seja!

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 57, pág. 10, 05~.05.1977.

Orgulhosamente Só por António José de Brito


ORGULHOSAMENTE SÓ

Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a abjecção são os traços dominantes, o que se censura, hoje, a Salazar é o que ele teve verdadeiramente de grande e elevado.
Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e a todas as diversas soluções políticas, que traduziam apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de Portugal, quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza: ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à outrance pela grandeza da Nação, que só existia esse meio de conservar o que era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o bem mais precioso de um povo, que é a sua honra. Porque sobrevive-se, enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.
Salazar foi proclamado um carrasco por ter ordenado às tropas estacionadas na Índia que se batessem sem esperança de vitória (ao contrário do que acontecia nos demais territórios, nalguns dos quais se conseguiu, consoante é o caso de Angola em Abril de 74, uma pacificação quase completa) e exclusivamente para honrar a bandeira das quinas, sob cujas dobras tantos prodígios de heroísmo se tinham desenrolado naquelas paragens.
Da indignação da Esquerda nem se fala. Mas também na chamada direita houve quem o reprovassse. Dum lado e doutro não havia sequer uma compreensão mínima daquilo que exigiam e obrigavam as normas elementares da ética militar e patriótica — dessa ética que levou Moscardó a não ceder no Alcazar ao ameaçarem-no com o fuzilamento do filho, que fez com que guarnições alemãs de cidades das costas normandas e bretãs, cercadas há meses, esmagadas por bombardeamentos, ainda resistissem no segundo trimestre de 45, que impeliu os Mas italianos, no momento em que foram descobertos na noite pelos projectores do porto de Malta, a lançarem-se para a frente, nenhum sobrevivendo, E, até, sem o estímulo do patriotismo, só para cumprirem a sua palavra de soldados, se fizeram imolar no México, em Camerone, os homens da Legião Estrangeira. Tudo isto, pelos vistos, não passava de absurdos, tolices, tontarias, demências. E nem um simples «baroud d`honneur», como o dos regimentos franceses de Madagascar, isolados e abandonados, na altura do desembarque inglês na ilha, foi considerado admissível. O que era louvável e de aplaudir era depor as armas sem tir-te nem guar-te, no instante em que o exército adversário avançava em som de peleja. A entrega pura e simples eis a solução. Salazar, que pensava de forma oposta, assumiu as proporções de um monstro.
A vergonha da Índia, perante a qual não houve um sobressalto, unânime ou quase, de dor e indignação, representou o teste, ou melhor, a provação decisiva.
António de Oliveira Salazar compreendeu-o. E, se fosse da fibra moral (ou imoral) dos que actualmente cospem injúrias sobre a sua memória, teria arrepiado caminho. Poderia desse modo conseguir pretorianos encantados da vida a protegê-lo e a louvá-lo, distribuir panem et circenses em abundância, captando frenéticos aplausos das multidões, obter apoios calorosos das potências dominantes, estar seguro de obter na história — escrita pelos vencedores — as parangonas de um libertador formidável, à Roosevelt ou à De Gaulle.
Não o quis, e, orgulhosamente só, preferiu manter-se ao leme apontando a mesma rota, que era a rota do dever.
Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que — admitia-se sem rebuço — viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos antepassados.
Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o dia de S. Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo — ou antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo —, para o que procedeu, desapiedamente, à destruição do que era um autêntico país — o nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um inviável e anárquico rectângulo peninsular. Em nome da liberdade, impôs-se a ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem, espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeito retroactivo, agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em nome da paz, centenas de milhares de brancos, pretos e mestiços tombaram vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia, estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhando-se o que nos resta.
Justo é que os autores dessa obra de aniquilamento total celebrem, com júbilo, a data em que lhe deram início. Os profissionais das batalhas, vocacionados pelo «appel des armes» de que falava Psichari, que juraram dar a vida pela pátria e, ao fim de três ou quatro comissões em Angola, Moçambique, ou Guiné, já estavam fatigados e o que queriam era retornar ao remanso dos quartéis.
Só achamos mau que quantos o tornaram cinza e nada persistam em falar em Portugal, no lugar de aludirem à admirável Abrilândia que edificaram entre gente não remota e sem perigos e guerras esforçados.
Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval, aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra sã, para além dos vermes e pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.
António José de Brito
In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 11.

25.4.07

Salazar: um poema de Alberto de Oliveira


SALAZAR


I

Tinhas de ser qual és, calado e triste,
Misterioso, ascético, tenaz,
Para reger um povo que da Paz
Há que tempos nem sabe se ela existe...

Já, com verbo fecundo e lança em riste,
Outros tentaram a missão falaz:
Mas, com promessas boas e obras más,
Maior caos nos fizeram, como viste.

Tu então, ao dilúvio das palavras
Opões barreira sólida, e entretanto
A gleba acordas, e em silêncio a lavras...

E eis logo o prado em flor, o oiro das messes!
Quem és tu, Salazar, ou mago ou santo,
Que assim nos ressuscitas e engrandeces?...

II

Na solitária cela, quantas vezes,
Em horas de incerteza natural,
A ti próprio dirás: Mas, afinal,
Que esperavam de mim os Portugueses?

Eram mudos e moles como reses
Passivos para o bem e para o mal,
Sem vontade, nem fé, nem ideal,
Sempre a temer desgraças e reveses...

Mas, de repente, alto clamor se eleva
No estagnado silêncio. É claridade,
Qual de Aleluia sucedendo à Treva.

São, renascentes da ancestral raiz,
Hostes da Legião, da Mocidade,
Novos cruzados com a cruz de Aviz!


III


Agora já se pode, já se deve,
Acreditar de novo em Portugal.
Deu-se o prodígio sobrenatural:
Outro sol derreteu a antiga neve!


É Deus que para nós direito escreve
Por árduas linhas, e que um Parsifal,
Puro, intangível, portador do Graal,
Manda a salvar-nos em futuro breve.

De tronco Salazar brotam milhares
De ignotos mas fecundos Salazares,
Cresce e floresce a Pátria ainda uma vez.

E, enjeitando as escuras profecias,
Digamos todos — como em longes dias —:
Que honra e glória nascer-se Português!


Alberto Oliveira
In «Poemas de Itália e outros poemas», págs.39/40/41, Empresa Nacional de Publicidade, 1939.

Manifesto de Fidelidade de Rodrigo Emílio



MANIFESTO DE FIDELIDADE

Salazar
— e quanto à memória removo,
— quanto cá dentro amotino!

(Horas e horas sem par
Na História de um Povo
A pino!)

Salazar
— por entre a sombra a rasgar
todo o luar de um destino!...

Tempo que ao tempo futura
continuidade há-de dar

(Mesmo apesar da moldura
Que configura
O lugar)

— Salazar
avulta, fulgura,

Estátua a toda a estatura,
Incessantemente a vibrar

A sua assinatura
— A sua assinatura
Solar!...

Rodrigo Emílio

Uma vítima de perseguição da (in)justiça democrática

Vem um meu amigo e camarada - de Pena e Espada - agradecer a todos os que se solidarizaram com ele neste momento em que aguarda a instauração de um processo do Estado de Direito à boa maneira soviética e moscovita.
Caríssimo, não tens que agradecer. Cumpri a minha obrigação de amigo e de camarada. Lamento que tenhas sido levado neste first round e que tenhas passado momentos verdadeiramente surrealistas - na presença da tua mulher e dos teus dois filhos - como o da apreensão do telefone fixo de tua casa ou o da tentativa de apreensão da PlayStation do teu filho, para já não falar da apreensões dos teus apontamentos de estudo para aulas, de alguns dos teus livros, do teu computador e do telemóvel.
Uma curiosidade: gostaria que dissesses que raio de PlayStation neonazi/fascista é essa pois não conheço essa série e estou a pensar comprar uma para o Natal.
Bem, para o Natal se antes disso não haver um second round ou até mesmo um third round, pois dá-me a ideia que os quadrilheiros não vão ficar por aqui.
Entretanto, vou tentar comprar O Triunfo dos Porcos que nunca fez parte da minha biblioteca. O George Orwell que me desculpe mas desconhecia essa versão nazi-fascista.


Preço: EUR 16,95
Editor:
Europa-América
Colecção: Grandes Classicos do Seculo X X
Ano de Edição: 1996
N.º de Páginas: 128

24.4.07

A Santa Inquisição por Walter Ventura

A Santa Inquisição

Por vezes, fico-me a matutar se não serei um racista. Chego a pensar-me um racista quase total. Porque já tive chatices, algumas duras, com brancos, pretos, amarelos e seus derivados das mais diversas tonalidades. O “quase” que não me permite considerar-me um racista perfeito vem do raio dos peles-vermelhas que azucrinavam a vida do Buffalo Bill e do John Wayne que frequentei na fase mais agreste da minha puberdade. Infelizmente nunca se me deparou um representante dessa raça, o que me impediu fazer o pleno racista.
Por essas e outras, quando ouvi pela primeira vez aquela gracinha saloia do “sou tão capaz de apertar a mão a um branco como o pescoço a um preto”, achei a fórmula catita. Só mais tarde – o que a vida nos ensina! – vim a descobrir que o mau feitio com que a Providência me dotou (e que eu acrisoladamente cultivo, porque acredito que devemos melhorar os dotes que o Céu nos deu), me fazia recusar sujar as minhas mãos em outras até mais brancas do que as minhas e não me importar de apertar fraternalmente muitos pescoços pretos retintos.
Mesmo assim, parece-me poder ser bem aceite entre a malta simpática dos “skinheads” que por aí pululam, poluindo um tanto ou quanto o ambiente urbano. Deitei contas à vida e descobri uma data de pontos de contacto. Desde logo tenho a cabeça ao léu, embora com um tufo que me vai de orelha a orelha, cobrindo toda a nuca. Nada que uma máquina-zero e uma navalha afiada não resolvam num ápice.
Depois, gosto de armas, embora hoje por hoje só tenha meia dúzia de canivetes que não dão para se considerarem colecção e uma faca-de-mato em petição de miséria que conservo por motivos sentimentais. Mas sempre são armas, segundo a novíssima e ultra-catita Lei das Armas que os nossos mimosos legisladores congeminaram com assinalável esforço e maior sabedoria, sendo de espantar terem esquecido as facas de cozinha e os alfinetes com mais de cinco centímetros de comprimento e meio milímetro de calibre.
E tenho livros que pelos vistos estão mal vistos, tanto assim que foram apreendidos por aplicados polícias que ao menos provaram saber ler o suficiente para detectarem os títulos suspeitos. Acontece que, além do detestado “Mein Kampf” – que, por acaso, tem pelos menos uma edição portuguesa, aparecida quando “este país” ressacava do Prec no prato, por obra e graça do já falecido Fernando Ribeiro de Melo, das edições Afrodite – e do “Triunfo dos Porcos” que por isto e mais aquilo se vendeu quase tanto como pão em vagas sucessivas do “Círculo dos Leitores” e companhia, tenho outras bombas que bem mereciam ser igualmente apreendidas. Tenho ainda os livros desse estranho Paul Rassinier que, sendo socialista, opositor à ocupação nazi e “cliente” de vários campos de concentração, escreveu obras a desmentir o holocausto tal como ele é contado às criancinhas nestes alegres sessenta anos. E outras que os doutos polícias e mais quem manda neles nem sonham existirem mas que bem mereceriam a fogueira purificadora. Os António Sardinha, os Alfredo Pimenta, os Pequito Rebelo e demais Integralistas que cometeram o pecado de serem nacionalistas e que chegaram a pregar contra o parlamentarismo e outras maravilhas da nossa era. Até tenho obras do professor doutor António José de Brito, um facínora afascistado que ficaria bem na prisão, entre os moços descabelados que este Estado mais providencial do que providência acabou de deter e cujos livros merecem lugar de destaque em qualquer “index” democrático que se preze. Bem sei que, cá por coisas, também tenho o “Capital” e mais uma punhado de livrinhos assaz bem vistos sobretudo por aqueles revolucionários de pacotilha que dificilmente conseguem juntar duas letras – a não ser as de crédito que, apesar de louvavelmente anticapitalistas – costumam usar à tripa forra, p’ró andarzinho, p’ró carrinho, p’rás feriazinhas lá fora, etc. e tal. Até tenho, vejam bem, os “Discursos” desse malandro do Salazar que limpou o concurso à D. Odete Santos e uns livritos do Benito, sim, o Mussolini!, para não falar de fascistas menores de um ou outro nazi empedernido. Hoje, pelos vistos, é “viver perigosamente”, como o Duce ensinava, sem sonhar o que estava para vir.
Por tudo isto e pelo que de momento não recordo, acho que a Santa Inquisição que ora ressurgiu – não sei se por não ter nada de mais útil e mais urgente para fazer, como sanear os Casais Ventosos que por aí florescem ou deitar mão à cáfila de malandros engravatados que nos cavam a ruína, se no esforço mais do que louvável de afastar as atenções mórbidas das histórias rocambolescas das Independentes e seus diplomas – não devia ter esquecido de me incluir na lista dos perigosos que meteu a ferros mai-las suas matracas e soqueiras e os livrinhos que, quase apostava, tinham em casa mas nunca chegaram a ler.
E já agora, mesmo não me considerando bufo, sempre quero dizer que muito democrata por aí deve andar que incorre nos mesmos pecadilhos e merece igual tratamento. O senhor Pacheco Pereira (bem sei que não é careca e não parecer dado a armas), aposto que tem na sua badaladíssima biblioteca um ror de livros tão ou mais perigosos do que estes que a Judite adregou apanhar em casa dos moços. E que dizer desse agora tão esquecido Mário Soares que tanto preza a sua biblioteca, a ponto de a atirar à cara dos adversários, como o fez naquele debate televisivo com Cavaco Silva? Já do senhor Zé Magalhães não digo nada. Não parece tipo para se armar nem com faca de cozinha nem com uma fisga e não me cheira muito dado a literatices, salvo talvez, dicionários de citações úteis e versões compactas tipo “readers-digest”. Mas, se a memória me não falha o homem sofria de queda de cabelo galopante, tanto assim que dizem as más línguas, teve de se sujeitar a dolorosos e caríssimos implantes capilares. Ora, cá para mim, é um “skin” e dos mais perigosos por andar disfarçado a fingir que o não é.
Falando mais a sério, como vocências talvez recordem, não gosto dessa malta que se diz de direita e apregoa o nacionalismo mas que tem um comportamento desviante que melhor merecia as atenções de psiquiatras do que de polícias. Ou, se calhar, bastaria que nos ríssemos nas suas caras para acabar com eles. Perigosos? Bem, talvez o sejam quando, em bando de mais de quinze, apanham um negro descuidado em viela escura e longe de socorro expedito. Para a Nação, mesmo para “este país”, não vejo que perigo possam representar. O nacionalismo deles leva-os a usar modas importadas de que só usam o exterior e até o nome que usam pertence a língua estranha. De direita, claro que não são; nem de esquerda, de resto. Deu-lhes para ali e, pronto.
Mais grave me parece a esforçada operação policial montada ainda não percebi por que bulas. O alvo, pareceu-me, não foram propriamente os “skinheads” e destes apenas os que eventualmente tenham cometidos delitos que a lei aponta – e nesses não está contemplada a posse dos livros apreendidos nem, quiçá, a posse de uma “Moca-de-Rio-Maior” que não passa de um “souvenir” de resto, pouco prático e menos eficiente para uso mais ou menos bélico. Quem me pareceu na mira das nossas estimadas autoridades foi o Partido Nacional Renovador que pode ter muitos defeitos – tem os suficientes para eu nele não me filiar – mas que não tem culpa dos erros dos seus militantes, simpatizantes ou eventuais votantes. Tanto assim é que, à mistura com os “skin”, creio terem sido outros militantes que o não eram.
Ora, o que se passa com o PNR e seu militantes, serve para demais partidos, onde aposto haver malta com armas legalizadas e vadias, leitores ou simples possuidores de livros que afectam o sono a agentes da Judiciária e a demais autoridades desta alegre democracia.
A menos que, claro, o PNR tenha armado ou mandado armar estes seus filiados e lhes ande a meter na cabeça macaquinhos que deviam estar no sótão do Júlio de Matos. Claro que há macaquinhos lá pela casa: desde logo a mania de não gostarem de “pretos” e seus derivados, de gente do “Leste” e demais emigrantes. Sobre isso, já aqui disse de minha justiça e não vale a pena repetir: eles não me ouvem nem eu tenho pachorra para o proselitismo. Quero lá saber...
Bem sei que há algumas razões que desculpam este “racismo” de capoeira. Como essoutro que os nossos políticos e jornalistas fingem não ver mas que assola os bairros da lata à volta das cidades portuguesas e que infecta a rapaziada negra, cigana e outras que lá habitam. Lembro-me de ver, em Berlim após a queda do Muro que o comunismo ergueu para não ser invadido pelos esfomeados do Ocidente (não foi, D. Odete?), bandos de desempregados preteridos pela mão de obra mais barata que chegava da Alemanha de Leste e da Polónia. Os mais novos deram em “skinheads” e desataram a malhar nos “turcos” e adjacentes, sendo adjacentes muitos portugueses que por lá viviam. Tudo se explica, como vêem, menos a estupidez que passa a ser mais grave quando patrocinada pelos que governam.
Por isso, aqui fico à espera que me venham prender, apreender os meus canivetes, passar revista às minhas estantes e deitar a unha suja aos meus livros. E, se não for pedir muito, que façam o mesmo aos filiados, militantes e simpatizantes de todos os partidos políticos, do amável bloquinho ao CDS, na certeza de aí também encontrarem tanta coisa proibida que a Judite será obrigada a alugar armazéns para albergar todo o espólio.
A não o fazerem, ficarei convencido que esta “operação” teve fins inconfessáveis e pouco dignos e que já não há em quem confiar.
O que, como vocências sabem, eu já fazia...

Walter Ventura
In «O Diabo», 24.04.2006, pág. 18.

Novo massacre escolar

Está em marcha um novo massacre escolar aos alunos portugueses.
Nada mais nada menos que uma nova forma de ensinar às crianças o que foi o 25 de Abril.
Ainda não perceberam que as crianças não querem nada com cravos nem espinhos?
E queixa-se o (des)governo da baixa taxa de aproveitamento dos alunos. Pudera a ter que levar com doses anti-fascistas e traumatizantes - qual lavagem cerebral - não há aluno que resista!
Não se admirem se começarem os massacres nas escolas!
Onde estão os Direitos da Criança?
Onde estão os direitos dos alunos?

Tribunal da História por Rodrigues Cavalheiro


O TRIBUNAL DA HISTÓRIA

Décadas e décadas passarão antes, que entre nós, de novo, se acumule sobre a cabeça de um grande homem um conjunto de circunstâncias semelhantes ao que tornou possível o aparecimento de Salazar na vida política nacional. Mas não foi apenas o condicionamento do momento que determinou a entrega plena do país, num acto de absoluta confiança, nas mãos do estadista redentor. Foram, acima de tudo, as excepcionalíssimas qualidades evidenciadas desde a primeira hora por quem, senhor do seu destino e do nosso, declarou logo que sabia muito bem o que queria e para onde ia. Desta forma, o instinto colectivo, que no decorrer do nosso já longo passado raras vezes se enganou, coincidiu por completo com a nova directriz que a Providência, servida por um governante autenticamente superior, ia imprimir à vida da Nação.
Para todos os bons portugueses, Salazar é hoje indiscutível — como o são Nun`Álvares, o Infante D. Henrique, D. João II e poucas mais figuras da História de Portugal. E o mais extraordinário é que ele atinge em plena força física e fulgor de espírito a altitude da máxima glória, que os seus pares só alcançaram depois de sobre eles terem descido as sombras justiceiras da morte e do passado.
Uma das maiores — senão a maior — realização de Salazar foi ter-nos restituído o orgulho de nos confessarmos portugueses — e de sabermos que Portugal vale, na hora que passa, o que valeu nos momentos mais gloriosos da sua História. Ser português da era de Salazar é o mesmo que ser português da época do Condestável ou do tempo dos Navegadores henriquinos.
Negar o génio e a obra de Salazar já não é só ingratidão para com Deus que no-lo revelou e para com o Homem que a realizou. É, principalmente, uma confissão descarada de inferioridade intelectual e moral, que haveria toda a vantagem em evitar, mesmo à força... por motivos imperiosos e salutares de decoro cívico e de higiene pública.
O que mais fascina na actuação de Salazar é a ascensão contínua do seu génio de governante e o esplendor cada vez mais lúcido da sua alma de português. Foi grande como regenerador das Finanças; maior como fomentador de riqueza, de progresso e de cultura; imenso como político e diplomata nas crises tremendas da guerra de Espanha e da segunda conflagração mundial. Com mais de meio mundo a querer-nos combater e roubar, pareceu-nos, então, dar toda a medida das suas extraordinárias virtualidades de homem de Estado e de patriota. Mas certamente ainda maior ele se nos apresentará no dia que se aproxima, pois já dealba no horizonte do futuro, em que o pesadelo que oprime a Nação se dissipar de encontro à constância da nossa vontade, à luz da verdade que se nos deve e ao imperativo da justiça que os povos que se dizem civilizados não deixarão, apesar de tudo, de nos reconhecer.
Quarenta anos nada são na vida dum povo — mas são muito na vida duma geração. E que a nossa tenha vivido a glória de Salazar, apoiando-se e colaborando entusiasticamente na sua obra de ressurgimento nacional, é um favor do Destino a que nunca poderemos ser suficientemente reconhecidos. Os poucos que se mostram ainda refractários a este dom divino com que cara poderão aparecer no tribunal da História?

Rodrigues Cavalheiro
In Política, n.º 14/15, 15/30.07.1971, pág. 10.

23.4.07

Salazar no caminho de Rodrigo Emílio


SALAZAR NO MEU CAMINHO

Quem hoje quiser saber por onde param os nossos mestres, dê uma volta pelos cemitérios. Assim se exprimia há anos — por estas mesmas palavras, ou por meio de outras equivalentes — um dos espíritos mais fascinantes da direita literária francesa: Antoine Blondin. E se me ocorre lembrar, aqui, asserto tão melancólico como esse, no dealbar deste trabalho que a veneração está a ditar em honra, memória e louvor do Presidente Salazar, e que se quer trabalho de rendida homenagem — mas de homenagem tributada tão-somente pelo estudo — à sua meritíssima acção de estadista (e mormente à que ele desenvolveu no capítulo da chamada política ultramarina), não é lá que eu esteja cem-por-cento de acordo com o amargo postulado de Blondin. E digo já porquê. A mim se me afigura, com efeito, que partir à descoberta, e marchar ao encontro, ou ao reencontro, de um mestre, do qual a morte já se tenha apoderado, não consiste só (nem consiste tanto) em ir de visita ao cemitério onde ele jaz; bem mais importante me parece tratar de empreender, à velocidade de cruzeiro, toda uma viagem de longo-curso à obra em que ele vive e revive, e mercê da qual a si próprio sobrevive. E foi isso o que fiz com Salazar.
Ainda assim, não deixa de assistir a Blondin boa dose de razão, quando sugere o que sugere àqueles de nós, que estejam porventura interessados em indagar o paradeiro de quantos guias e mestres viemos elegendo ao longo do caminho — e quando nesse sentido nos concita a ir em demanda deles, já só ao único sítio em que os mesmos podem receber visitas. Por isso nos convida a dar um giro pelos cemitérios. No do Vimieiro, tem a gente encontro marcado com alguém que nos foi mestre. Repousa ali um maiores preceptores de sempre do nosso destino histórico. Uma vez ao ano, quanto mais não seja, lá me reclino e ajoelho, à beira da campa-rasa onde ele descansa dos trabalhos e dos dias.
Não destoarão aqui, pensou eu, algumas páginas de memórias, relativamente pessoais. Assim...

***

...Quis o acaso que eu embarcasse para a Província de Moçambique, em missão de soberania, como alferes-miliciano do Corpo Expedicionário, exactamente no dia em que Salazar dava entrada no Hospital da Cruz Vermelha, a fim de se submeter à intervenção cirúrgica que viria a estar na origem do grave acidente cardiovascular, e da consequente hemiplegia, que ao depois o invalidariam. Foi, a bem dizer, à última hora, e já em pleno cais de Alcântara-Mar — momentos antes de ser chamado a escalar o portaló — que do facto tomei conhecimento. Quem mo segredou ao ouvido, uma única coisa me implorou, encarecidamente, logo ali, a troco de tão preocupante revelação: guardar, quanto a esta, rigoroso sigilo, do ponto em que a mesma estava longe de ser do domínio público.
Os dias transatlânticos que se seguiram — dezassete dias, ao todo — foram vividos, como é de calcular, no meio da mais arrasante e angustiada expectativa. Salazar debatia-se entre a vida e a morte — e os boletins noticiosos, que duas vezes ao dia, eram afixados a bordo, traziam o navio em peso suspenso das melhoras e das recaídas desconcertantes, que o estado clínico do Presidente alternadamente ia registando.
Estava entretanto escrito que eu haveria de arribar a terra firme, ainda antes de se proceder à rendição de Salazar na chefia do governo. Teria, quando muito, meia-dúzia de dias de Lourenço Marques — e encontrava-me, por sinal, episodicamente, numa das dependências do Notícias local — quando me foi dado escutar pela rádio o comunicado oficial atinente à sucessão.
Mais cinco meses, porém (e bem nevrálgicos...) haviam de passar, até que Salazar saísse da agonia — e o seus padecimentos, bem como o clima de sobressalto constante, que um pouco por todo o espaço português se respirava (e eu por Moçambique falo!), conhecessem, finalmente, algumas tréguas. Ao cabo de meses consecutivos às portas da morte, a lutar com ela corpo-a-corpo, a medir-se com ela de igual para igual, o augusto Presidente inscrevia-se, heróica e estoicamente, na linha da melhor têmpera lusíada: a que ensina a morrer, sim, mas devagar.
Ao longo desse tempo todo, Portugal inteiro foi com Salazar de uma abnegação insone; observou com ele uma vigília incessante. Por mim, posso atestar o extremo apego com que o Povo da Província, que me tocara pela porta servir e defender, permaneceu aferrado à cabeceira daquele, à cabeça do Império, verticalmente se tinha mantido, durante quarenta e dois anos de vigia e de cuidados. E quando Salazar, em Fevereiro de 69, teve alta da Cruz Vermelha, e a sua presença outra vez se fez sentir — conquanto fisicamente diminuída — na vetusta moldura de São Bento, então exultaram, radiantes, as gentes do Índico, como se um ressurgimento político se tratara e como se a ponte-de-comando da Nação já de novo estivesse entregue à capitania do velho estadista.
A realidade, no entanto, era bem outra: Salazar tinha os dias contados. Viria a morrer daí a ano e meio.
«Só os homens realmente simples e verdadeiramente grandes estão seguros de ter uma morte bem sua. Os outros por imitação», observou certo dia Jean Guéheno, com percutante pertinência. Salazar pertencia ao número dos primeiros: teve o que se chama uma morte bem sua. Ela sobreveio quase no termo da minha comissão militar.
Dois anos antes, embarcara em Lisboa sob o signo (e o mau augúrio) da sua doença. A Lisboa regressava agora, vergado ao peso e ao luto da sua morte, e ao vazio da sua ausência. Um generalizado sentimento de orfandade nacional já de tudo e de todos, então, se apossava. E de mim também.

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 54, pág. 10, 14.04.1977.

22.4.07

Rally Salazar

O Portugal Diário de hoje anuncia um novo escândalo com Salazar!
Os dois carros de Salazar estão a caminho da FIL, onde serão exibidos no próximo fim de semana.
Como é possível que a Brigada de Trânsito consinta que esses dois carros circulem?
Os carros de Salazar em marcha?
Isto não é o salazarismo em versão de quatro rodas?
Façam uma operação stop quanto antes!
Detenham os dois condutores, são da Pide!
Apreendam os carros por falta de selo, por falta de seguro e condenem o Museu do Caramulo!
O salazarismo está em marcha sobre Lisboa!

Um livro perigoso: Salazar - agora, na hora da sua morte

Segundo o Jornal de Notícias de hoje, o livro "Salazar - agora, na hora da sua morte", da co-autoria de João Paulo Cotrim (argumento) e Miguel Rocha (desenhos) e editado pela Parceria A. M. Pereira, venceu os prémios para melhor álbum e desenho nacionais, perdendo o prémio de melhor argumento dos V Troféus Central Comics, de Banda Desenhada.
Aqui está mais uma vitória de Salazar, o Grande Português, com votos e tudo!
Convém investigar se os votantes não serão uns perigosos nazis/fascistas/salazaristas e analisar o conteúdo da banda desenhada para se ver se faz apologia do salazarismo e do fascismo.
Estejam alerta, cá para mim, é um livro perigoso.

Tentativa de proibição da romagem a Santa Comba Dão

No Diário de Notícias de hoje!
A sanha e a insânia continua! Parece-me natural que o sr. Presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, eleito pela lista do PS, não goste deste tipo de manifestações. São questões de (des)gosto.
Agora, tentar que a decisão passe para a GNR e fazer com que a decisão se torne um caso de polícia é mais um claro indício dos vários casos clínicos que assolam os grandes democratas e a superioridade moral dos mesmos!
Ora se o pedido foi feito a tempo e horas e dentro do prazo legal no Governo Civil de Viseu quer o sr. Presidente da Câmara estar fora da lei? Depois de a Polícia ter conseguido anular a organização da conferência internacional organizada pela Juventude Nacionalista do P.N.R. com o pretexto dos participantes serem "perigosos", só faltava mais esta!

Libertem a memória

20.4.07

20 de Abril de 1889 - 2007


Hitler não é um conquistador, é um edificador de espíritos, um construtor de vontades. E no interior das almas que o seu Nacional‑Socialismo parece ter construído a sua catedral germânica; e é por isso que ele se dirigiu às forças profundas do amor e da fé, sem ter menos prezado os direitos da razão ou de lhe ter, na prática, diminuído a importância...
É necessário ter suficiente conhecimento humano para o revelar e coragem para entender esse homem excepcional cujo espírito não conduz as suas ideias nas regiões frias do ambiente da habilidade política, mas em direcção a um amor profundo e à própria disciplina — que os profissionais da manha e da pulhice desconhecem completamente.
A revolução nacional-socialista não partiu da política, partiu do homem. Foi um florescimento. Tornada mais clara, mais consciente no coração de Hitler, mais pura, talvez, cresceu em potência mais ou menos responsável... Esta será, para começar, um das explicações do ascendente ganho por Adolf Hitler sobre as massas: a humanidade encontrava‑se a si própria neste primeiro amanhecer, nesta aurora de sangue, em que dobravam os sinos da velha potência criadora dos homens da antiga cultura. A substância da humanidade necessitava, para dar o seu fruto mais sábio, de certos homens de una certa têmpera, não nascidos de maneirismos do espírito, mas de homens novos, sem ódio. O que ele fez, o que constituiu o seu triunfo, foi galvanizar à sua volta todas as cabeças novas, ígneas, onde, por si mesmos, pelo ardor do sangue e pela qualidade da luz, inscrevia em letras de fogo o preceito: «A Força maior encontra‑se na incomparável alegria de viver, que realiza aquele que sacrifica tudo a algo que lhe é superior».
Eis o que está na base do Nacional‑Socialismo. Não haveria Nacional‑Socialismo sem este princípio!
Hitler é menos o herói de excepção que aquele que prefigura o homem de amanhã. Nasceu quando ouviu o nosso grito de desespero e as convulsões da nossa agonia.
Alphonse de Chateaubriant

19.4.07

Reabertura da caça ao nazi-fascista

Pensava eu que ia resistir ao silêncio, continuar a série de postais sobre Salazar, o Grande Português e assim não cair na tentação de um comentário sobre esta sanha e insânia policial ao abrigo do Estado de Direito da reabertura da caça ao nazi-fascista.
Reparava no estado de delírio dos comentários dos comentadores de serviço e pensava com os meus botões que já tinha visto este filme aquando do processo do M.A.N.
Com a cobertura da imprensa dada ao P.N.R. através dos dois cartazes do Marquês do Pombal, com o anúncio do encontro nacionalista organizado pela J.N. para este fim de semana, com o anúncio da marcha do Dia de Trabalho Nacional convocada pelo P.N.R. para o 1.º de Maio, com o anúncio da manifestação da T.I.R. em Santa Comba Dão a favor da criação do Museu Salazar, com a vitória estrondosa de Salazar no concurso "Grandes Portugueses", tudo isto era demais para os campeões da liberdade de expressão e outras lérias.
Resumindo e abreviando, toda esta agitação nacionalista deixava esses campeões à beira de um esgotamento nervoso.
Mas o mais grave de tudo é que a imprensa não deixa o eng. Sócrates em paz com a sua licenciatura.
A receita é a de sempre: uma ofensiva policial intimidatória e persecutória sobre a extrema-direita com grande destaque na imprensa e tudo se resolve. Uma vez mais o tiro saiu pela culatra. Embora nas últimas 24 horas se tenha dado todo o relevo aos trinta neonazis/fascistas que foram detidos pela posse de armas em casa e de literatura perigosa, essa verdadeira incitadora de discriminação racial. Exemplo flagrante é o livro de George Orwell, O Triunfo dos Porcos, uma verdadeira bíblia nazi-fascista só comparável ao Mein Kampf. Dizia eu, que embora nas últimas 24 horas quase não se tenha falado no Eng. Sócrates nem na Universidade Independente, julgo que a imprensa não largará o osso - por razões e motivações que ainda não descobri.

Conversa rápida ao telefone com o BOS

Em conversa rápida ao telefone com o BOS, que está de viagem retive estas quatro ideias-mestras.
"A rusga de ontem configura um caso flagrante de perseguição política.
Political persecution em Inglês Técnico, se é que me estás a entender.

A alguns camaradas nossos, levaram-lhes de casa livros encaixotados como prova do crime.

Não temos grandes campeões de xadrez, mas os putins flã cá do sítio dão-nos tratamento de Kasparov.

Os mais esclarecidos toparam à légua a manobra de intimidação. É exemplar o postal do Engenheiro. Só não tem razão quando diz que o PNR se põe a jeito. É o argumento que se usava para justificar violações; a culpa era delas, que se punham sempre a jeito. O discurso e a prática do PNR são idênticos aos de outros partidos europeus congéneres, que têm inclusive assento no Parlamento Europeu."

Como se levanta um Estado - Salazar

António de Oliveira Salazar

Preço: EUR 16,80/ EUR 15,12 (10% de desconto)
Ano de Edição: 2007
N.º de Páginas: 136
Atomic Books
Apartado 1479
1013-001 Lisboa.

"Este livro que agora editamos – e que é praticamente desconhecido do público português – constitui, a vários títulos, um “pequeno dicionário” da ideologia salazarista e da doutrina do Estado Novo. Nele, Salazar procede a uma análise dos factores que conduziram ao movimento militar de 28 de Maio de 1926 e à Ditadura. Enuncia a sua política de saneamento financeiro. Define as bases ideológicas do Estado Novo. Estabelece os parâmetros da actividade económica no novo regime. Teoriza sobre o papel da família, da educação, das forças armadas. Posiciona-se perante as grandes opções políticas do seu tempo e fixa a política externa."

Salazar visto por Alfredo Pimenta - II


«... No opúsculo que consagrei a opor ao António Sardinha lendário e mítico, o António Sardinha histórico e verdadeiro, com as suas qualidades e virtudes, e os seus defeitos e carências; numa palavra, no opúsculo em que opus ao António Sardinha, taumaturgo e mistificação, o António Sardinha carnal e humano — na altura em que aludia à existência doutros valores, escrevi estas palavras pesadas, medidas e pensadas: «E houve e há o Prof. Oliveira Salazar que, nos três volumes dos seus Discursos, se nos revelou um dos grandes Mestres do pensamento político português».
Já em Abril de 1935 -, precisamente em 20 de Abril de 1935 - há, portanto, nove anos, ao apreciar o primeiro volume dos Discursos então publicados, tive a ocasião de colocar a personalidade do seu autor no lugar devido, dentro do quadro da mentalidade portuguesa.
...Muitas vezes, ao ler os Discursos do Chefe do Governo, acodem ao meu espírito as páginas célebres do livro de Cícero, e as não menos famosas de Tácito. E do que um e outro dizem ou põem na boca das suas personagens, eu extraio a substância eterna: não é a Retórica ou a Oratória que faz o Orador; é este que faz aquela.
O Orador Oliveira Salazar escapa ao enquadramento que quem quer que seja deseje impôr-lhe. Não é orador forense, nem orador parlamentar, nem orador académico: é um orador político. Como orador político, não é orador de assembleias, ou tribunas comiciais. E não visa, em seus discursos, aquele objectivo que, segundo Cícero, é o da Eloquência: acalmar ou comover os ouvintes excitados ou frios - «aut sedandis aut excitandis».
Como orador político, o Chefe do Governo é o orador-pensador, o orador-professor que desenvolve, diante dos que o ouvem, os termos duma equação algébrica.
É um orador do seu tempo. É um orador da sua escola.
Não faz lembrar ninguém, porque é um orador pessoal, que expõe o seu pensamento, mediante expressões que são suas.
Como no orador de Tácito, há em Salazar os recursos «ex multa eruditione et plurimis artibus et omniem rerum scientia». Sem a muita literatura, a abundância dos conhecimentos, e a ciência geral, Salazar não poderia dar à expressão do seu pensamento, o geometrismo totalitário que a caracteriza.
Nos seus Discursos, debatem-se problemas de administração, apresentam-se ou justificam-se soluções de questões internas ou externas, esboçam-se directrizes a adoptar, vincam-se tendências a utilizar, etc. Está neles, a vida do Estado português na sua complexidade fundamental, na sua tessitura essencial, desde 1928 para cá.
E é por isso que, através de toda a paisagem multiforme que estas mil e duzentas páginas oferecem à Crítica, há, para além do que é episódico ou propriamente temporal, um pensamento político, uma filosofia política, uma doutrina política ¾ pensamento, filosofia e doutrina que colocam o Chefe do Governo português na primeira fila dos grandes Mestres do pensamento político português.
É possível, e devia fazê-lo quem tivesse vagar para tal, organizar-se uma espécie de Summa Política, com os pensamentos, conceitos, sentenças que Salazar espalhou pelas mil e duzentas páginas dos três volumes dos seus Discursos - em que se algumas vezes se limita a sintetizar, em fórmulas precisas, pensamentos vagos ou informes, errantes ou confusos, outras vezes cria ele próprio ideias, atitudes ou posições doutrinárias.
No conjunto difuso, por força da própria natureza das coisas, pela multiplicidade dos objectivos e pela variedade dos motivos - sobressaem, frutos de lapidação magistral, as sentenças, os conceitos, os pensamentos, que serão um dia, quando este País, vencido o temporal, regressar da crise moral e intelectual em que se debate, citados, lembrados, invocados como característicos desta época, e tomados como ponto de partida para elocubrações do Espírito.
Hoje, é cedo. Estamos todos a naufragar em vagas fundas da Mesquinhês, Inveja, Petulância, Rancor e Imbecilidade, pasmando a gente de que este homem sofreie a náusea que o ambiente lhe deve provocar, e encontre em si próprio estímulos ou pontos de apoio para se manter na tentativa de dar à hora que passa a aparência de grandeza e beleza ¾ contra a Mediocridade que rosna, o Despeito que calunia, a Estupidez que malsina, o Egoísmo que deforma, a Hipocrisia que envenena, a Impaciência que perturba, e a Ambição que corrompe. Porque é o Pensamento em Acção, e porque esta dispõe de elementos que o Pensamento, só por si, não possui, Salazar consegue fazer-se ouvir, e, às vezes, comentar. É porém tão forte esse Pensamento, tão carregado de substância, que ultrapassará o momento do encerramento da Acção, e constituirá, no futuro, não só o objecto de digressões históricas, mas também de investigações especulativas.
O que nós não sabemos ou não queremos fazer hoje - o Enchiridion do pensamento salazariano, outros o farão um dia, se não se subverter tudo com a catástrofe que paira sobre o mundo e está a destruir sistematicamente tudo o que conseguiu vencer a demolição lenta do Tempo, na sua acção multi-milenária - em nome da Civilização e da Liberdade dos Povos!
Sim. Contra todos os rancores impotentes e inquietos, o Pensamento Político de Salazar projectar-se-á, e será objecto de estudo profundo e sério, quando dos mistificadores ou bolas de sabão, das bexigas ou balões infantis, não houver mais do que vagas lembranças em ruínas.
Ele ficará, no geometrismo totalitário da sua expressão, na pureza translúcida da sua essência, e na fulguração estelante da sua força, como, na França, o pensamento dum Pascal ou dum Maurras, na Alemanha, o Pensamento dum Schopenhauer ou dum Nietzsche.
Essencialmente católico, essencialmente português, não o crestam os tufões da Revolução e da Enciclopédia, e por isso ele marca, no quadro da vida histórica de Portugal, o lugar único do Pensamento em Acção, e no grande panorama do Pensamento político português, um dos lugares primaciais dos seus Mestres.
Lugar único do Pensamento em Acção, porque ele foi o único, até agora, que levou para a Acção governativa o propósito de um Pensamento político puro. Entrou no Poder, não só para administrar, mas para doutrinar - realizando.
Livre de quaisquer compromissos, não tendo hipotecado a ninguém os seus passos, entrou no Poder, não para servir os interesses deste ou daquele, não para realizar o programa deste ou daquele, mas para pôr em acção o seu pensamento que pretende ser, paralelamente, e sendo-o de facto, o Pensamento de muitos outros, ou da sua época, nem por isso deixaria de ser o seu Pensamento, e só como seu seria tratado.
Tem-se sido propício o Poder, na consecução do seu projecto, na realização do seu objectivo?
Isso é outro problema.
Note-se que estou a referir-me ao seu Pensamento político, e não à sua acção administrativa. Neste último campo, tem tido colaboradores apreciáveis. Mas na efectivação do seu Pensamento político, tem sido - totus, solus at unus. Não discuto as razões. Verifico o facto.
Nestes três volumes dos Discursos, o que superiormente me interessa é precisamente a Filosofia política que os informa, ou a substância filosófica que os alimenta, porque é ela que consagra o seu autor, como um dos grandes Mestres do Pensamento político português. Não fosse ele um destes, e nunca se teriam celebrado os dois centenários - o da Fundação e o da Restauração do Estado português, com o Equilíbrio, a Superioridade espiritual e a compreensão portuguesa que caracteriza essa comemoração.
E é esse Mestre do Pensamento político português - um dos maiores que a nossa Literatura contém, que quero, neste momento, saudar e festejar.»

(In Os Discursos do Chefe do Governo, in «Esfera», n.º 89, p. 4. 1944.)

***
«... É um regalo excepcional para o meu espírito, ouvi-lo ou lê-lo. Subtil, sem ser incompreensível ou difícil; claro, tem de ser banal; castigado na forma de se exprimir, sem cair em requintes doentios — e depois, acima disso tudo, embebido numa doutrina que só não é perfeita por lhe faltar o fecho da abóbada — o espírito do sr. Presidente do Conselho é do mais formosos espíritos políticos da nossa História.
O infeliz Trindade Coelho tinha razão: fala europeu. Ao nacionalismo da sua linguagem corresponde o universalismo do seu pensamento.
Salvo raras excepções os governantes do Estado que a República revelou ou teve falavam pretoguês, e o seu pensamento era, quando muito, um pensamento de botequim ou de baiúca. Os melhores ainda chegavam ao pensamento de partido. Nenhum atingira o pensamento nacional: o sr. Presidente do Conselho Oliveira Salazar ultrapassa as fronteiras da Nação: é o pensamento europeu, no que este tem de mais profundo e mais sólido.
Voto, pois, em primeiro lugar, na Inteligência, que o sr. Presidente do Conselho representa.»

(In Eu voto! E porque voto?, in «A Voz», n.º 2811, pp. 1/6, 14.12.1934.)

18.4.07

Salazar visto por Alfredo Pimenta - I


«... Entre os títeres que representam o bloco ocidental, e o Neo-Czar um Homem, com H grande, que não é americano, nem russo, nem inglês, nem escandinavo, nem francês, nem abexim; um Homem que não dispõe de exércitos nem de esquadras, de bombas atómicas ou de vetos; um Homem que não anda turisticamente pelas salas das conferências, nem é chamado aos conclaves dos medíocres, porque os confundiria a todos. Esse homem é português, e dispõe tão só da sua Inteligência culta, da dialéctica honesta das suas razões sinceras, da profundeza e da substância das suas doutrinas sãs - chama-se Salazar.
A demência de uns, à inferioridade mental de outros, à ciganice destes, ao cinismo daqueles, só ele seria capaz de opor a verticalidade insuperável dos seus princípios, a inflexibilidade da sua ética, a serenidade impecável da sua austeridade, tudo o que, há perto de vinte anos, constitui o capital seguro da sua política.
Que falta a este Homem, para ser, na hora doente em que vivemos, guia previdente, conselheiro sensato, e Juiz severo? Para ser grande, não precisa de ser comparado aos Grandes reinantes. Compará-lo a eles é ofuscá-los, sumi-los, reduzi-los à sua natural insuficiência.
O que falta é apenas isto: ser governante de um Estado poderoso que, para se fazer ouvir e obedecer, tenha atrás de si, a apoiá-lo, as bocas dos canhões e as baionetas dos Exércitos.
No mundo materialista que é o nosso mundo, o que vale é a Força bruta - a força das Armas, ou a força dos Dollars.
Salazar fala em nome de um Estado que possui apenas uma História.
Representa uma Ideia, em um momento em que só os maquiavelismos pragmáticos valem; representa o Espírito, quando só a Matéria pesa; representa a Lealdade, quando só a Hipocrisia se impõe; representa a mão estendida e aberta, quando o punho cerrado se respeita e adora.
Há quase vinte anos, um Povo, caído na mais terrível das insolvências, entregou-se nas suas mãos. Esse homem pediu confiança, e só com ela, ergueu esse Povo, e fez desse Povo atribulado, escarnecido, desprezado, o único Povo da Europa que não precisa de esperar a esmola do pão que come, e que seria feliz se não fossem as desgraças dos outros.
Porque não se entrega o mundo, com fé, a esse Homem, em vez de andar atrás dos grandes pigmeus e dos seus planos mirabolantes que encalham aqui, e encalham acolá, e são manifestamente, indiscutivelmente, idiotas?
Digo isto sem sombra de cortezanismo ou de lisonja. Depois de mim, logo depois de mim, o primeiro que está certo de que sou incapaz de uma e outra coisa, é Salazar!
Não quis a Providência restituir-nos o Rei. Deus sabe com que mágoa o verifico!
Mas há perto de vinte anos que está à frente dos nossos destinos, para seu próprio sacrifício, e o nosso orgulho e o nosso bem, a Inteligência culta e o carácter nobre de Salazar.
Só Deus sabe com que satisfação o reconheço!
Vinte anos contínuos, se fizer a história verdadeira do mundo civilizado, e desta Paz de rancores e de inépcias, há-de confessar-se que só um Homem existiu que poderia evitar que essa Paz fosse rancorosa e inepta: Salazar. Não o ouviram, não o chamaram, que é da natureza das coisas que os medíocres e os sub-medíocres fechem os ouvidos às palavras clarividentes dos espíritos cultos, e fechem os olhos aos exemplos das consciências sinceras e rectas.»

(In Em Defesa da Portugalidade, pp.24/27, 1947.)

***
«... É, na verdade, uma hora nova, esta hora que estamos a viver.
Devemo-la, de modo especial, a um homem: a Salazar, encarnação de Princípios, de Ideias, de Doutrinas que o Portugal legal de há um século ignorou, embora no Portugal real não faltasse quem Ihas proclamasse.
Um dos grandes e imortais serviços prestados a Portugal por Salazar consiste numa coisa de que só os verdadeiros Homens de Estado são capazes: fazer das circunstâncias, instrumentos úteis das suas ideias.
Chamado ao poder para sanear as Finanças públicas, Salazar não se limitou à missão de que o tinham encarregado; foi muito mais além: meteu ombros à tarefa difícil de limpar a Nação das mazelas revolucionárias, restituindo a Nação à própria Nação. Nesse trabalho anda empenhado. Trabalho gigantesco, porque o peso morto das resistências passivas, dos egoismos interesseiros, do incivismo das chamadas elites, da incompreensão e da estupidez das massas, da influência deletéria das forças ocultas, é enorme, e bem poucos são os que vêem para além das fórmulas do presente, necessariamente transitórias, as bases estáveis que o Futuro reclama.
Dá-me Salazar a impressão da voz do que clama no deserto. À audácia silenciosa do seu pensamento, responde a cobardia, a timidez, o gaguismo dos que deviam acompanhá-lo, animá-lo, estimulá-lo e facilitar-lhe o terreno por onde tem que andar.»

(In Infantas de Portugal, in «Gil Vicente», vol. XVI, n.º 10/11/12, p. 222, Outubro/Novembro/Dezembro de 1940.)

16.4.07

A verdade sobre Aristides de Sousa Mendes

"Embaixador desmistifica «lenda» Sousa Mendes

Terceiro classificado por votação dos telespectadores no concurso promovido pela RTP «Os Grandes Portugueses», a figura de Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus no período da II Grande Guerra, continua envolta em muitos mistérios e alguma polémica.
Para uns, Sousa Mendes é recordado como um «homem bom e justo» que, em Junho de 1940, contrariando as ordens do Governo de Lisboa, emitiu vistos e passaportes e, nalguns casos, chegou mesmo a atribuir falsamente a identidade portuguesa a milhares de foragidos, sobretudo judeus, que pretendiam a todo o custo alcançar os lugares tidos por seguros. Como Portugal, que Salazar conseguiu manter neutral no conflito.
Para outros, o cônsul está longe de justificar o papel de «herói» que muitos lhe atribuem e, aqui e ali, tentam repor a verdade àquilo a que chamam «falsificação da História» e, através de factos, muitos deles documentados, desmistificam a «lenda» Sousa Mendes. Bastará uma pesquisa atenta no arquivo do MNE ao processo do antigo cônsul — apesar de muitas peças do seu dossier terem misteriosamente desaparecido, sem que até hoje ninguém tenha procurado investigar quem foi o autor (ou autores) do desvio — para que algumas pessoas «verdades» deixem de o ser.
Ao contrário do seu irmão gémeo César, que também fez carreira na diplomacia tendo alcançado o posto de Ministro Plenipotenciário de 2.ª classe, Aristides arrastou-se entre postos consulares de pequeno relevo, foi acumulando processos e mais processos disciplinares desde o longínquo ano de 1917, na I República, até 1940, tendo acabado por passar à disponibilidade e aguardar aposentação, mas continuando a auferir a totalidade do vencimento correspondente à sua categoria (1.595$30). O que desde logo «mata» a tese dos que teimam em acusar Salazar de ter «perseguido» o cônsul e de o ter «obrigado» a «morrer na miséria». Pelo contrário, o então Presidente do Conselho mostrou-se benevolente com Aristides em muitas alturas, nomeadamente quando, contrariando o parecer do Conselho Disciplinar do MNE que, na sequência de mais um processo disciplinar, propôs a pena de descida de categoria do cônsul, apenas determinou a sua inactividade por um ano, com vencimento de categoria reduzido, mas recebendo a totalidade do salário correspondente ao exercício.
Outra verdade que tem sido ocultada pelos defensores de Aristides Sousa Mendes: o cônsul condicionava a emissão de vistos e passaportes ao pagamento de verbas e à obrigatoriedade de contribuição para um estranho «fundo de caridade» por si próprio instituído e gerido, situação que viria a ser denunciada junto do MNE quer pelos serviços da embaixada britânica quer por muitos dos que beneficiaram das «facilidades» de Mendes.
Também esclarecedora para a verdade sobre Sousa Mendes é a carta que o Embaixador Carlos Fernandes(*) dirigiu, em Maio de 2004, a Maria Barroso Soares, presidente da entretanto criada «Fundação Aristides de Sousa Mendes», quando esta pretendeu promover uma homenagem nacional, custeada com dinheiros públicos, ao antigo cônsul.
O DIABO teve acesso à referida missiva, bem como a algumas «notas soltas» que o embaixador lhe juntou, que aqui publicamos na íntegra.

«Lisboa, 5/5/04

Senhora Dra. Maria Barroso Soares

Um antigo embaixador de Israel em Portugal, que foi «instrumental» na mistificação de Aristides de Sousa Mendes, publicou há dois dias no Diário de Notícias, a propósito do aniversário daquele antigo cônsul, um artigo de elogio a Sousa Mendes, reincidindo em duas mentiras que foram fundamentais para aquela mistificação:
a) que foi expulso da carreira diplomática;
b) que morreu na miséria (depreendendo-se que por ter sido expulso da carreira diplomática e sem vencimento).
Ora, tanto quanto eu pude averiguar, primeiro Sousa Mendes nunca foi da carreira diplomática, pertencendo sempre à carreira consular, que era diferente, e, em princípio, mais rendosa; depois, nunca dela foi expulso: como conclusão de um 5.º processo disciplinar, foi colocado na inactividade por um ano, com metade do vencimento de categorias e, depois desse tempo, aguardando aposentação com o vencimento da sua categoria (1.595$30 por mês) até morrer, sem nunca ter sido aposentado, situação mais favorável do que a aposentação.
Portanto, se morreu na miséria, ou pelo menos com grandes dificuldades financeiras, isso deve-se a outros factores que não à não recepção do seu vencimento mensal em Lisboa. Demais, A. Sousa Mendes viveu sempre com grandes dificuldades financeiras.
É óbvio que, quem tenha 14 filhos da mulher, uma amante e uma filha da amante não sairá nunca de grandes dificuldades financeiras, salvo se tiver outros rendimentos significativos, além do vencimento de cônsul.
Vi pelo artigo acima referido que a Sr.ª Dr.ª Maria Barroso é presidente da Fundação A. S. Mendes, e só por isso lhe escrevo esta carta e lhe remeto os elementos de informação anexos.
Eu escrevi sobre Sousa Mendes, de forma simpática, num livro publicado há dois anos (Recordando o caso Delgado e outros casos, Universitária Editora, Lisboa, 2002) de págs. 27 a 30, porque o conheci e tive ocasião de ajudar dois dos seus filhos, um em Lisboa e outro depois em Nova Iorque quando lá era cônsul.
Nada me move contra A. Sousa Mendes, antes o contrário, mas não posso pactuar com a mentira descarada e generalizada. Salazar é atacável por várias razões, mas não por ter «perseguido» A. Sousa Mendes, que, aliás teve problemas disciplinares em todos os regimes de 1917 a 1940.
Quando fui director dos Serviços Jurídicos e de Tratados do MNE, tive de estudar o último processo disciplinar de A. Sousa Mendes, de cuja pasta retiraram já muitas peças.
Por outro lado, o meu amigo Prof. Doutor Joaquim Pinto, sem eu saber, fez um estudo bastante completo sobre A. Sousa Mendes, e com notável imparcialidade.
Eu não pretendo vir a público atacar ou defender A. Sousa Mendes, e, por isso, nem penso rectificar o artigo do embaixador de Israel, mas em abono da verdade, e para seu conhecimento, entendo ser meu dever remeter-lhe uma cópia do estudo e notas em anexo, de que poderá fazer o uso que entender.
Com respeitosos cumprimentos,
Carlos Fernandes»"

In «O Diabo», n.º 1579, 03.04.2007, pág. 6

(*) Embaixador Carlos Augusto Fernandes, licenciado em Direito, com distinção, pela Faculdade de Direito de Lisboa. Entrou no MNE em Abril de 1948 como adido da Legação. Foi cônsul de Portugal em Nova Iorque e Encarregado de Negócios no Paquistão, Montevideu (Uruguai) e Venezuela. Foi conselheiro da Legação Portuguesa na NATO (Paris), Director Económico do MNE. Director dos Serviços Jurídicos e Tratados do MNE e Embaixador de Portugal no México, Holanda e Turquia.